Curta no Facebook

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

"Ela é o Cara", de Andy Fickman (2006)


Podem dizer o que quiserem, mas, para mim, uma das melhores adaptações de Shakespeare para o cinema é "Ela é o Cara". "Ah, é filmezinho teen...", "ah, é comédia romântica...", "ah, não é totalmente fiel à história...", "...sacrifica o texto original.". Ora, por isso mesmo! "Ela é o cara" adapta uma das comédias mais divertidas do gênio inglês sem soar excessivamente reverente nem pedante. Não incorre no mesmo erro, por exemplo do "Hamlet", de 2000, com Etahn Hawke, que mesmo se passando em um cenário contemporâneo, faz uso do texto original, ou do "Romeu+Julieta" (1996), de Baz Luhrmann, que num ambiente quase cyber-punk , em meio a muita bala e ao som de muito rock, fica cheio de "vós sois...", "se quiserdes...", e coisa e tal. A maior demonstração de respeito à obra do diretor Andy Fickman é fazer rir, e tenho certeza que por utilizar tão bem seu argumento original, Shakespeare ficaria orgulhoso.

Se na peça que inspira o filme, "Noite de Reis" a protagonista Viola é uma jovem que, supondo a morte do irmão num naufrágio, no reino onde vai parar, assume a identidade de seu gêmeo e passa a trabalhar como mensageiro para o Duque Orsino, por quem se apaixona, não podendo, no entanto, revelar quem verdadeiramente é, até porque sua tarefa, como serviçal, é, justamente, ajudar o nobre a conquistar a bela Olivia; na adaptação a garota, de mesmo nome, interpretada pelo ícone dos filmes adolescentes, Amanda Bynes, é uma adolescente apaixonada por futebol e boa de bola, que sabendo da dissolução do núcleo de futebol feminino de sua escola, aproveita uma viagem do irmão Sebastian ao exterior, para, disfarçada de rapaz, assumir sua identidade e ingressar no time de futebol masculino na outra escola. A semelhança com o irmão e o futebol, tudo bem, mas como lidar com a anatomia feminina, hábitos masculinos, paqueras e coisas do tipo? Sem falar nos percalços, contratempos, encontros e desencontros com a namorada do irmão, que não sabe que ele está em Londres, com a colega Olivia que acaba se apaixonando por ele (ela), um colega intrometido que começa a desconfiar da coisa toda; e a situação com o colega de time, Duke, por quem acaba se apaixonando.

A cena da quermesse em que Viola se compromete em comparecer, com as duas identidades, e tem que se desdobrar para ser Viola e Sebastian, alternadamente, conforme a situação, é hilária! A do bar, quando tem que provar para os novos amigos que é um cara, e convoca as amigas para simular serem suas 'namoradas', fazendo os colegas de time pensar que é um gostosão, é outra de gargalhar. Mas nada se compara à cena do jogo final: primeiro o irmão, Sebastian, de volta da viagem e sem saber de nada, tendo Viola sido desmascarada pelo colega enxerido, é acusado de ser garota e abaixa o short para provar que não. Depois ela, tendo Sebastian confirmado que é homem, e ela ainda sob disfarce, tendo que provar o contrário para Duke, levantando a camiseta durante o jogo, para choque da torcida, numa das cenas mais cult das comédias teen.

Digam o que quiserem: "Ah, é filme de Sessão da Tarde...", "ah, é comédia teen...", "ah, é muito clichê...", "...Shakespeare deve estar se virando no túmulo". Que seja! Eu morro de rir!

"Acredita agora?".
Viola provando quem é em um dos momentos mais engraçados do filme.


Cly Reis


Nenhum comentário:

Postar um comentário