terça-feira, 28 de julho de 2026
Capas de K7 X - "Rolling Stones"
segunda-feira, 30 de março de 2026
Morcheeba - "Blaze Away" (2018)
Somente grandes bandas resistem à perda de um integrante essencial. Os ingleses da Rolling Stones, quando da trágica morte de Brian Jones, em 1969, e a Pink Floyd, que perdia o genial mas perturbado Syd Barrett em 1968 para a doença mental, são dois exemplos clássicos de bandas que souberam se reinventar mesmo sem aqueles que as fundaram. Grupo símbolo do bom gosto no pop dos anos 90, a igualmente britânica Morcheeba também passou por essa prova. Conhecida por sua sofisticada mistura de trip hop, folk rock, R&B, eletropop e downtempo, o trio, formado pela cantora Skye Edwards e os irmãos Paul e Ross Godfrey, abriu sua trajetória, em 1996, com "Who Can You Trust?", e, dois anos depois, lançavam o essencial "Big Calm", top 10 da parada britânica. Mantiveram o êxito no sucessor "Fragments of Freedom", de 2000, que os alçou ao estrelato com o hit "Rome Wasn't Built in a Day".
Porém, em 2005, as relações internas começaram a se desestabilizar. Após o ótimo "Charango" e uma década juntos, Skye deixa a Morcheeba por um tempo, retornando dois álbuns depois, em 2013, para "Head Up High". Só que, agora, quem se despedia era Paul – e ele, pelo visto, em definitivo. E então: suas programações de ritmo, samples, percussões e scratches, tão essenciais para o estilo da banda, como ficariam? Não se valeriam mais desse tipo de expediente? A supressão dele iria mudar a proposta sonora da banda? A resposta veio após cinco anos no magnífico "Blaze Away". A agora dupla Skye e Ross não só manteve a qualidade que caracteriza a Morcheeba como, ainda, produz um dos melhores trabalhos da discografia da banda.
Com produção e sonoridade caprichadas de sempre, “Blaze Away” (que quer dizer algo como "chama acesa") abre com uma música de título também bastante simbólico para este novo momento: "Never Undo" ("Nunca desfaça"). Trip hop sentimental de letra apaixonada, talvez também deixe um "recado" aos que se foram: "Você foi uma história sombria/ Mas não deixe isso afundar/ Vamos apenas cantar". Na sequência, a faixa-título, um eletro-funk matador com a participação do rapper Roots Manuva cuja voz potente contrapõe o delicado timbre de Skye. Sonzasso.
"Love Dub", como o nome diz, traz o ritmo jamaicano com a invariavelmente ótima guitarra de Ross e um inspirado refrão, desses facilmente cantaroláveis, especialidade da Morcheeba: “Lead the healing/ Build the bridge/ Freedom feeling/ We begin there”. E por falar em melodia bonita em forma de música pop, “It's Summertime” é exemplar. Embalada pela guitarra de Ross sobre uma programação de ritmo e efeitos de teclados, é tão solar como o título sugere. E o que é Skye pronunciando a palavra “love”?! É de se apaixonar por esse verão.
Já a bela “Sweet L.A.”, mais cadenciada, é basicamente ao som do órgão e a doçura vocal de Skye. Pura delicadeza. Na sequência, talvez a melhor do disco e uma das grandes de todo o cancioneiro da Morcheeba: "Paris Sur Mer", que entra na interessante lista de canções cantadas em francês por artistas de outra nacionalidade como “Touche Pas à Mon Pote”, do brasileiro Gilberto Gil, e “Aéro Dynamik”, dos alemães Kraftwerk. Claro, aqui Skye e Ross são ajudados sobremaneira pela poderosa e sensual voz do cantor e ator francês Benjamin Biolay. Um ritmo funkeado sobre um riff de violão, que, na mesa de som, soa como se sampleado por eles próprios. Tem também o tradicional solo de Ross com pedal wah wah, marca dele em várias outras músicas da banda, como as antigas “The Sea” e "Shoulder Holster", de “Big Calm”, e “Cut to the Chase”, de “Blood Like Lemonade” (2010). Mas, além disso tudo, tem o charme do idioma de Proust sendo cantado em uníssono por essas duas lindas vozes masculina e feminina, ao estilo Gainsbourg-Birkin: “Paris-Sur-Mer/ Station de ski d'hiver/ Paris-Sur-Mer/ Se rêve en station balnéaire”.
Com o clima de folk downtempo (tal músicas como “Aqualung” e “Part of the Process”, de álbuns anteriores), "Find Another Way" vem em seguida. É outra dessas melodias graciosas que só a Morcheeba sabe compor, e sempre com o vocal cheio de sensualidade de Skye, suavemente rouco e de timbre levemente infantil. Sua voz carrega com elegância também o synth-funk "Set Your Sails", formando uma camada vocal em overdub e num fluxo temporal diferente da base eletrônica e dos outros instrumentos.
Encerrando “Blaze...”, a belíssima "Free of Debris", balada romântica ao estilo de outras da banda, tipo “Fear and Love”, “Undress Me Now” e “Col”, mas desta vez também com algo de ambient. Curta e poderosa, quase uma vinheta para o viajandão trip hop "Mezcal Dream", que finaliza o disco unindo as vozes de Skye e da francesa Amanda Zamolo. Cheia de efeitos, samples, programação de ritmo... pelo visto, Paul Godfrey não está fazendo tanta falta.
Dá para dizer que “Blaze...” é o “Exile on Main Street” ou o “Atom Heart Mother” da Morcheeba? Talvez seja uma comparação exagerada, mas não descabida. Skye e Ross, cientes de que agora o barco é só com eles, esmeraram-se e trouxeram um álbum que não apenas dignifica a história do grupo como, no mesmo peso, superam a ausência de um ex-integrante e mantêm, sim, a banda plenamente viva. Tal Rolling Stones e Pink Floyd fizeram um dia quando estiveram quase por acabar. Atitude de grandes bandas.
Clipe da faixa-título "Blaze Away"
https://www.youtube.com/watch?v=Is4lHku5iyw&list=PLLAu8-cB6PqsyLzpYUCIzqD5XJRUZduGu
Daniel Rodrigues
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
"Robert Johnson - Pacto de Amor à Música", de J.M. Dupont e Mezzo - ed. Darkside / selo Macabra (2022)
Algumas biografias, às vezes, podem ser melhores nos quadrinhos do que escritas. Embora tenha assistido a alguns documentários, nunca li, efetivamente, nenhuma biografia de Robert Johnson, mas o que posso afirmar é que a graphic-novel "Robert Johnson - Pacto de Amor à Música", cumpre muito bem seu papel em contar a trajetória do nome, possivelmente, mais importante da história do blues e, certamente, um dos mais importantes da história da música em todos os tempos.
Nome sempre cercado por lendas, polêmicas e histórias mal contadas, Robert Johnson figura que mudou a forma de fazer, de tocar o blues e influenciou diversos nomes de expressão como Bob Dylan, Rolling Stones, Led Zeppelin, Eric Clapton e outros, teve uma vida conturbada desde a infância, como era comum aos negros norte-americanos sulistas no pós-escravidão. Dotado, na juventude, de um "misterioso" talento, conquistou respeito e até uma certa inveja dentro do meio musical, ao mesmo tempo que causava a ira de produtores musicais por sua irresponsabilidade e tendência à bebida, e provocava o ódio de maridos por conta de sua reputação de mulherengo. Mas é claro, que o principal elemento que envolve o nome de Johnson é o suposto pacto com o Diabo, que teria proporcionado a ele todo aquele absurdo talento.
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| Arte que remete ao impressionismo de Van Gogh com a tradição dos negros sulistas das garrafas nas árvores para capturar os maus espíritos |
O livro roteirizado pelo jornalista e escritor J.M. Dupont e pelo quadrinista Mezzo, como não podia deixar de ser, explora a lenda na própria narrativa, proporcionado uma condução interessante e constantemente instigante. Com as devidas liberdades artísticas e criativas diante da falta de informações precisas, com uma arte robusta e com um traço marcante, os autores nos entregam uma biografia gráfica convincente ao mesmo tempo poética e documental.
Mais uma biografia em quadrinhos que não fica devendo nada a outras em outros formatos e que comprova, mais uma vez, o valor das HQ's. Documento indispensável para amantes da música, aficcionados pelo blues, fãs de Robert Johnson e, até mesmo... adoradores do Diabo.
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| Arte maravilhosa de Mezzo! O blues embalando a loucura durante a grande depressão norte-americana dos anos '30 |
por Cly Reis
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
ÁLBUNS FUNDAMENTAIS Especial de 15 anos do ClyBlog - Rita Lee - "Entradas e Bandeiras" (1976)
Meu amigo Cly me convidou para falar sobre meu álbum fundamental. Desafio.
Um só?
Após revisitar algumas influências, poderia falar de Beatles, Stones, Pink Floyd, optei por algo brasileiro, da minha Terra. Sendo assim, impossível não falar de Rita Lee, nossa rainha do Rock BR, Nossa Senhora dos overdrives tupiniquins.
Continua sendo um desfio, pois Rita coleciona álbuns considerados pérolas da nossa MPB.
Escolhi seu terceiro disco em parceria com a banda Tutifrutti, "Entradas e Bandeiras", de 1976, que considero um divisor de águas por conta de sua sonoridade antiga e pesada. Quando li sua autobiografia, vi que questionou o resultado final deste disco e do anterior, Fruto Proibido, de 1975. Mas pra mim e muitos brasileiros, como meu pai, que me apresentou o LP (o qual roubou de uma prima, aos 14 anos) ele mostra que a sonoridade do rock n’ roll funciona perfeitamente com a embocadura do português bem brasileiro, executado com maestria nas composições da Rita, como sempre.
Apaixonante desde o primeiro acorde, o disco inicia com "Corista de Rock", composição em parceria com o guitarrista Luis Carlini, que já dá a cara, identidade do disco, deixando bem claro ao que veio. A voz de uma jovem Rita, os fabulosos timbres de guitarra, de sonoridade britânica, de amplificadores Marshalls (bem populares na época) e o baixo de timbre mais estalado, Rickenbacker, remetem a uma atmosfera vintage e crua, que dá vontade de aumentar o volume.
A curiosidade fica por conta da quarta faixa, "Bruxa Amarela", única que não foi
composta pela Tuttifrutti ou Rita, assinada por Raul Seixas e o escritor Paulo Coelho.
Esta obra-prima é um dos meus discos favoritos da vida, ótima opção para sacudir os cabelos!
★★★★★★
FAIXAS:
Thales Amon toca violão e guitarra desde os 8 anos, estudou piano na Escola de Música Villa-Lobos, é bacharel em guitarra pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM-CEU), músico e arranjador do Bloco Superbacana, produtor executivo do Bloco do Barbas, professor de guitarra no Projeto Hora Extra da escola Oga Mitá. Tem como suas principais influências o rock, pop, jazz e mpb dos anos 60 e 70.
sábado, 10 de setembro de 2022
Street Fighting Man
domingo, 6 de março de 2022
Deep Purple - Riocentro - Rio de Janeiro / RJ (01/12/2006)
| O Deep Purple, na turnê brasileira de 2006 |
Embora não tenha colocado como meta pessoal, pelo fato desses nomes terem contribuído substancialmente para minha formação musical, dos tantos shows que fui, acabei já tendo presenciado a apresentações de alguns desses artistas fundamentais para a história do rock. Já vi ao vivo Rolling Stones, Black Sabbath, vi Pink Floyd, ou pelo menos parte dele, no show de Roger Waters, e, num negocinho de ocasião, vi o Deep Purple. Quando foi anunciado, no finalzinho de 2006, meu primeiro ano morando no Rio de Janeiro, que eles viriam e tocariam na cidade, inicialmente, os ingressos foram informados em valores um tanto salgados. No entanto, logo em seguida, talvez percebendo a baixa procura, numa promoção do extinto Jornal do Brasil, com um cupom e, se não me engano, um alimento não perecível, o preço ficava extremamente em conta.
Aí não teve dúvidas: pronunciei a minha entrada e me garanti pro show de uma das maiores lendas do rock de todos os tempos. O problema é que a parada ia rolar lá no Riocentro e, pra quem não é do Rio e não tem muita noção, o tal do lugar é longe pra caramba. Pra piorar, o Riocentro é um conjunto de pavilhões para eventos em geral, feiras, simpósios, etc., e a estrutura física dos prédios não é nada adequada para shows de rock. Muito concreto, vigas metálicas, telhas de zinco, pilares distribuídos ao longo do espaço... Resultado: acústica ruim, reverberação, pontos cegos, visibilidade prejudicada pelos pilares... enfim: uma bela bosta!
Mas não tem sabotagem infra-estrutural que derrube um show do Deep Purple. Boa parte da banda original no palco, incluído o frontman Ian Gillan, um repertório clássico w de respeito, energia total e uma galera de fãs empolgada por estar vendo à sua frente aqueles monstros do rock.
Sinceramente não lembro com detalhes do show em si, de cada momento, do set-list e tal. Minha recordação é mais como um todo e essa memória é feliz e muito positiva. É claro que teve, "Black Night", "Space Truckin'", "Highway Star", e "Smoke on the Water" que, essa sim lembro, foi uníssonamente acompanhada em coro pela galera.
Já vi Black Sabbath, já vi Deep Purple... faltou o Led Zeppelin pra completar a tríade dos criadores do metal. Mas vai que Plant, Page e Jones resolvam se juntar pra uma última turnê... Essa seria uma daquelas pra não perder de jeito nenhum. Daquelas oportunidades únicas. A do Deep Purple foi uma dessas. Ainda bem que não perdi.
Confira abaixo alguns momentos do show do Rio, em 2006, obtidos no canal do fã
quarta-feira, 25 de agosto de 2021
Música da Cabeça - Programa #229
Já que não ouviremos mais as batidas mágicas de Charlie Watts, escutemos, então, o que o MDC reservou para hoje. Tem The Troggs, Fausto Fawcett, Beck, Françoise Hardy, João Gilberto e até os Beatles aparecem nessa fila pra se despedir do batera dos Stones. Os quadros fixos trazem notícia e poesia, e também tem "Cabeça dos Outros" prestando homenagem a outro artista que perdemos. Cavalos selvagens, doce anjo negro, lutador de rua, mamãe louca: todos estão convocados para o programa de hoje, 21h, na stoneana Rádio Elétrica . Produção, apresentação e R.I.P., Daniel Rodrigues.
http://www.radioeletrica.com/
Não existirá banda para Charlie Watts no céu
por Cláudio Mércio
Observações que eu fazia do mundo mostravam a imortalidade como algo possível. Minha tese baseava-se na presença eterna de algumas pessoas. Seres que estavam presentes antes da minha vida e certamente continuariam presentes depois dela. Vi que minha tese não tinha sustentação quando um dos imortais deixou a vida ir embora. Lembro que quando Frank Sinatra morreu em 1998 eu pensei algo tipo “mas esse cara não era imortal?”.Hoje, pouco depois do meio-dia, chegou a notícia da morte de Charlie Watts, o baterista dos Rolling Stones. Vinte e quatro de agosto foi sempre o dia em que Getúlio Vargas deu um tiro no coração. Não terei como esquecer a data da morte de Watts. Morte de Getúlio, morte de Charlie. Os Stones, como Sinatra, estão na categoria dos que eu considerei imortais. Talvez Keith Richards venha a confirmar a minha tese, mas hoje ela está derrubada. Como assim Charlie Watts morreu?!? Este senhor nasceu em dois de junho de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial. Na sua profissão, nunca foi considerado o melhor. Usou heroína. Usou álcool. Teve um câncer na garganta. Deu um soco na cara de Mick Jagger com quem trabalhou desde 1963. Com este histórico, não tinha como morrer. Mas o 24 de agosto de 2021 chegou.
E acho que as coisas vão ser difíceis para Watts. Não vai ser fácil encontrar no céu uma banda para um cara que sempre tocou para a guitarra de Richards. Quando as cordas de Keith inspiram, as baquetas de Watts expiram. Sempre foi assim. E no céu está cheio de bateristas muito bons. Não sei se vai ter espaço para um senhor discreto e de terno bem cortado. De qualquer forma, por favor, enterrem Charlie Watts com tambores e pratos.
(1941-2021)
sábado, 20 de fevereiro de 2021
The Rolling Stones - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro /RJ (18/02/2006)
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Mick e sua turma mandaram ver, em uma apresentação histórica. |
Deste modo, eu iria definitivamente em março mas, decidi ir antes, de visita, para perceber o ambiente, conhecer o apartamento, decidir que providências preliminares deveríamos tomar, etc. E por que não unir o útil ao agradável? Um show monumental dos Rolling Stones estava marcado para fevereiro, de graça, na praia de Copacabana, e vi aí uma grande oportunidade de ver, ao vivo, uma das maiores bandas do planeta, coisa que até então eu nem imaginava que seria possível. Marquei minha ida, então, para aquele período. Passeei, fui à praia, visitei pontos turísticos e no dia dos Rolling Stones, lá estava eu. Cheguei cedo mas nem tanto, de modo a não ficar "o dia inteiro" de bobeira lá na frente do palco. Faltavam umas quatro ou três horas para o show quando desci do metrô em Copacabana. Caminhei pela orla até chegar nas proximidades do Copacabana Palace e não era difícil, já à distância perceber onde seria o evento, uma vez que cada vez mais multidão ia se acumulando conforme se chegava mais perto do local do show. Fui me metendo, me acomodando e, no fim das contas, para um evento daquele tamanho e pela hora que cheguei, até que me posicionei bem. Nada muito próximo, mas também nem tão longe que a banda parecesse um bando de formiguinhas. Fiquei na calçada, numa boa diagonal que favoreceria a vista, especialmente, quando Mick Jagger se deslocasse pela longa passarela que avançava entre o público.
Algumas horinhas esperando, uma cerveja aqui, outra ali, algumas situações engraçadas, um monte de gringos inocentemente desavisados sendo assaltados e finalmente chegara a hora do show. Aqueles quatro velhotes eram muito mais do que eu esperava. Um show vibrante, cheio de energia, vitalidade, simpatia e muitos sucessos. Lembro-me, especialmente, de "Brown Sugar", com a galera levantando os braços em resposta aos gritinhos do vocalista, e da elétrica e contagiante "(I Can't Get No) Satisfaction", que fechou o show, beeeem alongada para que a pudéssemos curtir os Rolling Stones, ali, até a última gota, e mais e mais, até que... acabou.
Em algum momento ia ter que acabar, né?
A multidão foi se desfazendo, cada um tomando seu destino e eu, decidindo como voltaria pra casa, de metrô, de ônibus, de táxi, comecei a caminhar, pensando no show, continuei caminhando e acabei indo pra casa a pé, mesmo. Sabe quando a gente quer prolongar o máximo uma sensação? Não era chegar rapidinho em casa, deitar e dormir. Não! Era ruminar cada minuto daquilo que tinha acabado de presenciar. Afinal de contas, não é todo dias que se vê os Rolling Stones, ainda mais naquela que passaria a ser sua apresentação para uma maior plateia em sua carreira. Eram um milhão e meio de pessoas, e eu estava lá. Um no meio daquele milhão e meio.
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| Um mar de gente à beira do mar. Um dos maiores públicos já registrados em um show, em todos os tempos. |
Cly Reis
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
Dossiê ÁLBUNS FUNDAMENTAIS 2020
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| Corre pro abraçaço, Caetano! Você tá na liderança. |
A propósito de país estreante nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, no ano que passou tivemos também a inclusão de belgas (Front 242) e russos (Sergei Prokofiev) na nossa seleta lista que, por sinal, continua com a inabalável liderança dos norte-americanos, seguidos por brasileiros e ingleses.
Também não há mudanças nas décadas, em que os anos 70 continuam mandando no pedaço; nem no que diz respeito aos anos, onde o de 1986 continua na frente mesmo sem ter marcado nenhum disco nessa última temporada, embora haja alguma movimentação na segunda colocação.
A principal modificação que se dá é na ponta da lista de discos nacionais, onde, pela primeira vez em muito tempo, Jorge Ben é desbancado da primeira posição por Caetano Veloso. Jorge até tem o mesmo número de álbuns que o baiano, mas leva a desvantagem de um deles ser em parceria com Gil e todos os de Caetano, serem "solo". Sinto, muito, Babulina. São as regras.
Na lista internacional, a liderança continua nas mãos dos Beatles, mas temos novidade na vice-liderança onde Pink Floyd se junta a David Bowie, Kraftwerk e Rolling Stones no segundo degrau do pódio. Mas é bom a galera da frente começar a ficar esperta porque Wayne Shorter vem correndo por fora e se aproxima perigosamente.
Destaques, de um modo geral, para Milton Nascimento que, até este ano não tinha nenhum disco na nossa lista e que, de uma hora para outra já tem dois, embora ambos sejam de parcerias, e falando em parcerias, destaque também para John Cale, que com dois solos, uma parceria aqui, outra ali, também já chega a quatro discos indicados nos nossos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
Dá uma olhada , então, na nossa atualização de discos pra fechar o ano de 2020:
PLACAR POR ARTISTA INTERNACIONAL (GERAL)
- The Beatles: 6 álbuns
- David Bowie, Kraftwerk, Rolling Sones e Pink Floyd: 5 álbuns cada
- Miles Davis, Talking Heads, The Who, Smiths, Led Zeppelin, Wayne Shorter e John Cale* **: 4 álbuns cada
- Stevie Wonder, Cure, John Coltrane, Van Morrison, Sonic Youth, Kinks, Iron Maiden, Bob Dylan e Lou Reed**: 3 álbuns cada
- Björk, The Beach Boys, Cocteau Twins, Cream, Deep Purple, The Doors, Echo and The Bunnymen, Elvis Presley, Elton John, Queen, Creedence Clarwater Revival, Herbie Hancock, Janis Joplin, Johnny Cash, Joy Division, Lee Morgan, Madonna, Massive Attack, Morrissey, Muddy Waters, Neil Young and The Crazy Horse, New Order, Nivana, Nine Inch Nails, PIL, Prince, Prodigy, Public Enemy, R.E.M., Ramones, Siouxsie and The Banshees, The Stooges, U2, Pixies, Dead Kennedy's, Velvet Underground, Metallica, Grant Green e Brian Eno* : todos com 2 álbuns
PLACAR POR ARTISTA (NACIONAL)
- Caetano Veloso: 5 álbuns
- Jorge Ben: 5 álbuns *
- Gilberto Gil*, Tim Maia e Chico Buarque: 4 álbuns
- Gal Costa, Legião Urbana, Titãs e Engenheiros do Hawaii: 3 álbuns cada
- Baden Powell**,, João Bosco, João Gilberto***, Lobão, Novos Baianos, Paralamas do Sucesso, Paulinho da Viola, Ratos de Porão, Sepultura e Milton Nascimento**** : todos com 2 álbuns
** contando o álbum Baden Powell e Vinícius de Moraes, "Afro-sambas"
*** contando o álbum Stan Getz e João Gilberto, "Getz/Gilberto" ****
contando com os álbuns Milton Nascimento e Criolo, "Existe Amor" e Milton Nascimento e Lô Borges, "Clube da Esquina"
PLACAR POR DÉCADA
- anos 20: 2
- anos 30: 3
- anos 40: -
- anos 50: 15
- anos 60: 90
- anos 70: 132
- anos 80: 110
- anos 90: 86
- anos 2000: 13
- anos 2010: 13
- anos 2020: 1
*séc. XIX: 2
*séc. XVIII: 1
PLACAR POR ANO
- 1986: 21 álbuns
- 1985, 1969 e 1977: 17 álbuns
- 1967, 1973 e 1976: 16 álbuns cada
- 1968 e 1972: 15 álbuns cada
- 1970, 1971, 1979 e 1991: 14 álbuns
- 1975, e 1980: 13 álbuns
- 1965 e 1992: 12 álbuns cada
- 1964, 1987,1989 e 1994: 11 álbuns cada
- 1966, 1978 e 1990: 10 álbuns cada
PLACAR POR NACIONALIDADE*
- Estados Unidos: 171 obras de artistas*
- Brasil: 131 obras
- Inglaterra: 114 obras
- Alemanha: 9 obras
- Irlanda: 6 obras
- Canadá: 4 obras
- Escócia: 4 obras
- México, Austrália, Jamaica, Islândia, País de Gales: 2 cada
- País de Gales, Itália, Hungria, Suíça, França, Bélgica, Rússia, Angola e São Cristóvão e Névis: 1 cada
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
"A Garota de Rosa-Shocking", de Howard Deutch (1986) vs. "Alguém Muito Especial", de Howard Deutch (1987)
Uma diferença crucial é a mudança do gênero dos personagens principais de um filme para o outro: enquanto no primeiro a protagonista é uma garota, Andie, que é vidrada no bonitão ricaço da escola; no segundo, até para dar uma virada geral no panorama, o personagem central é um rapaz, Keith, cujo alvo é uma bela garota, Amanda Jones, que até não é tão endinheirada, mas só anda com a classe alta. No primeiro, Blane, o boa pinta, até está a fim de Andie e arrasta uma asa violenta pra ela, mas se leva muito pelas aparências e no que vão pensar os amigos e a família rica; Amanda, por sua vez, no remake, parece inalcansável num primeiro instante, com um namorado risquinho e babaca e andando com a turminha esnobe da zona nobre da cidade. No entanto, em ambos os casos, nossos heróis estão tão cegos com a beleza dos seus desejados que não percebem que o verdadeiro amor está debaixo dos seu narizes. Duckie, o engraçado e esquisitão amigo de Andie é até contundente em alguns momentos e não esconde dela sua paixão; já a alternativa baterista Watts, embora mais discreta quanto a seus sentimentos, até disfarçando, se escondendo, fazendo beicinho, também não deixa de transparecer o que tem em seu coração.
Assim, escalados, os dois times entram em campo. O time de rosa-choque sai na frente por uma jogada individual. Molly Ringwald, uma das atrizes símbolo dos anos 80 e, no caso particular, uma protagonista bem mais marcante do que é Eric Stoltz na refilmagem, assume o protagonismo do jogo e tira o primeiro zero do placar. Só que a refilmagem, com um esquema de jogo mais bem mais pensado, com um conjunto melhor, empata o jogo.
Jogo se encaminhando para o final. A segunda versão quer ser melhor e para isso a cartolagem intervém. A ordem vem lá de cima, da sala da diretoria, e o técnico do time de 1987 obedece e queima sua ultima troca. Sobe a placa: sai o final em que um protagonista fica com um personagem dos sonhos e entra o final em que o protagonista fica com quem realmente o merece. Gol do remake! Golzinho chorado , aos 44 do segundo tempo. Que virada!
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| Substituição: Sai "final de conto de fadas" e entre "final mais justo e realista". Vitória com o dedo do treinador (mas com a mão da diretoria). |
sábado, 18 de julho de 2020
Roy Orbison - "In Dreams" (1963)
Ele tinha uma voz grandiosa."
"Vendo Roy Orbison,
eu aprendi como cantar uma
balada romântica."
Mick Jagger
"Quando estava quase adormecendo,
escrevi a introdução de "In Dreams",
fui dormir, levantei-me na manhã seguinte
e já tinha a letra.
Todas as músicas são presentes,
mas essa foi realmente um presente."
Roy Orbison
O primeiro contato que tive com a canção "In Dreams", curiosamente, não foi sonoro. O persoangem John Constantine ouvia a canção no rádio de um táxi num episódio da graphic novel, de Neil Gaiman, "Prelúdios e Noturnos", do personagem Sandman, o Mestre dos Sonhos. "A candy-colored clown they call the sandman/ Tiptoes to my room every night/ Just to sprinkle stardust and to whisper/ Go to sleep. Everything is all right...". Embora o autor e seus desenhistas lidassem muito bem com a inserção de elementos músicas dentro do formato de quadrinhos, é óbvio que numa HQ não teria ali som para identificar de que música se tratava, contudo, na mesma edição, numa espécia de sumário para os trechos de músicas mencionadas naquela publicação, o autor era creditado: Roy Orbison.
Somente algum tempo depois é que fui ouvir aquela música em "Veludo Azul", de David Lynch, na interpretação célebre da dublagem do personagem Ben usando a luminária como microfone e foi só então que eu liguei os pontos: "quadrinhos-neilgaiman-sandman-mestredossonhos-indreams-royorbison-veludoazul...". Ah,era aquela! Aquela era "In Dreams" que eu havia lido nos quadrinhos. E ela era maravilhosa! Foi o que precisava para fazê-la cair definitivamente nas minhas graças.
Um dos cantores mais influentes em todo o universo da música, Roy Orbison era admirado por Elvis, Johnny Cash e é frequentemente reverenciado por nomes como Bono, Tom Waits, Bruce Springesteen, entre outros. De minha parte, demorei para conhecer mas desde que tive contato me juntei ao coro dos ilustres fãs. Sua voz inconfundível e suas interpretações singulares estão, definitivamente, marcadas na história da música.
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FAIXAS:
- "In Dreams" (Orbison)
- "Lonely Wine" (Roy Wells)
- "Shahdaroba" (Cindy Walker)
- "No One Will Ever Know" (Mel Foree, Fred Rose)
- "Sunset" (Orbison, Joe Melson)
- "House Without Windows" (Fred Tobias, Lee Pockriss)
- "Dream" (Johnny Mercer)
- "Blue Bayou" (Orbison, Joe Melson)
- "(They Call You) Gigolette" (Orbison, Joe Melson)
- "All I Have To Do Is Dream" (Boudleaux Bryant)
- "Beautiful Dreamer" (Stephen Foster)
- My Prayer (Jimmy Kennedy, Georges Boulanger)






























