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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Música da Cabeça - Programa #405

 

É sério essa febre de colorir desenho de ursinho? É cada coisa que me aparece... Sem muito saco pra pintar, mas convicto em dar seu recado, o MDC traz uma galera com passatempos muito mais proveitosos, como Luiz Melodia, Tom Jobim, Nick Drake, Ira!, Gabriel Yared e outros. Ainda, um Cabeça dos Outros igualmente, digamos, edificante. Colorindo a vida com notas musicais, o programa pinta por aqui às 21h na paleta da Rádio Elétrica. Produção, apresentação e coisa melhor para fazer: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 26 de março de 2025

Música da Cabeça - Programa #404

As algemas já estão separadas, só esperando aquele dia tão aguardado. Enquanto o processo corre, a gente prepara a festa com música. A trilha sonora do xilindró traz Chico Batera, Joe Espósito, Elis Regina + Jair Rodrigues, Frente! e mais, como Jorge Benjor, aniversariante da semana. Ah, e praquele momento mais "Cabeção" da festa, tem ainda Pierre Boulez, que completaria 100 anos. Esfregando as mãos, o MDC forma maioria hoje às 21h na justa Rádio Elétrica. Produção e apresentação "sem anistia": Daniel Rodrigues




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quinta-feira, 20 de março de 2025

John Coltrane - “Giant Steps” (1960)

 

"Aquela sessão foi diferente das gravações anteriores. Parecia a única coisa em que ele [Coltrane] sabia que tinha algo importante. Todos sabíamos".
Tommy Flanagan

Como explicar o fenômeno John Coltrane? A cada disco que se escuta, a cada faixa que se reouve, a cada acorde que é emitido do seu sax transcendente é como se se ouvisse a sublimação. Não fosse sua morte prematura, em 1966, vitimado por um câncer, poderia se afirmar que a genialidade deste compositor e instrumentista sui generis era infindável. Afinal, mesmo em uma discografia extensa, tanto dos trabalhos solo quanto nos quais compôs bandas e/ou parcerias, muitos desses discos trazem um sopro divinal – com o perdão da expressão. Aqui no blog mesmo já listamos entre os álbuns fundamentais de sua autoria cinco deles: “Blue Train”, “My Favourite Things”, “Crescent”, “A Love Supreme” e “Ascension”. Isso, fora os diversos outros discos nos quais integra bandas, como os memoráveis “Kind of Blue” e “Cookin’”, ambos de Miles Davis e também resenhados no blog. 

Porém, em se tratando de Trane, não só cabem mais discos nessa lista como alguns ainda não incluídos são faltas notórias. Caso do gigante no nome e em conteúdo “Giant Steps”, de 1960, que completa 55 anos de lançamento em 2025. Primeiro trabalho como band leader de Coltrane para a sua então nova gravadora, a Atlantic, na qual produziu alguns de seus melhores trabalhos, o disco é um marco na sua carreira por uma série de motivos. O primeiro deles, além da estreia na nova casa, era que se tratava do primeiro projeto autoral do saxofonista e compositor após as gravações justamente do já mencionado “Kind...”, aquele que é considerado um dos maiores clássicos do jazz de todos os tempos e o de maior sucesso do gênero. “Kind...” fora gravado apenas quatro semanas antes por ele junto a Miles mais Paul Chambers (baixo), Jimmy Cobb (bateria), Bill Evans e Wynton Kelly (pianos). Impossível Coltrane não ter sido contagiado por aquela atmosfera modal concebida por Miles.

Acontece que Coltrane sabia muito bem o que queria expressar em sua música, e a proximidade com as sessões de “Kind...” não foram suficientes para influenciar o centro daquilo que pretendia fazer na estreia pela Atlantic: uma ode ao bebop. Partindo do estilo que o formou, desde a audição de seus ídolos Dexter Gordon, Coleman Hawkins e Lester Young, até os trabalhos solo realizados nos anos anteriores na Prestige e no seu único Blue Note, o memorável “Blue Train”, de um 1959, Coltrane deixou de lado (pelo menos, por ora) o jazz modal e aproveitou para despedir-se do bebop em alto estilo. Ele sabia que seu caminho seria tomado por outras facetas sonoras dali para frente. Era inevitável para um artista sempre em busca da renovação estilística e espiritual. Talvez até nem soubesse ainda quais caminhos seriam estes, mas os intuía. Por esse sentimento de gratidão, então, Coltrane entendeu que ainda não era a hora de apontar para novas fronteiras e, sim, aproveitar a confiança e a profundidade emocional adquiridas com sua experiência até ali e encerrar um ciclo.

A faixa-título é um de seus maiores clássicos, ao nível do que também representam temas como "Blue Train", "Resolution" e "My Favourite Things". Não por coincidência, visto que abre o disco trazendo sua assinatura estilística aliada ao domínio da variação de acordes próprias do bebop. O riff, dos mais conhecidos da história do jazz, larga arrebatando para, na sequência, Coltrane dominar todos os espaços (físicos e emocionais) com um solo de praticamente 4 minutos e meio. Isso, sustentado por outro fator que faz do disco um feito distinto: a banda. Se corria nas veias de Coltrane o sangue “tipo azul” do recente trabalho com Miles, o mesmo fluido mágico pulsava nas dos companheiros Cobb, Chambers e Kelly, que tocam em ambos os discos. Nada é por acaso. 

"Cousin Mary", na sequência, reduz um compasso, mas mantém a força expressiva de quem compunha a partir de progressões de sequências de acordes e tirava, no fim, peças como esta. O piano de Tommy Flanagan (responsável por esta e por mais quatro das seis faixas do álbum) tenta pacificar um pouco o clima, solando com a inteligência concentrada ao estilo de Thelonious Monk. Chambers, no embalo, engata um improviso arejado. Mas Coltrane é sempre intenso, e retorna vigoroso para encerrar a faixa. Embora a reverência ao "antigo", a alma de Coltrane carregava invariavelmente algo pessoal e com o olhar para uma experiência inovadora. Flanagan conta que era um desafio aprender as músicas, pois havia algo de muito especial em cada uma delas, o que os músicos queriam captar em essência. "As músicas não se resolviam do jeito que você espera de uma progressão, embora tudo tivesse uma lógica. Tinha lógica, mas era diferente para a época", relembra.

Se havia até então alguma concessão em amenizar a velocidade e a complexidade características dos be-bopers, a curta mas intensa "Countdown", totalmente formada a partir desses exercícios de progressões de escala altamente técnicas de Coltrane, não deixa dúvidas de que o músico queria venerar a geração de Charlie Parker e Dizzie Gillespie. Também nesta linha, mas injetando aspectos inovadores, "Spiral" – cujo nome dá a entender o sentido de sua estrutura – consegue mesclar a impermanência harmônica do bebop com uma ideia levemente inspirada no modal, em que os blocos de solos do sax, do piano e do baixo, respeitam um “limitante” de escalas, indo e voltando para o mesmo ponto, numa imagem espiral. 

"Syeeda's Song Flute", um blues suingado em homenagem à filha de Coltrane com a então esposa Naima, tem um salutar ar de descontração, que quebra o hermetismo das duas faixas anteriores, trazendo leveza para a narrativa geral. E se Trane acarinha a filha, agora é a vez de fazer o mesmo para com o seu amor. A música que leva o nome da esposa, no entanto, não se trata de qualquer canção romântica que se escuta por aí e logo se esquece. Mesmo separando-se de Naima anos depois (ele casou-se posteriormente com a pianista de jazz Alice Coltrane, com quem teve Ravi Coltrane, também talentoso músico e saxofonista como o pai), esta música guarda um lugar especial em todo o cancioneiro de Coltrane. Afinal, é talvez a maior balada jazz de todos os tempos. Não é exagero afirmar que “Naima”, com sua emotividade e sensibilidade compositiva singulares, está no mesmo patamar que temas clássicos como “Round Midnight”, “Virgo”, “Body and Soul”, “Blue in Green” ou “Embraceable You”. Possivelmente, até mais que estas. A perfeição.

Finalizando, mais um preito, desta vez para o amigo e parceiro Paul Chambers ("Mr. P.C."), um acelerado hard-bop com todos os ingredientes da obra-prima que Coltrane e sua trupe construíam: variações de escala, progressões e harmonias intrincadas apoiadas por muito coração, apuro técnico e intensidade expressiva. Como não se abismar com Coltrane tocando? Ele pisando confiante no seu terreno, o bebop, é puro proveito – e deleite.

O próprio Coltrane conta que “Giant...” foi um adeus à estrada harmônica construída pelos pioneiros do bebop. “Eu não sabia para onde ir em seguida. Não sei se eu já tinha pensado em abandonar os acordes, mas ele chegou fazendo aquilo, eu ouvi e disse: ‘bem, acho que essa é a resposta”. O “ele” a quem Coltrane se refere é Ornette Coleman e a “resposta” é seu revolucionário “The Shape of Jazz to Come”, lançado meses antes e que abriria portas para toda uma nova revolução no jazz: o free-jazz. Coltrane, claro, deixaria igualmente sua marca nesse capítulo inovador do jazz, dando sua contribuição para a história do gênero através também do jazz modal, do avant-garde, do spiritual e do post-bop nos álbuns subsequentes. Considerando que são menos de seis anos até sua morte, pode-se dizer, tranquilamente, que ele só o fez por ser capaz de dar “passos gigantes”, como o próprio nome de seu disco diz. Mas a pergunta inicial era: “como explicar o fenômeno John Coltrane?” Bem, não existe explicação para fenômenos. Eles não têm como serem dimensionados. 

**************
FAIXAS:
1. "Giant Steps" - 4:43
2. "Cousin Mary" - 5:45
3. "Countdown" - 2:21
4. "Spiral" - 5:56
5. "Syeeda's Song Flute" - 7:00
6. "Naima" - 4:21
7. "Mr. P.C." - 6:57
Todas as faixas de autoria de John Coltrane

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OUÇA O DISCO:


Daniel Rodrigues

quarta-feira, 19 de março de 2025

Música da Cabeça - Programa #403

 

Em semana dos 40 anos da redemocratização e em que político brasileiro fujão se acovarda e deixa o país, o MDC com muito orgulho traz a memória de alguém que nunca fugiu da raia. Aliás, nossa Elis Regina, que completaria 80 anos se viva, não deixava barato nunca! Igual aos outros convidados do programa: Titãs, Henri Mancini, Tracy Chapman, Mutantes, Kraftwerk e mais. Mas é a Pimentinha, claro, que toma conta do nosso quadro especial Sete-List e do Palavra, Lê. Fazendo reverências mil, o MDC vai ao ar na noite do Brasil às 21h na equilibrista Rádio Elétrica. Produção, apresentação e cuca legal: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 12 de março de 2025

Música da Cabeça - Programa #402

 

Não adianta: 
agora o ano começou de vez! 
Não tem mais desculpa de Carnaval, 
férias, ano astrológico, emissão do IPTU... 
É! Mas tudo isso acompanhado 
de uma boa música vai frouxo, 
e é isso que o MDC vai hoje 
trazer em doses aliviantes. 
Tem Morcheeba, Chico Buarque,
 Bobby McFerrin, Steely Dan 
e Moacir Santos 
pra dar aquele ânimo. Ainda, 
um Cabeção homenageando os
 150 anos de nascimento de 
Maurice Ravel. O programa 
é ou não é um bom motivo 
pra iniciar o ano? 
Só mesmo na revigorante 
Rádio Elétrica, às 21h. 
Produção e apresentação 
sem mais postergação: 
Daniel Rodrigues


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quarta-feira, 5 de março de 2025

Música da Cabeça - Programa #401

 

É sempre assim todo ano: o Carnaval se encerra e a melhor coisa que tem para curar a ressaca é o MDC da quarta-feira de cinzas. Com um sorriso no rosto e ainda em clima de Oscar, o programa hoje recorre a Led Zeppelin, Pat Metheny, Madonna, Tom Zé e Jards Macalé para enterrar os ossos. No quadro especial, Sete-List, não esquecemos também de prestar uma homenagem a Gene Hackman. Totalmente oscarizado e carnavalizado, o MDC vai ao ar às 21h na premiada Rádio Elétrica e com produção e apresentação de Daniel Rodrigues. Porque, sim: nós vamos ouvir. Ouçam! 


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Música da Cabeça - PROGRAMA ESPECIAL Nº 400

 

Vamos dar um tempo para as delações do Golpe, as eleições na Alemanha ou as negociações de cessar-fogo na Ucrânia. Hoje, a gente completa 400 edições do MDC. Para celebrar, trazemos uma entrevista especial com o músico, jornalista e produtor Thomas Pappon. Lenda do underground paulistano, ele é uma das principais cabeças por trás de bandas icônicas do rock alternativo dos anos 80 e 90, como Fellini, 3 Hombres, Smack, Voluntários da Pátria e The Gilbertos. Não percam então: hoje, 21h, na Rádio Elétrica. Produção, apresentação e quatro centenas de alegrias: Daniel Rodrigues


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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Quinteto Armorial - “Do Romance ao Galope Nordestino” (1974)

 

Doses Cavalares de Brasil


“Convencidos de que a criação é muito mais importante do que a execução, [os músicos do Quinteto Armorial] preferiram a tarefa mais dura, mais ingrata, mais difícil e mais séria: a procura de uma composição nordestina renovadora, de uma Música erudita brasileira de raízes populares, de um som brasileiro, criado para um conjunto de câmera, apto a tocar a Música europeia, é claro mas principalmente apto a expressar o que a Cultura brasileira tem de singular, de próprio e de não europeu.” 
Ariano Suassuna 

A história da arte no Brasil viu, em alguns momentos, a tentativa de se representar uma ideia de nação. Seja por motivos políticos, ideológicos ou simplesmente astuciosos, é fácil concluir que, para se chegar a uma identidade pretensamente simbólica de um povo, a produção artística é o melhor meio para se alcançar essa finalidade nacionalista. No século XIX, o Romantismo à brasileira buscava, num território recém emancipado da Coroa portuguesa, ressaltar as paisagens exóticas, a natureza, os povos primitivos e a miscigenação para suscitar o orgulho dos “novos” brasileiros. No Estado Novo, igual. Tanto o forte investimento na Rádio Nacional, impulsionadora de uma gama de célebres artistas, como no cinema, denotam o projeto de Estado de unificar em uma mensagem ufanista um espírito comum.

Afora a grande subjetividade de se materializar esse feito e da óbvia dificuldade de sintetizar em códigos simbólicos um país de dimensões continentais e em construção, é evidente que a estratégia não deu necessariamente certo em todas essas tentativas. A influência da Europa, seja como modelo, seja como contraposição, põe às claras a falta de elementos primitivos da cultura e da natureza de um país jovem historicamente como o Brasil – principalmente, em comparação à própria Europa, não à toa chamado de Velho Mundo. Residem nesse pensamento ocidentalizado as críticas a outro movimento que também tentou com suas ferramentas inventar uma arte puramente brasileira: o Movimento Armorial. Antes de “brasileira”, aliás, nordestina. Surgido em 1970 por iniciativa do escritor paraibano Ariano Suassuna quando atuou como Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco, essa vertente artístico-cultural, manifesta em literatura, música, dança, artes plásticas, arquitetura, cinema, etc., centrava-se na valorização das artes populares nordestinas e propunha como ideia central a criação de uma arte erudita a partir de elementos populares.

Há quem acuse o Movimento Armorial de ser, além de academicista, também elitista e cínico, pois, na prática, não se comunicava com o tal povo no qual tanto bebia, restringindo-se ao círculo de seus principais cabeças: Suassuna, o artista plástico Francisco Brennand, o gravurista Gilvan Samico e uma meia dúzia de afortunados homens das artes. O que é impossível criticar, no entanto, é a qualidade das obras produzidas, entre elas uma que completou 50 anos em 2024: o disco de estreia do Quinteto Armorial, “Do Romance ao Galope Nordestino”. Com uma obra que propõe um diálogo entre o cancioneiro folclórico medieval e as práticas criativas dos cantadores nordestinos e seus instrumentos musicais tradicionais, o Quinteto Armorial lançava, pelo selo Marcus Pereira, um trabalho revolucionário e inédito em forma e conceito, o qual mereceu Prêmio APCA como o Melhor Conjunto Instrumental de 1974.

Formado pelos então jovens músicos nordestinos Antônio José Madureira, Egildo Vieira do Nascimento, Antônio Nóbrega, Fernando Torres Barbosa e Edison Eulálio Cabral, o conjunto instrumental trazia um manancial de aparatos musicais condizente com sua proposta de síntese: rabeca, pífano, viola caipira, violão e zabumba perfilando-se com os eruditos violino, viola e flauta transversal. A junção do conceito armorial com a textura dos sons gerava uma sonoridade própria, a se ver por "Revoada", exemplo claro dessa junção de tempos históricos, culturas e apropriações. Sem percussão, traz o som metálico da viola caipira, que se harmoniza com as cordas – o violino clássico e a rabeca, retrazida da Idade Média para este novo contexto – e o sopro de pífaro e flauta. Uma forma bastante didática de começar o disco.

Como bem coloca Suassuna em seu texto de apresentação na contracapa do disco, há a influência ibérica por meio dos instrumentos de origem hindu ou árabe, tão marcantes no Nordeste. Se "Revoada" é ritmada e lírica em seus toques ásperos e arcaicos, “acerados como gumes de faca-de-ponta”, tanto mais é "Repente". Esta evoca o Nordeste somente em sons e sem precisar articular uma palavra ou verso a tradição poético-musical dos repentistas de improvisarem estrofes criando-os no exato momento da apresentação. Desde 2021, o repente é considerado patrimônio cultural do Brasil pelo Iphan. 

Típica obra do Movimento Armorial: "Pe. Cícero Romão (Tríptico)”,
óleo sobre aglomerado de Gilvan Samico, do mesmo ano do disco
“Padrinhos” musicais do movimento Armorial, o maestro carioca César Guerra-Peixe e o compositor e folclorista pernambucano Capiba são reverenciados. Guerra-Peixe com a faixa “Mourão”, de sua autoria, um baião embalado que o Brasil inteiro passou a conhecer melhor na trilha sonora do filme “O Auto da Compadecida”, de 2000 (e que acaba de ganhar uma continuação), que se inspira em seus acordes. Nome do cavalo típico do sertão, Mourão, além da evidente referência aos mouros pela cor da pele/pelagem crioula, dignifica, ainda, uma das alusões presentes no título do disco, o “galope”, estilo musical base das festividades juninas da região. 

Já Capiba tem semelhante destaque. O inventor de frevos clássicos da cultura de Pernambuco e protagonista do tradicional bloco carnavalesco Galo da Madrugada, também é lembrado por uma de suas principais peças: "Toada e Desafio", esta também da trilha de “O Auto...” – aliás, a música central do filme –, aqui lindamente executada pelo Quinteto Armorial. Mais um leque de conhecimentos empíricos trazidos à luz da música erudita: além do popular galope, agora merecem releituras a “toada”, cantiga de melodia simples e monótona entoada pelos vaqueiros nordestinos, e o “desafio”, duelo de versos improvisados surgido na Grécia antiga entre os pastores, reinventado na Idade Média e que veio parar no Brasil justo no Nordeste brasileiro, onde, como diz Luz Câmara Cascudo, “o combate assumiu asperidades homéricas”.

A força cultural nordestina dá ainda mais elementos a Madureira, que compõe a renascentista "Toada e Dobrado de Cavalhada", claramente dividida em duas partes: um lento introdutória e, na sequência, um allegro que acompanha o trote ligeiro da dança. Flautim e pífaro dialogando. Misto da música rural dos berberos marroquinos e os mouros dos séculos 12 e 13, ambos ligados pela religião. Vanguarda que surpreenderia até mesmo gente como a Penguin Cafe Orchestra, como a “desafinada” “Toré”, absolutamente moderna. 

E quando idealizam uma Idade Média brasileira para além dos livros de História, como em "Romance da Bela Infanta"? Tema amoroso ibérico do séc. XVI recriado nas cores monocórdicas dos instrumentos rústicos. Mas Madureira faz ainda melhor quando resgata o romance do próprio Nordeste! "Romance de Minervina", canção provavelmente datada do séc. XIX, que recria uma atmosfera provençal ao modo dos trópicos. É possível enxergar uma procissão pelos campos mediterrâneos e, ao mesmo tempo, a tristeza árida do sertão. Igualmente medievas são "Excelência”, tema nordestino de canto fúnebre, e “Bendita”, cântico de Zacarias à maneira dos Salmos que os romeiros entoam pelo itinerário do enterro.

Antônio Nóbrega, dono de reconhecida carreira solo e o de maior proeminência entre todos os músicos do grupo, já a época não ficava para trás. É dele "Ponteio Acutilado", moda forjada na tradição dos violeiros. É praticamente 1 min de solo de viola caipira para, a partir de então, todos os outros instrumentos entrarem e se harmonizarem como se sempre tivessem pertencido ao mesmo território geográfico. A outra dele é "Rasga", dissonante e introspectiva na primeira metade, mas que se encerra (e ao disco) com um “rasga ponteio” festivo.

Os ouvidos populares hoje são familiarizados com a sonoridade que o Quinteto Armorial ajudou a sintetizar. Basta notar a naturalização desses sons em produções populares inspiradas na obra de Suassuna e seus séquitos, como as incontáveis produções audiovisuais da TV Globo que emulam esse universo folclórico e onírico. Mal comparando, como fizeram os alemães da Kraftwerk ao “inventarem” os sons de computador que conhecemos hoje, criando uma espécie de “sonoplastia digital” que se tornou universal. Para com a sonoridade nordestina e, até por uma questão de proporção territorial bastante brasileira, no caso, o Quinteto Armorial cumpriu mais do que um papel esteticamente formal, mas, sim, musical e antropológico. 

O movimento ao qual o Quinteto Armorial muito bem representou não é um consenso entre as pessoas da cultura, mas é inegável a validade de sua proposta, reconhecida hoje nacionalmente, haja vista a rica exposição aos seus 50 anos, ocorrida em 2023, e também internacionalmente por artistas consagrados como o chinês Ai Weiwei. A ideia de valorização da cultura do Brasil que movimentos como este tentam suscitar de tempos em tempos, podem, mesmo com as controvérsias, serem vistas como potência. Uma potência policarpeana de tornar oficial a cultura ancestral. Como escreveu Lima Barreto em “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, personagem símbolo da luta por uma identidade brasileira: “O que o patriotismo o fez pensar foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações sobre os seus recursos, para depois então apontar os remédios”. Se depender desse pessoal, nenhum brasileiro jamais adoeceria por causa de síndrome de vira-latas.

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FAIXAS:
1. "Revoada" (Antônio José Madureira) - 3:44
2. "Romance da Bela Infanta" (Romance ibérico do Séc. XVI, recriado por Madureira) - :53
3. "Mourão" (César Guerra Peixe) - 1:50
4. "Toada e Desafio" (Capiba) - 4:26
5. "Ponteio Acutilado" (Antônio Carlos Nóbrega) - 4:32
6. "Repente" (Madureira) - 4:36
7. "Toré" (Madureira) - 2:59
8. "Excelência" (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Madureira) - 3:02
9. "Bendito" (Egildo Vieira do Nascimento) - 4:23
10. "Toada e Dobrado de Cavalhada" (Madureira) - 4:52
11. "Romance de Minervina" (Romance nordestino, provavelmente do Séc. XIX, recriado por Madureira) - 1:33
12. "Rasga" (Nóbrega) - 4:48

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OUÇA O DISCO:


Daniel Rodrigues
Texto publicado originalmente no site AmaJazz

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #399

 

Chega dessa lenga-lenga se é Golfo do México, Golfo da América ou o escambau! O MDC finca sua bandeira para resolver essa questão. Pelas águas do programa, hoje aporta muita gente, como Fatboy Slim, Gal Costa, Wayne Shorter, Sepultura e Them. Como não poderia deixar de ser, a gente também presta uma homenagem a Cacá Diegues, que as ondas do mar da eternidade levaram esta semana. Pode avisar o Google da nova nomenclatura e que estaremos na água e no ar às 21h na resolutiva Rádio Elétrica. Produção, apresentação e mapa atualizado: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #398

 

É guerra de tarifa pra cá, é retaliação pra lá... Olha, se continuar assim, vão sobretaxar até quem escuta o MDC. Enquanto o Trump não se dá conta disso, a gente traz um programa tipo exportação saído de fábrica. João Bosco, Karnak, R.E.M., Cátia de França e um Cabeção à memória de Alban Berg só fazem dar mais valor agregado à nossa carga. Livre de impostos, a edição entra em rota a partir das 21h pelos mares musicais da portuária Rádio Elétrica. Produção, apresentação e contêineres de música boa: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #397

 

Todo mundo achando que a Bianca Censori não tinha nada por baixo no Grammy, hein, seus safadinhos?! O que impressionou a galera foi o MDC, gente! E vocês vão ficar ainda mais impressionados de saber que hoje vai ter Moacir Santos, Roxy Music, Milton Nascimento & Esperanza Spalding, Marianne Faithfull e mais. Igualmente, Cabeça dos Outros com k-pop especial. Como veio ao mundo, o programa tira todas as vestes hoje às 21h na ousada Rádio Elétrica. Produção, apresentação e look transparente: Daniel Rodrigues


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sábado, 1 de fevereiro de 2025

Trio - "Trio" (1982)

 

por Lucio Agacê

"'Da Da Da' é uma ladainha sem sentido para guitarra, bateria, bateria eletrônica e canto coloquial, que se destaca como talvez o maior hino da era pós-industrial, com um dos riffs de guitarra mais edificantes de todos os tempos, e alguns dos vocais mais subumanos de todos os tempos, e alguns dos backing vocals mais suaves de todos os tempos, e algumas das linhas mais imortais de todos os tempos". 
Piero Scaruffi, crítico musical

Então, nesse ÁLBUNS FUNDAMENTAIS resolvi contar como foi o reencontro totalmente acidental ou um belo presente do destino. Sexta-feira à noite (acho que ainda era setembro ou outubro, não lembro agora), resolvi fazer a limpa na coleção e catei alguns trinta, quarenta LPs, uns singles de rap, uns pop rock, muitos trilha sonora de novelas e embarquei rumo a Novo Hamburgo na loja do meu amigo Al Shceknel, a Superbacana Records.

A intenção era trocar algumas tranqueiras, inclusive levei uma guitarra no estojo pro brick. Chegando lá, como sempre muito bem recebido, aquele café passado na hora, boas conversas mexemos nuns sintetizadores malucos, violões e, então, partiu pro brick! 

O Al deu uma verificada na oferenda enquanto eu me grudei nas prateleiras e separei coisas do tipo um compacto do Roberto Carlos de 1977, se não me engano, e alguns que agora não vou lembrar, mas deu brick. Mas o que mais me chamou atenção foi o álbum de uma banda alemã de 1979, a Trio

Uma banda que passei a minha adolescência debochando do clássico "Da da da"… porém, nunca conseguiria imaginar que seria o disco mais impressionante que ouviria no final de 2024!

Depois de chegar em casa, foi a rotina clássica: álbuns do garimpo no sofá pra aquele registro, marcar a loja, requentar a comida no micro-ondas enquanto botei na vitrola o disco….

Senhoras e senhores: foi um tiro que me fez deixar a comida esfriar novamente. Simplesmente extraordinário!!!!

Com é que eu tive a inocência de debochar de tamanha obra de arte minimalista com canções simplesmente geniais basicamente guitarra, bateria e voz - segundo informação do Pereba, a banda não tem baixo. Não fiz essa pesquisa, mas super recomendo "Trio", o álbum que leva o nome da banda lançado no Brasil em 1982.

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FAIXAS:
1. "Achtung Achtung" - 0:30
2. "Ja Ja Ja" - 2:57
3. "Kummer" - 2:38
4. "Broken hearts for you and me" - 3:33
5. "Nasty" - 2:38
6. "Energie" - 3:30
7. "Los Paul" - 2:32
8. "Sabine Sabine Sabine" - 3:46
9. "Da da da ich lieb dich nicht du liebst mich nicht aha aha aha"  - 3:23
10. "Sunday you need love Monday be alone" - 3:48
11. "Nur ein Traum" - 3:04
12. "Ja Ja wo gehts lank Peter Pank schönen Dank" - 2:50
13. "Ya Ya" (Lee Dorsey, Clarence Lewis, Morgan Robinson) - 2:15
14. "Danger is" - 2:14
15. "TRIO" (Harry Belafonte, Irving Burgie, William Attaway) - 0:31
Todas as composições de autoria de Stephan Remmler e Kralle Krawinkel, exceto indicadas


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OUÇA O DISCO:

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #396

 

Será que a estatueta dourada vem desta vez, Fernandinha? O que a gente tem certeza é que o MDC, este sim, está reluzindo como ouro. Tem Ryuichi Sakamoto, Iggy Pop, Television, Erasmo Carlos e um Cabeção celebrando os 80 anos de Robert Wyatt. É ou não é ouro em pó?! Totalmente indicado, o programa é anunciado às 21h na oscarizável Rádio Elétrica. Produção, apresentação e clima de Copa do Mundo: Daniel Rodrigues



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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Lard - "The Last Temptation of Reid" (1990)

 


frequentemente mencionada como
"A banda mais legal
que nunca existiu"




Eu já tinha escutado aquilo na trilha do filme "Assassinos Por Natureza" de Oliver Stone, uma pancada hardcore com traços de som industrial, conduzida pelo inconfundível vocal de Jello Biafra dos Dead Kennedy's mas que com certeza não era de sua banda original. Na época nem procurei saber do que se tratava, imaginando que fosse uma mera participação especial com algum grupo qualquer ou mesmo uma faixa encomendada pelo diretor para o próprio filme.

Embora sempre tenha gostado da música, só tempos depois foi que me interessei em saber o que era aquilo e descobri que tratava-se do Lard, um projeto do ex-Dead Kennedy's com Al Jourgensen do Ministry. Duas das mentes mais combativas contra a política econômica e armamentista dos Estados Unidos, juntas, só podia resultar num disco explosivo. Dinamite, coquetel molotov, um míssil em direção à Casa Branca. Assim é o álbum "The Last Temptation of Reid".

E eles justificam a aliança de fogo logo de cara com um início incendiário cujas três primeiras faixas são simplesmente de não deixar respirar: "Forkboy", exatamente a música que eu já conhecia e que abre o álbum, tem toda aquela agressividade, aquela fúria incontida dos Kennedy's, os traços de tecnologia e o peso do Ministry, tendo como resultado a intensidade de ambos. Se a primeira vai mais para o lado do hardcore do grupo de Jello Biafra, "Pineapple Face", que a segue tem o DNA do Ministry, com uma levada mais metal, mais cadenciada e outros elementos eletrônicos característicos da banda do Tio Al.

"Mate, Spawn and Die", coloca sobre uma batida tipicamente industrial do ex-Ministry William Rieflin, uma espécie de recriação do riff de "Hollidays in Camboja", clássico dos Kennedy's do lendário "Freshfruit for Rotting Veggetables", num dos momentos mais eletrizantes do álbum e, por que não, emocionantes para os punks das antigas.

O disco perde um pouco o fôlego a partir daí, é verdade. "Can God Fill Teet", "They're Coming to Take Me Way" e "I'm Your Clock" são excessivamente longas e teatrais, "Drug Raid At 4AM", é apenas OK, apesar da boa sonoridade do refrão, "Bozo Skeleton", mais cadenciada, lembra as coisas mais do DK da época de "Frankenchrist", mas a excelente "Sylvestre Matuschka" compensa a queda de ritmo da segunda metade com mais uma pancada sonora implacável.

Um único show realizado, dois discos apenas resultantes desse encontro, e este, "The Last Temptation of Reid", um tanto irregular, admitamos, mas só o encontro dessas duas figuras, o peso, a força, a intensidade dessa obra, e algumas das joias produzidas nesse trabalho já garantem a inclusão dessa pedrada na nossa galeria de FUNDAMENTAIS.

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FAIXAS:
1. Forkboy
2. Pineapple Face
3. Mate, Spawn and Die
4. Drug Raid at 4 A.M.
5. Can God Fill Teeth
6. Bozo Skeleton
7. Sylvestre Matuschka
8. They're Coming to Take Me Away
9. I'm Your Clock

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Ouça:
Lard - The Last Temptation of Reid



Cly Reis

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #395

Só rindo mesmo, né, Hillary? Mas temos uma notícia boa em meio a tanta perversidade: um MDC novinho pra se escutar. Tem Beck, Julee Cruise, Ed Motta, Roger Waters, Nei Lisboa e devidas homenagens a David Lynch, que nos deixou recentemente. Rindo pra não chorar, o programa vai ao ar 21h na sempre democrat(ic)a Rádio Elétrica. Produção e apresentação, inclusive para o Golfo do MÉXICO: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #394

 

Mal o BBB começou e já tem polêmica - e justo sobre ovo! Louco pra dar uma beliscada nesse prato, o MDC de hoje traz receitas da mais alta gastronomia. Echo & The Bunnymen, Vitor Ramil, Syd Barrett, Maria Bethânia e Stevie Wonder são os chefs convidados. Ainda, um aperitivo com sabor alemão no Cabeça dos Outros. Com o banquete farto, o programa põe a mesa às 21h na suculenta Rádio Elétrica. Produção, apresentação e "gema mole, por favor": Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #393

 

2024 teve eleição do Trump, chuvas torrenciais, prisão de General, voo de surfista, perda do Ziraldo e do Cícero, bloqueio do X... É, teve um "de tudo", mas o que teve também foi MDC a dar com pau todo o ano. Mesmo com uma pausa forçada entre maio e junho, o programa trouxe todas as quartas aquelas músicas que grudaram na mente, e são elas que vão preencher nossa primeira edição de 2025. Uma retrospectiva de várias edições do ano que se encerrou há pouco é o que rola hoje, 21h, na próspera Rádio Elétrica. Produção, apresentação e dias melhores: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Música da Cabeça - Programa #392

 


MDC em dia de Natal só pode ser um sinal: o de que, mesmo no feriado, a gente garante muita música boa! Saca só: as de Whale, The Beatles, Legião Urbana e Martinho da Vila estão entre elas. E ainda tem um Sete-List com o mais belo jazz natalino. Entonado o "Ho Ho Ho!", o programa vai ao ar às 21h, na natalina Rádio Elétrica. Produção, apresentação e "sem anistia" (por que é Natal, mas a gente não esquece): Daniel Rodrigues.


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

cotidianas #850 - "Natal Brasileiro"




presépio "Neste Natal que Ele nasça em todos os lares",
de C. Freire, F. Carlos, D. Murta, B.L. de Oliveira e C.S. Veiga
foto: JR

Mas que Natal é esse?
É o Natal brasileiro, amor

Depois da Missa do Galo
Parentes, amigos e convidados
Reunidos na mesma mesa, toda enfeitada
Com frutas tropicais
E no centro um cabrito assado, tenro, todo recheado, 
Espalhando farofa pra todo lado

Mas que Natal é esse?...

E lá fora os partideiros
Jorge da Viola, Neném da Cuíca 
e Joãozinho do Pandeiro
Representando os três Reis Magos
Trazendo de presente o samba
E a alegria pro terreiro

Pois o filho homem de Dona Maria
Que acabou de nascer 
Nesse dia glorioso e sentimental

É a imagem do menino Rei, 
É a alegria do Natal
É a imagem do menino Rei, 
É a alegria do Natal

Mas que Natal é esse?
É o Natal, é o Natal brasileiro, amor

Feliz Natal, Brasil
Feliz Natal

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"Natal Brasileiro"
Jorge Ben

Ouça:


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Música da Cabeça - Programa #391

 

General corrupto indo pra cadeia?! É, acho que alguma coisa mudou. Mas podemos dizer que presos preventivamente é o que vamos ficar no MDC de hoje, que tem Cátia de França, The Residents, Jesus & The Mary Chain, Taiguara e mais para prender nossa atenção. No quadro especial, Cabeça dos Outros destacando Frank Zappa. Cumprindo mandato, o programa bate na porta dos ouvintes da Rádio Elétrica às 21h. A produção e a apresentação (com mãos ao alto só para aplaudir) são de Daniel Rodrigues.


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