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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Asian Dub Foundation - "Rafi' Revenge" (1998)

 



"E agora nós ocupamos o espaço com barulho
O ruído negro será um som que você não poderá evitar
Ouça o drum'n bass
Diferentes comunidades se encontram no mesmo lugar
Estamos misturando os sabores para todos os gostos
Esta música tem o poder para toda a raça humana
Dub é o professor
Jungle é a pregação"
trecho de Dub Mentality




Descobri os caras no antigo programa Mondo Massari, exibido por um breve período na MTV Brasil, no qual o "Reverendo" Fábio Massari, refrerência em se tratando do universo musical alternativo, apresentava bandas, artistas, curiosidades musicais do mundo inteiro, até mesmo dos lugares menos prováveis que a gente pudesse imaginar.
Numa dessas, me veio com a tal da Asian Dub Foundation, um pessoal meio inglês, meio indiano, meio paquistanes, meio bengali, com um pop-rock indie esfuziante repleto de elementos eletrônicos de várias correntes e pitadas certeiras de tradição oriental.
Na época, vi um videoclipe da música "Buzzin'", que seque era um vídeo oficial, e sim uma edição quase amadora de uma apresentação ao vivo, em que o vocalista aparecia no palco, provavelmente em um festival, com uma camiseta do Barcelona. Aquilo era contagiante, elétrico, bombástico. Uma batida drum'n bass alucinante, com um "riff" acelerado remetendo a uma sonoridade oriental e um vocal rap cantado em inglês, mas cheio de um sotaque asiático que dava um tempero todo muito original para o produto final.
Depois é que vim a descobrir que aquela música fazia parte do álbum "R.A.F.I.", de 1997, disco de musicalidade impressionante, transitando entre o punk, o eletrônico, o rap, o reggae e a música oriental com muita naturalidade e criatividade, além de muita atitude, com discursos incisivos contra racismo, xenofobia, direitos humanos e desigualdade social.
Relançado um ano depois, praticamente com as mesmas faixas, algumas regravadas, outras remixadas, outras aperfeiçoadas tecnicamente, o disco rebatizado "Rafi's Revenge" trazia além da ótima "Buzzin'", repaginada, a drumbera não menos incendiária "Naxalite", o embalo dub de "Hypocrite", a mistura de Jamaica e Índia do ragga "Dub Mentality", o baixo possante de "Charge", a intensidade de "Satpal Ram" e "Operation Eagle Lie", e o experimentalismo eletrônico de "Tribute to John Stefens".
Peso, balanço, ritmo, engajamento, tecnogia, raízes, tradição, tudo numa banda só, tudo num disco só. Esse coquetel molotov musical chama-se "Rafi's Revenge" e quem o lançou contra o sistema foram esses caras cheios de ideias, musicalidade e atitude, do Asisn Dub Foundation.

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FAIXAS:
1 Naxalite
2 Buzzin
3 Black White
4 Assassin
5 Hypocrite
6 Charge
7 Free Satpal Ram
8 Dub Mentality
9 Culture Move
10 Operation Eagle Lie
11 Change
12 Tribute To John Stevens

faixas bônus da edição norte-americana
13 Raf1
14 Digital Underclass

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Ouça:
Asian Dub Foundation - Raf's Revenge




Cly Reis



domingo, 5 de fevereiro de 2023

Exposição "A Luz da Beleza", de Luiz Moreira - Casa França-Brasil - Rio de Janeiro / RJ




"[Esses adereços] aportam narrativas
carregadas de referências ancestrais
a entidades religiosas, rituais de povos africanos
e a memórias afetivas carnavalescas.
Elas retratam a importância e o simbolismo histórico
de reis e rainhas africanos, seres sagrados escolhidos pelos deuses
para reinar na terra.
Coroas cabeças negras reforça a identidade de quem somos
e de onde viemos e enfatiza que a nossa história 
não começa na escravidão."
trecho do texto de apresentação da exposição




Visitei, meio que por acaso, quase sem querer, a exposição "A Luz da Beleza", do fotógrafo Luiz Moreira, na Casa França-Brasil, no centro do Rio de Janeiro. Tinha ido ver a exposição dOs Gêmeos, no CCBB, e dei uma esticadinha por ali.
Sorte a minha!
Belíssima exposição!
Fotos que valorizam a beleza do negro, a cor, o corpo, os costumes, as tradições. Uma valorização das raízes, do que ela tem de bonito, como sua cultura, suas riquezas, sua ancestralidade guerreira e de nobreza.
Além das fotos, o artista expõe também os adereços utilizados nos ensaios, como ornamentos, indumentárias alusivas às religiões de matriz africanas, artefatos bélicos e objetos que remetem à nobreza ancestral, como cetros e coroas.
uma boa pedida para quem estiver por aquela região, ali, na Candelária, Boulevard Olímpico, Praça XV... Dá uma passada por lá. O circuito da exposição não é muito extenso e, pelo menos quando fui não estava muito concorrida, o que é bom para apreciar com calma, numa boa.
Para quem estiver interessado, ela fica aberta até dia 11 de fevereiro.
Confira abaixo o serviço da Casa França-Brasil:


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"A Luz da Beleza", de Luiz Moreira 
local: Casa França-Brasil
endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 78 - Centro, Rio de Janeiro.
horário de funcionamento: de terça a sábado, das 10h às 17h.
exposição aberta até 11 de fevereiro de 2023
entrada gratuita



Visão geral do espaço da exposição

As imagens de Luiz Moreira conseguem captar
a força e a beleza do negro e sua cultura 

As cores vibrantes, o destaque da pele e a presença do dourado
como um símbolo de riqueza e nobreza

"Amor Preto"

"Santo Negro"

Versão tátil de "Santo Negro"

A lindíssima "Dançando como o Vento"

A riqueza de símbolos e significados nas imagens do artista
é impressionante

Aqui, o adereço usado nas duas fotos acima

A "auréola" guerreira do Santo Negro

Detalhe de um bustiê, também utilizado nos ensaios fotográficos.

Os objetos de nobreza, porque,
como ressalta o fotógrafo, é importante "coroar cabeças negras"


C.R.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

"Terrifier 2", de Damien Leone (2022)



Pessoas desmaiando, passando mal, abandonando a sala de exibição... Ora! Vocês achavam que estavam indo ver o filme da Peppa Pig? É lógico que seria brutal. O primeiro já havia sido, e o diretor anunciara que seu objetivo era fazer algo ainda mais chocante. Então o que essa gente esperava quando foi ao cinema assistir a sequência de um dos filmes mais sanguinolentos de todos os tempos? "Terrifier", para mim, o primeiro, é, possivelmente, o pior filme de terror que já vi. E quando digo 'pior' é  um elogio. Nada pode ser mais violento, sangrento, sádico, nojento, repulsivo que o rastro de mortes da estreia em longas do palhaço Art. O problema de "Terrifier 2" é exatamente o fato de, praticamente, se limitar a ser um exercício de superação de violência e intensidade em relação ao primeiro. E aí, por incrível que possa parecer, por mais forte, explícita que seja a violência, ela já não choca mais porque você já viu no primeiro e, com uma vantagem: a da surpresa.
No primeiro o espectador até pensava, "Não, ele não vai fazer isso...", "Será que ele seria capaz?", "Não vão mostrar uma cena dessa sem cortes...", mas nesse a gente tem certeza que tudo isso vai acontecer e já estamos preparados para aquilo. O novo filme até tem mais história, mais enredo, mas o que não a torna melhor por isso. O roteiro situa a trama dentro de um drama familiar que, até podia servir como mero pano de fundo, mas não precisava ter ganho a importância que teve. Enredo confuso, cheio de elementos vazios, como a espada da garota, e personagens vagos, como a menininha-palhaço que é uma espécie de ajudante do palhaço das trevas.
Por conta dessa complexização da trama, o filme ganha uma duração muito maior que o habitual para filmes do gênero e algo com tão pouco conteúdo a apresentar. Se no primeiro filme tínhamos, meramente, um psicopata fantasiado de palhaço tocando o terror no Dia das Bruxas, e isso se bastava,
em "Terrifier 2", Sienna, uma adolescente, ainda superando morte do pai, planeja ir à festa de Halloween da cidade com uma fantasia criada exatamente pelo falecido pai, talentoso para desenhos, enquanto o irmãozinho Elliot, esquisitinho, mórbido e sombrio, pretende usar uma fantasia de palhaço igual à do maníaco que assassinara várias pessoas no Halloween do ano anterior. O detalhe é que o pai, esquizofrênico e que morrera num acidente trágico em uma de suas crises, já tinha desenhos do palhaço assassino em seu caderno, antes mesmo do massacre, o que supõe algum tipo de ligação prévia, sabe-se lá de que natureza, daquela família com o carniceiro fantasiado. Mas talvez tudo não passe de um sonho, uma sugestão, um delírio, uma vez que, após uma discussão da mãe com Siena e Elliot sobre a festa e sobre o comportamento do menino, a filha adormece assistindo a um bizarro programa de TV e, praticamente daí, tudo se mistura e se desencadeiam as mortes e a ação do nosso slasher. A propósito disso, entre tantas "obras de arte" desse artista da dor e da tortura, a melhor delas, na minha opinião, é a da amiga da protagonista, Allie, que depois de escalpelada, multifraturada, esfolada, picotada, literalmente, é mantida viva pelo palhaço, praticamente sustentada pelos tendões, no limite de suas forças, só para que ele tenha o prazer de presenciar sua agonia.

Art, o artista, mostrando sua obra de arte.

Para quem, como eu, esperava uma sequência à altura do bom primeiro filme, deve ter se decepcionado. Agora, para quem queria, meramente, um banho de sangue, nesse sentido "Terrifier2" entrega o que se espera dele. Um festival de maldade ilimitada, brutalidade e violência gráfica impiedosa, que supera seu predecessor, sem no entanto, superar em impacto.
Damien Leone, o diretor, já anunciou que vem aí um terceiro filme da franquia e que a nova sequência deve ser ainda mais sangrenta que os anteriores. Se, além da assustadora promessa, "Terrifier 3" amarrar algumas pontas, pode salvar o segundo, fazendo dele uma boa transição, e ainda, de quebra, pode recolocar a história do mímico assassino nos trilhos, fazendo justiça um dos matadores que já se coloca como um dos melhores da história do terror. Mas isso, se é que a ideia é que exista algum "trilho" para que a história siga.
De resto, para quem notou, são muito legais as referências, os easter-eggs de clássicos do terror, como "Hora do Pesadelo", "Pague para entrar, reze para sair", "Hellraiser", "Poltergeist", bem como a trilha, muito eficiente, e a estética anos 80 que o diretor imprime muito bem a seu filme.
Particularmente, tenho que admitir que esperava mais do filme mas, pelo menos, no quesito crueldade, "Terrifier 2" não dá motivos para reclamações. E quem reclamar do excesso, quem desmaiar, vomitar ou pedir o ingresso de volta, que vá assistir à Galinha Pintadinha. Francamente...

"Terrifier 2" - trailer




Cly Reis

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

cotidianas #788 Especial Dia de Yemanjá - "Yemanjá Chegou"

 

Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei
Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei
Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei

Pede Salonpas pro papai que esse Free não é de Gelol
Que de tanto se rebaixar aponta o cu pro sol
Coca e formol não é Omeprazol
E quem paga pau pra elite, menor, passe o cerol

Às quatro da manhã lota uma van
Depois pegar um trem sentido Vietnã
Bater cartão, olha a cara do patrão
Como um loki desse aí vai mandar nos meus irmãos?
A vala é fria, o jogo é sujo, luto contra esse absurdo
Mausoléu de ouro e prata pra aquele que rouba tudo
E vala comum ao povo do subúrbio

"Sereia", de Alfredo Volpi (1960)
Tsu-zen na favela, cê é quem?
Não fui eu que fiz a guerra e todo dia morre alguém
Enquanto isso a gente aplaude seus heróis
Pacote de Seven Boys

Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei
Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei

Ao corpo lençol, favela não é pogobol
Quer falar mal dos pretos, lave a boca com pinho sol
Nas redes comentários e unfolow now now
Eu não vim pra te agradar, eu sou favela lol lol

Escola, educação é caixão lacrado
Eles gostam de humilhar e o ódio vem do descaso
Todo secundarista é um alvo marcado
No Brasil professor apanha, é processado
A fé é lindo, amor é o fruto
Luto contra esse absurdo
Mausoléu de ouro e prata pra aquele que rouba tudo
E vala comum ao povo do subúrbio

Tsu-zen na favela, cê é quem?
Não fui eu que fiz a guerra e todo dia morre alguém
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis
Pacote de Seven Boys

Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei
Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei
Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei
Yemanjá chegou
Yemanjá chegou, menino-rei

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"Yemanjá Chegou"
Criolo