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segunda-feira, 18 de maio de 2020

"Hellboy", de Guillermo del Toro (2004) vs. "Hellboy", de Neil Marshall (2019)




Desta vez o confronto acaba em goleada, pois um lado é muito superior ao outro. "Hellboy", de Guillermo del Toro, vence o novo longa em todos os aspectos, até nos efeitos especiais critério no qual supostamente o longa de Neil Marshall deveria ganhar mas, pelo contrário, apanha feio.
Vamos iniciar a disputa pelo roteiro: o primeiro, de 2004, pega elementos do início das HQs de Mike Mignola (criador das HQs de Hellboy) que se passa perto do fim da Segunda Guerra Mundial, de onde o Hellboy vem para terra, e logo já pula para o “presentes” com o demônio atuando na BPRD , uma organização que combate demônios e criaturas sobrenaturais. Um enredo bem conduzido, focado em apenas um arco da HQs. Ele até tem elementos de outros arcos mas o foco principal é apenas um que é a luta contra Rasputin e outros demônios. Esse foco único é importante pois assim temos tempo para que o personagem principal seja desenvolvido, para que os secundários sejam apresentados de maneira satisfatória, bem como o vilão. Já o longa de 2019, é uma bagunça! O filme de Neil pega vários arcos das HQs que demoram anos para serem desenvolvidos, e coloca todos juntos e quer dar uma solução em 2 horas. Neste longa de 2019, tem a lenda do Rei Arthur, BabaYaga, Rainha de Sangue, Hellboy Rei do Inferno, Fim do Mundo e muita coisa acontecendo que, para piorar, não parecem ser ligadas uma à outra. Essa bagunça faz com que os personagens não se desenvolvam e a história fique sem um objetivo.
"Hellboy" 2019 parece um time sem tática definida, perdido na marcação, onde os laterais sobem e não ajudam na marcação, mas mesmo assim começa com um ritmo frenético e marcação alta. Ao passo que "Hellboy" 2004, que até tem problemas para fazer o jogo no meio fluir pela falta um camisa 10, consegue mesmo assim levar perigo em jogadas ensaiadas, muito bem pensadas pelo treinador e sua equipe técnica. E o primeiro tempo acaba com 2x1 para o filme de 2004.
Não podemos, é claro, deixar de falar sobre o nosso protagonista, o menino Hellboy. Ambos acertam na pegada cômica e impulsiva do personagem, mas Ron Perlman, da primeira versão, tem muito mais carisma e roteiro que David Harbour, do mais recente. Mesmo com os efeitos e a maquiagem dando um ar mais realista e monstruoso no Hellboy de Harbour, Perlman, sai na frente pois, no fim das contas, é um longa baseado em HQ e, logo, o estilo cartoon do filme de 2004 fica bem mais apropriado.

"Hellboy" (2004) - trailer

"Hellboy" (2019) - trailer

Quando assunto e direção, não vejo nem necessidade de comparar, pois aqui é a maior surra, só não maior que a do roteiro. Guillermo del Toro é muito, mas MUITO mais diretor que Neil Marshall. Marshall até tem potencial, mas... não dá.
Todas as escolhas de Guillermo são assertivas. Sabe trabalhar bem com elementos de fantasia, seu  design de produção sempre é fabuloso, essa ele leva fácil e olha que nessa época ainda nem tinha aquela estatueta brilhando na prateleira.
Então, com os times já cansados, indo para parte final da partida, aí o dedo do treinador faz diferença. e vemos o famoso “nó tático”. Isso sem falar no centroavante,  Perlman, o verdadeiro camisa 9 rompedor é um verdadeiro monstro na partida e inferniza a zaga adversária. A bola chega nele é gol. Até cortou os chifres pra poder cabecear melhor.
Resultado final, "Hellboy" de 2004 vence disparado, como adaptação de quadrinhos, como conceito e como filme em geral. É uma obra que sabia o que queria e o que podia fazer, diferente do mais recente que tenta ir para todos os lados, mas não sai do lugar. Só eu quero uma continuação de Guillermo?
Vem "Hellboy 3"!!!

O Hellboy de 2004 é perfeito? Não, mas é bom.
Já o de 2019 é... qualquer coisa.

"Hellboy" 2019 é a prova de que não adianta gastar muito dinheiro e contratar jogadores errados,
propor um futebol moderno se seu time não tem entrosamento.
Já "Hellboy" 2004, mesmo com um futebol mais conservador, mais tradicional,
faz o feijão com arroz.
Um centroavante que se não é bom de bola, sabe colocar a bola na rede como ninguém Sem falar que o treinador é um maestro e fez o time todo jogar.




por Vagner Rodrigues