O horror da guerra não acaba com a guerra. Harry Lime (Orson Welles, inesquecível) é o estadunidense responsável pela distribuição de penicilina adulterada na Viena do pós-guerra e o crime, cometido por dinheiro, faz um enorme número de vítimas, entre elas crianças. O "duplo" de Harry Lime é Holly Martins (Joseph Cotten, igualmente inesquecível), um amigo de infância do criminoso. Martins é escritor de livros de faroeste pulp que vai a Áustria por conta da promessa de emprego feita por Lime. Ao chegar na cidade, encontra um cenário de devastação material e humana e descobre os crimes hediondos do velho amigo.
Mais do que uma história policial ou um conto moral, "O Terceiro Homem" é um retrato da ocupação de uma cidade por forças estrangeiras. Os Estados Unidos, representados no filme por Lime e Martins, são responsáveis tanto pelo horror quanto pela punição aos que o realizam. A solução estadunidense é típica de faroestes baratos.
É um filme magnífico sobre os aspectos mais sombrios da nossa experiência, cuja força é redobrada pelo fato de ter sido feito logo depois da guerra. Mais do que tudo, é uma sucessão de imagens impactantes, lindamente fotografadas em preto e branco. A música de Anton Karas é antológica. Revi o filme agora há pouco. Continua revelador e comovente como sempre. Se eu decidir revê-lo em 10 anos, assim ele permanecerá. Dizer que é item cultural de primeira necessidade é pouco.
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