Uma das nossas estratégias para circular por Florianópolis
sem ter um carro, fosse pelas praias da ilha, fosse para aproveitar a sua parte
urbana, foi ficar hospedado no Centro da cidade. Assim, pudemos, nos dias em
que não pegamos praia, intercalamo-las com passeios ali mesmo por onde
estávamos. Diferentemente do que a maioria dos turistas fazem em cidades
litorâneas, para nós é um barato tanto esse tipo de banda quanto conhecer as
regiões de Centro, que geralmente têm um Centro Histórico, Mercado Público,
museus... Tudo que a gente aproveitou nos dias de “não-praia” por
Florianópolis.
Num desses dias, o passeio começou de manhã pela orla da
Beira-Mar Norte, um dos cartões-postais de Floripa, com suas pistas para
circulação e prática de esportes por toda extensão, banhado pelo mar represado
entre a ilha e o continente, assim como a icônica ponte Hercílio Luz, que liga
os dois pedaços de terra que compõem a capital catarinense.
Capital esta, um dia chamada de Nossa Senhora do Desterro,
cheia de história, constituída ao longo de 4.500 anos pelas nativas e dizimadas
tribos indígenas Kaingang, Xokleng e Guarani; os escravos negros, vindos principalmente de Moçambique, na África Austral; o
papel desbravador dos oportunistas exploradores Bandeirantes, os açorianos ocupantes e as
figuras históricas catarinenses, tal Anita Garibaldi, Nereu Ramos, Othon da
Gama Lobo d’Eça e o já mencionado Hercílio Luz, engenheiro e político. Parte
disso pudemos ter contato na exposição permanente Museu de Cidade, presente no
Museu de Florianópolis, hoje comandado pelo Sesc SC e que fica num prédio
histórico do Centro, o qual já serviu de Casa de Câmara e Cadeia
Municipal.
Antes, contudo, entre o passeio na Beira-Mar Norte e um
almoço no Shopping Beira-Mar, mais deriva pelas ruas da cidade, que lembram por
vezes Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo, até chegar no Marcado Público,
patrimônio histórico e cultural de Floripa. Dele, tinha vaga e prazerosa
lembrança de quando fui, há uns 20 anos, a qual se confirmou como num deja vu.
Aquele clima de mercado público de metrópole, com suas bancas de souvenires,
artesanato, comidas típicas, gentes e movimentação. Nem pestanejo em dizer que
a melhor comida da viagem foram os sanduíches da banca Paradinha do Fernando,
um pãozinho francês tostado com recheio de omelete com calabresa e outro de bolinho
de carne. Uma atração turística, que se soma à simpatia e o bom atendimento do próprio
Fernando e de sua equipe.
Teve também uma passada na loja de artesanato da Casa da Alfândega,
outro prédio histórico, ao lado do Mercado, um dos pontos iniciais da cidade. Pertencente
ao IPHAN e Inaugurado em 1876, em uma cerimônia que coincidiu com o aniversário
da princesa Isabel, ali, onde hoje se celebra a arte dos artistas indígenas,
sambaquis e nativos da ilha, um dia foi o principal centro alfandegário de Florianópolis,
até o fechamento do porto, em 1964. Um dia, ali se comercializou de um tudo,
que chegava à ilha como mercadoria pelas embarcações. Inclusive escravos.
Essa Florianópolis mais evidente e ao mesmo tempo mais
profunda carrega no seu sol e no calor ameno muita energia, guardada naquelas
construções históricas, naquelas calçadas pedregosas e na complexidade da
intersobrevivência, que se enxerga em quem está vivo +e em quem não está – mas
um dia esteve. Como é, por sinal, todas as cidades históricas.
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| Cena matinal na Beira-Mar Norte |
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| Eu amando Floripa |
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| Mais da manhã ensolarada na Orla de Florianópolis |
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| Detalhe das pedras |
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| O mar e o Continente ao fundo |
Detalhe da ação da água nas pedras
da Beira-Mar Norte
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| Barcos |
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Uma das antigas estações de bombeamento desativadas, mas cujos prédios são patrimônio histórico |
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Foto de dia anterior com o Mercado Público, ao fundo, e a Casa da Alfândega, em seu tom amarelo característico |
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| Os cachorros do Centro |
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| Movimento interno do Mercado Público |
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| Encontramos Roberto Carlos cantando e lucrando uns trocados no Largo da Alfândega |
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| Loja dentro do prédio histórico Casa da Alfândega |
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| A Bruxa, presente no folclore da Ilha, controlando da porta quem entra em quem sai |
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| Instrumentos dos sambaquis no Museu da Cidade |
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| Fotos de escravos vindos de Moçambique para a Desterro colonial |
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| Esta dupla terminando seu passeio pelo Centro de Floripa |
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