Curta no Facebook

domingo, 21 de junho de 2026

"Penalidade Máxima", de Barry Sholnick (2001)

 



"Penalidade Máxima" é a versão da bola redonda do clássico da bola oval "Golpe Baixo", sem conseguir no entanto conquistar o espectador como o original. Embora até tenha uma boa montagem, uma edição ágil, alguns elementos de trama mais elaborados, o longa britânico soa duro e sem alma. Vinnie Jones que fora jogador de futebol profissional, não tem o mesmo charme nem o carisma do grande Burt Reynolds e isso faz uma certa diferença em se tratando do protagonista para o prestígio do filme.

Em "Penalidade Máxima", Danny Meehan, um ex-jogador de futebol banido da Liga de Futebol depois de um escândalo de armação de resultados, já aposentado e muito vida-loka, é preso e condenado por desordem, baderna, mau comportamento, desacato e outros excessos, e vai parar num presídio onde o diretor é fã de futebol e quer que seu time de guardas vença uma liga amadora. Para tal objetivo, convida o ex-craque que se recusa inicialmente mas que, ameaçado, chantageado, propõe então uma partida entre os guardas e um time de presos treinado por ele.

Há algumas diferenças em relação ao clássico do futebol americano, uma delas é que o administrador da penitenciária, cheio de dívidas com agiotas, pressionado só aceita a ideia de Meehan de uma partida contra os detentos contando com as apostas no jogo para pagar os devedores. Outra pequena diferença é que em "Penalidade Máxima", o melhor amigo de Danny na cadeia não morre no atentado ao craque na cela. Outra é que na versão do soccer, o ex-craque recorre a um 'mafioso' influente dentro da penitenciária para ter os melhores presos para reforçar seu time que em princípio relutam em se juntar a ele e não ao grupo dos negros da cadeia. Tudo isso sem falar no final verdadeiramente explosivo da nova. 

De resto tudo muito parecido: o guarda antipático e implicante, a secretária bonitinha, o grandalhão burro e violento que será o trunfo de força do time, e aqueles clichês de sempre.

A propósito do brutamontes do time, aquele personagem quase gutural dos filmes anteriores, mantido separado em uma ala à parte por sua periculosidade, em "Penalidade Máxima" o personagem é interpretado por Jason Statham, por quem particularmente não tenho nenhuma grande admiração como ator, mas que considero ter sido mal aproveitado considerando sua projeção é representatividade dentro de seu segmento do cara durão, fodão e tal, utilizado no filme como goleiro, distante da áreas de conflito do campo onde renderia mais encontrões e bordoadas.

Pela plasticidade do jogo de futebol, com seus voleios, bicicletas, pontes e mãos trocadas, peixinhos, lambretas, etc., "Penalidade Máxima" tinha potencial para ser uma boa versão em relação ao esporte norte-americano, mas infelizmente não acrescenta nada. ;ainda mais por ter sido muito bem assessorado sobre o esporte e ter contado com vários ex-jogadores. Atores ruins, personagens mal escritos, desperdício de deixas prontas do outro filme, e ,no fim das contas, um produto que não empolga e não é bom o suficiente para ser lembrado.

Apesar de já ter jogado bola, Vinnie Jones não funciona como astro do filme de futebol,
e o futebol (da bola redonda) não funciona como remake do clássico de futebol americano

⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽

"Penalidade Máxima"
Título Original: "Mean Machine"
Direção: Barry Sholnick
Gênero: Comédia esportiva
Elenco: Vinnie Jones, David Kelly, Jason Statham
Duração: 99min
Ano: 2001
País: Reino Unido
Onde assistir: Pluto TV

⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽

por Cly Reis

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Dia de Brasil

 






"Dia de Brasil"
Daniel Rodrigues
Esteio/RS, agosto/2024
 

Copa do Mundo Joy Division - Confrontos da Primeira Fase

Agora é pra valer!

Não que antes não fosse, mas eram os aspirantes tentando um lugar entre os gigantes. As músicas de singles, coletâneas e inéditas tiveram que brigar entre si para terem o privilégio de disputar com as que saíram nos dois únicos álbuns da banda, e agora, efetivamente, então, temos a Primeira Fase da Copa Joy Division.

Sorteio feito, sem restrição de álbum, temos dois clássicos locais, três dérbis entre músicas do mesmo disco, todas envolvendo o disco Closer. The Eternal contra Athrocity Exhibitions, Isolation pega Colony, talvez no confronto mais difícil da fase, e Love Will Tear Us Apart (que é single mas saiu em edições do Closer) enfrenta a também fortíssima Passover.

De resto, a boa Walked in Line deu o azar de pegar uma das grandes, She's Lost Control, Something Must Break encara a emblemática Warsaw, e Heart And Soul e Day of the Lords, duas muito equivalentes, se enfrentam nesta primeira fase.

Então vamos lá. Os bloggers do ClyBlog e os convidados tem a missão de definir quem passa para as oitavas.

Confira abaixo todos os confrontos da Primeira fase:

...............................................................................................



quinta-feira, 18 de junho de 2026

Maria Bethânia - "Mel" (1979)


"Ó Abelha Rainha/
Faz de mim/
Um instrumento de teu prazer"
Da letra de "Mel"

"Havia ali a presença toda sã/
 De minha irmã e coisa mais que azul"
Da letra de "Queda D'Água"


Quase terminados os efervescentes e intensos anos 70, Maria Bethânia já estava consolidada no panteão das grandes cantoras da história da música do Brasil. A jovem baiana, que havia assumido no início da carreira a responsabilidade de substituir Nara Leão no espetáculo Opinião e que, logo depois, deliberadamente escolhera não aderir ao Tropicalismo dos conterrâneos e contemporâneos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, construíra um caminho sólido, que unia com muita personalidade a dramaticidade do teatro, a força poética e o arrojo de repertório. Tudo amalgamado por sua interpretação potente, casamento de técnica e emoção.

Mas Bethânia não se acomoda. Hoje, completando 80 anos de vida, pode-se dizer que ela nunca parou de se reinventar. E foi naquela fatídica década, a de melhor produção que tivera na carreira, que essa inquietação se tornou sua marca. Após vários álbuns bem distintos uns dos outros, incluindo “Drama/Anjo Exterminado”, de 1972, onde consolida seu caráter de palco, e “Álibi”, de 1978, seu disco de maior sucesso, ela queria mais. E tinha mais a dizer. “Mel”, assim, vinha como um raio de novidade de uma artista com fôlego de novata. Tanto que é nele, nono disco de estúdio da carreira, que se revela o principal apelido pelo qual se chamaria Bethânia a partir de então: Abelha Rainha.

Claro que o dedo de Caetano está lá mais uma vez, como desde o início da trajetória da irmã. A faixa-título, uma salsa de parceria dele com Waly Salomão, traz pela primeira vez os versos pelo qual a inesgotável Bethânia, já com quase 15 anos de estrada artística, apresentaria mais uma versão sua. “Pois se é noite de completa escuridão/ Provo do favo de teu mel/ Cavo a direta claridade do céu/ E agarro o sol com a mão”, diz. Como se já não bastassem as outras várias Bethânias de antes, agora o público conhecia uma nova, que nunca mais seria esquecida. 

Caê, com quem ela havia dividido os palcos um ano antes no primeiro show da dupla (reeditado em 2025 num megaespectáculo que percorreu o Brasil), assina pelo menos mais outras duas inéditas canções-chaves do disco. Uma delas, logo na sequência de “Mel”, é a belíssima e apaixonada “Ela e Eu”, que Marina Lima regravaria lindamente a capela anos mais tarde. Aqui, no entanto, na e para a voz de Bethânia tal como foi escrita, é simplesmente um desbunde. A maturidade vocal da baiana, numa interpretação encarnada e sensível, é acompanhada pela orquestração assinada por Perinho Albuquerque, também produtor do disco. Primorosa. 

Sobre a outra de Caetano, deixemos para o fim, como de fato o é. Pois antes vale a pena falar das espetaculares interpretações de compositores muito caros a Bethânia, como Lupicínio Rodrigues, com “Loucura”, e Gonzaguinha, autor de “Explode Coração”, com a qual ela estourara um ano antes e de quem, agora, ela traz duas: o samba-canção “Infinito Desejo” e a balada rasgada “Grito de Alerta”, outro sucesso nas rádios.

Arte da contracapa do disco "Mel"
com a letra de "Queda D'Água
escrita a pinho por Caetano
Ativista e posicionada, Bethânia também valorizava em “Mel” não só as compositoras colegas como, igualmente, um então novo discurso na música brasileira em que a mulher surgia como protagonista das ações. É o que se escuta em “Gota de Sangue”, da então jovem Ângela Ro Ro, “Da Cor Brasileira”, parceria de Joyce e Ana Terra, e até na sensualíssima “Cheiro de Amor”, escrita por autores homens, mas na primeira pessoa feminina (“E meio louca de prazer/ Lembro teu corpo no espelho”), assim como Chico Buarque mostrara ser possível na MPB com “Olhos nos Olhos” – não à toa, um clássico na voz de Bethânia.

Por falar em Chico, outra paixão inarredável de Bethânia e com quem ela, assim como com Caetano, havia feito show junto (registrado no disco “Chico Buarque & Maria Bethânia Ao Vivo”, de 1975), este também lhe aprontara uma inédita para o álbum. E que música! A nunca interpretada pelo próprio autor e pouco conhecida “Amando Sobre os Jornais”, um samba triste que une romance com crítica social, narra a história de dois mendigos que, mesmo diante da degradante condição, se amam cor ardor “noites a fundo tendo os jornais como cobertor”. 

O repertório, escolhido a dedo pela própria Bethânia, diretora musical do álbum, conta ainda com a deliciosa rumba “Lábios de Mel”, totalmente sintonizada com a temática daquele trabalho (“Os seus lábios têm um mel/ Que a abelha tira da flor”), e a balada “Nenhum Verão”, só voz e piano, o do próprio autor, Túlio Mourão. Isso para encerrar com uma das menores, mas nem por isso menos bonitas músicas de todo o cancioneiro da artista: “Queda D’Água”. Lembram que iríamos voltar a falar de Caetano? Pois é esta pequena obra-prima em letra e melodia, que ele escreve para Bethânia, numa poesia ao mesmo tempo sinestésica, espiritualista e profundamente afetiva. Se “Mel” e “Ela e Eu” já traziam versos dos mais radiantes de Caetano, o que dizer disso aqui, então? “A queda-d'água ergueu-se à minha frente/ De repente, tudo ficou de pé eternamente/ A floresta, a pedra, o vento vertical do abismo”.

Depois de “Mel”, Bethânia continuaria sendo outras ainda muitas Bethânias. A Dona do Dom, A Pedrinha de Aruanda, a Maricotinha, a Berré, a Brasileirinha, A Corda Vocal Insubmissa, A Menina dos Olhos de Oyá... No entanto, especialmente “Mel” fala muito dessa artista múltipla e indecifrável, a se ver por sua qualidade, diversidade e personalidade. Ao completar oito décadas de vida e mais de 60 de carreira, Bethânia ainda é aquela Abelha Rainha, que faz de nós, fãs, um instrumento do seu prazer. E de sua glória.

🐝🐝🐝🐝🐝🐝🐝🐝

FAIXAS:
1. "Mel" (Caetano Veloso, Waly Salomão) - 3:49
2. "Ela e Eu" (Veloso) - 2:21
3. "Cheiro De Amor" (Duda, Jota Moraes, Paulo Sergio Valle, Ribeiro) - 2:20
4. "Da Cor Brasileira" (Ana Terra, Joyce) - 2:56
5. "Loucura" (Lupicínio Rodrigues) - 2:42
6. "Gota de Sangue (Angela Ro Ro) - 2:30
7. "Grito de Alerta - (Luiz Gonzaga Jr.) - 3:01
8. "Lábios de Mel" (Waldir Rocha) - 2:47
9. "Amando Sobre os Jornais" (Chico Buarque) - 2:20
10. "Nenhum Verão" (Túlio Mourão) - 2:42
11. "Infinito Desejo" (Gonzaga Jr.) - 2:45
12. "Queda D'Água" (Veloso) - 1:06


🐝🐝🐝🐝🐝🐝🐝🐝


Daniel Rodrigues

COTIDIANAS #898 - Especial Maria Bethânia 80 Anos - "Pássaro Proibido"



Solto está o pássaro proibido

Perigo, cuidado, sinal nas ruas

Plumagem clara e brilhante

Ao sol e a lua transparente

Ao corisco e a maré

Ao corisco e a maré

Eu canto o sonho na cama

Do jeito doce e moreno

Eu canto


Pássaro proibido de sonhar

O canto macio, olhos molhados

Sem medo do erro maldito

De ser um pássaro proibido

Mas com o poder de voar

Mas com o poder de voar

Eu canto o sonho na cama

Do jeito doce e moreno

Eu canto


Voar até a mais alta árvore

Sem medo, tranquilo, iluminado

Cantando o que quer dizer

Perguntando o que quer dizer

Que quer dizer meu cantar

Que quer dizer meu cantar

Eu canto o sonho na cama

Do jeito doce e moreno

Eu canto


Eu canto


🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦



letra de "Pássaro Proibido"
autoria: Maria Bethânia e Caetano Veloso



Maria Bethânia - "Pássaro Proibido"
Voz: Caetano Veloso