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sexta-feira, 27 de março de 2026

"Cassino Royale", de John Huston, Ken Hughes, Val Guest, Robert Parrish e Joseph McGrath (1967) vs. "Cassino Royale", de Martin Campbell (2006)

 



Num ano em que O Agente Secreto brasileiro tem brilhado mundo afora, tendo estado pertinho de ganhar um Oscar, nosso Clássico é Clássico (e vice-versa) abre o ano cinefutebolístico com um confronto que traz ninguém menos que o maior agente secreto do cinema. Sim, senhoras e senhores, Bond, James Bond, o 007, em duas versões que usarão de todas as suas armas e recursos para derrotar o oponente e mostrar quem é o verdadeiro clássico do cinema.

Pouca gente sabe mas, antes de ser o ponto de retomada da franquia 007, apresentado Daniel Craig, "Cassino Royale" já tivera uma versão ousada e estrelada nos anos '60. Esse original, embora já contemporâneo da conhecida franquia de ação e aventura com os galãs invencíveis e sedutores vividos por Sean Connery e Roger Moore, entre outros, não fazia parte oficialmente daquela série e, por sua vez, ao mesmo tempo que prestava uma homenagem ao personagem, também o satirizava. O conhecido poder de sedução e a fraqueza por mulheres do agente britânico são elementos importantes na confusa e estapafúrdia trama da primeira versão que é composta por cinco segmentos amarrados entre si pela eliminação de outros agentes zero-zero por uma organização chamada SMERSH. James Bond, então, aposentado, é convencido a voltar à ativa para investigar e deter o grupo criminoso que usa exatamente de armas de sedução para sequestrar os agentes e pensa em atingir o mulherengo Bond desta mesma forma. Mas a coisa fica completamente sem pé nem cabeça! Bond tem a ideia de infiltrar falsos 007 entre suspeitos da tal organização. O mais relevante na trama e o melhor deles é Peter Sellers que, especialista em cartas, no jogo de bacará, que virá a enfrentar o especialista em baralho, Le Chiffre, desesperado para recuperar suas finanças num jogo decisivo para sanar suas dívidas e salvar a própria vida de seus credores.

"Cassino Royale" (1967) - trailer


"Cassino Royale" (2006) - trailer


Nesse ponto as histórias se cruzam, no novo "Cassino Royale", a MI6 tem a informação que um financiador terrorista, Le Chiffre, endividado por um negócio frustrado pretende recuperar seus fundos numa mesa de jogo num torneio particular em Montenegro num local chamado Cassino Royale.

Bond então se prontifica a ser incluído na mesa, como um milionário apostador qualquer, a fim de evitar que Le Chiffre vença e levante o dinheiro. Aí entra outro ponto de convergência entre as duas versões: Vesper Lind. Na última versão ela é a representante do Tesouro Nacional que vai financiar, sob risco, a aposta de Bond na mesa de pôquer, já na primeira, é uma milionária que conduz o falso Bond, Evelyn Tremble ao cassino para enfrentar Le Chiffre.

Os dois Bond vencem os Le Chiffre de cada uma das histórias, ambos são torturados, cada uma à sua maneira, para entregar o dinheiro ao vilão, e em ambas as situações Le Chiffre é morto por seus credores. Enquanto o antigo conduz tudo isso com um humor estranho e psicodélico, o novo o faz com dramaticidade e uma intensidade até então poucas vezes vistas num filme da franquia. A tortura do então estreante Daniel Craig no papel de 007 é das mais brutais e dolorosas que se possa imaginar para um homem, mas que, curiosamente, tem lá também, em meio à dor, seu toque de humor.

Enquanto a refilmagem segue a trilha dos financiadores terroristas, do  dinheiro perdido na primeira operação frustrada, perseguido por Le Chiffre, barrado por Bond, perdido por ele mesmo depois, até que vá atrás de quem o traiu e permitiu que fosse parar nas mãos dos bandidos, o original é uma salada de situações cuja conexão entre si é tão frágil que chega a ser quase inexistente. Tem a filha de Bond com a espiã Mata Hari, Mata Bond, que é sequestrada por um disco voador gigante, tem o sobrinho Jimmy Bond (Woody Allen) que se revela o grande vilão por trás de toda a trama, o Dr. Noah, cujo grande objetivo é tornar-se alto e mais atraente para as mulheres, tem uma grotesca invasão de soldados, coubóis e índios ao cassino para enfrentar os criminosos, tem uma explosão atômica de soluços, enfim... uma miscelânea caótica!

O filme de 1967 tinha um timaço! Além de um dos episódios ter sido dirigido e estrelado por John Huston, a seleção contava ainda com David Nível, Deborah KerrPeter SellersWoody AllenOrson Welles, Ursula Andress e Jean-Paul Belmondo. Infelizmente, de um modo geral, muito mal aproveitados num filme sem pé nem cabeça. Peter Sellers, como Tremble, Ursula Andress, como Vesper, e Welles, como Le Chiffre, ainda conseguem se salvar, mas de resto, é só talento e qualidade desperdiçados. Parece aquele time cheio de craques mas com jogadores escalados fora de posição ou em funções que não rendem o seu melhor.

Já o time de 2006 é aquele elenco equilibrado com os jogadores no lugar certo. Tem a craque Judy Dench, no papel da chefona M, o ótimo jogador Mads Michelsen fazendo um bom Le Chiffre, a competente Eva Green como Vesper Lind, e o limitado Daniel Craig no papel principal dando conta do que é esperado dele. É tipo aquele centroavante que até é ruim tecnicamente, mas que, se cair na frente dele, ele mata. É artilheiro!

"Cassino Royale" (1967) - créditos de abertura



"Cassino Royale" (2006) -
Sequência da perseguição em Veneza

Cassino Royale '67 leva poucas vantagens. A abertura com uma animação colorida e psicodélica é mais interessante que aquela tradicional de silhuetas e balas voando em câmera lenta da franquia oficial. O original faz 1x0 no início pela abertura, mas não sustenta. O jogo de Cassino Royale '06 é bem melhor e mais desenvolvido. Não é nada brilhante, nada espetacular, mas tem andamento, tem sua lógica, tem coerência, e por isso não demora a empatar: 1x1

Embora interpretado por grandes nomes do cinema na primeira versão, como David Niven e Peter Sellers, o estreante Daniel Craig é melhor na função do que os craques do outro time e vira o jogo para o remake. 1x2.

A propósito, Orson Welles é um gênio do cinema, uma dos maiores de todos os tempos, não faz mal o que o ténico lhe pede, mas o Le Chiffre de Mads Michelsen é muito melhor. Aquela cara cínica, aquela expressão implacável e o interessante detalhe do olho lacrimando sangue conferem a ele um lugar únioco e de destaque entre os vilões de James Bond. 1x3 para CR'06

Agora unido os dois, o jogo de cartas no cassino, bacará na primeira versão e pôquer na segunda, além do fato de ser ridículo e risível no confronto entre Peter Sellers e Orson Welles, é muito mais tenso e relevante no confronto de Craig com Mads Michelsen, com direito a reviravolta, envenenamento e ressurreição. 1x4. Já virou goleada!

O time de '67 esboça uma reação com a interessante sequência da missão de Mata Bond, a filha de James Bond, em Berlim, num episódio que, apesar dos absurdos como a viagem de táxi de Londres até a capital alemã, contém mais ação, mais espionagem e uma estética muito legal que mistura psicodelia com expressionismo alemão, com cenários coloridos, geométricos e distorcidos. 2x4. Gol de Mata Bond.

Mas se vamos falar de sequências, a cena em Veneza põe por água abaixo qualquer ambição do filme antigo. A descoberta de Bond, a perseguição, os incríveis desmoronamentos da cidade, o final dramático com a amada Vesper Lind, tudo, toda a jogada, todo o envolvimento garante mais um gol para Casino 2006. 2x5.

Cassino '67, repleto de craques, até faz mais um na tabelinha de Burt Bacharach com Dusty Springfield. O maestro cria toda a jogada para a loura, com sua belíssima voz, completar com classe para o fundo das redes com "The Look of Love", canção indicada na época ao Oscar que não faz feio diante de nenhuma outra da franquia consagrada. Mas não é o suficiente para mudar a história do jogo. 3x5 e até que saiu barato.

Cassino Royale de 1967 apostou todas suas fichas num elenco estelar mas não contava com um jogo mais equilibrado do adversário que soube distribuir bem suas apostas entre a trama, a ação, o suspense e a dramaticidade. Cassino Royale 2006 limpou a mesa!

O jogo entre James Bond e Le Chiffre nas duas versões.
À esquerda, Peter Sellers contra Orson Welles;
à direita, Daniel Craig contra Mads Michelsen.




Gooooool do CR'06?
Sabe de quem?
Você sabe o nome dele!
Bond, James Bond. É dele a camisa 007.


Cly Reis

quarta-feira, 25 de março de 2026

Música da Cabeça - Programa #452

 

Bomba! Revelado o verdadeiro Power Point que liga o MDC a suas conexões! Mas aqui não tem mau jornalismo e nem intenções lavajatistas! Afinal, Sly & Family Stone, Neguinho da Beija-Flor, Cláudia, The Smiths e Jackson Browne sabem muito bem do que estão falando. Ainda, Eliane Elias ilustra nosso Cabeça dos Outros desta semana. Com distorção só de guitarras, o programa entra no modo apresentação às 21h na imparcial Rádio Elétrica. Produção e apresentação sem erro: Daniel Rodrigues 


www.radioeletrica.com

segunda-feira, 23 de março de 2026

Costa da Lagoa - Lagoa da Conceição - Florianópolis/SC


Um dos passeios que desejávamos fazer nessa curta temporada em Florianópolis era à Lagoa da Conceição, que eu visitara há uns bons 20 anos atrás e adorara. Pela manhã, após atravessarmos de carro a sinuosa e bonita estrada que corta o Morro da Lagoa, que desemboca nela lá embaixo, descemos no centrinho, mas não ficamos pela famosa Avenida das Rendeiras, mais movimentada no fim do dia. Isso porque ali mesmo soubemos que havia um passeio de barco para a região de pescadores, a chamada Costa da Lagoa. Já queríamos andar em alguma embarcação pela ilha desde que havíamos visto a existência de um catamarã que saía da Beira-Mar Norte, na região do Centro. Porém, era um custo exorbitante, feito para turista gringo e espetaculoso. Então, além de super em conta, o barco era perfeito para o que buscamos: um passeio pelas águas da Lagoa da Conceição.

Embora não estivesse previsto, foi a melhor coisa que Leocádia e eu fizemos. Num dia lindo de sol, cruzamos por cerca de 1 hora a Lagoa em direção à Costa admirando a impressionante vegetação de Mata Atlântica preservada dos morros que costeiam a caudalosa lagoa. Rochas faraônicas, muito verde, casas encravadas em meio à mata fechada. Por trás daquela vegetação toda, que subia até o alto dos morros, ainda há uma trilha. De 12 km! Dessa vez, não deu pra fazer, mas me aguardem na próxima! 

Enfim, depois dessa viagem no balanço que as águas proporcionam, chegamos à Costa da Lagoa para conhecer a pequena vila. Uma igrejinha muito simpática e uma subidinha – numa trilha – rumo à cachoeira pelo Caminho da Costa da Lagoa, integrante do Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiempibe. Passeio feito, descemos o sopé do morro para almoçar frutos do mar no excelente e premiado restaurante Sabor da Costa, onde fomos recebidos pelo simpático Savas e sua atenciosa equipe.

“Y mas não digo”, como falaria o saudoso Edy Star, pois as fotos estão aí para registrar melhor essa adorável manhã em que – enfim! – passeamos de barco pela ilha de Florianópolis.

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Vista da estação, prestes a embarcar


Um pouco do passeio de barco 
até a Costa da Lagoa


Já na Costa, a pequena prainha


Trapiche em direção da lagoa


A briga do pneu com a água


Vista de cima da vila de pescadores


Leocádia em frente à simpática igrejinha da vila


De dentro da igreja


O Santo no caminho para a cachoeira


E eu - bem menos santo - também na cachoeira


Pessoal se refrescando nas quedas d'água


Novamente na beira do lago. Paisagem que parece quadro


Casinha de pescador, sempre um barato


À espreita dos peixes


O barco Dourado chegando...


...E o Escorpião atracado


Outra vista que daria uma pintura


Estes dois passeadores felizes como o inesperado passeio quase retornando à ilha


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fotos e vídeo: Leocádia Costa e Daniel Rodrigues