Quem se fia somente nas infames listas de "melhores
álbuns" perde MUITA coisa, pois o que não nos falta, a essa altura do jogo
do tempo, são álbuns musicais lindos. Eles existem em número maior do que
podemos contar. Lançado em 1978 pelo selo dos Rolling Stones, "Bush Doctor", de Peter Tosh, é um álbum perfeito, que registra o lado mais melódico e acessível do reggae
sem deixar de mandar vários recados importantes pelas letras.
A figura e o legado de Tosh foram eclipsados pelos de Bob Marley, mesmo que aquele seja, assim como este, um dos Wailers originais. Tosh morreu cedo, mas depois de Marley: este partiu em 1981, aquele foi assassinado por canalhas que invadiram a casa dele atrás de dinheiro em 1987. Antes de morrer, Tosh foi torturado pelos criminosos para revelar onde escondia seu dinheiro. Tosh disse aos assaltantes que não tinha nenhuma grana à mão naquele momento. Impiedosos, os criminosos deram dois tiros na cabeça de Tosh e mataram também alguns amigos dele.
Tosh deixou discografia pequena como artista solo: sete LPs de estúdio e
um ao vivo foram editados enquanto ele estava vivo. Todos são excelentes e
merecem audições repetidas, especialmente no calor do verão, que parece pedir o
ritmo doce e dolente do reggae "roots". O destaque de "Bush
Doctor" é a versão de "Don't Look Back", clássico dos
Temptations, que conta com a participação de Mick Jagger, que rodou bastante em
rádio no Brasil à época.
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A reedição de "Bush Doctor" em CD, de 2002, traz 6 faixas extras: "Lesson In My Life (Outtake)", "Soon Come (Long Version)", "I'm The Toughest (Long Version)"Bush Doctor (Long Version)", "(You Gotta Walk) Don't Look Back (Version)" e "Tough Rock Soft Stones (Previously Unreleased)".
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