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terça-feira, 16 de junho de 2026

Clyblood #10 - "1978", de Nicolás Onetti e Luciano Onetti (2024)

 


Ditadura militar argentina. O governo do General Videla usa a Copa do Mundo como propaganda política, como cortina de fumaça para todos os problemas sociais, como pão-e-circo, e a seleção nacional, se campeã será o símbolo de um país no caminho certo. 

Um grupo de agentes do governo, no dia da final da Copa do Mundo de 1978, entre um lance e outro do jogo, um  jogo de cartas, uma conferida no placar, a ansiedade pelo resultado, pelo título inédito da Albieleste, tortura jovens rebeldes ao regime em uma instalação afastada de Buenos Aires. Buscam informações a respeito de um suposto grupo revolucionário e não economizam nos métodos cruéis e sádicos para arrancar dos presos a informação sobre a sede do tal movimento rebelde. Eles conseguem o endereço, vão ao tal local, invadem e prendem um grupo nada peculiar em atividades um tanto estranhas para um núcleo subversivo. Pois é... e não era mesmo uma organização insurgente. Informação errada! Tratava-se de um grupo satanista que realizava um ritual que, para azar dos agentes, se completaria, lá, dentro dos muros da ditadura. 

Possuídos, os membros do culto, ficam incontroláveis, sedentos de sangue e famintos por carne humana promovendo uma terrível carnificina dentro da cadeia, não fazendo diferenciação entre torturadores e torturados.

Uma figura sobre o verdadeiro mal. O homem e suas ideologias políticas ou o que tememos como demoníaco ou sobrenatural. O que é pior? 

Ambas as violências são terríveis e chocantes, mas, em nome do terror, o massacre dos demônios tem mais sangue, tripas e é bem mais impressionante para a telona. A cena em que devotas de satã arrancam o pênis de um dos torturadores é absolutamente brutal e repugnante, só para ficar em um momento desses horripilantes do filme.

No geral, "1978" não é um grande filme, se perde entre a mensagem política e o terror, e a amarração das duas coisas na trama é muito frágil, inconsistente, pouco trabalhada. Vale minimamente pela reflexão que levanta sobre qual é verdadeiro terror, e, para os fãs do gore, do splatter, é claro, vale especialmente pelo horror gráfico e pelo banho de sangue.

Queriam encontrar os 'vermelhos'? Tá aí o vermelho pra vocês.


"...E a rebelde endemoniada tira as bolas do torturador!
Que beleza!"
Isso sim é que é futebol arte.



por Cly Reis

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"1978" 
título original: "1978"
direção: Nicolás Onetti e Luciano Onetti
elenco: Agustín Olcese, Mario Alarcón, Carlos Portaluppi
gênero: terror, gore, splatter
país: Argentina
ano: 2024
onde assistir: HBO Max

segunda-feira, 15 de junho de 2026

cotidianas #897 - "Esquadrão do Samba"

 



Meu pandeiro rebate no gol
E na defesa bate o tamborim
O reco-reco, o agogô, a frigideira
Entregando de primeira quem disser
Passe pra mim
No meio campo vem a formação
Um cavaquinho e um bom violão
O surdo joga na frente de rompendor
O ganzá de goleador, o repinique a repicar
Pela direita tocando com a cuíca
A torcida se agita pra ver o samba jogar

Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer
Olha o Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer

Meu pandeiro rebate no gol
E na defesa bate o tamborim
O reco-reco, o agogô, a frigideira
Entregando de primeira quem disser
Passe pra mim
No meio campo vem a formação
Um cavaquinho e um bom violão
E pode vim a seleção do estrangeiro
Bem quente que o brasileiro
Já montou seu esquadrão
Sei que lá fora o meu samba não tem nome
Compete, mas passa fome, se gritar leva carão.
Em nossa área apareceu o rock and roll
Tá por ai fazendo gol
Mas no bom samba não faz não

Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer
Olha o Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer


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"Esquadrão do Samba"
Chico da Silva

Ouça: Chico da Silva - 'Esquadrão Do Samba'




domingo, 14 de junho de 2026

Copa do Mundo Joy Division - Fase Preliminar - CLASSIFICADOS

 


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E temos os classificados da fase pré da Copa Joy Division! 
A rigor, nenhuma grande surpresa. Alguém pode até se impressionar com a classificação de Novelty sobre Digital, a da instrumental Incubation sobre These Days, questionar o resultado do confronto equilibrado entre Ice Age e Walked in Line de características parecidas, mas de um modo geral, não tivemos nenhuma grande zebra nesta fase.
Por sinal, os times grandes que tiveram que disputar a pré-eliminatória, como Transmission e Atmosphere, confirmaram o favoritismo e passaram por cima de adversários que não faziam frente mesmo.
Confiram aí então os classificados da fase prévia e nos próximos dias teremos os confrontos sorteados da, efetivamente, primeira fase da 
Copa Joy Division, a Copa Eterna. 

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classificadas:
Warsaw, Dead Souls, Leaders of Men, Novelty, Incubation, All of This For You, Glass,
Something Must Break, Walked in Line, Exrcise One, Transmission, Atmosphere

sábado, 13 de junho de 2026

A Seleção do Jorge

 

Ninguém entende mais de futebol do que Jorge Benjor! Pelo menos, nenhum compositor sabe como ele colocar futebol em versos cantados. Mais do que qualquer outro artista da música, Jorge consegue associar esses universos de forma única e inspirada.

São diversas as canções dele em que o esporte paixão das multidões está  presente de alguma forma, seja como tema principal, como personagem ou de forma sutil na forma de uma mera alusão  ao clube do coração.

Então, no dia da estreia da Seleção na Copa do Mundo, decidimos escalar a Seleção do Jorge, as 11 titulares do Cavaleiro Imaculado.

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"Eu vou lhe avisar
Goleiro não pode falhar"







1."Goleiro", do álbum "23" (1993): Não poderia ser diferente e a gente começa com o goleiro. Jorge Benjor homenageou o jogador da posição mais solitária do campo em seu álbum "23". A canção "Goleiro" alerta para a responsabilidade da posição na qual qualquer falha pode ser fatal, e uma desatenção pode originar um frango vergonhoso.

Ouça: Goleiro










2."Troca Troca", do álbum "A Banda do Zé  Pretinho" (1978): Música que remete às criativas transações que o cartola tricolor Francisco Horta, dos anos 70, promovia entre os grandes clubes do Rio de Janeiro, incrementando o campeonato e alvoroçando os torcedores.
No mais famosos 'pacotão' de trocas, Horta levou para as Laranjeiras o goleiro Renato do Flamengo em troca do também arqueiro Robero do Fluminense, deu o argentino Doval em troca  do atacante Zé Roberto do rubro-negro, e já que estamos falando de lateral, cedeu o lateral Rodrigues Neto do Fluzão, em troca de Toninho, do rival.

Ouça: Troca Troca





"Zagueiro tem que ser malandro
Quando tiver perigo com a bola no chão
Pensar rápido e rasteiro
Ou sai jogando ou joga bola pro mato
Pois o jogo é de campeonato"



3."Zagueiro", do álbum "Solta o Pavão" (1975): E no centro da defesa ele, o zagueiro, impávido, imponente, aguerrido. Jorge Benjor descreve e canta de forma magistral a desenvoltura do dono da grande área com suas virtudes e atribuições, nesta que é, sem dúvida, uma das mais belas canções sobre futebol.

Ouça: Zagueiro










4."Cadê o Pênalti", do álbum "A Banda do Zé Pretinho" (1978): Caiu na área? É pênalti! Se o zagueiro não tomar cuidado, for driblado, perceber um perigo eminente, for seu último recurso e tiver que fazer a falta dentro da grande área, o juiz aponta pra marca da cal e aí já era. Jorge Benjor, também no disco "A Banda do Zé Pretinho" trata da infração mais séria e fatal do futebol: a penalidade máxima.

Cuidado, zagueiro!

Ouça: Cadê O Penalty



"Eu quero ser
jogador de futebol"





5."Meus filhos, Meu Tesouro", do álbum "África Brasil", (1976): Que menino nunca sonhou em ser jogador de futebol? Não foi diferente com Artur Miró, filho fictício da música "Meus filhos, meu tesouro". Ele, o irmão Jesus Corrêa e a irmã, Anabela Gorda, questionados pelo pai, na letra da canção integrante do disco "África Brasil", manifestam suas aspirações. O irmão, quer ser um empresário, ela, dona de casa ou 'dondoca' de sociedade, já Artur Miró, por sua vez, não hesita: "Eu quero ser jogador de futebol".

Jorge Benjor foi um desses meninos que tinha esse desejo e, dizem, tinha talento para tal. Até tentou alguma coisa na base do Flamengo antes da carreira artística. Acabou mesmo na música. Sorte a nossa.

Ouça: Meus Filhos, Meu Tesouro










6."Jesualda", do álbum "Solta o Pavão" (1976): Jogando na nossa lateral-esquerda ela que é simpática, pura e meiga e foi trabalhar na zona sul de cozinheira de forno e fogão. E o que é que a donzela Jesualda tem a ver com futebol? É que na volta do trabalho, no ponto de ônibus, num domingo à tarde, encontrou um sujeito meio apressado que ia com bandeira e tudo ao Maracanã e a partir daquele momento a sorte da moça suburbana mudou. Casou, espera um bebê e foi morar no exterior. Ah, o futebol... Unindo destinos e mudando vidas.

Ouça: Jesualda










7."Fio Maravilha", do álbum "Ben" (1975): Somente Jorge Benjor conseguiria narrar um gol musicalmente como fez com a jogada celestial do atacante Fio.

Jorge descreve com inigualável inspiração, ritmo, musicalidade a jogada do gol de placa de um jogador carismático de seu clube do coração, o Flamengo. O tempo de jogo, o desenvolvimento da jogada, o sentimento do jogador, a reação da torcida... Um golaço de Jorge Benjor!

Ouça: Fio Maravilha



"Olha que a cidade toda ficou vazia
Nessa tarde bonita só pra te ver jogar"





8."Ponta de Lança Africano (Umbabaruma)", do álbum "África Brasil" (1976): Este meia-atacante saído da mente luminosa do compositor é certamente o jogador fictício que todo fã de música imagina como seria e gostaria de ver jogando. Um ponta de lança decidido que pula, cai, levanta, sobe, desce, abre espaço e que é capaz de levar uma multidão ao estádio especialmente para vê-lo jogar. O jogador decisivo, o homem-gol.

Um samba-rock embalado e irresistível que tem, possivelmente, um dos melhores rifas da música brasileira.

Ouça: Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)











9."O Nome do Rei é Pelé", do álbum "Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum)" (2004): Homenagem de Jorge Benjor ao maior de todos. Canção pouco inspirada, pra falar a verdade, numa fase já  menos genial do compositor. Jorge praticamente se limita a enumerar os feitos e listar estatísticas do rei, com ritmo, com balanço, bom refrão, é verdade, mas numa composição bem inferior a outras coisas que já fizera.

O Rei do Futebol poderia ter algo melhor do Rei das Músicas de Futebol.

Ouça: O Nome Do Rei É Pelé




"É falta na entrada da área
Adivinha quem vai bater?
É o camisa 10 da Gávea"




10."Camisa 10 da Gávea", do álbum "África Brasil" (1976): Eu podia ter posto o 10 eterno, Pelé, com a camisa 10 da nossa seleção musical, mas não tem como não reservar este posto para uma canção cujo título é nada menos que o número da camisa. Jorge Benjor já se encantava com o garoto Zico antes dele se tornar tudo o que representou na história do Clube de Regatas do Flamengo. Numa canção mansa, malemolente, Benjor adverte do perigo fatal de cometer uma falta na entrada da área quando aquele jovem craque estava em campo. Isso alguns anos antes do Galinho de Quintino colocar o Flamengo no topo do mundo. Jorge Benjor entende mesmo de bola.

Ouça: Camisa 10 Da Gávea











11."Camisa 12", do álbum "Salve, Jorge" - Inéditas e Raridades - 1963-1976 (2009): Quem fica com a nossa camisa 11 aqui é a "Camisa 12". Uma ode à mítica camiseta canarinho da Seleção Brasileira e a todos os apaixonados por ela. "Camisa 12", canção antiga recuperada em um álbum extra de raridades, exalta os jogadores que defendem, que honraram a camisa amarela e trouxeram cinco títulos mundiais para o Brasil, toda sua raça, sua determinação e sua técnica, além de reverenciar os torcedores, e a troca de energia que acontece quando a Seleção está em campo, especialmente em Mundiais. 

Nada mais oportuno para o momento, no dia da estreia do Brasil em mais uma Copa do Mundo. 

Ouça: Camisa 12


C.R.

Berinjela Beligerante

 




cly