Celebrando os 40 anos de carreira, o supergrupo (afinal, como se não bastasse, não é apenas Vernon o craque da banda formada por Corey Glover, nos vocais, Muzz Skillings, no baixo, e Will Calhoun, bateria, todos igualmente exímios) se apresentará no próximo dia 26 no Bar Opinião, casa símbolo de rock na capital gaúcha.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Drops Living Colour - Best of 40 Years Tour - Bar Opinião - Porto Alegre/RS (26/02/2026)
domingo, 22 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
“Valor Sentimental”, de Joachim Trier (2025)
Hábil questionador das relações humanas, Trier volta seu olhar desta vez para a família. Se no seu filme anterior, o exitoso “A Pior Pessoa do Mundo”, ele trazia uma personagem feminina em busca interna pelo seu lugar no mundo, em “Valor...” o diretor não deixa de mirar a câmera também na mulher, não à toa com a mesma atriz de “A Pior...”, Renate Reinsve. É Nora, uma consagrada atriz de teatro, que desencadeia os conflitos de toda uma rede de laços familiares e ancestrais motivada pela conturbada relação com o pai, o cineasta Gustav Borg, vivido pelo excelente Stellan Skarsgård – ator de papeis inesquecíveis no cinema (como o doutor de “Dançando no Escuro”, Jack de “Melancolia”, e Bootstrap Bill Turner de “Piratas do Caribe”).
O brilhante roteiro original (de Trier e Eskil Vogt) consegue contemplar todo o ecossistema dos Borg – com os ótimos flashbacks, que recontam a história familiar e seus traumas, na medida certa para elucidar esfinges do presente – sem, contudo, desviar-se do protagonismo feminino. Soma-se a esse enfoque, para o qual Trier demonstra ter grande sensibilidade, as personagens Agnes, irmã de Nora, e a atriz Rachel Kemp (Elle Fanning), que, por conta do filme que Gustav pretende rodar sobre a sua própria história, vai ficando, por influência nociva dele, cada vez mais parecida física e emocionalmente com Nora.
“Valor...” é um filme sofrido. Há poucos respiros de “não-sofrimentos”, pois tudo dói. Tudo retorna àqueles pontos mal resolvidos, num círculo vicioso em que a figura masculina/paterna se mostra bastante despreparada. Gustav, que cometeu abandono no passado afetivo, é incapaz de conviver com as filhas sem um punhado de microagressões nas mãos, sem recorrer à sua falta de inteligência emocional. Quem é mesmo o sexo frágil? Existe sexo frágil? A dureza do longa, nesse sentido, é perfeitamente plausível, uma vez que, na vida real, problemas de relacionamento tão basais como os de laços familiares, quando não resolvidos, passam a ficar latentes. Ora aqui, ora ali, aparecem, até que sejam identificados e, quiçá, amenizados ou sanados. Por isso, “Valor...” é por vezes cruel, mas muito coerente, e é importante que o cinema trate temas importantes dessa forma séria a comprometida.
E se a mulher é vista como alguém consciente de suas fragilidades, mas suficientemente forte para buscar acolher o que lhe faz mal, o homem, na figura de um pai de família da classe alta, nórdico e de uma geração pós-Guerra, tem grande dificuldade de expressar emoções e resolver seus traumas. E pior: é alguém pouco disposto a mudar. É em personagens como Gustav que se vê o declínio do homem como se construiu culturalmente ao longo dos séculos. Antes, o dono do mundo; hoje, a pior pessoa do mundo. Nada diferente do que se observa na sociedade – e nem precisa ser nórdica para isso. Trier opta por expor esse despreparo emocional do homem, ao contrário de "ocultá-lo" como em outros recentes filmes críticos da masculinidade, cuja figura do macho, tão aberrante quanto patética (como um monstro em forma de gente), mal aparece, a se ver por “Se Eu Tivesse Pernas...”. Fato é que urge repensar a psique masculina e a falida cultura que sustenta o machismo e o patriarcado na sociedade. Os filmes estão gritando esse alerta.
Concorrente a nove estatuetas do Oscar, “Valor...”, que se mostrava um forte adversário do brasileiro “O Agente Secreto” na categoria Longa Internacional quando o Oscar chegasse, parece ter perdido musculatura desde o Globo de Ouro, quando levou apenas Ator Coadjuvante para Skarsgård, quase um prêmio de consolação. Em Longa Internacional, além do filme de Kleber Mendonça Filho, “A Voz de Hind Rajab” ganhou mais força nas últimas semanas e começa a ver o norueguês pelo retrovisor. Mas embora os melhores filmes da temporada sejam de fato “O Agente...” e “Foi Apenas um Acidente” (o outro filme concorrente nesta categoria junto com "Sïrat"), não seria nada estranho se “Valor...” ganhasse. Qualidade para isso tem.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #447
Tá vendo aquele folião ali no meio da galera? Pois é, a gente deu uma estendida no Carnaval e, por isso, vamos trazer um MDC de reprise. Mas uma reprise do tamanho que o programa e o Carnaval merecem, repetindo o programa da quarta-feira de cinzas do ano passado, quando, além da ressaca dos festejos, ainda sentíamos pela primeira vez o peso da estatueta do Oscar (quem sabe não é auspicioso, né?). Quase recolhendo a fantasia, o programa vai ao ar hoje, às 21h, na foliã Rádio Elétrica. Produção, apresentação e ponto facultativo: Daniel Rodrigues
www.radioeletrica.com







