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quinta-feira, 11 de junho de 2026

"Yojimbo, O Guarda-Costas", de Akira Kurosawa (1961) vs. "Por Um Punhado de Dólares", de Sergio Leone (1964)

 


Tá, agora parou a brincadeira! Tirem as crianças da sala que aqui é conversa de gente grande. Se Japão vs. Itália não é um grande clássico no futebol, uma vez que os orientais não tem uma seleção tradicional e os italianos vem de fracassos e ausências recentes em Copas do Mundo, no cinema, pelo contrário, representam duas escolas clássicas e premiadas. E aqui o jogo é ainda maior por conta dos donos do espetáculo. De um lado Akira Kurosawa e do outro o italiano Sergio Leone que numa produção conjunta com Alemanha e Espanha, refilma o clássico do mestre japonês e tentar superá-lo.

Ótimo oponente, por sinal. Somente um especialista em faroestes como Leone para ousar desafiar as sagas de samurais errantes de Kurosawa.

Nos dois filmes, um forasteiro sem origem e sem destino chega a um vilarejo dominado por duas famílias rivais que impõe autoridade, pavor e submissão aos habitantes. O aventureiro percebe a oportunidade de ganhar alguns trocados por ali mas logo, desmandos, crueldades e injustiças fazem com que seu senso de moral fale mais alto que o dinheiro e ele passe a agir em prol dos oprimidos da pequena aldeia, especialmente um casal que é arbitrária e cruelmente afastado de seu filho pequeno.

Com algumas diferenças de andamento e de ação a trama das duas versões é  praticamente a mesma. O herói,  ardiloso e sagaz, se infiltra nas famílias e as corrói por dentro causando-lhes danos e prejuízos, fazendo com que cada vez mais uma se volte contra a outra.


"Yojimbo, O Guarda-Costas" (1961) vs. "Por Um Punhado de Dólares (1964) - lado a lado


Kurosawa dá um pouco mais de contextualização social, Leone imprime um pouco mais de dinâmica, o preto e branco do primeiro é elegante e salienta os contrastes, o colorido do outro reforça a aridez do ambiente, enquanto o italiano desde cedo sugere que exista alguma questão envolvendo uma família, o japonês só nos apresenta mesmo a situação da criança bem adiante, se o faroeste spaghetti de Leone tem a excitação das balas e dos tiros, a ação samurai tem o balé das espadas. Difícil estabelecer algo melhor...

E o que falar dos craques dos craques de cada time? Toshiro é o equilíbrio na medida certa entre a sobriedade e a intensidade, Clint, aquele personagem incógnito, indecifrável, inabalável.

O time italiano conta com outro craque no time, o maestro Ennio Morricone na batuta, com mais uma trilha marcante, porém o menos conhecido no mundo ocidental, mas não menos competente Masuro Satō não deixa por menos e entrega uma trilha pontual e precisa.

Impossível dar a vitória para um dos dois. Esse é daqueles jogos históricos de Copa, tipo, 5x5. Daqueles duelos que ficam pra sempre na memória do torcedor. 

O charme imponente de Toshiro e a tranquilidade impenetrável de Clint.
 Dois times com matadores como esses só podia resultar num jogo de muitos mortos... digo,
quero dizer...muitos gols.


No duelo da espada contra a pistola,
ninguém ficou com a vantagem.
Tudo igual num jogo de craques na beira do campo e dentro dele.




Cly Reis

E Começa a Copa do Mundo...

 

Apita o árbitro.

Começa a Copa do Mundo!


A bola começa a rolar nos gramados da América do Norte e as publicações sobre futebol e países envolvidos no grande evento, começam a rolar por aqui.


Livros que trazem o futebol como tema, filmes em que este esporte é protagonista, confrontos de filmes originais contra remakes de países participantes da Copa como se fossem jogos de seleções, discos com artistas de nacionalidades diferentes, artes especiais remetendo a grandes jogos e grandes craques, e tirinhas tratando de tudo que acontecer nesse período do Mundial com muita atualidade e bom humor.


Já começou!


Agora tudo é Copa no ClyBlog.


C.R.
D.R. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Música da Cabeça - Programa #463

Prontos para mais uma apresentação de craques? Então, preparem-se, pois é o MDC que põe seu time em campo! Um dia antes de começar a Copa do Mundo, o programa escala seu time com talentos dos mais variados países, como a França de Françoise Hardy, a Inglaterra da The Cure e da Lush, os Estados Unidos de Iggy Pop e, claro, os brasileiros pentacampeões Fernanda Abreu, Carlinhos Brown, Erasmo Carlos e mais. No quadro especial, Um Cabeça dos Outros. Com a equipe formada, o programa dá o pontapé inicial às 21h na futebolística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e golaços: Daniel Rodrigues


 www.radioeletrica.com

Copa do Mundo Joy Division - Fase Preliminar

 


E rola a bola na Copa do Mundo Joy Division...

Mas calma, as 'grandes seleções' não entram ainda nesta fase. As que tiveram a honra de compor os únicos dois álbuns de estúdio lançados pela banda, terão o privilégio de entrar a partir da fase seguinte.

Nesta fase preliminar, os singles, inéditas e integrantes de coletâneas se enfrentam tentando seu lugar na elite. Eles que lutem!

É lógico que numa obra tão curta, algumas que deveriam ter entrado em álbuns mas não tiveram tempo para isso e mesmo assim ficaram eternizadas, terão que passar por essa pequena humilhação e enfrentar uma eliminatória, como é o caso de clássicos como "Atmosphere" e "Transmission", por exemplo. Mas imagino que não devam ter dificuldades para passar e devam se encontrar com suas iguais na fase seguinte...

Será? 

Futebol pode ser uma caixinha de surpresas.

Então que tal conhecermos quem serão os adversários desses clássicos que não deveriam estar na série B, e todos os outros confrontos dessa fase pré?

Confiram aí então os confrontos da fase preliminar da Copa Joy Division que nós, os blogueiros do ClyBlog, Clayton e Daniel, juntamente com nossos convidados entendedores da obra da banda, Luna Gentile e Roberto Sulzbach, definiremos os vencedores e que avançarão à fase seguinte:



terça-feira, 9 de junho de 2026

Seminário “14 de Maio - O Dia Seguinte. E agora?” - Teatro Roberto Atayde Cardona - Montenegro/RS (14/05/2026)


Por essas coisas da vida, no ano passado estive na cidade de Montenegro dando meu curso sobre Cinema Negro na Fundarte, através do Sesc Montenegro, Naquela ocasião, meu irmão Tiago Ritter, montenegrense, sabendo que estava na sua cidade-natal, me manda um áudio de whats dizendo: “Ah, tu tá em Montenegro?! Então, vou avisar uma pessoa que eu conheço, que gostaria muito que vocês se conhecessem, pois admiro vocês dois”. Gol. A pessoa a quem Tiago se referia era Rogério dos Santos, presidente da Central Única das Favelas - Cufa RS Montenegro e a quem ele conhecia não só a pessoa como o trabalho que desenvolvia há bastante tempo.

Pois, passado quase um ano após o curso, sou convidado a participar, integrando um seleto grupo de painelistas, do seminário pertinentemente intitulado: “14 de Maio - O Dia Seguinte. E agora?”, ocorrido nesta data no Teatro Roberto Atayde Cardona, e com a companhia de Leocádia.. 

Digo “pertinentemente intitulado” porque o seminário, realizado pela Cufa RS Montenegro através do projeto Resgate Negro do Vale do Caí, propõe uma reflexão sobre o que veio depois do 13 de maio de 1888, data da assinatura da Lei Áurea, que aboliu formalmente a escravidão no Brasil. O 14 de maio simboliza justamente o dia seguinte, quando a população negra foi deixada sem reparação, sem políticas de inclusão e sem acesso real à cidadania. Algo que eu exploro em meu curso e que considero o principal ponto de inflexão sócio-histórico da população negra no Brasil.

Para minha satisfação e orgulho, subi no mesmo palco que pessoas de renome nacional e regional, algumas as quais muito admiro, como Celso Athayde, presidente da Cufa Global; o escritor Itamar Vieira Junior; a líder comunitária Rozeli da Silva; e a deusa negra Zezé Motta, com quem, por rápido momento estive e pude entregar-lhe um exemplar do livro da Accirs e registrar uma foto.

A mesa de debate a qual compus foi para tratar do tema: “Raízes Negras da Cultura Brasileira” e que tive a felicidade de dividir com a mãe-de-santo e líder comunitária Cláudia Chu, o professor de música Renato Batista, o músico senegalês radicado no RS Kanhanga e mediação do querido jornalista Marck B. Dentre as preciosas falas do debate, a minha foi na linha da valorização e contextualização do cinema negro no Brasil, considerando os dois pontos de partida: a famigerada Abolição da Escravatura, em 1988, e a criação do cinema, poucos anos depois, em 1895. Isso explica em parte porque, somente nos anos 40 algum eco de cinema sobre as questões do povo negro começaram a ser tratadas na tela grande.

Também teve aquelas que tive o prazer de conhecer e assistir, como a empreendedora Gabi Valente, a advogada Danielle Araújo, a líder comunitária Maira Azevedo e a educadora e filósofa Bárbara Carine, vencedora do Prêmio Jabuti Educação pelo livro "Como Ser um Educador Antirracista" e criadora da louvável escola Afro-Brasileira, na Bahia. Que fala potente e descolonizadora a sua! Daquelas que mexeu com a emoção de todos na plateia. Quem também deu um show – e arrancou ao mesmo tempo gargalhadas e consternação da plateia com sua fala consciente e combativa sobre as mães pretas na sociedade brasileira, foi a comunicadora Tia Ma. Discussões que só um evento deste calibre e força simbólica este pode oportunizar.

Pela manhã, abertura oficial do seminário


Zezé Motta e Rozeli da Silva mediadas por Rogério dos Santos


Nos bastidores com a deusa Zezé Motta, a quem presenteei com um livro da Accirs


Também prestigiei Celso Athayde e seu filho, Vinicius, com quem troquei autógrafos


Itamar Viera Jr. falado sobre sua escrita negra


Nós no debate sobre Raízes da Cultura Negra Brasileira


Trecho de minha participação no seminário


Ao final com os companheiros de debate Marck, Cláudia, Renato e Kanhanga


Foto só sorrisos com Marck B e o idealizador do evento, Rogério dos Santos




texto: Daniel Rodrigues
fotos e vídeo: Daniel Rodrigues e Leocádia Costa