Curta no Facebook

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Peter Tosh - "Bush Doctor" (1978)



por Zeca Azevedo

"Em 'Don't Look Back' eu faço mais um dueto com Peter Tosh do que somente backing vocal. Eu me esforcei ao máximo."
Mick Jagger


Quem se fia somente nas infames listas de "melhores álbuns" perde MUITA coisa, pois o que não nos falta, a essa altura do jogo do tempo, são álbuns musicais lindos. Eles existem em número maior do que podemos contar. Lançado em 1978 pelo selo dos Rolling Stones, "Bush Doctor", de Peter Tosh, é um álbum perfeito, que registra o lado mais melódico e acessível do reggae sem deixar de mandar vários recados importantes pelas letras. 

A figura e o legado de Tosh foram eclipsados pelos de Bob Marley, mesmo que aquele seja, assim como este, um dos Wailers originais. Tosh morreu cedo, mas depois de Marley: este partiu em 1981, aquele foi assassinado por canalhas que invadiram a casa dele atrás de dinheiro em 1987. Antes de morrer, Tosh foi torturado pelos criminosos para revelar onde escondia seu dinheiro. Tosh disse aos assaltantes que não tinha nenhuma grana à mão naquele momento. Impiedosos, os criminosos deram dois tiros na cabeça de Tosh e mataram também alguns amigos dele. 

Tosh deixou discografia pequena como artista solo: sete LPs de estúdio e um ao vivo foram editados enquanto ele estava vivo. Todos são excelentes e merecem audições repetidas, especialmente no calor do verão, que parece pedir o ritmo doce e dolente do reggae "roots". O destaque de "Bush Doctor" é a versão de "Don't Look Back", clássico dos Temptations, que conta com a participação de Mick Jagger, que rodou bastante em rádio no Brasil à época.

*************

A reedição de "Bush Doctor" em CD, de 2002, traz 6 faixas extras: "Lesson In My Life (Outtake)", "Soon Come (Long Version)", "I'm The Toughest (Long Version)"Bush Doctor (Long Version)", "(You Gotta Walk) Don't Look Back (Version)" e "Tough Rock Soft Stones (Previously Unreleased)".

🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵

FAIXAS:
1. "(You Gotta Walk) Don't Look Back" (Ronald White/Smokey Robinson) - 5:20
2. "Pick Myself Up" - 4:02
3. "I'm The Toughest" - 3:57
4 "Soon Come" - 3:59
5 "'Moses' - The Prophet" - 3:39
6. "Bush Doctor" - 4:08
7. "Stand Firm" - 6:12
8. "Dem Ha Fe Get A Beatin'" - 4:15
9. "Creation" - 6:35
Todas as composições de autoria de Peter Tosh, exceto indicada

🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵

OUÇA:
Peter Tosh - "Bush Doctor"

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Música da Cabeça - Programa #471



Enquanto a nave do Musk vai parar desgovernada na Lua, o MDC mantém seus pés na Terra e sem causar estrago. Na rota certa, o programa de hoje vai te levar às nuvens sem sair do chão com Airto Moreira, Criolo, The Cure, Gil Scott-Heron, Mário Quintana e mais. No quadro especial, Cabeça dos Outro homenageando Ney Matogrosso. Viajando só na boa, o MDC ganha a estratosfera às 21h na lunar Rádio Elétrica. Produção, apresentação e pouso calculado: Daniel Rodrigues


www.radioeletrica.com

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Aquele das Trevas

 





Aquele das Trevas - REIS, Cly
(grafite em sulfite - acabamento digital)




Aquele das Trevas
Cly Reis

domingo, 2 de agosto de 2026

"Mártires", de Pascal Laugier (2008) vs. "Martírio", de Kevin Goetz e Michael Goetz (2016)

 




Ainda no rastro de Copa do Mundo, mais um confronto internacional no nosso Clássico é Clássico ( vice-versa). O cultuado "Mártires", exemplar básico do cinema extremo francês, consagrado pelos fãs do terror, contra a tentativa norte-americana de refilmagem, mesmo tendo que contrariar as próprias características de cinema comercial.

É tipo aquele jogo que o juiz esqueceu o cartão em casa. Pancada o jogo inteiro, violência comendo solta e nem advertência.
"Mártires", de 2008, do diretor Pascal Laugier, e seu remake "Martírio", de oito anos depois, dos irmãos Goetz, não aliviam, os dois são brutais, a diferença é que o norte-americano parece aquele time que não tem a coragem de entrar na área, e a área, aqui, neste caso, é um nível de violência além do tolerável. 
Com algumas diferenças,  a premissa é basicamente a mesma: uma jovem que fora sequestrada e torturada na infância, anos depois supõe ter encontrado seus torturadores e vai atrás deles com sede de vingança, ainda que a melhor amiga, companheira de internato na infância órfã e de recuperação do trauma, ponha em dúvida se aquela família identificada pela nossa vingadora teria inquestionavelmente relação com as atrocidades cometidas contra a amiga anos atrás. O próprio espectador põe em dúvida se aquele núcleo familiar tão bonitinho e normal seria capaz de coisas tão cruéis a ponto de traumatizar uma pessoa.  
Sim? Não?
Melhor não revelar.
Vou procurar não dar muitos spoilers, mas o fato é que a partir daí, se desencadeiam uma série de situações que deixam o espectador sem respirar e sem acreditar no acontecimento seguinte. E não é uma questão de reviravolta, plot-twist, é porque é tão inesperado que a gente fica cada vez mais tenso, embasbacado, impressionado e incrédulo.

"Mártires" (2008)

Assista ao filme completo: Mártires (2008) Filme Completo DUBLADO 

"Martírio" (2016)


Assista ao filme completo: "Martírio" (2016) - completo dublado


Em ambos essa sucessão de acontecimentos surpreendentes acontece, mas a impressão que dá é que a produção norte-americano de 2016 toma o cuidado de não passar dos limites, de se manter na medida do possível, dentro de um padrão minimamente comercial, enquanto o original francês vai até as últimas consequências. Talvez somente no primeiro contato com a família feliz a refilmagem consiga ter tanto impacto quanto. Fora isso, não chega nem perto, repleto de americanices e suavizações, como no caso da outra garota encontrada em cárcere, uma garotinha sofrida, desesperada, mas inteirinha e saudável; do esfolamento nos porões, bem mais leve e superficial que o do filme francês; do destino da amiga, preparado e heroico como todo americano gosta; e da sequência final, muito mais 'poética' e apoteótica. (E podem fiar tranquilos, pois estou sendo bem genérico para não correr o risco de revelar muito).
Enfim, "Mártires" bate impiedosamente em "Martírio", espanca, tortura e ainda tira o couro do time yankee.
Uma goleada fácil, um 5x0 com requintes de crueldade. 

Ambas as cenas do "êxtase" final.
À esquerda o original, que parece um Hellraiser de tão horrendo, 
e à direita, o remake que está mais para mais o Auto da Compadecida,
só arranca uma tira de couro.


E o time norte-americano apanha resignado, conformado, 
sofrendo por que sabe que tem que sofrer pois
Não há outra coisa a fazer diante do fortíssimo time francês.





Cly Reis