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| "Hallo Spaceboy" - REIS, Cly arte difgital inspirada na canção "Hallo Spaceboy" de David Bowie (GIMP) |
A trilha foi um fenômeno. Recorde de vendas para um disco instrumental e presença nas programações das rádios. Colocaria a carreira de Gato no seu mais alto patamar. Depois disso, ele nunca faria nada tão relevante.
A morte de Bernardo Bertolucci finalizou um capítulo que se manteve para sempre incompleto e obscuro na história da música e do cinema, envolvendo disputas, ciúmes, invejas, traições e acusações de plágio. O próprio cineasta nunca fez questão de explicar o que houve, tampouco Gato Barbieri, que enveredaria por novos caminhos em sua música, mantendo-se ativo até morrer, em abril de 2016, aos 83 anos.
Rejeitado para a trilha, Astor Piazzolla, morto em 1992, repassaria as duas composições que havia feito para o filme para que fossem usadas noutro longa-metragem, "Cadáveres Ilustres", de Francesco Rosi. Quando "O Último Tango em Paris" foi lançado, chegou a dizer que poderia ter composto uma trilha superior. Para amigos, admitia que gostava muito da gravação de Gato Barbieri.
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Essa cara de espanto do quadro não é por causa do estilo cubista e nem em razão da pechincha que foi o leilão desse Picasso. O que realmente causa assombro é o MDC de hoje, só com verdadeiras pinturas em forma de música. The Beatles, Cartola, Bent, Neil Young e Elis Regina revelam seus traços. Igualmente, a gente repete o quadro Cabeção de março de 2021 para celebrar os 90 anos da compositora de vanguarda brasileira Jocy de Oliveira. Com uma paleta muito viva, o programa "pinta" por aqui às 21h na artística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e tintas próprias: Daniel Rodrigues
www.radioeletrica.com
Num desses dias, o passeio começou de manhã pela orla da
Beira-Mar Norte, um dos cartões-postais de Floripa, com suas pistas para
circulação e prática de esportes por toda extensão, banhado pelo mar represado
entre a ilha e o continente, assim como a icônica ponte Hercílio Luz, que liga
os dois pedaços de terra que compõem a capital catarinense.
Capital esta, um dia chamada de Nossa Senhora do Desterro,
cheia de história, constituída ao longo de 4.500 anos pelas nativas e dizimadas
tribos indígenas Kaingang, Xokleng e Guarani; os escravos negros, vindos principalmente de Moçambique, na África Austral; o
papel desbravador dos oportunistas exploradores Bandeirantes, os açorianos ocupantes e as
figuras históricas catarinenses, tal Anita Garibaldi, Nereu Ramos, Othon da
Gama Lobo d’Eça e o já mencionado Hercílio Luz, engenheiro e político. Parte
disso pudemos ter contato na exposição permanente Museu de Cidade, presente no
Museu de Florianópolis, hoje comandado pelo Sesc SC e que fica num prédio
histórico do Centro, o qual já serviu de Casa de Câmara e Cadeia
Municipal.
Antes, contudo, entre o passeio na Beira-Mar Norte e um
almoço no Shopping Beira-Mar, mais deriva pelas ruas da cidade, que lembram por
vezes Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo, até chegar no Marcado Público,
patrimônio histórico e cultural de Floripa. Dele, tinha vaga e prazerosa
lembrança de quando fui, há uns 20 anos, a qual se confirmou como num deja vu.
Aquele clima de mercado público de metrópole, com suas bancas de souvenires,
artesanato, comidas típicas, gentes e movimentação. Nem pestanejo em dizer que
a melhor comida da viagem foram os sanduíches da banca Paradinha do Fernando,
um pãozinho francês tostado com recheio de omelete com calabresa e outro de bolinho
de carne. Uma atração turística, que se soma à simpatia e o bom atendimento do próprio
Fernando e de sua equipe.
Teve também uma passada na loja de artesanato da Casa da Alfândega,
outro prédio histórico, ao lado do Mercado, um dos pontos iniciais da cidade. Pertencente
ao IPHAN e Inaugurado em 1876, em uma cerimônia que coincidiu com o aniversário
da princesa Isabel, ali, onde hoje se celebra a arte dos artistas indígenas,
sambaquis e nativos da ilha, um dia foi o principal centro alfandegário de Florianópolis,
até o fechamento do porto, em 1964. Um dia, ali se comercializou de um tudo,
que chegava à ilha como mercadoria pelas embarcações. Inclusive escravos.
Essa Florianópolis mais evidente e ao mesmo tempo mais
profunda carrega no seu sol e no calor ameno muita energia, guardada naquelas
construções históricas, naquelas calçadas pedregosas e na complexidade da
intersobrevivência, que se enxerga em quem está vivo +e em quem não está – mas
um dia esteve. Como é, por sinal, todas as cidades históricas.
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| Cena matinal na Beira-Mar Norte |
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| Eu amando Floripa |
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| Mais da manhã ensolarada na Orla de Florianópolis |
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| Detalhe das pedras |
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| O mar e o Continente ao fundo |
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| Barcos |
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| Uma das antigas estações de bombeamento desativadas, mas cujos prédios são patrimônio histórico |
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| Foto de dia anterior com o Mercado Público, ao fundo, e a Casa da Alfândega, em seu tom amarelo característico |
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| Os cachorros do Centro |
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| Movimento interno do Mercado Público |
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| Encontramos Roberto Carlos cantando e lucrando uns trocados no Largo da Alfândega |
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| Loja dentro do prédio histórico Casa da Alfândega |
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| A Bruxa, presente no folclore da Ilha, controlando da porta quem entra em quem sai |
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| Instrumentos dos sambaquis no Museu da Cidade |
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| Fotos de escravos vindos de Moçambique para a Desterro colonial |
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| Esta dupla terminando seu passeio pelo Centro de Floripa |