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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Atividade Paranormal" de Oren Peli (2009)




Fui ver ontem no cinema “Atividade Paranormal”. Muito parecido com “A Bruxa de Bair”, muito mesmo. É um filão do cinema que está na moda esta coisa documentarística, câmera na mão, filmagem sugeridamente amadora; tipo “REC” e “Cloverfield-Monstro”, por exemplo; e este “Atividade Paranormal” segue o mesmo rumo com uma inteligência de gancho de roteiro que confere uma saudável sensação de realismo às cenas. A ideia? Filmagem de fenômenos paranormais dentro de uma casa. Ótima! Pena os atores serem fracos, mas o que afinal não acaba prejudicando a idéia do filme, porque a favor do realismo proposto, faz parecer às vezes que são pessoas comuns que não se sentem de todo confortáveis em frente à câmera.
O lance todo é uma garota se diz atormentada desde criança por alguma coisa paranormal, assombração, espírito ou algo assim, e o namorado meio cético resolve tirar a limpo o negócio filmando tudo que fazem durante o dia e deixando a câmera e microfones ligados à noite e, principalmente nestas horas, a câmera parada registra coisas ora silenciosas, ora barulhentas, ora estaticamente assutadoras. Portas mexendo, sombras, passos na escada, luzes acendendo. Tudo sem que o “negócio” apareça. E este é o grande ganho do filme. O invisível!
“A Bruxa de Blair” que certamente o inspirou, também joga com os mesmos elementos, e é claro investe neste desconhecido também, mas talvez a vantagem que “Atividade Paranormal” tenha em relação a seu antecessor de sucesso seja o ambiente CASA. Casas assombradas sempre foram símbolos de terror, e o coquetel casa+escuridão+movimentos+portas+invisível+desconhecido formam uma combinação verdeiramente assustadora.
Ao passo que em “Blair Witch Project” os sustos e as expectativas eram mais raros e esperados, aqui eles são uma constante cada vez que o casal apaga a luz e vai dormir. Só de vê-los deitados já ficamos com a atenção aguçada para os ruídos e para todo canto da tela. Ponto alto é quando a menina é puxada por algo que não aparece e arrastada corredor afora (e a câmera só ali parada no tripé).
No fim das contas, você no cinema pode até achar “ah, nem é muuuito assutador”; até mesmo ouvi risos ao final da sessão – que seja dito, dos mesmos que quase grunhiam durante algumas cenas. Que seja. “Atividade Paranormal” não é exatamente um filme pra assustar na hora, ele deixa a sensação de medo. Queria ver estes mesmos que riram no cinema, ao chegar em casa na hora de apagar a luz pra dormir.
***
OBS. Curiosamente é o tipo do filme que, em nome da sensação, é melhor ver em DVD em casa do que ver no cinema. Imagina desligar o aparelho e ir da sala até o quarto? E depois no quarto?



Cly Reis

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"Círculo do Medo" (1962) de J.Lee Thompson e "Cabo do Medo" (1991) de Martin Scorcese




Tava passando no TCM, era a sessão dos 50 filmes pra assistir antes de morrer e eu não tinha visto ainda. Então, eu não podia correr o risco de morrer (toc, toc, toc) sem ver "Círculo do Medo", de J.Lee Thompson que renderia posteriormente uma refilmagem de Martin Scorcese entitulada aqui no Brasil "Cabo do Medo" (que aliás é o nome original da versão antiga também.
Minha curiosidade residia muito em ver como a versão original caracterizava o terrível Max Cady, vivido por Robert de Niro no remake, e como se configurava a relação do criminoso com o advogado que o metera na cadeia. Cady no original é vivido por Robert Mitchum que, a propósito de atuações perversas e assustadoras, já havia protagonizado o ótimo "Mensageiro do Diabo" de forma maligna, e aqui para minha surpresa não fica devendo nada à interpretação de De Niro. Mictchum consegue ser tão sinistro quanto, tão sarcástico quanto, tão sádico quanto e só não mais violento porque o cinema da época não permitiria. Mas mesmo assim o filme é curiosamente muito ousado neste apecto para sua época (e não à toa, tendo problemas com censura), sendo até mesmo extremamente insinuante em determinados momentos como no evidente desejo do maluco pela filha semi-adolescente do advogado ou no suposto estupro da esposa do mesmo.
Um outro elemento que tinha curiosidade de saber como era colocada na versão antiga era se estava presente o elemento anti-ético apresentado na refilmagem que levara Max Cady à cadeia. E realmente não, não havia este elemento e este provavelmente foi o grande ganho de Scorcese em relação à versão antiga. Com a introdução de questões morais e éticas, transgredidas por todos os envolvidos em determinado momento do filme, Scorcese conseguiu fazer com que ninguém ficasse como anjinho na história e em determinado momento a família ameaçada fica minada por estas questões dentro do próprio lar.
Os dois Max Cady, ambos de dar medo,
cada um à sua maneira
Lógico, é certo que o Max é um psicopata, um criminoso, mas o diretor faz com que não deixemos limpo em nosso julgamento, um advogado, que jurou defender a lei e a verdade, e que omitiu provas para pôr atrás das grades seu próprio cliente. Não acabamos torcendo pelo vilão, mas acabamos sim com um certo asco e desprezo pelo novo Sam Bowden, interpretado por Nick Nolte, ao passo que o antigo, Gregory Peck, o máximo que faz de ilegal foi chamar uma gangue pra dar um corretivo no delinqüente.
Salvo isto, "Círculo do Medo (1962)" é excelente até em termos de direção com algumas cenas quase que rigorosamente copiadas por Scorcese tamanha a qualidade da filmagem original de J.Lee Thompson.
Suspense de primeira, com certeza muito inspirado em Hitchcock, o que fica mais evidenciado ainda pela trilha sempre arrepiante do colaborador de Hitch, Bernard Herrmann.
Vale a pena ver os dois!


Cly Reis

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A culpa foi exclusivamente do Inter


Findo o Campeonato Brasileiro de Futebol, o mais emocionante, mais disputado, mais equilibrado dos últimos tempos, eu, colorado, dispensarei algumas linhas sobre o assunto, até porque meu time era até a derradeira rodada direto interessado nos fatos e acontecimentos que a cercavam.
Quero dizer que se chegamos à última rodada dependendo de um resultado paralelo e sobretudo de um resultado paralelo exatamente do nosso arquirrival isto não é culpa de ninguém menos que do próprio Internacional que fez durante quase todo o segundo turno, depois de ter sido o campeão do primeiro, uma campanha de rebaixado, dando uma guinada no final que não só o livrou desta situação embaraçosa, como também lhe garantiu a incrível possibilidade de ver-se de repente lutando por um título que parecia totalmente inalcançável. Ajudado pela instabilidade emocional, técnica e administrativa do Palmeiras e pela queda repentina do São Paulo quando tinha a faca e o queijo nas mãos, e por uma pequena reação, o Colorado acordou depois da trigésima sexta rodada com a possibilidade palpável de um título que nem a torcida mais acreditava. Eu, particularmente, já estava dando graças a Deus se confirmasse uma vaguinha na Libertadores, nem que fosse aquela indireta, mas num piscar de olhos o título parecia possível. Só que o destino (e o Corinthians) quis(eram) que com a combinação dos penúltimos jogos de cada um que o Flamengo ficasse com uma vantagem em relação ao Inter, que só seria revertida com uma ajuda improvável do nosso principal rival.
Ora, o resto do Brasil parecia não conhecer o tamanho disso, os cariocas, os flamenguistas pareciam não saber dimensionar o tamanho desta rivalidade. Eles não entendiam que NUNCA o Grêmio permitiria que o Internacional conquistasse um título importante se eles pudessem impedir, e não só podiam, como estava nas mãos deles.
Festa feita, Flamengo Campeão, Grêmio botou os juvenis pra jogar, tirou os melhores jogadores do jogo (Maxi e Souza), não chutou mais a gol no segundo-tempo, tudo bem? Nada disso tem a ver com o título. O Internacional não deixou de ganhar este tetracampeonato porque o Grêmio foi desinteressado pro Maracanã. Deixamos de ganhar este campeonato em uma série de jogos fáceis, jogos ganhos nos quais deixamos a vitória escorrer entre os dedos. Perder para o Corinthians em casa acontece, mas não pode acontecer quando o time paulista vai desfigurado, sem 7 ou 8 titulares, sem Ronaldo, sem o bom goleiro titular. E perdemos. De 2x1. E massacrando o adversário mas não conseguindo fazer gols. Massacramos também o Atlético PR, que era um dos últimos naquele momento, e não saímos do empate em casa. A propósito de últimos, deixamos o Fluminense empatar aos 47 do segundo-tempo. Tá certo que este jogo foi fora de casa, que o Fluminense teve toda essa reação e tudo mais, mas NÃO; contra um dos lanternas, no finalzinho do jogo; espana, joga a bola pra longe, faz cêra, cai, seja expulso mas não deixa empatar. E pra completar, e aí sem desculpa mesmo, foi a gota d'água perder em casa para o Botafogo, que também estava na rabeira do campeonato, tendo levado um gol aos 3 do primeiro tempo e depois não tendo conseguido reagir durante os outros 87 minutos. Não pode. Não pode ser campeão mesmo. Depois querem atribuir ao Grêmio, aos reservas, ao corpo-mole.
Até acho que no fim das contas, se alguém neste campeonato jogou bola de verdade foi o Flamengo. Teve enfrentamentos difíceis e superou, como nas vitórias contra Palmeiras e Atlético fora, por exemplo, coisa que o Inter não fez, só tendo ganho de algum postulante ao título agora no finalzinho quando bateu o Galo no Mineirão.
No fundo não lamento muito. Gostaria de ter o título é claro, mesmo às custas do rival, mas pra quem como eu, em determinado momento vendo as atuações do time não cria nem em Libertadores,chegar em segundo acabou sendo grande coisa. Agora é pensar no Bi da América. Com um pouquinho de planejamento, alguns reforços pontuais e mais garra no próximo ano até dá. Tudo é Libertadores!


Cly Reis

domingo, 6 de dezembro de 2009

"Vicky Cristina Barcelona' de Woody Allen (2008)


Esta semana, mesmo, por acaso, li em algum lugar, um comentário afirmando que o Woody Allen bom era o dos anos 70. Deve-se admitir que as obras-primas do diretor encontram-se com efeito nesta fase, como "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar" e "Manhattan", tendo ainda uma produção bastante interessante nos 80 com jóais como "Hannah e suas irmãs" e "Zelig", mas verdadeiramente começa a dar sinais de estafa criativa e qualitativa nos 90, mesmo assim, neste período, ainda conseguindo produzir o ótimo e divertido "Misterioso Assassinato em Manhattan" em 1993 e o bom "Poderosa Afrodite". O novo século pelo visto não tem sido muito auspicioso para Allen, depois de uma série de fracassos logo na virada do milênio, parece estar tentando reencontrar o caminho. Tenho que admitir que não vi "Dirigindo no Escuro", "O Escorpião de Jade", "Os Trapaceiros" mas sei que o próprio Allen afirma fazerem parte de sua pior fase como cineasta. Com um testemunho desses acho que nem vou arriscar.
Não vinha assistindo muito a estes mais novos também porque aqui em casa há uma restrição (da patrôa) a Woody Allen e, como na medida do possível a gente pega filmes para ver juntos, acabava deixando passar filmes que até me interessam como "Scoop" e "Melinda e Melinda" para o qual tenho boas recomendações. Curiosamente, neste sábado procurando filmes na locadora ela demonstrou interesse em "Vicky Cristina Barcelona" do qual eu ouvira falar bem. Ôpa! Oportunidade de ver Allen em casa na Sessão Conjunta com a mulher.
Só que lamentavelmente o filme não é lá essas coisas. Aliás é bem fraco. Uma história bem inconsistente, um roteiro incrivelmente óbvio com falas até mesmo previsíveis e um humor bastante duvidoso. Pra piorar, o filme todo é conduzido por uma narração que, salvo toda a minha paciência de tentar descobrir onde queria-se chagar com aquilo, mostrou-se absolutamente desnecessária. Não era necessário narrar o que eu estava vendo, estava ali na tela ou ia estar dali a segundos. Uma condução de filme totalmente equivocada.
A locação em Barcelona, a mistura de línguas, o cenários, a fotografia, me parecem mais uma expressão de paixão momentânea ou descoberta do diretor de algum outro lugar que não Manhattan, onde, sinceramente, acho que ele deveria continuar. Até por inspiração mesmo. O fator Espanha, o fator Barcelona, com Javier Barden e Penélope Cruz, o intimismo, a comédia velada, só fez com que ficasse com uma cara meio Almodóvar no fim das contas e, na boa, se é pra ver Allen assim, eu prefiro ver um Almodóvar mesmo.
Como disse, tenho boas referências de "Melinda e Melinda" e pretendo ver uma hora dessas. Só que pelo jeito vai ter que ser sozinho na sessão da madrugada. Acho que depois desse perdi de vez a boa vontade da minha mulher em ver Woody Allen.


Cly Reis