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segunda-feira, 13 de julho de 2026

COTIDIANAS Especial nº900 - O Tio Adão

 



Desde pequeno ouvia minha mãe contar que nossa família tivera um grande jogador de futebol que havia jogado inclusive pela Seleção Brasileira e participado de uma Copa do Mundo.

Por mais que sempre gostasse muito de futebol, quando garoto, a informação não se fazia totalmente relevante para mim, até porque, meio desencontrada e incompleta, parecia carente de precisão e confirmação. Não que minha mãe, minhas tias e outros parentes estivessem inventando, mentindo, mas talvez aquilo não fosse tão grande quanto colocavam. Minha mãe contava das aventuras dele em países nórdicos, suas fotos com as louras, com delegações de jogadores, mas ninguém sabia ao certo se havia jogado na Copa da Suécia, da Suíça, ou se havia realmente chegado a jogar uma Copa do Mundo. Já era motivo de orgulho por ter jogado na Seleção, e isso era fato, mas talvez tivesse sido um torneio de juniores, uma excursão avulsa ou algo  do tipo. Mas de todo modo, o Tio Adão sempre habitava nossa memória afetiva coletiva como o craque da família.

A era da informação e da Internet trouxe dados mais precisos que eliminaram aquelas imprecisões e só fizeram crescer minha admiração e colocá-lo no lugar de destaque que sempre mereceu.

Tio Adão para nós, ou Adãozinho, como era conhecido no mundo do futebol, fora um atacante de alto nível que atuara no meu time do coração, o Sport Club Internacional, e que entre diversas participações com a seleção nacional, integrou o grupo que participou da fatídica Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Jogara mesmo uma Copa, como se contava! Mas fora por aqui mesmo, no próprio país.

Integrante da segunda formação da lendária equipe do Internacional chamada de Rolo Compressor, Adãozinho, imparável, veloz e artilheiro, tamanha era sua volúpia e indomabilidade fora alcunhado de Atacante Satânico. Seu prestígio permanece intacto, atravessa gerações tanto que, hoje, minha filha, colorada, admira e também se orgulha de ter um parente, mesmo que distante, representante das cores do nosso time da lendária camiseta brasileira.

As histórias com louras europeias deviam ser de algum torneio, amistoso ou uma convocação eventual, mas o fato é que a própria participação em um Mundial já atesta não se tratar de um jogador qualquer. Se hoje em dia qualquer jogador mediano, sem coração, veste a camisa da seleção, Tio Adão jogara em uma época repleta de craques na qual a concorrência era grande, além de ser um tempo em que o amor à camiseta que se vestia representava tudo.

Nada pode mudar isso: um dos nossos, do nosso sangue, fora um craque de Seleção Brasileira e jogara uma Copa do Mundo!


⚽⚽⚽⚽⚽


Cly Reis


segunda-feira, 29 de junho de 2026

cotidianas #899 - "Samba Japonês"

 


Aqui pela primeira vez
Eu canto pra vocês
Um samba e um batuque feito para japonês

E vem aqui dançar comigo
Sem levar um tombo
E só se para quando ouvir o som daquele gongo

Tóquio é a cidade que
Quase vive em paz
Porque a polícia lá estuda até arranjos florais

Bruce Lee, Kung-fu, Shaolin chegou
E veio sambando e cantando em nagô

O sol então nos encontrará
Pela madrugada
De mãos dadas como num conto de fadas
Cor de jade e de marfim, nos invade
Amor sem fim, felicidade é uma coisa assim

O sol então nos encontrará
Pela madrugada
De mãos dadas como num conto de fadas
Cor de jade e de marfim, nos invade
Amor sem fim, felicidade é uma coisa assim


⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽

"Samba Japonês"
Jorge Mautner

Ouça: Jorge Mautner - Samba Japonês

quinta-feira, 18 de junho de 2026

COTIDIANAS #898 - Especial Maria Bethânia 80 Anos - "Pássaro Proibido"



Solto está o pássaro proibido

Perigo, cuidado, sinal nas ruas

Plumagem clara e brilhante

Ao sol e a lua transparente

Ao corisco e a maré

Ao corisco e a maré

Eu canto o sonho na cama

Do jeito doce e moreno

Eu canto


Pássaro proibido de sonhar

O canto macio, olhos molhados

Sem medo do erro maldito

De ser um pássaro proibido

Mas com o poder de voar

Mas com o poder de voar

Eu canto o sonho na cama

Do jeito doce e moreno

Eu canto


Voar até a mais alta árvore

Sem medo, tranquilo, iluminado

Cantando o que quer dizer

Perguntando o que quer dizer

Que quer dizer meu cantar

Que quer dizer meu cantar

Eu canto o sonho na cama

Do jeito doce e moreno

Eu canto


Eu canto


🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦🐦



letra de "Pássaro Proibido"
autoria: Maria Bethânia e Caetano Veloso



Maria Bethânia - "Pássaro Proibido"
Voz: Caetano Veloso 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

cotidianas #897 - "Esquadrão do Samba"

 



Meu pandeiro rebate no gol
E na defesa bate o tamborim
O reco-reco, o agogô, a frigideira
Entregando de primeira quem disser
Passe pra mim
No meio campo vem a formação
Um cavaquinho e um bom violão
O surdo joga na frente de rompendor
O ganzá de goleador, o repinique a repicar
Pela direita tocando com a cuíca
A torcida se agita pra ver o samba jogar

Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer
Olha o Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer

Meu pandeiro rebate no gol
E na defesa bate o tamborim
O reco-reco, o agogô, a frigideira
Entregando de primeira quem disser
Passe pra mim
No meio campo vem a formação
Um cavaquinho e um bom violão
E pode vim a seleção do estrangeiro
Bem quente que o brasileiro
Já montou seu esquadrão
Sei que lá fora o meu samba não tem nome
Compete, mas passa fome, se gritar leva carão.
Em nossa área apareceu o rock and roll
Tá por ai fazendo gol
Mas no bom samba não faz não

Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer
Olha o Gol, mais um gol esse time não pode perder.
A seleção do meu samba ninguém consegue vencer


⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽

"Esquadrão do Samba"
Chico da Silva

Ouça: Chico da Silva - 'Esquadrão Do Samba'




sábado, 30 de maio de 2026

cotidianas #895 - Gol Chorado

 



O pé por baixo da bola. Aquela leve cavada, desequilibrado, o suficiente para evitar o joelho do goleiro. E lá foi ela, a bola, mansa, lenta, quase morrendo, quicando, quicando, quase perdendo a força antes de chegar no gol. Será que tinha direção certa? E se batesse na trave? E se tirasse tinta e saísse?
Eu, acompanhando a trajetória, era o espectador privilegiado ao mesmo tempo que era candidato a herói do título. Era só encostar de leve e garantir o destino certo: rede!
Naquele 14 de junho era aniversário do famoso Gol Chorado. O gol do título. Só se falava nisso em todas os jornais, emissoras, mesas redondas. Era especial com o Pinha, entrevista com o Pinha, reprise do gol do Pinha, "conheça a mansão do ex-atacante Pinha"... Estava cansado daquilo. Desliguei a TV, levantei da cama e acendi um cigarro no fogão. Se tivesse metido o pé naquela bola, hoje não estaria morando num buraco daquele em que o quarto já é praticamente a cozinha.
Ainda sonhava com aquele lance...
Em seu sonho, ele acompanhava a jogada, ela quicava, quicava, ia morrendo, ele percebia que ela não teria o destino do gol, talvez batesse na trave... Pra garantir, completava de chapa pra rede. O jogo acabava, ele era carregado como um herói, caía nos braço da torcida, dava autógrafos, ia a programas esportivos. Comerciais, carros, mulheres... Anos depois, no aniversário daquele gol decisivo, se fariam programas sobre ele, com ele, iriam à sua mansão entrevistá-lo e fazer um especial para a TV.
Acordava invariavelmente suado e angustiado, com lágrimas nos olhos. Não conseguia deixar de pensar como tudo seria se tivesse metido o pé naquela bola.



Cly Reis

segunda-feira, 6 de abril de 2026

cotidianas #892 - LMNT 4VR

 



Fotos com a galera na praia, fotos com as meninas na festa da Gabi, foto com as miga no Pop Festival... A Lari devia estar quase chegando pra irem juntas pra festa na casa do Edu. Enquanto isso, aproveitava pra baixar as fotos pro computador e selecionar as melhores.

Ai, essa não com a chata da Aline! Deletar! Own..., a Juli é um amor! Adoro essa foto junto com ela. Haha, o cachorro da Gabi. Essa eu tenho que guardar. Ah, não! O Marcelo... Pior que essa foto tá ótima. O que estraga é ele.

Havia terminado com o Marcelo havia poucas semanas e, naquele momento, a imagem dele era algo pouco agradável, era alguém que preferia não ver. E pensar que teria que encontrá-lo na festa...  Mas não tinha jeito: ele também era amigo do Edu e estaria lá de qualquer forma. Preferia não deletar uma foto tão legal, no sítio do pai da Lara, com as meninas, com o Jefinho que é um cara massa, com o Rafa que é gatinho... Bem que podia eliminar só o Celo!

Procurou no Google algum aplicativo que removesse imagens indesejáveis. Remove-It, Photo X-clude, Edit 4U... 'LMNT 4VR, elimine para sempre aquela figura indesejável'. Nunca tinha visto esse, nunca tinha ouvido falar. Adorou a chamada! Era exatamente isso que queria: remover o Marcelo para sempre de qualquer lembrança.

Entrou. Arraste sua foto para cá. Colocou lá a fotinho. Use o pincel para apagar. Passou o cursor em forma de número 4 apenas sobre a imagem do ex. Você realmente deseja eliminar este elemento? Pensou um pouco... Confirmou. SIM.

Nesse momento a mãe entrou no quarto e avisou que a Lari estava lá  embaixo e que era para ela descer. Baixou a tampa do laptop, apagou a luz do quarto e saiu para a festa. 

Selfies, poses, drinks, baseados, paqueras! A galera tava toda lá. Quer dizer, todo mundo menos o Marcelo. Estranho! O Gui veio com a piadinha, "Tem alguém que não apareceu por aqui hoje... Será que é dor de corno?". Não enche, Gui! A Gabi encostou nela e, de forma bem mais conveniente questionou: "Sabe do Celo?". Não sei e não quero saber, respondeu. De fato não queria saber, mas que era estranho não ter ido à festa, era. Além de não costumar se abalar com qualquer rompimento, finais de namoro, era amigo de infância do Edu e além disso todos os rapazes, os amigos estavam lá, o pessoal do time, do clube, do inglês...

Marcelo não apareceu aquela noite e não apareceu mais.

Não fora mais visto.

Polícia, noticiários, família desesperada... Como se tivesse evaporado.

Nada a ver, mas começou a pensar naquele aplicativo... Desde a noite em que resolveu apagar o Marcelo, ele não apareceu mais. E era um app estranho pra falar a verdade. Nunca tinha visto nem ouvido falar daquela coisa. 

Será???

E se testasse? Pra conferir se era isso mesmo. Se o tal aplicativo teria alguma coisa a ver...

lmnt4vr.com

Entrou.

(Com quem faria o teste?)

A Aline era uma chata, mesmo...

Arraste sua foto para cá. Colocou lá a foto. A Aline toda sorridente no churrasco na piscina.

Use o pincel para apagar.

Passou o cursor apenas sobre a imagem do desafeto.

Você realmente deseja eliminar este elemento?



Cly Reis


quarta-feira, 25 de março de 2026

Música da Cabeça - Programa #452

 

Bomba! Revelado o verdadeiro Power Point que liga o MDC a suas conexões! Mas aqui não tem mau jornalismo e nem intenções lavajatistas! Afinal, Sly & Family Stone, Neguinho da Beija-Flor, Cláudia, The Smiths e Jackson Browne sabem muito bem do que estão falando. Ainda, Eliane Elias ilustra nosso Cabeça dos Outros desta semana. Com distorção só de guitarras, o programa entra no modo apresentação às 21h na imparcial Rádio Elétrica. Produção e apresentação sem erro: Daniel Rodrigues 


www.radioeletrica.com

quarta-feira, 18 de março de 2026

Música da Cabeça - Programa #451

Como se já não bastasse a guerra, agora um manda animação Lego pra cá, videogame pra lá... Sem brincar com coisa séria, o MDC solta seus mísseis também, mas só os musicais. Hoje, Johnny Rivers, Kraftwerk, Jorge Bem Jor, Nirvana e Chico Science miram seus alvos. No Cabeção, igualmente, uma explosão de talento com os 80 anos da deusa Liza Minelli. Divertida-mente cultural, o programa vai ao ar às 21h na "gamificada" Rádio Elétrica. Produção, apresentação e meme pela paz: Daniel Rodrigues


www.radioeletreica.com

domingo, 15 de março de 2026

cotidianas #890 - "Fred Astaire"

 



Deu pra escutar
A canção que tocou pra gente
E o meu coração que
De repente
Inventou de sapatear

Ou eu fui louca
E tudo foi um grande engano
E eu faço o plano
E o contraplano
De um filme prestes a acabar

Só pra saber
Nesse tal filme de romance
Antes que o público se canse
Você me beija no final?

Um sim cai bem
Mas não se sinta pressionado
Porque um beijo obrigado
Na tela
Imprime meio mal

Sem problema
Ser figurante da sua história
E, olha, nem força sua memória
Nem nome eu preciso ter

Mas, cuidado
Me deixa no canto da sala
Que se eu tiver alguma fala
Eu mudo pra: Eu amo você


🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬

"Fred Astaire"
Clarice Falcão



Ouça:

domingo, 8 de março de 2026

COTIDIANAS nº889 Especial Dia Internacional da Mulher - "Aviso da Lua Que Menstrua"


 


Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

"Aviso da Lua Que Menstrua"
Elisa Lucinda


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"Aviso da Lua Que Menstrua"
poema-música




sábado, 7 de março de 2026

cotidianas #888 - Pílula Surrealista #62


Os remédios já não faziam mais efeito. Estava certo, minha hora havia chegado. Nada de tristeza ou despedidas, então. Mas claro que algo precisaria ser feito. No meu caso, obviamente, a escolha foi fundar um continente. Mas não pensem que foi fácil. Fazer submergir a antiga Atlântida do fundo do mar usando apenas uma enxada e as mãos exigiu força, as últimas as quais pude oferecer da vida que me resta. Mas, pronto: fundei! Está lá agora, para todos pisarem. E ok, ok, sei que não é necessariamente um continente e nem uma novidade a Atlântida - aliás, em termos geológicos, muito menos novidade que os outros continentes que aí estão. Talvez seja inadequado dizer "fundei". Mas, ora, me permitam esse crédito! O que resta a um homem em fim de trajeto, cujo pulsar, em contagem regressiva, anuncia findar a não muito dali e que mira, com olhos marejados e enevoados, a miragem de um corpo a, pouco a pouco, se desmaterializar? Permitam-me. Até porque, nesse planeta que eu quase deixo, muito pouco há de ineditismo nos descobrimentos, convenhamos. Além do mais, nem Colombo, Marco Polo, Comer, He, Da Conti, Tavernier, Fernão, Cook, Alvarado alcançaram esse feito: mais do que fundar, ressuscitar um continente. É uma ilha, eu sei, mas uma ilha grande. Então, classifico como continente. Vou para a tumba sabendo que aquela terra, submersa em um único dia e noite por cataclismos, venceu, reverteu a arrogância dos antigos atlantes corruptos. A mim, arrogância não é o caso. É apenas merecimento. Ao menos um merecimento. Ao menos uma realização. Ao menos uma glória. Ao menos um continente.


Daniel Rodrigues



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

COTIDIANAS nº887 Especial de Carnaval - "O samba é um desconforto potente"



As ruas são mães do samba ainda que muitas vezes tentem trancar a criança em casa. Percebo que tem uma turma acreditando em uma dicotomia perigosa: a que o samba é um retrato da nossa cordialidade como povo e o funk é o retrato de um Brasil violento, misógino e cruel. Um amigo acaba de me perguntar se eu concordo que o samba retrata um Brasil mais gentil, festeiro, carnavalesco.
Acho que a carnavalização do samba - aquele processo de vinculá-lo apenas ao perfil de música que borda a nossa suposta simpatia - foi e continua sendo em larga medida uma tentativa de domá-lo (seja por parte do Estado, da indústria fonográfica, da mídia, do mercado publicitário, de alguns sambistas etc.), exatamente porque o samba é muito mais complexo e problemático - no sentido de não se domar a análises superficiais - do que isso.
Muito mais do que gênero musical ou bailado coreográfico, o samba é elemento de referência de um amplo e complexo cultural que dele sai e a ele retorna, dinamicamente. Nos sambas vivem saberes que circulam; formas de apropriação do mundo; construção de identidades comunitárias dos que tiveram seus laços associativos quebrados pela escravidão; hábitos cotidianos; jeitos de comer, beber, vestir enterrar os mortos, amar, matar, celebrar os deuses e louvar os ancestrais. Reduzir o samba ao terreno imaginário onde mora a alegria brasileira do carnaval é um reducionismo completo.
Não custa recordar que o discurso do samba, e de toda a múltipla musicalidade oriunda da diáspora africana, também está no fundamento do tambor, que fala daquilo que nossas gramáticas não nos preparam para ler. O tambor - e são tantos! - vai buscar quem mora longe, e isso é muito sério.
O samba – de cara podemos lembrar – até a complexidade de experiências que o definem – é testemunho e fonte documental para contratar as nossas contradições poderosas, o nosso horror e as nossas escapadelas pelas frestas da festa: o beijo na cabrocha, O assassinato de Malvadeza Durão, a alvorada no morro, a prisão do Chico Brito que fuma erva do norte, a ilusão de um olhar, o mulato calado que já matou um e se garante na inexistência do X-9 em Mangueira, os poderes do jongueiro cumba, o batizado do neguinho vestido de anjo em Pirapora, o preconceito racial no casamento do neguinho e da senhorita, as porradas que o delegado Chico Palha enfiava em macumbeiro nos tempos da vadiagem, a navalha no bolso, o revólver como maneira nossa de entrar no século do progresso, a mulher vitimada pela violência, submissa como Amélia, rebelde e altaneira como Gilda; o tiro de misericórdia no menino que cresceu correndo nos becos que nem ratazana e morreu como um cachorro, gemendo como um porco... Tá tudo no samba.
Foi exatamente o samba, sobre o qual reflito sistematicamente, que me fez perceber e encarar um Brasil de complexidades que não comportam dicotomias reducionistas. O samba é um desconforto potente para que o Brasil se reconheça como produtor constante de horror e beleza. É o filho mais duradouro dos tumbeiros, em tudo que isso significa de tragédia, redenção, subversão, negociação, resistência, harmonia, violência, afeto, afirmação de vida e pulsão de morte na nossa história. O samba é a entidade mais poderosa das falanges da rua.

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"O samba é um desconforto potente"
Luiz Antonio Simas

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

cotidianas #886 - Sexta-Feira 13 de Carnaval: Sangue, suor e folia

 



Varre, varre, varre. É lantejoula, é  plástico, é papel, é pano. Aquele barracão fica um lixo só quando todo mundo sai. Ficam só uns pra dar os últimos acabamentos, deixar tudo prontinho. Pra não atrapalhar os últimos que ficaram pra dar  aqueles retoques finais e aquelas frescuras, vou pra parte onde as coisas já estão prontas. Colares, chapéus, máscaras, penduricalhos... só varrer com cuidado sem derrubar nada.

Varre, varre, varre, passo a vassoura por baixo do balcão e ela bate em alguma coisa mais dura, mais pesada. Não é só  papel, plástico, isopor. Puxo pra frente do balcão com a vassoura e vem uma máscara. Não parece com as outras, não parece fazer parte de nenhuma alegoria. Trabalho no barracão faz meses e não sei de nenhuma ala que use uma coisa daquelas. Parece aquelas máscaras de... futebol americano. Não! Futebol americano  não usa máscara, usa, tipo, um capacete. É máscara de rósqui, rock,  hóquei, eu acho. Meu filho que gosta de esporte é que entende dessas coisas. Toda amarelada, rachada, podre. O que que aquela porcaria faz ali?

Só recolho e jogo fora como seria o normal a fazer? Ou será que pergunto pra alguém se faz parte de alguma coisa que eu não sei?

Não vou incomodar o carnavalesco. Tá lá concentrado dando instrução numa estátua de orixá.

Ah, vai pro lixo. Ninguém vai dar falta disso.

Antes de me livrar daquilo, só de graça, mesmo toda nojenta, resolvo experimentar. Botar na cara.

Um acampamento, adolescentes, um lago, desespero, afogamento, fundo, fundo, mãe, morte, vingança, máscara, sangue, sangue, coração, pernas, cabeças, sangue, morte, morte, morte. Tudo me vem à cabeça numa sequência alucinante, como um filme todo passando em um segundo.

Encho o peito de ar, respiro fundo. A meu lado uma enorme tesoura de costura repousa sobre uma bancada.

Já não sou eu mesmo quando a apanho e caminho com determinação barracão adentro. Tem pouca gente ali trabalhando a essa hora, mas tem muito mais gente lá fora e terá ainda mais nos próximos dias. Ainda é sexta-feira, o Carnaval está apenas começando.


Cly Reis 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

"Araca: Arquiduquesa do Encantado - Um perfil de Aracy de Almeida", de Hermínio Bello de Carvalho - Ed. Folha Seca - Edição Ampliada (2025)



por Márcio Pinheiro

 "Todos podem desafinar ao cantar. Aracy, nunca.”
Paulinho da Viola


Com a nobreza que reveste algumas figuras míticas dos subúrbios do Rio, Hermínio Bello de Carvalho desenha o perfil de Aracy de Almeida em "Araca – Arquiduquesa do Encantado" (Folha Seca). Não espere um retrato convencional, rico em detalhes, linear na estrutura e repleto de informações. Hermínio nem sequer informa direito onde e quando Aracy nasceu. Conclui-se que, se em 1986 ela tinha 72 anos, é sinal que morreu com 74 em 1988, vítima de um derrame.

O que Hermínio oferece em Araca é, sim, um olhar único e peculiar sobre uma das artistas mais originais que o Brasil já teve. Uma visão impressionista de quem aproxima a homenageada do leitor, sem ranço ou reverência, ressaltando as pequenas histórias – como o fato de Aracy não usar calcinhas, preferindo as cuecas samba-canção brancas (com monograma bordado, detalhe importante) – e as tiradas espirituosas que caracterizavam a personagem.

Intérprete de timbre marcante, com voz anasalada e os "erres" arrastados, que deslumbrou Mário de Andrade e Noel Rosa (para citar apenas dois), Aracy surge em Araca como a doidivanas que beira o folclore, mas também como a artista sensível, capaz de apreciar Bach, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e os tangos de Gardel. Até ópera entrava no repertório afetivo-musical de Aracy "Ih, adoro aquele berreiro", costumava dizer entre o jocoso e o respeitoso.

Personagem que foi maior do que a sua obra, Aracy foi existencialista antes do existencialismo e hippie antes de Woodstock. Era uma boêmia que gostava de ficar em casa cozinhando para os amigos, que bebia muito uísque escocês só com gelo e que, apesar de não gostar de crianças, dava festas de Natal inesquecíveis. Não gostava de dar canjas musicais e, quando convocada, respondia rispidamente com uma de suas frases preferidas: "Quem canta de graça é galo". Era irreverente, às vezes até inconveniente, como quando perguntou a Sérgio Cabral, que estava com a namorada: "Tens copulado muito?", ou quando, abordada por uma jovem fã que queria saber como estava passando, saiu-se com essa: "Ah, minha filha, eu ando muito fodida". Para Hermínio, Aracy elevou o palavrão à condição de cantata de Bach.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Música da Cabeça - Programa #445

 

AGORA SÓ FALTAVA ESSA: O TRUMP TÁ FAZENDO TANTA BARBARIDADE, QUE ADIANTOU O RELÓGIO DO JUÍZO FINAL! MAS VAMOS AJUSTAR ESSES PONTEIROS AÍ! NO TEMPO CERTO, TEREMOS NO MDC DE HOJE AIMEÉ MANN, JOYCE, CHICO SCIENCE, MADONNA, BODY COUNT, ALICE RUIZ E MAIS. TEM TAMBÉM CABEÇÃO, QUE RESGATA OS 120 ANOS DE RADAMÉS GNATALI. O PROGRAMA ENTRA ÀS 21H, MUITOS SEGUNDOS ANTES DA MEIA-NOITE, NA ATÔMICA RÁDIO ELÉTRICA. PRODUÇÃO, APRESENTAÇÃO E PREVISÕES MAIS OTIMISTAS: DANIEL RODRIGUES.

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WWW.RADIOELETRICA.COM

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sábado, 10 de janeiro de 2026

cotidianas #884 - "Hora do Recreio"

 


Jean Cocteau, "Interwoven Faces", de
Jean Cocteau (Litogravura, 1954)

O coração em frangalhos o poeta é

levado a optar entre dois amores.

 

as duas não pode ser pois ambas não deixariam

uma só é impossível pois há os olhos da outra

e nenhuma é um verso que não é deste poema

 

Por hoje basta. Amanhã volto a pensar neste

                                                                   problema.



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"Hora do Recreio"
Cacaso
do livro "Beijo na Boca", de 1975

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

cotidianas #883 - "Feliz Homem Novo"

 

O ano novo se aproximava.

Em casa, cada vez que a esposa falava de sua cada vez mais crescente barriga, Roberto prometia, "Ano que vem eu perco essa barriga. Tu vai ver um novo homem."

No ponto de ônibus, para cada vez que ficava horas esperando o transporte, entrava no coletivo atrolhado e sentia-se apertado como uma sardinha, tinha que sair se espremendo e empurrando todo mundo para chegar na porta para saltar na sua parada, prometia a si mesmo, "Vocês todos vão ver um novo homem no ano que vem. Com carro novo, um carrão, um cara que não vai precisar mais ficar se sujeitando a isso tudo. Vocês vão ver!".

No trabalho, sempre que chegava atrasado e o supervisor o repreendia, Roberto se comprometia, "A partir do ano que vem vou melhorar. Vocês vão conhecer um novo homem".

Deu ano novo...

Na meia-noite, entre fogos, abraços e champanhas, a campainha toca. Roberto, estatelado no sofá nem se prestou a levantar para abrir. A mulher, perguntando aos demais se estavam esperando alguém, vai até a porta e abre. "Beto, você nunca me falou que tinha um irmão!". Roberto meio que abriu os olhos e confirmou, "...não tenho". Quando voltou a cabeça para o hall de entrada, viu a esposa acompanhada de um homem absolutamente igual a ele mas muito mais bem cuidado, bem vestido, tratado e... sem barriga. Ia dizer alguma coisa mas, antes que pudesse completar uma frase, apagou.

Ao despertar, não encontrou ninguém na casa. Teriam ido à praia, viajado para Cabo Frio. Nunca teriam ido sem ele mas, por outro lado, ele nunca teria ido. Nunca queria ir quando a mulher propunha. Talvez por isso agora tivessem tomado uma atitude e o deixado dormindo no sofá. Qual não fora sua surpresa quando ao ligar a TV, pelo noticiário, percebera que já não era a manhã seguinte, o dia primeiro. Havia ficado fora de órbita por três dias! Já era a segunda-feira depois do feriadão, tinha que ir trabalhar.

Vestiu-se, correu, embarcou no ônibus já não tão cheio pelo atraso no horário e meia-hora depois chegava ao escritório. Felizmente não muito atrasado. Na frente do prédio, uma Ferrari reluzente era conduzida à garagem no subsolo por um manobrista. Ficou curioso a respeito de quem teria um carrão daqueles.

Subiu. O ascensorista o olhava de cima abaixo com um olhar de desprezo e desaprovação. Ia se instalar na sua estação de trabalho quando ouviu a voz do supervisor. "Atrasado de novo...". Ia começar a se desculpar quando o superior o interrompeu. "Na verdade, não precisamos mais dos seus serviços". Não abriu a boca. Apenas olhou para o chefe estupefato e intrigado. "Contratamos aquele cara ali", disse apontando para um homem charmoso, alinhado, elegante, na sala envidraçada da chefia. Parecia muito com ele mas... "Por sinal, lembra muito você logo quando chegou aqui; dinâmico, interessado, cheio de vida", reforçou o supervisor. "E tem um currículo muito bom, muito parecido com o seu na verdade, mas a diferença é que na recomendação dele diz que... nunca chegou atrasado", completou sorrindo.

Pegou suas coisas, desceu, pegou o ônibus, chegou em casa, sentou no sofá. Percebeu então algo que não havia notado antes quando saíra de casa correndo: em um porta-retrato, com uma foto dele e da esposa ainda jovens, estava fixado um bilhete. A mensagem era bastante breve e objetiva: "Fui embora, Roberto. Encontrei um homem de verdade".

Um novo ano começara e era tudo novo, exceto ele, Roberto, que era o mesmo antigo sujeito.

cly


sábado, 13 de dezembro de 2025

67º Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo - Melhor Reportagem Cultural a Daniel Rodrigues - Auditório da Farsul - Porto Alegre/RS (12/12/2025)


"Não por coincidência, o senso de justiça é parte crucial da história deste filho de Xangô com Oxum chamado Renato Dornelles. Jornalista, escritor e cineasta, Renatinho, como é conhecido entre colegas e amigos, aprendeu desde cedo que, como pessoa preta, precisava achar a sua forma vencer na vida."
Trecho da matéria do Jornal do Comércio vencedora do Prêmio ARI

E deu! 1º Lugar no Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo em Reportagem Cultural, concedido pela Associação Riograndense de Imprensa. Após minha conquista do Prêmio Açorianos de Literatura, em 2013, veio, mais de uma década depois, o reconhecimento àquilo que me é mais valioso enquanto fazer: o Jornalismo. 

Essa premiação representa a mim uma série de conquistas. Primeiro, pela qualidade dos finalistas com quem concorri, alguns deles, como o amigão Marcello Campos, e Juarez Fonseca, uma referência do Jornalismo Cultural no Brasil, caras de quem tenho os livros em casa e aprendo diariamente. Afora eles, também Ana Stobbe, do Jornal do Comércio, e Camila Bengo, de GZH, jovens jornalistas que merecem todo respeito.

Página inicial da matéria do JC
publicada em abril
Segundo, porque, como alguém do cinema, é uma enorme satisfação poder tratar desse assunto através da escrita. O Jornal do Comércio me abriu espaço este ano no caderno Viver para reportagens como esta, e ninguém menos simbólico pra isso como o objeto da minha matéria: o jornalista e cineasta Renato Dornelles. A matéria, intitulada "Das páginas policiais para as imagens do cinema", foi produzida em março e publicada em 17 de abril.

Sobre Renatinho, então, o terceiro e importante símbolo dessa vitória: trata-se de uma matéria de um jornalista preto sobre um outro jornalista preto cujas famílias, vindas do mesmo quilombo urbano (que hoje chamam de Rio BRANCO...), sustentam-se pela resistência e ancestralidade. Dividi essa alegria e orgulho, inclusive, com o ilustre presidente da ARI, José Maria Nunes, primeiro presidente preto da associação em nove décadas... Diz muito. 

A ARI, aliás, também merece um aparte: são 90 anos de instituição, criada, lá nos indos de 1935, por ninguém menos que Erico Verissimo, este totem da literatura e da cultura gaúcha e brasileira que, em 2025, completa 120 anos de nascimento e 50 de morte. Tudo muito simbólico, ainda mais num ano em que perdemos, justamente, seu ilustre filho, o genial Luis Fernando Verissimo. Fora isso, o Prêmio ARI em si, em sua 67ª edição, soube ser o mais longevo do Brasil - e não só no seguimento do Jornalismo, mas em todas as áreas!

Por fim, a conquista de alguém que se sente no seu lugar e premiado por seus pares: os jornalistas. A militância do repórter, reduzida por muitos anos, foi retomada por mim este ano a todo vapor pelas páginas do JC e... taí o resultado!

Fiquem, então, com alguns momentos desse feliz momento e a listagem de todos os premiados.

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Com o mestre Renato Dornelles celebrando o prêmio e nossa ancestralidade


Dividindo a felicidade preta com o atual presidente da ARI, José Maria Nunes


Selfie com a amiga - e também vencedora na categoria
Reportagem em TV - Isabel Ferrari


Presença preta no Prêmio ARI: colega de profissão e de ACCIRS
Chico Izidro com Renatinho e eu


Foto geral dos vencedores


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Troféu Reportagem Especial – FIERGS: RS Mais Forte”
"O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)

Troféu ARI/Banrisul de Jornalismo Universitário
"Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)

Categoria Profissional - Charge
1º Lugar : "Grande Sacada" – Gabriel Renner (Grupo Editorial Sinos)
2º Lugar: "Ponto de Vista" – Iotti (Fumetta.com)
3º Lugar: " Netanyahu” Elias Ramires (Jornal Grifo)
4º Lugar: “Enchente” Santiago (Revista Digital Grifo)
5º Lugar: A última ceia" – Iotti (Fumetta.com)

Categoria Profissional - Crônica
1º Lugar: "A noite em que cheguei sangrando no hospital" – Marcela Donini (Matinal)
2º Lugar: "Bons mestres não morrem" – Juliana Bublitz (Zero Hora e GZH)
3º Lugar: "O ano do mate" – Marcela Donini (Matinal)
4º Lugar: “Coisas do Coração” – Pedro Garcia (Diário Gaúcho)
5º Lugar: “ Só sei viver em esquinas” –  Vitor Necchi (Revista Parêntese/Matinal)

Categoria Profissional - Design Editorial
1º Lugar: "Novo projeto gráfico do Caderno GeraçãoE" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Caderno Especial 130 Anos do Correio do Povo" – Pedro Dreher e Leandro Maciel (Correio do Povo)
3º Lugar: "Mapa Econômico do Rio Grande do Sul" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
4º Lugar:” Novo Projeto Gráfico do Correio do Povo – Pedro Dreher (Correio do Povo)
5º Lugar: Ilhota: símbolo da cultura negra de Porto Alegre e berço de figuras ilustres da dupla Gre-Nal – Carlos Garcia (Zero Hora e GZH)

Categoria Profissional - Documentário em Áudio
1º Lugar: "Coronéis do Futebol - A nova face do sistema" – Rodrigo Oliveira, Eduardo Gabardo e Rafael Lindemann (Rádio Gaúcha)
2º Lugar: "Quilombo - corredor do samba de Porto Alegre: ontem, hoje e sempre" – Alan Barcellos, Matheus Freitas da Rosa e Alexandre Leboutte da Fonseca (Rádio FM Cultura - 107,7)
3º Lugar: "Desabrigados: A vida e a esperança da população atingida pelas enchentes nos centros humanitários" – Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
4º Lugar: Cinco anos da Covid no RS – André Malinoski (Rádio Gaúcha)
5º Lugar: “Bioma Pampa: das raízes familiares à luta pela preservação” – Leno Falk (Agência Radioweb

Categoria Profissional - Documentário em Vídeo
1º Lugar: "Imprescindível Jair Krischke" – Milton Cougo, Marco Villalobos, Timóteo Santos Lopes e Daniele Alves (Chuva Filmes)
2º Lugar: "Huni Kuï - Povo Verdadeiro" – Renato Dornelles, Tatiana Sager e Gabriel Sager Rodrigues (Panda Filmes/Falange Produções)
3º Lugar: "RBS.Doc -1 ano da enchente" – Isabel Ferrari, Ariane Xavier Borba Jorej Nobre, Anderson Vargas, Mauricio Gasparetto e Caroline Berbick (RBS TV)
4º Lugar: “A Reconstrução” – Mariana Ferrari(RecordPlus / Record)
5º Lugar: “Darcy Fagundes: meu famoso pai desconhecido” – Luciane Fagundes (Produtora Século 21)

Categoria Profissional - Fotojornalismo
1º Lugar: "Superação do Trauma com Rodas que Transformam" – Ricardo Giusti Schuh Reif
2º Lugar: "Silêncio" – Itamar Aguiar (JÁ On Line)
3º Lugar: "A dor da mãe que perdeu a filha para o feminicídio" – Mateus Bruxel (Zero Hora)
4º Lugar: ” Cozinha Solidária exige passagem” – Jorge Leão – (Brasil de Fato)
5º Lugar: “O gato preto” – Duda Fortes (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem Cultural
1º Lugar: "Das páginas policiais para as imagens do cinema" – Daniel Rodrigues (Jornal do Comércio) 
2º Lugar: "Cruz Alta e Erico, entre o real e o imaginado" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio)
3º Lugar: “Conheça a história de Nega Lu, ícone negro e LGBT+ que faz parte da memória coletiva de Porto Alegre” – Camila Bengo(GZH)
4º Lugar: “Cultura de Bandeja” – Marcello Campos (Jornal do Comércio)
5º Lugar:”Os 80 anos de Elis Regina” – Juarez Fonseca (Jornal do Comércio)

Categoria Profissional - Reportagem Econômica
1º Lugar: "Mapa Econômico RS" – Eduardo Torres, Ana Stobbe e Guilherme Kolling (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Trump quer transformar os EUA na maior ‘superpotência’ do bitcoin" – Marcus Meneghetti (Jornal do Comércio)
3º Lugar: "Passo Fundo tem ampla expansão imobiliária" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio) 
4º Lugar: “Maior parte das empresas superou a enchente, mas quadro ainda traz desafios” – Karina Schuh Reif (Correio do Povo)
5º Lugar:” De peixe a café: bancas do Mercado Público se tornam indústrias e expandem negócios” – Guilherme Gonçalves (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)
2º Lugar: "Série Especial: Tragédia da Boate Kiss: memória, silêncio e impunidade" – Eduardo Covalesky (Grupo Radioweb)
3º Lugar: "Pequenos invisíveis: a cada 24 horas, sete crianças ou jovens sofreram maus-tratos no RS" – Kathlyn Moreira e Vicente Nolasco (Rádio Gaúcha)
4º Lugar:” Um maio depois: Histórias da enchente – Fabrine Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
5º Lugar:” Desatenção e hiperatividade: como é a vida de pessoas com TDAH?  - Renê Almeida (Agência Radioweb)

Categoria Profissional - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Crianças órfãs de feminicídio : traumas, perdas e a luta por direitos" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
2º Lugar: "Evasão escolar pós-enchente" – Isabella Sander (Zero Hora)
3º Lugar: "Violência contra crianças e adolescentes cresce no RS e atinge níveis alarmantes, mostra levantamento" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
4º Lugar:” Crimes que marcaram o Rio Grande do Sul” – Deivison Ávila (Jornal do Comércio)
5º Lugar:” Violência no ambiente escolar: as lições para evitar o pior” – Ermilo Drews(Grupo Sinos)

Categoria Profissional - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "O drama da moradia provisória - um registro de 6 meses após a enchente" – Isabel Ferrari (Fantástico/Rede Globo)
2º Lugar: "JA Repórter: O sonho da moradia digna" – Mary Silva , Fayller Aprato, Felipe Toledo, Marco Matos, Bárbara Cezimbra, Ronaldo Sabin, Sid Rafael e Moisés Costa (RBS TV)
3º Lugar: "Artur: o menino cego que narrou futebol do estádio" – Kelly Teixeira da Costa, Bruno Halpern, Rafael Techera, William Ramos e Eduardo Ostermayer (RBS TV)
4º Lugar:” JA Repórter: caçadores promovem matança em área de preservação do RS – Vitor Rosa (RBS TV)
5º Lugar:” Corre RS: Histórias de Maratona – Eduardo Rachelle (RBS TV)

Categoria Profissional - Reportagem Esportiva
1º Lugar: "Por que as entrevistas sumiram do futebol?" – Victória Rodrigues e João Paulo Jobim Fontoura (Correio do Povo)
2º Lugar: "Como a internet mudou o cenário do futebol" – Carlos Correa (Correio do Povo)
3º Lugar: "Série especial 'Esporte Atrás das Grades'" – André R. Herzer (Zero Hora)
4º Lugar:” Nossa Voz 2024 –  Mariana Dionisio (RBS TV, ge.globo/rs, GZH, Zero Hora e Diário Gaúcho)
5º Lugar:” Acabou a Grandeza?!? – Fabrício Falkowski (Correio do Povo)

Categoria Profissional - Reportagem Nacional
1º Lugar: "Cortina de Vapor" – Pedro Nakamura (O Joio e o Trigo)
2º Lugar: "Tubarão ameaçado no prato" – Karla Mendes, Philip Jacobson, Kuang Keng Kuek Ser e Fernanda Wenzel (Mongabay Brasil)
3º Lugar: "As marcas do racismo na escola" – Iara Balduino, Paulo Leite, Rogerio Verçoza, André Pacheco, Sigmar Gonçalves, Carolina Oliveira, Patrícia Araújo, André Eustáquio, Márcio Stuckert, Alex Sakata, Caroline Ramos , Wagner Maia, Alexandre Souza, Dailton Matos, Edivan Viana , Rafael Calado e Thiago Pinto (TV Brasil)
4º Lugar:” A TECNOLOGIA USADA COMO INSTRUMENTO PARA FORTALECER A CULTURA DE UM POVO INDÍGENA DO ALTO XINGÚ EM MATO GROSDO” – Eunice Ramos (TV GLOBO / TVCA)
5º Lugar:” Perseguição institucional e distúrbios mentais: o efeito dos crimes sexuais nas forças policiais do país – Herculano Barreto Filho (Do UOL)

Categoria Universitária - Fotojornalismo
1º Lugar: "Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)
2º Lugar: "Disposição para recomeçar" – Diogo Beltrão Duarte, Felipe Kramer Damian, Gabriel Vieira da Silva e Lorenzo Vieira de Castro (UFRGS)

Categoria Universitária - Projeto Especial em Jornalismo
1º Lugar: "5198: profissão prostituta" – Vittória Becker, Thayna Weissbach, Pedro Stahnke , Isadora Prigol e Gustavo Marchant (PUCRS)
2º Lugar: "Wacki Jacko: Uma análise da representação do cantor Michael Jackson nas matérias do jornal tabloide The Sun " – Renata Rosa (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: “Bi-chas, trans e sapatões de Porto Alegre” – Vittória Becker, Thayna Weissbach e Alana Borges (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa :” O Papel do Jornalista no Resgate de Histórias Silenciadas: Uma análise da apuração de Christa Berger para a biografia
de Jurema Finamour”–  Ana Julia Zanotto(UFRGS)
5º Lugar Menção honrosa:'Show de Copa em Zero Hora': uma análise da cobertura do periódico da Copa do Mundo de 1970 – João Pedro Bernardes
( UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "Podcast Causa Mortis: Misoginia" – Maria Luiza Rocha, Amanda Steimetz Thiesen e Manuela Saudade Cassano (PUCRS)
2º Lugar : "O Preço da Sorte" – Felipe Kramer Damian, Lorenzo Vieira de Castro, Isabela Daudt e Diogo Beltrão Duarte (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: "Comércio da Salvação" – Gabriel Magagnin Fernandes, Tainan Nunes, Roberta Kunt, Gabriela Dalmas, Sofia Utz,
Theo Castro e Jean Carlos (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa: Encurraladas - Histórias de mulheres jornalistas sobre violência de gênero – Laura Cunha( UniRitter)
5º Lugar Menção honrosa: Raízes que Resistem: Comunidades Quilombolas em Porto Alegre –  Amanda Schultz (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Denúncia contra projeto do Zaffari expõe falhas no licenciamento ambiental em Porto Alegre" – Dener Pedro, Bárbara Cezimbra de Andrade e
Juliano Lannes de Oliveira (Unisinos)
2º Lugar: "Gerontologia ambiental traz alternativas para o envelhecimento seguro em meio às mudanças climáticas" – Francisco Avelino Conte (UFRGS)
3ºLugar Menção honrosa: "O que afasta os jovens do ensino superior? " – Rafaela Bobsin e Júlia Cristofoli Campos (UFRGS)
4º Lugar Menção honrosa: Tragédia sem rosto: quem eram as vítimas da Pousada Garoa? – Pedro Pereira (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Sobre viver no limbo –   Thomas Gregório (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "Os Centenários de Porto Alegre " – Arthur Reckziegel, Tânia Meinerz e Nathan Lemos (Unisinos)
2º Lugar: "Improviso e Resistência: A realidade das escolas indígenas gaúchas" – Fernanda Axelrud, Beatriz ,Antônio de Macedo Ferraz de Campos,
João Pedro Kovalezyk Bopp, André Jakubowski Zoratto, Ana Carolina Lorenzini e Nathalia Ferrari da Silveira (PUCRS)
3ºLugar Menção honrosa: "Vozes do Esporte" – Vitor Christofoli (UniRitter)
4º Lugar Menção honrosa: Direito à cidade: A luta por moradia em Porto Alegre – Luciana Weber (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Violência Policial no Rio Grande do Sul –  Nikelly de Souza (UFRGS)


texto: Daniel Rodrigues
fotos: Mariana Czamanski (ARI) e Isabel Ferrari