No entanto, nem tudo isso seria suficiente para me convencer que trata-se de um grande filme digno das incríveis 13 indicações ao Oscar.
Sem entrar no mérito das polêmicas de representatividade, lugar de fala, estereotipação, que tem cercado o longa desde que se instaurou uma verdadeira guerra nas trincheiras das redes sociais, o produto final "Emilia "Pérez" me parece uma obra sem brilho. Um filme comum cujo grande diferencial é ser um musical dentro de uma trama de máfias e cartéis, mas cuja proposta é tão mal aplicada que deixa de ser virtude.
Os números musicais, além de maçantes, inoportunos, são utilizados em momentos pouco propícios, mais atrapalhando o desenvolvimento do enredo do que ajudando. Um diálogo bem elaborado seria mais produtivo do que quatro minutos de música com coreografia.
Sem falar que as canções não são nada cativantes. Nada que a gente venha a lembrar daqui a vinte anos, quando escutar de novo, e dizer, "Olha, aquela música do filme 'Emilia Pérez'!".
Gosto muito do filme enquanto um 'policial' de gangues com uma reviravolta inesperada do tipo "mafioso coisa ruim que quer mudar de cara, de vida, desaparecer mas cujo passado não permite essa nova chance", mas até isso a gente encontra em qualquer filmezinho de ação hollywoodiano do John Woo. E quanto à parte dramática, do remorso, dos desaparecidos, dentro do quadro todo, parece mais uma colagem mal aplicada, e quanto ao tema, o assunto em si, a denúncia, bom...aí o diretor que se entenda com os mexicanos que, pelo jeito, não gostaram nada de um francês metendo o nariz no que não lhe diz respeito.
Não achei um lixo, uma porcaria como muitos compatriotas torcedores consideram. Mas na minha visão, é MUUUITO menor do que parece ser, da ideia que venderam do filme e do tamanho que alcançou. Treze indicações?! Convenhamos, mesmo com todos os méritos que possa ter, é um exagero.
por Cly Reis