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terça-feira, 9 de junho de 2009

"Budapeste" Chico Buarque (ed. Companhia das Letras 2008)




Viagens longas também podem nos proporcionar boas leituras. Chega uma hora que a gente cansa de assistir filme, olhar pela janelinha do avião e só ver branco, branco e branco, olhar pela janela do trem e só ver verde, verde e verde. Aí saca-se da mochila aquele livro que se escolheu especialmente para esta situação e começa verdadeiramente outro tipo de viagem. Tive a felicidade de escolher "Budapeste”, de Chico Buarque de Hollanda, como companheiro de viagem.
“Budapeste” é daqueles livros que a gente acaba de ler com um sorriso no rosto. “Espantado, verdadeiramente espantado” como definiu também Luís Fernando Veríssimo. Ao chegar à última página eu quase não acreditava no que acabara de ler.
Chico parece ter deixado de tentar esconder o compositor, de se livrar da sombra do músico em seus romances. “Budapeste” conjuga perfeitamente a equação romancista-compositor e a novela ganha ritmo e poesia. A profusão de palavras e vírgulas num ziguezague e um vaivém vertiginoso são em grande parte responsáveis por este ritmo e a obra fica quase musical em muitos momentos. A parte em que praticamente joga com os elementos “7 anos antes – Hamburgo – Baía da Guanabara”, quase que poderia ser CANTADA. Os elementos são repetidos, Chico parte deles e volta neles e volta ao mesmo ponto até se desenhar dentro do seu livro a história do tal livro do Alemão, que por sua vez é emocionante pela composição: escrever na Teresa, escrever nas outras mulheres, nas putas, nas estudantes e estas passearem por aí como se fossem capítulos de um livro soltos cidade afora, até chegar a escrever de trás para a frente em uma vaidosa amante que gostava de se ler no espelho. Lindo!!!
E a musicalidade do livro não se limita a isso. O autor se utiliza no romance de recursos que remetem muito claramente aos utilizados em canções suas, de maneira muito semelhante, como na hipérbole “pensei que não fosse dormir nunca mais”, que é bem comum na obra musical de Chico e lembra imediatamente o “sol nunca mais vai se pôr” de “Bye, bye, Brasil”. Ou na descrição da previsibilidade do hábito feminino com um toque sutil de sensualidade na parte em que José Costa prevê que a esposa irá beijá-lo e dizer que está com sono e logo em seguida ela “soltou seus lábios dos meus, apoiou-se na pia, me encarou com os olhos ainda fechados, esfregou-os e disse: estou morta de sono”, que lembra muito aquela coisa da música “Cotidiano”: ‘toda noite ela diz p’eu não me afastar/ meia-noite ela jura eterno amor/ e me aperta pr’eu quase sufocar/ e me beija com a boca de pavor”.
O livro todo, com as viagens a Budapeste e seus retornos para o Rio do protagonista José Costa, lembra um pouco a construção de “Construção” que em cada parte, cada etapa, cada volta pra casa funciona de uma maneira diferente, tipo “amou daquela vez como se fosse a última/ beijou sua mulher como se fosse a última” na primeira parte e “amou daquela vez como se fosse máquina/ beijou sua mulher como se fosse lógico” em outra. E isto torna extremamente rica, inteligente e valorável a CONSTRUÇÃO do livro.
Li por aí que que falta coesão ao romance, consistência, que é muito poético, que Chico não se desapegou do lado músico... Ora, não vejo como grandes defeitos em ser poético, ou ter ritmo, ou ter fluência. Características estas, aliás, que faltam à maioria dos “escrevedores” que vemos por aí hoje em dia. E cá entre nós, coesão, consistência, seriedade? Me parecem ranzinice deu quem não consegue enxergar além das exigências formais e um romance. As que provavelmente se aprende em algum lugar como receita de bolo.
Sei que li o livro e dele gostei muitíssimo. Um livro de um romancista ainda em amadurecimento, é verdade, mas que consegue proporcionar ao seu leitor, assim como proporciona ao ouvinte, extremo prazer nas suas palavras. Talvez tenha sido o livro em que vemos um Chico mais descontraído nesta sua nova condição de autor, se dando ao direito de brincar com as palavras, torcer e retorcer as frases, o sentido e o tempo. Um autor que se dá ao direito de escrever sobre um lugar que até então nunca tinha estado e sobre um idoma que, no mais, desconhece fazendo uso inclusive, até como recurso de quem tinha pouca referência, de nomes de jogadores da famosa seleção de 54 para batizar seus poetas húngaros.
O filme acabou de sair a algumas semanas e não fui ver ainda. Aliás duvido um pouco da capacidade do diretor de traduzir alguma magia e singularidade que só algo escrito pode conter. Não por causa daquela história toda de que o filme quase nunca é melhor que o livro. Não, não. Não me refiro a isso. É que considero que, ainda que o livro contenha possibilidades visuais bastante interessantes, ele se faz grande, se torna mágico exatamente por ser ESCRITO, por se tratar de um escritor, por vermos as palavras por apresentar diversas alternativas de escrita que certamente o filme não conseguirá traduzir nem tampouco causar a mesma sensação. Consegue-se isso, é claro. Mas não estamos falando de nenhum mestre do cinema e acredito que a proposta não seja tão cerebral. Não sei se se prestaria a ser um filme de imagens uma vez que, acima de tudo, com o perdão da redundância, trata-se de um livro de palavras.
‘Budapeste” é uma espécie de homenagem do escritor Chico Buarque à música por toda a musicalidade que confere a um romance, e ao mês mo tempo uma ode do compositor Chico às palavras, consagrando-as agora em forma de livro, elas que sempre foram tão importantes na sua obra msical.
Usando um adjetivo do filho da húngara Khriska no livro: “Mortífero”.

Cly Reis

quinta-feira, 4 de junho de 2009

ARQUIVO DE VIAGEM (Passeio por Londres)



Pelas ruas de Londres...
Estilo típico dos bairros residenciais.


Os painéis luminosos de Picadilly Circus à noite.


O fantástico British Museum.



Uma breve saída da capital para ir ao Castelo de Windsor.



O novo estádio de Wembley.



O Albert Hall, famoso teatro e casa de espetáculos.







A ponte Millenium que leva do Tate Modern, uma galeria de arte contemporânea...

... à Catedral de St. Paul.





A Tower Bridge.



Os edifícios mais modernos também se destacam na cidade.




A Torre de Londres, um castelo que abrigou muitos gerações de nobres da coroa britânica.




The London Eye.






O Palácio de Buckinham e o pessoal esperando a troca da guarda real.




Na Portobello Road, um lugar demais com uma extensa feira e todo o tipo de atrações, como por exemplo, esta simpática banda tocando na rua.






Em Camdem Town, point mais alternativo, mais rock'n roll. Pode-se ver ao fundo os punks, figuras assíduas do local.

terça-feira, 2 de junho de 2009

"Ocean's Trilogy", de Steven Soderbergh



A longa viagem de avião me proporcionou assistir durante o vôo, filmes que eu já tinha alguma curiosidade em ver mas que tinha perdido no cinema, nunca tinha locado ou já tinha iniciado quando topei com eles na TV. Felizmente havia boas opções no acervo da TAM.
Optei por ver a trilogia dos Homens e seus segredos, “Onze Homens e um Segredo”(2001), “Doze Homens e Outro Segredo”(2004) e “Treze Homens e um Novo Segredo” (2007). Os três filmes são bem legais mas especialmente o primeiro e muito bom.
Soderbergh já gozava de bom conceito comigo, especialmente por “Sexo, Mentiras e Videotape” e pelo recente “Che”, e esta boa graça só foi confirmada. Em tramas bem amarradas e divertidas, ele brinca com seriados dos anos 70, com as característica daqueles blaxploitation e com os filmes noir. Tudo isso embalados por trilhas extremamente bem escolhidas e muito apropriadas para as cenas e situações.
Uma coisa que não se pode deixar de mencionar é o elenco de estrelas de primeira linha que em nome dos projetos e da amizade com George Clooney, o protagonista Danny Ocean, e com o diretor Steven Soderbergh, fizeram o filme por cachês irrisórios diante das suas magnitudes. É lógico que Brad Pitt, Matt Dammon, Julia Roberts, Don Sheadle, Andy Garcia não ficaram sem ganhar nada. A bilheteria do primeiro foi ótima e suas participações em lucros e publicidade compensaram a boa ação estimulando-os a fazer os outros dois da seqüência.
Bem legais os outros também. Entre estes, acho o “Treze Homens...” melhor. O roteiro do “Doze...” a meu ver é meio perdido e fica devendo um pouco. Mas foi legal ver os três, assim, na colada.


Cly Reis

segunda-feira, 1 de junho de 2009

ARQUIVO DE VIAGEM - Europa



Aeroporto, mala, poltrona desconfortável, sono ruim, hotel, informações e é em inglês, em italiano e é em francês, e dá-lhe fotografia, fotografia, fotografia, e de novo hotel, e outro dia mais fotografia, e tome outro aeroporto, ou estação de trem, ou táxi, e outro hotel, e mais foto, foto, foto... É, isso é viajar! Mas é bom! E principalmente para a Europa que era uma antiga aspiração. O roteiro? Londres, Paris, Roma, Florença e Veneza.

LONDON, LONDON


A primeira parada, a terra da Rainha, que mais do que todas as outras eu tinha uma enorme vontade de conhecer por causa principalmente de toda a atmosfera rock do lugar, por causa das bandas que admiro ou mesmo por toda a influência musical e comportamental que exerce sobre grande parte do mundo, não me decepcionou. Londres é DEMAIS!O lugar respira rock, as pessoas são do seu jeito e pronto... pode-se andar enrolado com uma tira de papel higiênico que ninguém dá bola (de verdade, eu vi isso!), punks circulam normal e ordeiramente por toda a cidade respeitando e sendo respeitados. E que povo educado! E não digo só pelo fato de cuidarem da limpeza da cidade, do seu pátio e tudo mais que é só obrigação de cidadão na verdade, são atenciosíssimos ao darem uma informação, realmente ficam consternados se pisarem no seu pá no metrô e se importam se você está gostando da cidade, sendo bem tratado, se não está perdido, etc.
Mesmo com sua paisagem arquitetônica um tanto homogênea com aquelas construções características em tijolos maciços, Londres é uma constante novidade a cada esquina por conta de prédios novos com características mais ousadas e vanguardistas, das atividades e costumes de cada bairro ou por causa dos prédios antigos, clássicos e históricos que por vezes são museus, alguns teatros e muitos ainda vinculados à realeza britânica que se pode ser encarada como retrógrada e hipócrita, pode também ser vista como um charme, uma peculiaridade.
Enfim, Londres é tudo o que eu esperava e um pouco mais.


PARIS AU PRINTEMPS

Já Paris é um pouco menos.
Não posso dizer que não gostei de Paris. Gostei, sim. Mas é uma cidade tão pretensiosa quanto o Rio, por exemplo, que acha que é muito mais do que é na verdade e lá pra piorar, seus habitantes chegam a ser arrogantes por conta dessa pose. Além disso, ao contrário do que se possa imaginar Paris é uma cidade com pedintes de rua, perigosas estações de metrô, trombadinhas nos pontos turísticos e pichações depredatórias no metrô, que a propósito, confirmando informações, realmente FEDE no interior dos seus vagões.

Ao contrário do que imaginava, Paris não me fascinava a cada rua, a cada esquina. Os lugares, os pontos principais em si tem seu brilho mas não fazem um conjunto harmonioso. O Louvre na paisagem não impressiona, mas impressiona ao chegar ao seu pátio e ver a imponente pirêmide à frente do antigo palácio. As outras igrejas, fora a de Notre Damme, que é lindíssima, não tem aquele impacto por mais que inegavelmente sejam belas e importantes. O Champs-Élysées é charmoso e tal, mas não foi o suficiente pra me amolecer. Porém a Torre Eiffel eu diria que é o ponto de exceção. Ela é incrível de qualquer ponto da cidade que se veja e domina a paisagem .Chegar na Torre e vê-la é indescritível! Certamente é um dos mais incríveis e mais belos monumentos erguidos pelo homem e justificadamente é o cartão postal da capital francesa.

A CIDADE ETERNA

Roma apesar de também me passar uma má impressão assim que desembarquei em uma estação de trem semi-deserta e meio pichada, se recuperou comigo logo em seguida.
É uma cidade agradabilíssima, cheia de vida e alternativas. Tem um povo vibrante, alegre, meio matreiro como o brasileiro, mas acho que até por conta disso a gente se sente como se estivesse em casa.

Roma tem graça de se percorrer a pé. Vê-se uma praça aqui, um teatro ali, um museu, passa-se por ruazinhas estreitas, tropeça-se em antiguidades como antigos templos e palácios e igrejas de arquitetura fantástica e fascinante e bebe-se água em uma fonte . E as fontes!!! A lendária Fontana de Trevi é muitíssimo bela e disputada por conta da superstição de se jogar moedas nela. Fica numa região muito simpática num labirinto de vielas que passam pela Piazza Navona, pelo templo de Adriano e pelo Pantheon, não muito distante de outra famosa que é a da Piazza de Spagna, que por sua vez, fica numa região chiquérrima cheia de lojas das mais famosas grifes, e situa-se ao pé de uma extensa escadaria que leva à igreja de Trinitá dei Monti.
E a Roma antiga??? Nossa, cara! Pisar na Roma antiga é como remontar a história. Entrar no Coliseu, passar pelo Arco de Constantino, o Fórum de César, o antigo Circo de Corridas (que infelizmente não tem mais quase nada pois foi OFICIALMENTE saqueado), o Campidóglio,os muros da cidade... Tudo demais.
Ah! Ia esquecendo do Vaticano! Igualemte fascinante. Mas fascinante graças a Michelângelo.
O teto da Capela Sistina é relamente tudo o que se diz dela. É de tirar o fôlego. Absolutamente maravilhoso.
Igualmente incrível é a praça de São Pedro e sua basílica homônima. A praça tem aquele formato que parece abraçar o visitante e a catedral tem projeções de luz solar que dão um aspecto verdadeiramente celestial ao local. Isso sem falar na riqueza dos ornamentos, na beleza dos afrescos e da emocionante escultura da Pietá, que fica logo à direita na entrada.
Ave, Michelângelo!


O BERÇO DO RENASCIMENTO
Florença é uma cidade que respira arte.
Tudo nela é beleza e cultura. Seus museus são indispensáveis e suas igrejas são tão valorosas quanto não só pelas ricas e belíssimas ornamentações internas, quanto por suas concepções arquitetônicas bem características da região. A Basílica, por exemplo a de Nossa Sra. del Fiori, o Duomo de Florença, é espantosa pelo grau de ornamentação e detalhamento das fachadas em grande parte revestida em mármores branco e verde. Tudo, e digo absolutamente TUDO, tem detalhe, chega a ser carregado visualmente, mas não chega a comprometer sua beleza. Isso sem falar no porte da edificação, que é incrivelmente monumental.
É uma cidade que se percorre praticamente toda a pé e digo-lhes: é um deleite e privilégio caminhar nas ruas de Florença. Neste berço de gênios. Terra de Dante Alighieri e de Leonardo, que na verdade é de Vinci, como diz o nome, mas que na época do seu nascimento fazia parte de Florença.

SERENÍSSIMA
A sereníssima do Adriático, Veneza, é apaixonante. Tem todo aquele romantismo que se atribui a ela e aquela singularidade de ser uma cidade cortada por inúmeros canais, o que só a deixa mais bela.
A Praça de São Marco é o coração da cidade e lá encontra-se a incrível Catedral de mesmo nome com sua arquitetura gótica com influência moura e oriental, seu enorme campanário separado dela à sua frente, o belíssimo palácio Ducale também com algum toque mourisco no qual localiza-se a legendária ponte dos suspiros ligando o palácio a seu anexo do outro lado de um dos canais. A propósito de pontes, existem inúmeras, muitíssimas mesmo e em cada uma delas uma beleza diferente, um charme, uma foto para tirar. Click!
Nos canais constante movimentação pra lá e pra cá de gondoleiros levando casais para passeios românticos. Pode parecer cafona ( e eu tô preocupado com o que pode parecer?) mas fizemos, eu e minha guria, o passeio de gôndola e é romântico mesmo.
Só que, curiosamente, ao dizermos que éramos brasileiros ao gondoleiro ele cantarolou "Aquarela do Brasil". Eu esperava um "Sole Mio" ou algo assim. Mas valeu! Veneza é nota 10!

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Esse foi só um apanhado geral.
Em outras postagens me deterei mais em cada cidade tratei mais fotos e contarei curiosidades.



Cly Reis