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domingo, 19 de julho de 2026

sábado, 18 de julho de 2026

cotidianas #902 - "Uma Partida de Football"

 



Brasilx Argentina
Campeonato Sul-Americano (1919)
Das coisas elegantes que as elegâncias cariocas podem fornecer ao observador imparcial, não há nenhuma tão interessante como uma partida de football.

É um espetáculo da maior delicadeza em que a alta e a baixa sociedade cariocas revelam a sua cultura e educação.


Num círculo romano, com imperadores, retiários, vestais e outros sacerdotes e sacerdotisas, não se poderiam presenciar aspectos tão interessantes, cousas tão inéditas como nas nossas arenas de jogo dos pontapés na bola.

Os gladiadores eram raramente homens de grande beleza física e muito menos intelectual; os nossos jogadores de football, porém, são excelentes modelos, em que o crânio alongado e pontiagudo dá um remate de beleza aos seus membros inferiores que muito lembram certos ancestrais do homem.

O senhor Coelho Neto, a quem muito admiro, já fez a apologia desses Apolos, com a força de sua erudição em cousas gregas.

Não há, portanto, nos nossos hábitos, fato mais agradável do que assistir uma partida de bolapé.

As senhoras que assistem merecem então todo o nosso respeito. Elas se entusiasmam de tal modo que esquecem todas as conveniências. São as chamadas “torcedoras” e o que é mais apreciável nelas é o vocabulário. Rico no calão, veemente e colorido, o seu fraseado só pede meças ao dos humildes carroceiros do cais do porto.

Poderia dar alguns exemplos, mas tinha que os dar em sânscrito. Em português ou mesmo em latim, eles desafiariam a honestidade: e é, por um, que me abstenho de toda e qualquer citação elucidativa.

O que há, porém, de mais interessante nessas festanças esportivas, é o final. Sendo um divertimento ou passatempo, elas acabam sempre em rolo e barulho.

Por tal preço, não vale a pena a gente divertir-se.

É o que me parece.

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"Uma Partida de Football"
Lima Barreto
(1919)

"A Pátria de Chuteiras", de Nelson Rodrigues - ed. Nova Fronteira (2013)

 


"É muito difícil elogiar
o Brasil no Brasil, 
é muito difícil elogiar
o brasileiro entre brasileiros."
Nelson Rodrigues


Época de Copa do Mundo e, mesmo quem não tem ligação forte com o futebol, tem ranço com o Neymar ou está cansado da desorganização da CBF, se pega torcendo para a Seleção Canarinho. É quando aqueles caras, em gramados estrangeiros, representam mais que jogadores de futebol, mais que estrelinhas mimadas interessadas prioritariamente em dinheiro, é quando, de certa forma, representam a Pátria.

Coletânea de crônicas organizadas pelo ex-Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, reunidas do período entre 1956 a 1977, "A Pátria de Chuteiras", de Nelson Rodrigues, traz toda o característico ufanismo entusiasta do escritor, logicamente acompanhado de muito talento, verborragia, e uma capacidade singular de adjetivações criativas e hiperbólicas.

Composto na maior parte por textos relacionados às Copas do Mundo que o cronista acompanhou, o livro também conta com textos a respeito de outros momentos marcantes do futebol brasileiro, como a vaia histórica de Julinho Botelho, uma atuação assombrosa do crucificado goleiro Barbosa contra o Santos de Pelé, na Taça Brasil de 1959, e o jogo de despedida de Garrincha no Maracanã, tudo sublinhado pelas expressões únicas que consagraram o texto rodriguiano, como complexo de vira-lata, João sem medo e o próprio título do livro, cunhado por ele, a pátria de chuteiras.

Exagerado, patriota a um extremo que chega a beirar o irritante, Nelson Rodrigues insistia para que o brasileiro se valorizasse, melhorasse sua autoestima e abandonasse o que chamava de complexo de vira-lata, diante dos europeus.

Nelson tinha razão em parte. Embora o brasileiro carregue, sim, uma autocrítica muitas vezes excessivamente pesada sobre si mesmo, e mereça um olhar um pouco mais condescendente e generoso, a verdade é que hoje em dia, especificamente no futebol, aquele discurso de que somos os melhores do mundo e ninguém tem talento como nós, já não serve mais. Podemos discutir os motivos: a evasão de jogadores jovens para o exterior, a adoção de sistemas de jogo europeus, a globalização e o ingresso de imigrantes e ex-colonizados em escolas de futebol antes muito rígidas e sistemáticas, enfim...  Mas fico me perguntando se Nelson Rodrigues manteria essa opinião sobre o monopólio do talento brasileiro vendo hoje um Musiala na Alemanha, um Saka na Inglaterra, um Olise, na França, um Yamal na Espanha, driblando e entortando a espinha dos adversários como um bom atacante brasileiro faria.

Acho que hoje em dia Nelson Rodrigues não se orgulharia muito da Seleção nacional e dos jogadores sem sangue e sem coração que vestem a amarelinha.



Cly Reis 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

COPA DO MUNDO JOY DIVISION - O Caminho Até a Final

 


Não pensem que foi tranquila a estrada. Nossas duas finalistas tiveram um caminho duro para chegar à grande decisão. E não teria como ser diferente, qualquer música do Joy Division é uma grande obra e, deste modo, toda a comparação entre duas delas deixa um fã num sério dilema: qual é a melhor?

Felizmente, no dia a dia, ouvindo o Ian Curtis nosso de cada dia, no fone de ouvido, no computador, na vitrola, não temos essa preocupação de definir uma superior, mas aqui resolvemos complicar pra nós mesmos e nos incumbir da tarefa de escolher a maior música do Joy Division.

DISORDER, a abertura do primeiro álbum, o único álbum lançado, na verdade, com Ian Curtis ainda em vida, Unknown Pleasures, foi uma das que conseguiu chegar, com muito custo, a essa disputa final; TRANSMISSION, nunca lançada em álbum, reunida a outras na célebre coletânea póstuma Susbtance, um dos maiores clássicos da banda, será sua grande rival, teve que entrar ainda em uma fase preliminar para só então entrar definitivamente no certame e, como se não bastasse, precisou ainda derrubar gigantes para chegar até aqui.

Vamos relembrar então como foi a trajetória de cada uma das nossas finalistas?

Vamos lá então: o longo e árduo caminho de Disorder e Transmission até a finalíssima, na busca pela eternidade... 

A Copa Eterna.


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  • DISORDER

1ª FASE: Incubation

OITAVAS-DE-FINAIS: Something Must Break

QUARTAS-DE-FINAIS: Candidate

SEMIFINAL: New Dawn Fades


DISORDER



  • TRANSMISSION

FASE PRELIMINAR: Leader of Men

1ª FASE: Insight

OITAVAS-DE-FINAIS: Shadowplay

QUARTAS-DE-FINAIS: Love Will Tear Us Apart

SEMIFINAL: Decades


TRANSMISSION