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sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Tony Manero", de Pablo Larrain (2008)





O elogiado e bem recomendado filme chileno Tony Manero merece em parte as deferências da qual é objeto. Bom filme, sim, mas não é tudo isso.
O filme centra sua ação no personagem Raúl Peralta que é obcecado pelo filme "Os embalos de sábado à noite" e sobretudo no personagem vivido por John Travolta, que inspira o nome do filme e também as ações, trejeitos e coreografias do protagonista. Às voltas com sua fixação em realizar, em um bar de última categoria, a coreografia do filme, juntamente com seu "corpo de dança" (igualmente miserável), Raúl vai se mostrando uma pessoa vazia, seca e eventualmente violenta, revelando-se uma espécie de serial-killer inconsequente, matando por qualquer motivo que lhe contrarie ou que vá contra seus interesses, que, a rigor, baseiam-se quase que exclusivamente na encenação da dança do filme. Tudo isso em meio à ditadura Pinochet e todo aquele clima de medo e terror que pairava no ar em todas as ditaduras sulamericanas.
No fundo, no fundo a realidade de Raúl é mais ou menos a do seu país naquele momento: um vazio, uma falta de esperança, um horizonte de fascínio e de beleza muito distante para ser alcançado e que naquelas condições não poderia de forma alguma tornar-se realidade. Na trama, elementos representados por Travolta, pelas luzes, pelas roupas, pelo american way of life, que de uma forma ou de outra acabam também não se afastando muito simbolicamente das aspirações das ditaduras daquela época.
Nisso também pode-se comparar a violência do dançarino com a do Chile de Pinochet, como uma espécie de indiferença ao restante, uma falta de respeito, uma busca de "superioridade" pela força, disposto a passar por cima do que estiver no caminho para se firmar, se estabelecer.
No caso do aspirante a Travolta, esta questão fica evidenciada com a idéia de montar um palco imitando o chão luminoso do filme para seu grupo de dança e principalemente com sua intenção em disputar um concurso de Tonys Maneros em um programa de TV que é o ponto no qual culmina o filme, lembrando um pouco, neste momento, o "Ginger e Fred" de Fellini, com os bastidores do programa, os candidatos, a expectativa a apresentação e tudo mais.
Não é um filme fácil mas se for assistir, vá sem preconceitos nem conceitos, porque certamente o diretor não o fez pensando em obedecer padrões, sobretudo de caracterizações.


Cly Reis

terça-feira, 14 de abril de 2009

RPM - "Revoluções por Minuto" (1985)




O DISCO QUE ME FEZ GOSTAR DE ROCK

Disputar em cada frequência
O espaço nosso nessa decadência
da letra de "Radio Pirata"



Meus discos são inegavelmente parte importantíssima da minha vida. Só que alguns deles, em especial, tem papel importante na minha trajetória, por marcarem fases, episódios, vínculos, etc.
O “Revoluções por Minuto” do RPM é um destes discos que carrega uma marca importante em relação à minha vida: foi o disco que me mostrou que eu gostava de rock.
Não foi o primeiro disco que eu ouvi, não foi o primeiro que comprei, não é o melhor álbum nacional e todos os tempos, muito menos o melhor-melhor mesmo de todos, só que ele apareceu em um momento de descobertas. Muita gente começou com Beatles, outros com os Pistols. Descobertas relevantes, por certo. Eu comecei com RPM.
O trouxe hoje para ouvir no carro e ainda hoje percebo o porquê de ter-me despertado para algo que nunca mais me abandonaria, e que eu também não abandonaria mais. O rock.
Mesmo com seu apelo pop quase que pré-fabricado, serviu para despertar a sensibilidade para os elementos básicos do rock, guitarra-baixo-bateria, ainda que a grande estrela instrumental da banda fosse um tecladista, Luiz Schiavon, e que os outros instrumentistas fossem bastante limitados. Mas o fato é que ali se via um vigor de banda e nela os elementos que sempre estiveram presentes no gênero através dos tempos, como a rebeldia, o protesto, a ironia, a sensualidade e até mesmo esse apelo popular mesmo (por que não?) que sempre esteve presente desde que os ídolos são ídolos.
Tudo foi meticulosamente estudado para dar certo. Paulo Ricardo, o frontman da banda, fizera na época uma espécie de estágio em Londres para compor a receita que tinha que dar certo, e fez isso em cima de fórmulas já utilizadas nas últimas décadas e a partir do cenário local do momento que era extremamente criativo e dinâmico. Figuravam naquele momento Smiths, U2, Talking Heads, Cure, rolava o finzinho da new-eave, o fim do punk, o gótico estava na moda e no fundo no fundo o RPM tinha um pouco de tudo isso.
A primeira parte do álbum, que correspondia ao que seria o lado A do LP é a parte mais pop do disco. É onde encontram-se todos os grandes hits . Um riff de guitarra marcante e pungente seguido de um teclado cuidadosamente pegajoso abrem o disco e aí está “Rádio Pirata” com um aviso de que a invasão é inevitável. “Olhar 43”, talvez o maior hit tem um tecladão meio monocórdio, soando meio automatizado, bem grave e forte no início, encaminhando para uma letra totalmente sensual e envolvente que acaba num “tesão” que na época as rádios hesitavam em deixar que aparecesse. Segue “A Cruz e a Espada” baladinha com um clarinete e que falava sobre inocência, primeira vez, e essas coisas bem identificáveis para a meninada da época. “Estação no Inferno” um pouco mais soturna que só veio a ser sucesso mesmo no ábum ao vivo que seguiu este, tinha um clima meio soturno, meio que uma influência daquele cenário londrino estudado por Paulo Ricardo. O lado A fechava com “Loiras Geladas”, outro baita sucesso também muito sensual com o teclado em destaque numa espécie de The Doors/new-wave.
Curiosamente o que correspondia ao lado B, a segunda metade do disco, que não tocou no rádio era mais criativa e complexa como por exemplo a interessante “Liberdade/Guerra Fria” meio darkzinha com toques orientais, e a excelente e dramática ode ao país “Juvenília”. “Pr’esse Vício”, talvez a mais agressiva do disco, soa bem atual com suas referências a terrorismo e confrontos religiosos, e fechando o disco, completamente sintonizada com os dias de hoje, quase 15 anos depois, vem “Revoluções por Minuto” falando de caos econômico, globalização, drogas, consumo, num mundo girando a 78 RPM.
Depois disso o álbum “Rádio Prata Ao Vivo” vendeu como água, a banda fez megashows como nenhuma outra banda nacional havia feito, deu um tempo, voltou e ainda produziu um ótimo disco, “Os Quatro Coiotes”, mas que não teve boa aceitação do grande público. Aí a banda mudou de integrantes, voltou pra alguns caça-níqueis e era isso. O que pode resumir bem a situação atual é o fato de que o criativo e bom tecladista Luiz Schiavon toca atualmente na banda do Domingão do Faustão. Precisa dizer mais?
Depois do RPM descobri que uma banda que eu achava legal mas não sabia o nome era o tal de The Smiths, que uns carinhas de preto todos descabelados eram do The Cure e assim por diante, conheci outras e gostei mais de outras. Mesmo no cenário nacional, logo veio o “Cabeça Dinossauro” e abafou o “Revoluções...”, mas não deixo de ser extremamente grato ao álbum “Revoluções por Minuto” que foi o disco que me fez gostar de rock.
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FAIXAS:
01- Radio Pirata
02- Olhar 43
03- A Cruz e a Espada
04- Estação No Inferno
05- A Furia do Sexo Fragil Contra o Dragão da Maldade
06- Louras Geladas
07- Liberdade, Guerra Fria
08- Sob a Luz do Sol
09- Juvenilia
10- Presse Vicio
11- Revoluções Por Minuto

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Ouça:
RPM Revoluções Por Minuto


Cly Reis

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Coluna dEle #8


Pedi pro cara escrever antes da Páscoa mas não o localizei.
Só hoje Ele me aparece com o texto.
É foda! To achando que vou ter que dispensar o colaborador.
De todo modo, aí vai:

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FELIZ PÁSCOA, atrasado, pra todo mundo!
Desculpa aí, galera, Eu não ter postado antes, mas aproveitei o feriadão e fui viajar com a patroa. Afinal de contas Eu também sou filho... Bom... Na verdade Eu não sou exatamante o filho... Bom, não dizem que é tudo a mesma coisa, O Pai, o Filho e o Espírito Santo? Então Eu também sou filho de Deus. Que seja!
O negócio é que a data é mesmo por causa do meu filhão e isso é que importa.
Mas o importante mesmo é que na Sexta-Feira fiz um salmãozinho na brasa e ontem me entupi de chocolate (hehehe).
O pior é que depois Eu, mesmo com toda essa idade, fico todo cheio de espinhas na cara.
Pode?


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Podem achar irresponsabilidade Minha ter viajado nesse momento delicado lá na Itália, com esses tremores e tal, mas deixei uma equipe cuidando desse assunto.
Mas ocaso é que sei que quem deve se pronunciar oficialmente, no fim das contas sou Eu mesmo e queria dizer que lamento muito mas isso tá meio que além do meu controle, atualmente.
São essas rachaduras, aí, ó. E quando roça uma na outra aí é foda! A gente aqui em cima tenta dar um jeito, amenizar, evitar que aconteça, mas vocês aí tem que compreender que não é que nem uma rachadura no teto da casa que é só dar uma massa, uma pintura e tá novo. É um pouco mais delicado que isso. E realmente a “casa” aí, ta ficando velha, cara. E como toda a casa velha, começa a dar problema. É vazamento, é piso soltando e é rachaura também.
Vocês já viram aquela lá nos States que quase atravessa a Califórnia? Putz!
Saint Andreas Fault eles chamam, não? Quando essa começar a mexer mesmo vai me dar trabalho. E o pior é não tenho muito o que fazer a essas alturas.


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Mudando de assunto: E o tal do Adriano, hein?
Esses caras Me racham a cara de vergonha!
A gente ajuda, sabe... Menino pobre, sabe jogar bola, vai crescendo, crescendo, chega em time grande, e é Seleção, e aí o fulano resolve que não quer mais nada disso. Quer ficar soltando pipa na favela.
Ah, tá de sacanagem!
Depois dizem que Eu dou biscoito pra quem não tem dente e talvez seja verdade. Acho que vou cuidar melhor de para quem dar os biscoitos.
Depois não vem pedir que Eu ajude e papapapá e toda aquela conversa fiada.
Tá rasgando dinheiro, vai acabar na merda!


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Outro que não se ajuda é o tal do Hamilton.
Já falei sobre esse filho aqui, né?
Ô caraterzinho, hein!
Já não é a primeira nem a segunda...
Toma jeito, rapaz!


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Era isso aí que Eu queria comentar.
A gente se encontra na próxima.
Juízo, hein!
Que Eu lhes abençoe e fiquem Comigo.


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contatos, sugestões, súplicas, pedidos ou preces
pelo e-mail:
god@voxdei.gov

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O melhor Inter de todos os tempos

Ainda no clima do Centenário Colorado, e acompanhando uma idéia corrente de se montar o time de todos os tempos, aí vai o meu:
Taffarel, Paulinho, Figueroa, Mauro Galvão e Oreco; Dunga, Falcão e Fernandão (que desloquei para o meio para poder fazer parte do time); Tesourinha, Larry e Carlitos.



em pé: Paulinho, Taffarel, Figueroa, Falcão, Mauro Galvão e Oreco.
agachados: Tesourinha, Dunga, Larry, Fernandão e Carlitos.

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Destes só vi jogar mesmo Taffarel, Falcão, Galvão, Dunga e Fernandão. Taffarel ainda que não tenha conquistado grandes títulos no clube e tenha uma marca negativa em clássicos, foi dos maiores goleiros da história do futebol, constantemente citado por grandes goleiros da atualidade como referência.
Falcão, me contaram que fui ver no Beira-Rio quando era pequeno (o que não lembro), mas recordo mesmo de ver na Roma e na Seleção. Jogador sem comentários, um extra-classe, além disso decisivo nas conquistas dos anos 70 do Inter.
Mesmo com craques da zaga como Gamarra, o lendário Nena, o preciso Campeão do Mundo Fabiano Eller e o atual guerreiro Índio, ainda fico com Mauro Galvão para formar dupla com Figueroa. Preciso no desarme, técnico na saída de bola, Campeão Brasileiro invicto com 17 anos e com uma carreira profissional impecável (que infelizmente passou pelo Grêmio com o mesmo êxito).
Em Dunga voto mais pelo valor dele no futebol brasileiro e mundial. O Capitão do tetra, símbolo de garra e liderança e que no Inter também teve participação fundamental na sua segunda passagem pelo clube com o gol salvador pra evirtar a queda para a segunda divisão. Será eternamente idolatrado.
E Fernandão. Sobre Fernandão o que dizer? Além de todo o aspecto mítico acerca do fato de ter sido o capitão das grandes conquistas, tem o fato de ter sido no clube um jogador envolvido, e decisivo. Goleador de Libertadores com gol em uma final, carrasco em greNal marcando o histórico gol 1000 logo na sua estéia, jogador que não tremia na frente do gol, além de extremamente identificado com o clube e com a cidade. Jogador histórico da nova geração!
Os outros, os que não vi, o que preciso dizer de Figueroa? Que foi um dos melhores zagueiros de todos os tempos segundo a FIFA? Do legendário Paulinho? Do incontestável craque Tesourinha? Posso dizer que alguns afirmam que teria sido melhor que Garrincha. Sobre Oreco? Que foi campeão mundial em 58 e que só foi reserva porque o titular era nada mais nada menos que Nilton Santos, a "Enciclopédia do Futebol". O que dizer do "Cerebral' Larry matador de greNal? Posso dizer que simplesmente ele fez 4 gols no principal rival na inauguração do estádio deles. E sobre Carlitos? Simplesmente o maior goleador da história do clube.
Mesmo não os tendo visto jogar, seus nomes, seus números, suas marcas e suas lendas os justificam.
Infelizmente só posso escalar 11 neste simbólico time principal. Muitos ficam de fora como Tinga, Nena, Valdomiro, Índio, Manga, meu tio Adãozinho, Dadá Maravilha, Sóbis, entre tantos outros. Mas igualmente tem lugar reservado na história alvi-rubra hoje e nos próximos cem anos. E nos próximos cem, e nos próximos, e nos próximos...


Cly Reis