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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Che 2- A Guerrilha", de Steve Soderbergh (2009)




Depois da boa surpresa que foi “Che – parte 1”, fui dar uma conferida na seqüência. Sem muito entusiasmo para falar a verdade. Com a impressão de que, por mais que a trajetória do líder guerrilheiro tenha sido rica, não seria o suficiente para sustentar, com força, uma segunda parte.

Dito e feito. Depois da conquista da ilha no primeiro longa ficou muito pouco por mostrar. A “carreira” de guerrilheiro não vai muito além do que fora mostrado anteriormente e não tinha nenhuma necessidade em ser realçada, caso esta fosse a intenção.
Nem o filme, a película propriamente dita se justifica enquanto obra. Soderbergh produz um filme muito inferior em técnica, recursos, roteiro e ousadia se comparado com o primeiro e não consegue dar ao novo nenhum brilho.

De positivo, a ótima interpretação de Benício Del Toro, como já havia acontecido na primeira parte, a cena de combate na mata boliviana e a cena da morte do revolucionário, onde o diretor usa a câmera como os olhos de Che vendo seu executor.

Tipo do filme desnecessário. Valia mais dar uns quinze minutos a mais de duração no anterior e acabar por ali, ou nem isso, simplesmente ao final do filme escurecer a tela e mostrar um texto na tela resumindo que Che, já legendário por conta da sua atuação em Cuba, vai para o Congo, entra ilegalmente na Bolívia para liderar a revolução naquele país e é capturado depois de um ano e executado pelos militares bolivianos associados à CIA.

Desculpem ter contado o final mas acho que todo mundo já sabia, não?





Cly Reis

Cotidianas #9 - "Cidade"





poema "Cidade"
de Augusto de Campos

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"Terra em Transe", de Gláuber Rocha (1967)



Assisti no sábado, novamente, a um dos filmes mais significativos do Cinema Novo brasileiro: "Terra em Transe" de Gláuber Rocha.
"Terra em Transe" é ainda hoje uma das alegorias políticas mais notáveis do cinema com sua sugestão de comparação com um lugar fictício "muito parecido com o Brasil" chamado Eldorado.
Admirável pela sua fotografia com o preto-e-branco extremamente realçado nos contrastes, pelos enquadramentos na cara dos atores, pela atuação de Jardel Filho, "Terra em Transe, na minha opinião, acaba perdendo um pouco do brilho no texto, que, se por um lado é ousado e inovador, por outro tem um discurso extremamente direto em muitas situações, perdendo um pouco da poesia e passando quase que por um documento de protesto e denúncia. Podia até ser adequada e apropriada para a época, mas o prórpio diretor conseguiu ser tão contundente com mais sutileza em filmes como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e o "Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro".
A poesia fica por conta da imagem do cinema de Gláuber, sempre muito artística e trabalhada, e com os textos intensos e marcantes do conflituado poeta Paulo Martins, contrastando com falas às vezes cruas demais. É com a angústia de um homem confuso sobre a sua condição de cidadão, sobre sua consciência política, se sentindo enganado por aqueles a quem devotou confiança, decepcionado com sua pátria, que, ferido, à beira da morte, o poeta grita: "É preciso resistir, resistir! Eu preciso cantar!"





Cly Reis