
domingo, 6 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
PIL (Public Image Ltd.) - "Metal Box (1979)


O Public Image Limited é a banda criada por John Lydon, o ex-Johnny Rotten dos Sex Pistols após a dissolução da banda quando o movimento punk já se mostrava cansado e moribundo. Não que a experiência não tivesse sido válida, que não tivesse sido importante ou deixado um legado, mas o grito do punk em si, já começava a ficar sem sentido, e sem perceber ele já tinha ramificado para tanta coisa que nem a sua linguagem mias já permanecia pura. Foi isso que viu John Lydon ao fundar o PIL. A new-wave aparecia, a disco-music era a onda, o pós-punk assumia diversas formas e um cara antenado, inquieto, inteligente não ia querer ficar só vociferando e xingando a rainha a vida toda. Os punks o renegaram, “Traidor do movimento”, “Judas”. Mas e daí? Ele lá tem cara de que se importa com isso? Acho que pelo contrário. Quanto mais batem, mais ele gosta.
O primeiro disco, homônimo à banda, (ou também chamado de “First Issue”), já transparecia a mudança, com visíveis concessões pop, mas foi em "Metal Box”, o segundo, que John Lydon achou a liga. Curiosamente num ambiente conturbado cheio de brigas e dificuldades de gravação, de onde seria provável que não saísse algo coeso, aparece um álbum que desfila e brinca com os estilos vigentes da época, volta ao punk e ao mesmo tempo oferece rumos para o pop-rock dos anos 80. Até mesmo seu formato de apresentação, inusitado, lançado originalmente como álbum triplo em uma lata de rolo de filme, “Metal Box” parece com este invólucro pesado e hermético querer proteger o ouvinte do “perigo” à sua exposição. E quando se ouve é quase isso. “Metal Box” é um disco perigoso!
Abre com a quilométrica “Albatross” que se arrasta como um longo vôo da ave com um baixo primoroso e cadenciado do cara que é considerado o melhor pior baixista do mundo, Jah Wobble, e que neste disco em especial parece estar, dentro da sua pouca técnica, extremamente inspirado no que diz respeito a criatividade;ora é minimalista, ora elaborado, ora jazzístico e muitas vezes bem disco-music como na ótima “Swan Lake”, (conhecida também como “Death Disco”), esta uma das melhores faixas do álbum.
"Poptones” não à toa tem este nome pois ela aponta um horizonte de levada pop que serviria para o resto da década e talvez além. Igualmente com uma linha de baixo destacada e agradável, em “Poptones” Lydon desfila sua voz com aquele costumeiro tom sarcástico só que aqui parece um pouco mais light e relaxado.
“Careering” que a segue, tem destaque para uma bateria bem marcada e com constantes improvisos entre os tempos, e “The Suit” um dub solo de baixo com uma voz quase sussurada de Lydon, também vale o destaque. Outro dos pontos altos é “Socialist”, uma composição instrumental tipicamente punk mas com uns tecladinhos quase infantis que suavizam a levada agressiva. “Chant” com sua bateria alta é minimalista e agressiva, num clima meio caótico, cantada em insistentes repetições; e apenas como trilha de encerramento “Radio 4”, levinha, tocada no teclado por Keith Lavene, baixa a poeira e faz as honras de fechar esse discaço.
O primeiro disco, homônimo à banda, (ou também chamado de “First Issue”), já transparecia a mudança, com visíveis concessões pop, mas foi em "Metal Box”, o segundo, que John Lydon achou a liga. Curiosamente num ambiente conturbado cheio de brigas e dificuldades de gravação, de onde seria provável que não saísse algo coeso, aparece um álbum que desfila e brinca com os estilos vigentes da época, volta ao punk e ao mesmo tempo oferece rumos para o pop-rock dos anos 80. Até mesmo seu formato de apresentação, inusitado, lançado originalmente como álbum triplo em uma lata de rolo de filme, “Metal Box” parece com este invólucro pesado e hermético querer proteger o ouvinte do “perigo” à sua exposição. E quando se ouve é quase isso. “Metal Box” é um disco perigoso!
Abre com a quilométrica “Albatross” que se arrasta como um longo vôo da ave com um baixo primoroso e cadenciado do cara que é considerado o melhor pior baixista do mundo, Jah Wobble, e que neste disco em especial parece estar, dentro da sua pouca técnica, extremamente inspirado no que diz respeito a criatividade;ora é minimalista, ora elaborado, ora jazzístico e muitas vezes bem disco-music como na ótima “Swan Lake”, (conhecida também como “Death Disco”), esta uma das melhores faixas do álbum.
"Poptones” não à toa tem este nome pois ela aponta um horizonte de levada pop que serviria para o resto da década e talvez além. Igualmente com uma linha de baixo destacada e agradável, em “Poptones” Lydon desfila sua voz com aquele costumeiro tom sarcástico só que aqui parece um pouco mais light e relaxado.
“Careering” que a segue, tem destaque para uma bateria bem marcada e com constantes improvisos entre os tempos, e “The Suit” um dub solo de baixo com uma voz quase sussurada de Lydon, também vale o destaque. Outro dos pontos altos é “Socialist”, uma composição instrumental tipicamente punk mas com uns tecladinhos quase infantis que suavizam a levada agressiva. “Chant” com sua bateria alta é minimalista e agressiva, num clima meio caótico, cantada em insistentes repetições; e apenas como trilha de encerramento “Radio 4”, levinha, tocada no teclado por Keith Lavene, baixa a poeira e faz as honras de fechar esse discaço.
Álbum fundamental!
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FAIXAS:
1. Albatross
2. Memories
3. Swan Lake
4. Poptones
5. Careering
6. No Birds
7. Graveyard
8. The Suit
9. Bad Baby
10. Socialist
11. Chant
12. Radio 4
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FAIXAS:
1. Albatross
2. Memories
3. Swan Lake
4. Poptones
5. Careering
6. No Birds
7. Graveyard
8. The Suit
9. Bad Baby
10. Socialist
11. Chant
12. Radio 4
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Ouça:
PIL Metal Box
Cly Reis
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Os Causo de Dois Morro - "Camponato Brasilêro"

Essa coisa toda de Camponato Brasilêro; Framengos, Sonpaulo, Ternacionar, Parmera; tudo quase empatado, me alembra aquele certame de ’31 quando o Doismorrense perdeu o títlo nacionar por caus’ de uma tramóia do nosso co-irmão, o Província. Naquelas época o Dois Morro fazia parte do Brasir e jogava o camponato de vocêis. Sei dizê que a peleia tava mais embolada que pêlo de carnero sujo, sabe? Sabe quando tá sujo que chega a tá grudento? É, assim que tava o camponato. Todo mundo junto. Chego na penúrtima rondada com 4 time tudo iguar, mas iguar assim que nem que um caminhão cheio de melancia. Jogo ganhado, jogo perdido, jogo robado, gôlo feito, gôlo levado, tudo. Cartão marelo, vermeio, de visita, de crédito. Tudo iguar que não ia tê jeito de desempatá. Aí que na penúrtima, o Doismorrense ganhô do Companhia das Índia Ocidentar, lá de Pernambuco, por 2x0 com dois gôlo do Zuninga (saudoso Zuninga); o Província só se empatô lá nas Minas Gerais com o Inconfidência; o Recreativo, de Sonpaulo, levô um arrodião do Tomé de Souza e se despediu da taça; e o Repúbrica ganhô do Ventura por 4x1 e ficô com vantage de gôlo pra úrtima rondada.
Entonces que fico assim: o Província, que era o mais inimigo do Doismorrense ia pegá o Repúbica da capitar no úrtimo jogo, e se ganhava e o Doismorrense passava pelo Cerrado, que tinha perdido pra todo mundo, o Doismorrense levava o trofér. Só que os provinciense não querío dá essa alegria pra nóis aqui de Dois Morro e tavo armando de entregá o jogo pro Repúbrica pra modo deles sê campeão. Dizío que não; "Comé que nóis ia fazê uma coisa dessa?”, “Magina!, Nóis entregá? Não, nóis somo gente direita.”, mas a claque deles pedío pelamordedeus pr’eles entregá pra não dá ôtro títlo pro Doismorrense.
No dia dos jogo, o Doismorrense passô por cima do Cerrado, fêiz 9x2, com brilhante atuação do Restilo, que anoto 3 vêis na meta diversária. Só que lá na capitar se deu-se fatos mui estranhosos: o Província logo no comêço, deu a saída, um jogador recuô pro golkíper e a bola entrô. 1x0 pro Repúbrica com 2 segundo de embate. O Província deu ôtra saída e o jogador deles fêiz que foi passá pro companhêro na esquerda e deu um lançamento pro center-forward do Repúbrica que foi como se botasse ca’ mão. Pronto: o tar de Júlio César, que a torcida do Repúbrica chamava de Imperador, dibrô o golkíper e encaçapô mais um. Sei que foi gôlo estranho de tudo qué tipo: gôlo contra cobrando remesso laterar, beque cobrando tiro-de-meta de carcanhá pro póprio gôlo, treinero do time que saiu da área ténica e foi lá cabeceá contra no córner. Uma vergonha! Cabô 8x0 pro Repúbrica que se sagrô-se campeão daquele ano.
No dia dos jogo, o Doismorrense passô por cima do Cerrado, fêiz 9x2, com brilhante atuação do Restilo, que anoto 3 vêis na meta diversária. Só que lá na capitar se deu-se fatos mui estranhosos: o Província logo no comêço, deu a saída, um jogador recuô pro golkíper e a bola entrô. 1x0 pro Repúbrica com 2 segundo de embate. O Província deu ôtra saída e o jogador deles fêiz que foi passá pro companhêro na esquerda e deu um lançamento pro center-forward do Repúbrica que foi como se botasse ca’ mão. Pronto: o tar de Júlio César, que a torcida do Repúbrica chamava de Imperador, dibrô o golkíper e encaçapô mais um. Sei que foi gôlo estranho de tudo qué tipo: gôlo contra cobrando remesso laterar, beque cobrando tiro-de-meta de carcanhá pro póprio gôlo, treinero do time que saiu da área ténica e foi lá cabeceá contra no córner. Uma vergonha! Cabô 8x0 pro Repúbrica que se sagrô-se campeão daquele ano.
Mas o pisódio foi tão marcante, tanto se falô-se da marmelada que ficô, tão feio, mas tão feio pros jogador do Província que eles só andavo na rua com pacote de supermercado na cabeça. Quase todos eles não conseguiro mais jogar em ôtros time que ficáro com medo deles entregá jogo de novo, deles fazê corpo-mol em jogo importante, e essas coisa assim. A maioria deles parô de jogá cedo, lá pelos meado de 1935 e acabaro pobre, sem trabáio e afogado na cachaça.
Só sei que o Província dexô de existí pôco dispois por causa dessa vergonha, o Repúbrica mudô de nome, o Recreativo virô só crube de piscina, e os ôtros fôro fechando as porta. Aí que em '71 inventaro esse ôtro Camponato Brasilêro dos tempo de agora com esses time aí. Mas bom mesmo era naquele tempo. Aquilo sim é que era futebór!
postado por Chico Lorotta
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
"Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino (2009)

Como disse aquele médico do “Hellraiser 2” que depois de ter resitido tanto em ser levado pelos Cenobitas, então se regozija com os prazeres da dor:”E PENSAR QUE EU HESITEI!’.
E dizer que eu resisti a ir a um cinema ver “Bastardos Inglórios”. E o pior, que eu prejulguei de maneira tão leviana. Que eu subestimei a capacidade de um dos meus diretores preferidos. Mea culpa. Mea maxima culpa!Apostava, quando desdenhei do filme, que os elementos típicos de Tarantino já estivessem ficando desgastados e que simplesmente estariam aplicados agora a um tipo de cenário atípico até então na sua filmografia, a guerra, mas já com a “piada” gasta. Em parte é verdade. Está tudo lá; os flashblacks, a violência, a divisão do filme em partes, os diálogos longos; só que tudo colocado perfeitamente bem e aplicado diferentemente do que em seus outros filmes. Em “Bastardos...”, mesmo com esta segmentação do filme, o roteiro é mais linear e os flashbacks funcionam quase que como um apoio à história e não a desconstrói como Tarantino costuma fazer. Os diálogos longos e que parecem improdutivos até chegarem a um ponto chave também aparecem e de forma muito bem construída e inteligente como no caso da visita do coronel alemão à casa de um camponês na França ocupada, na
qual ele enrola, enrola, enrola, e brilhantemente a conversa chega a o ponto que ele queria. Aliás, este personagem, o Coronel Hans Landa, é o objeto especial para o desfile das melhores “conversas-fiadas” que Tarantino adora desenvolver em seus roteiros, e diga-se de passagem com uma atuação excepcional, entre o cômico, o charmoso e o brutal, de Christoph Waltz.
A propósito de brutalidade, não poderia faltar a violência que sempre foi marca registrada dos filmes do cara e neste, não faz por menos também. O curioso é que ele trata, no mais das vezes , de forma tão banal, tão natural, tão spaghetti, que quase não causa o impacto que deveria causar. Por exemplo, os escalpos de nazistas: os Bastardos o fazem como se descascassem laranjas e até por esta naturalidade acaba nem doendo nos olhos do espectador. Tipo, faz parte da história. É isso aí. Depois do primeiro escalpo passa a ser engraçado. Tão engraçadas quanto as marcas que o caricato Aldo Rayne, vivido por Brad Pitt, faz na testa do nazistas, este aliás com uma atuação que não me convenceu. Sei que a interpretação faz parte da proposta da construção do personagem, mas o tipo que ele faz, as caras e bocas ficaram muuuiito forçadas. Mas vá lá. Não chega a estragar o todo.
Não contando o final do filme mas me valendo da última frase dita nele, “acho que esta é minha obra prima”, como se fosse a manifestação de Tarantino pela boca do Ten. Aldo Rayne, não acho que seja a obra-prima do cara, mas, ao contrário do que eu imaginava quando escrevi anteriormente, Tarantino está melhorando ainda mais seu cinema dentro da sua linguagem.
Não duvido mais do cara. Prometo.
E dizer que eu resisti a ir a um cinema ver “Bastardos Inglórios”. E o pior, que eu prejulguei de maneira tão leviana. Que eu subestimei a capacidade de um dos meus diretores preferidos. Mea culpa. Mea maxima culpa!Apostava, quando desdenhei do filme, que os elementos típicos de Tarantino já estivessem ficando desgastados e que simplesmente estariam aplicados agora a um tipo de cenário atípico até então na sua filmografia, a guerra, mas já com a “piada” gasta. Em parte é verdade. Está tudo lá; os flashblacks, a violência, a divisão do filme em partes, os diálogos longos; só que tudo colocado perfeitamente bem e aplicado diferentemente do que em seus outros filmes. Em “Bastardos...”, mesmo com esta segmentação do filme, o roteiro é mais linear e os flashbacks funcionam quase que como um apoio à história e não a desconstrói como Tarantino costuma fazer. Os diálogos longos e que parecem improdutivos até chegarem a um ponto chave também aparecem e de forma muito bem construída e inteligente como no caso da visita do coronel alemão à casa de um camponês na França ocupada, na
qual ele enrola, enrola, enrola, e brilhantemente a conversa chega a o ponto que ele queria. Aliás, este personagem, o Coronel Hans Landa, é o objeto especial para o desfile das melhores “conversas-fiadas” que Tarantino adora desenvolver em seus roteiros, e diga-se de passagem com uma atuação excepcional, entre o cômico, o charmoso e o brutal, de Christoph Waltz.A propósito de brutalidade, não poderia faltar a violência que sempre foi marca registrada dos filmes do cara e neste, não faz por menos também. O curioso é que ele trata, no mais das vezes , de forma tão banal, tão natural, tão spaghetti, que quase não causa o impacto que deveria causar. Por exemplo, os escalpos de nazistas: os Bastardos o fazem como se descascassem laranjas e até por esta naturalidade acaba nem doendo nos olhos do espectador. Tipo, faz parte da história. É isso aí. Depois do primeiro escalpo passa a ser engraçado. Tão engraçadas quanto as marcas que o caricato Aldo Rayne, vivido por Brad Pitt, faz na testa do nazistas, este aliás com uma atuação que não me convenceu. Sei que a interpretação faz parte da proposta da construção do personagem, mas o tipo que ele faz, as caras e bocas ficaram muuuiito forçadas. Mas vá lá. Não chega a estragar o todo.

Não contando o final do filme mas me valendo da última frase dita nele, “acho que esta é minha obra prima”, como se fosse a manifestação de Tarantino pela boca do Ten. Aldo Rayne, não acho que seja a obra-prima do cara, mas, ao contrário do que eu imaginava quando escrevi anteriormente, Tarantino está melhorando ainda mais seu cinema dentro da sua linguagem.
Não duvido mais do cara. Prometo.
Cly Reis
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