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terça-feira, 23 de março de 2010

ESG - "Come Away With ESG" (1983)


Meu amigo Júnior, que volta e meia me vem com alguma coisa bem interessante para ouvir ou para ver, desta vez me recomendou que ouvisse uma tal de ESG. O mote era que se tratava de algo meio jazz, mas bem contemporâneo com elementos eletrônicos e tal. E, cara, não é que o negócio é bom pra caramba?

Bem por aí, mesmo: loops básicos e irados de baixo muito funk, percussões quase afro-latinas, uma pegada super disco-music, e com uma improvável mas verdadeira influência do punk que em nada torna agressivo ou forte demais o som da banda; e tudo isso conduzido por uma voz feminina descontraída e jovial muito próximo ao que viria a ser o estilo house anos depois.
A influência do punk é mais atestada ainda pelos antecedentes da banda, que além de ser contemporânea do final do movimento, chegou a ser produzida por Martin Hannet (Joy Division e Magazine) no seu primeiro EP de 1981.
“Come Away With ESG” de 1983 que é todo esse liquidificador de estilos, tem como destaques a ótima e super-dançante “Dance” e a melhor ainda “Moody (Spaced Out)”, mas todo o disco é muito bom.
Escutado hoje, à distância da época de seu lançamento, faz-nos notar toda a importância do ESG em formações de estilos posteriores como o já mencionado house e outras vertentes da música eletrônica como o trip-hop, além do rap, do hip-hop e de diversos estilos dentro da música pop em geral.
Como é que eu nunca tinha ouvido falar do ESG antes, hein???
(Bom… Antes tarde do que nunca)
Já chega para mim com status de disco fundamental.
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FAIXAS:
  1. "Come Away" – 3:15
  2. "Dance" – 4:32
  3. "Parking Lot Blues" – 2:53
  4. "You Make No Sense" – 2:20
  5. "Chistelle" – 1:54
  6. "About You" – 2:05
  7. "It's Alright" – 2:38
  8. "Moody (Spaced Out)" – 4:18
  9. "Tiny Sticks" – 3:02
  10. "The Beat" – 2:17
  11. "My Love for You" – 2:54

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Ouça:
Come Away With ESG

Cly Reis

"[REC]" de Jaume Balagueró e Paco Plaza (2007)







" 'Continua gravando TUDO!
'Por tu puta madre' ".





Puta que pariu! Alucinante, frenético, assutador, claustrofóbico. Tudo isso é pouco pra descrever o ótimo terror "[REC]” dos espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza.
Estava há tempo pra pegar esse filme na locadora mas deixava pra depois, pegava algum lançamento, priorizava algum que minha mulher pudesse ver também (ela não gosta de terror) e ia deixando este pra trás. Por que demorei tanto?
É um daqueles poucos filmes de terror que verdadeiramente me deram “cagaço”. Me deixou com o coração saindo pela boca de ansiedade e expectativa, principalmente nos dez minutos finais quando o cerco se fecha. Talvez, ao lado do “Atividade Paranormal” tenha sido destes filmes de “cinema-verdade” com câmera na mão o tempo todo, o que mais me impressionou.
O lance todo é o seguinte: uma repórter e o câmera-man, vão fazer uma matéria sobre a rotina da noite de um corpo de bombeiros para um desses programas da madrugada. Ela está completamente entediada e sem expectativa, mas entende que algum chamado importante para os bombeiros, estando ela ali, pode ser a chance profissional da sua vida. Acontece uma ocorrência e ela e o câmera vão acompanhar dois bombeiros a um edifício onde uma senhora, ao que parece se trancara no apartamento sem querer sair. Aparentemente uma chamada pequena, insignificante.
Que nada!
Aí é que o bicho pega!
No socorro a velha ataca e morde um policial, joga um bombeiro mordido pelo vão da escada e como, de fora, as autoridades trancam, lacram o prédio e não permitem que o grupo de policiais, bombeiros, moradores, a equipe de reportagem e o ferido saiam do prédio, já em pânico todos começam a se perguntar o que está acontecendo ali.
Se revela uma espécie de infecção transmitida pela saliva, o que faz com que todos os atacados passem a agir da mesma forma agressiva transformando o prédio numa espécie de casa dos horrores pois aos poucos os infectados vão atacando a outros e a legião de zumbis vai aumentando num espaço, pequeno, restrito do qual não se tem pra onde fugir. É só escadaria pra cima e pra baixo com a câmera na mão.
O barato é que o recurso “documentário” nessa correria desenfreada, em “[REC]” faz com que o espectador sinta-se dentro do filme, praticamente percorrendo os corredores estreitos, sentindo a expectativa de entrar em um apartamento, ou esquivando-se na poltrona pra não ser agarrado por um morto-vivo.
O legal também, que eu soube depois é que para manter o medo, a surpresa, a sensação dos próprios atores, os diretores não liberavam todo o script para o elenco antes, passando a eles as cenas apenas na última hora. O artifício deu certo, mesmo. Tem cenas que a gente vê que os próprios atores levam susto. Ficou muito real e natural.
Pra piorar (ou melhorar) tem a surpresa da tal Menina-Medeiros que está presa num apartamento isolado. Nossa! Não vou contar muito pra não estragar pra quem não viu, mas aquilo ali é repugnante, terrível e assutador; e esta parte do filme; é LITERALMENTE de tirar o fôlego.
Dos melhores e mais assustadores filmes de terror que já vi na vida. Daqueles de ficar desconfiado ao andar no corredor da própria casa no escuro.
Muito Foda!



Cly Reis



segunda-feira, 22 de março de 2010

"Andrei Rublev" de Andrei Tarkovsky (1966)




Aluguei dia desses para assistir a “Andrei Rublev” de Andrei Tarkowski, um dos meus diretores preferidos. Sou apaixonado, sobremaneira, por “O Sacrifício”, último filme do diretor russo que ao longo de sua filmografia consolidou uma linguagem muito peculiar, bem intimista, psicológica, minuciosa e plasticamente impecável. Em “Andrei Rublev”, ele se utiliza das mais de 3 horas de duração do filme para construir com paciência, sobretudo, os aspectos psicológicos profundos dos conflitos pessoais de um monge pintor de ícones religiosos no século XV. Mesmo tendo sua ação passada em um momento histórico de conflitos feudais e invasões bárbaras na União Soviética, Tarkovsky não anseia por conta disso criar um épico. O período somente lhe serve como inserção de ambiente, como confrontação para o personagem principal com aquela realidade. Não recorre a grande ênfase em figurinos ou cenários para localizar a história, o faz de forma sutil, precisa e útil; até porque, naquele caso, tudo isso é o que há de menor importância: Andrei Rublev está à procura do interior das coisas. Do interior de si mesmo. Da inspiração, da fé, da verdade. Mas o exterior; o mundo, a violência, a crueldade, os sentimentos vis, a ausência de amor, o fazem refletir sobre suas vocações para a arte e para a religião.

A fotografia e beleza plástica 
da cena do cavalo
O filme, dividido em capítulos, é repleto de situações emocionantes, fotografias belíssimas e cenas de beleza plástica incríveis, mas o episódio final, do jovem sineiro incumbido pelo príncipe de fazer um sino,e que, salvo sua inexperiência mas com um comprometimento e determinação incríveis, faz recender em Andrei a vontade de pintar novamente após ver a entrega daquele rapaz à sua tarefa. Belíssimo.

“Andrei Rublev”, como de costume na carreira do diretor, traça um grande painel psicológico de personagens complexos; traz em si um exercício artístico-estético profundo e uma reflexão sobre as motivações do artista. Ainda prefiro os últimos filmes do diretor, falecido em 1986, como “Stalker”, “Nostalgia” e o já citado “O Sacrifício”, mas “Andei Rublev”, em absoluto, não decepciona e apresenta as características que veríamos posteriormente bem aperfeiçoadas e solidificadas como marcas registradas de Tarkovski, que é para mim e para um monte de criticos e amantes do cinema, um dos mais importantes diretores de todos os tempos.





Cly Reis

quinta-feira, 18 de março de 2010

"Telephone" - Lady GaGa & Beyoncé

Cara, não tinha visto ainda e achei bem legal o novo clipe da Lady GaGa. Nem curto muito sonoramente. Acho que ela é muuuuito mais imagem do que tenha algo a acrescentar musicalmente, ainda que, pelo conjunto moda-estilo-música-atitude-mídia, ela tenha grantido seu lugar de destaque no cenário pop atual.
No clipe em questão, de "Telephone", o que chama a atenção é a série de referências legais das mais variadas, desde as cinematográficas, como as de Tarantino (notem na Pussy Wagon de Kill Bill e nos créditos de abertura e encerramento) e as de Ridley Scott (a cena final do clipe copia Thelma e Louise); passando por "Thriller" de Michael Jackson (notem na dança quando ela sai do presídio) indo até a arte-pop de Andy Wahrol e Lichenstein presente em vários momentos.
O clipe é dirigido pelo ótimo Jonas Akerlund do polêmico "Smack my Bitch Up" do Prodigy e de diversas colaborações com Madonna, que é outra das referências evidentes do clipe. Bom, no caso de Madonna, não só no clipe, mas na carreira da Lady GaGa.
Curta aí. Bem legal:




fonte: blog Freak Show Business