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terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Resident Evil 4: O Recomeço", de Paul W.S. Anderson (2010)



Me prestei ontem a ir assistir ao "Resident Evil 4: O Recomeço".
Nossa!!!
Pegaram duas xícaras cheias de "Matrix", quatro colheradas (de sopa) de "Madrugada dos Mortos", uma pitada de "Predador", botaram tudo num liquidificador e acrescentaram depois uma bela dose de 3D.
O monstrengo do machado. Quem é? o que é?
De onde veio? Perguntas sem resposta.
Só não é um completo lixo porque ainda consegue se sustentar no próprio argumento original da  série, embora este, cá entre nós, já seja bem fraco. Mas mesmo assim se garantindo em pé a duras penas deixa uma série de lacunas, interrogações e novidades injustificadas como as línguas-ramificações-tentáculos (?) ou algo do tipo que os zumbis agora apresentam e que não mostravam em nenhum dos filmes anteriores; ou um zumbi grandalhão com um machado que ninguém sabe de onde veio, por quê é mais forte, por quê é enorme; ou um presidiário misterioso que se diz irmão de uma das fugitivas. Parece roteiro escrito às pressas ou subestimando totalmente o público, tipo, "ah, põe qualquer merda aí que eles vão gostar".
Só pra não deixar passar, vale a pena também pela Mila Jovovic, a Alice, que a propósito, começa a mostrar sinais de idade, mas que não a desvalorizam em nada - muito pelo contrário - tá, assim, que nem vinho: melhorando com a idade. Mas, marmanjos, boa mesmo é a coleguinha, a tal da Claire, interpretada por Ali Larter ("Premonição 1 e 2").  Se o filme não valesse por mais nada, valeria por ela. Muito gata!
A duplinha  Larter/ Jovovic . É mole ou quer mais?
No mais, se sustenta mesmo no 3D, que por sinal é de primeira! Mas eu, que me recusei a ver "Avatar" exatamente porque considerava que só valeria pelos efeitos e pela tecnologia, volto a me questionar até que ponto vale a pena ir a um cinema apenas apoiado no fato de um filme ser em 3D? E me respondo, bem no início desta era do cinema, que para mim já não vale quase nada. Será necessário, muito em breve, que se alie a este recurso técnico notável, interessantíssimo e espetacular, qualidade. Bons roteiros, boas histórias, situações que realmente requeiram ou permitam sua utilização de maneira produtiva para o filme, para a história e não simplesmente para causar sensação. Mais ou menos o que Christopher Nolan fez com "A Origem" em relação a efeitos especiais que já começavam a ficar fúteis. Ali se fez um FILME que utilizava (brilhantemente) efeitos especiais e não um filme DE ou PARA efeitos especiais. Tomara que se faça isso com o 3D. acho que far-se-á. O cinema depois de ondas comerciais sempre acaba incorporando qualidade às inovações por que passa. Coisas como a que Nolan fez são uma espécie de luz no fim do túnel.


Trailer: "Resident Evil 4: O Recomeço"



Cly Reis

domingo, 19 de setembro de 2010

cotidianas #50 - "A Gafieira do Mané João" *



Mané João
Lá na gafieira
De Mané João
Toda brincadeira
Acabou no chão
Tinha inimigo no meio do salão
Zé da Capoeira fazendo exibição


Tinha cabelo grande mas não tinha molho
Mané ficou de olho
Escondeu Margarida na cortina
E gritou ninguém transa com a menina
E só terminou a brincadeira
Com o sangue escorrendo na ladeira
E era muito sangue pra pouca ladeira
Lá na gafieira


* baseado na música "Mané João" de
Erasmo Carlos e Roberto Carlos (1972)

Ouça a música:
Mané João_Erasmo Carlos

terça-feira, 14 de setembro de 2010

cotidianas #49 - "Glória (Junkie-Bacana)"


Meu caro vizinho
Eu sou um cara legal
Meu telefone é 477 etc. e tal
Ontem à noite exagerei no barulho
Eu peço que me desculpe


Eu sei que é demais
Mijar na janela
Chamando por Deus
E gritando o nome dela


Todo grande amor incomoda
E o mundo todo, todo, tem que saber
Que ela errou, e eu errei
Então eu declarei guerra


Paz na terra é só pra quem tem coragem
Quem perde no amor sempre faz papel de covarde
Faz bobagem, faz bobagem
Ho, ho!


Meu caro vizinho
Não me leve a mal
Depois que eu fiquei sozinho
Dei pra beber bem além do normal
E a fazer coisas meio sem sentido


E é desse jeito
Que eu tenho vivido
Não leve a mal
Um cara assim tão a perigo
E no mais, um abraço
Meu prezado amigo


Glória (Junkie-Bacana)
(Cazuza e Lobão)
do álbum "O Rock Errou" de Lobão (1986)

Ouça a música:
"Glória (Junkie- Bacana)"

cotidianas #48 - A Rosinha

Entre um chopp e outro, piadas, risadas, debates enérgicos e cantadas batidas e infrutíferas para as mulheres que passam na calçada. É sempre assim quando se reúnem depois do trabalho na sexta-feira naquele mesmo bar de sempre.
- Peraí, perái... Olha só aquilo! - chama interrompendo a discussão sobre futebol - Quê que é isso? Meu Deus do céu! Que loucuura!
- Ah, conheço ela. É a Alice. O Dudu também conhece. Né Dudu?
- Mmm...  - meio que se babando com o chopp e limpando com as costas da mão - Ahan. Conheço sim - completando com um risinho maroto de canto de boca.
Quando a garota se aproxima mais, os dois que a conhecem, tratam de cumprimentá-la:
- Oi, Rosinha.
- Oi, Rosinha - cumprimentam os dois quase ao mesmo tempo.
Ela não fala nada mas responde com um sorriso malicioso e acena mexendo só os dedinhos da graciosa mãozinha. Passa e segue gostosíssima calçada afora.
O outro acompanha o final do desfile monumental até que ela acabe de dobrar a esquina e terminado o espetáculo, meio confuso, volta a cabeça então para os camaradas na mesa, e pergunta:
- Mas o nome dela não era Alice?
Os outros dois se entreolham, tentam sufocar o riso, mas explodem numa gargalhada só.


Cly Reis