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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"David Bowie - A Biografia" de Marc Spitz - ed. Benvirá (2010)



Saindo nova biografia do Camaleão. 
Pelo que li a respeito vale pedir pro Papai Noel.
Parece ter um pouco mais do olhar de fã sobre a obra e o artista do que a maior parte das muitas outras biografias já lançadas por aí sobre o cara.
Mais informação, mais conteúdo, mais curiosidades, mas acima de tudo imparcialidade mesmo sob o olhar de um fã.
Assunto é que não falta na rica carreira deste que é um dos maiores nomes da história do rock.


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"David Bowie: A Biografia"
autor: Marc Spitz
448 páginas
R$ 39,90
Tradução: Santiago Nazarian
BENVIRÁ / 2010 -1ª edição

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"SciFi=SciFilo - A Filosofia Explicada pelos Filmes de Ficção Científica", de Mark Rowlands (2003) ed. Relume Dumará


Caiu em minhas mãos por algumas cargas d'água, destas da vida, o livro "SciFi=SciFilo" do doutor em filosofia e apaixonado por filmes de ficção científica, Mark Rowlands, que a partir de obras cinematográficas deste gênero traça paralelos, estabelece comparativos e pontos de análise de princípios filosóficos, meio que 'explicando' a filosofia através destes filmes. Um grande barato! Bem legal mesmo a ideia! Como o próprio autor coloca na introdução, os filmes de ficção, muitas vezes subestimados, ridicularizados, desprezados, se prestam, sim, admirável e surpreendentemente a análises filosóficas extremamente sólidas e profundas, possivelmente, mais até do que filmes tidos como 'sérios' ou 'cabeça'.
No livro Rowlands analisa, entre outros, "Star Wars" sob a ótica do maniqueísmo, em que George Lucas coloca tudo como sendo o BEM e o MAL; pergunta como fica o livre arbítrio quando se sabe que vai-se cometer um crime como em "Minority-Report"; e a partir daquele final emocionante e reflexível de "Blade Runner" , discorre sobre o sentido da vida.
Alguns dos filmes acabam na minha opinião sendo mal utilizados nas analogias como é o caso de "Frankenstein" que para mim toma uma linha que pode prestar-se à filosofia, mas que fica distante do âmago da história em si criada por Mary Shelley e das suas adaptações cinematográficas; ou o caso também de "O Exterminador do Futuro" no qual ele desperdiça a possibilidade de análise do filme em nome de capítulos e mais capítulos versando sobre dualismo e materialismo, praticamente deixando de lado o cinema. Fica muita filosofia e pouca ficção científica neste ponto do livro.
Legal mesmo o capítulo sobre "Matrix", um dos filmes dos últimos tempos que provavelmente mais se prestam a este tipo de análise. Sobre este, Rowlands ataca na incerteza de termos certeza de alguma coisa e deixa, com aval de Descartes, Nietzsche e Hume, a pulguinha atrás da orelha de 'será que o mundo que conhecemos é o mundo tal como é?' Será que não vivemos numa espécie de matrix? Bobagem!!! ...Ou não?
Outra comparação pertinente é sobre um filme que nem é tudo isso mas que se presta perfeitamente à avaliação filosófica: "O Homem Sem Sombra" levanta a questão da moralidade e  por que ser moral? Tipo: se você tivesse a faculdade de ficar invisível será que você não sairia por aí entrando em vestiários femininos, assaltaria um banco, sacanearia quem você não gosta ou faria coisas ainda piores? Será que a 'proteção' de uma invisibilidade, da impossibilidade de sermos identificados não nos seria a permissão para fazer tudo aquilo que sempre tivemos vontade de fazer, impunemente? E sendo assim, então não fazemos estas coisas não por um senso moral mas apenas por um medo de punição? Boas perguntas?
Bem bacana! Escrito com conhecimento, com citações, com base, mas muito despojada e descontraídamente. Legal especialmente pra quem viu os filmes (que por sorte e por vício eu já tinha visto todos).
Pra quem acha que filmes de monstros, de robôs, de naves, de alienígenas são só besteira, bobagem, estupidez, "SciFi=SciFilo" é uma resposta inteligente, muitíssimo qualificada e acima de tudo gostosa e bem-humorada.


Cly Reis

9° Sinfonia de Beethoven pela Orquestra Sinfônica Brasileira - Theatro Municipal - RJ




Conheci ontem finalmente o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Bonito mas, surpreendenetemente para mim, pequeno. E conforme já sabia, uma imitação do Opera de Paris, o que não o desmerece em nada. Além da fachada de seu ecletismo remetendo ao neoclássico, já exaustivamente vista a cada ida à Cinelândia no centro do Rio, agora pude conhecer o espaço interno absolutamente nobre com seus veludos e tapetes vermelhos, evocativo com seus vitrais, brilhante com seus dourados e lustroso com seus mármores italianos.
Um dos belíssimos vitrais
A colunata da fachada
Fomos à apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, no último concerto do evento chamado Série Fora-de-Série, no qual executaram com brilhantismo a 9° Sinfonia de Beethoven, uma das maiores obras musicais já concebidas pelo homem. Inegavelmente um privilégio assistir a execução de uma obra como esta e de quebra, depois de 5 anos morando aqui,  conhecendo, finalmente, um dos pontos turísticos históricos mais importantes da cidade.
O interior rico e suntuoso.

THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro localiza-se na Cinelândia (Praça Marechal Floriano), no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), no Brasil.
Construído em princípios do século XX, é um dos mais belos e importantes teatros do Brasil. A responsabilidade de sua gestão é da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada a Secretaria de Estado de Cultura, que é presidida por Carla Camurati desde 2007, possui direção artística de Roberto Minczuk e direção operacional de Sonja Dominguez de Figueiredo França.


HISTÓRIA
A atividade teatral era, na segunda metade do século XIX, muito intensa na cidade do Rio de Janeiro. Ainda assim, a cidade não dispunha de uma sala de espetáculos que correspondesse plenamente a essa atividade e que estivesse à altura da então capital do país. Os seus dois teatros, o de São Pedro e o Lírico, eram criticados pelas suas instalações, quer pelo público, quer pelas companhias que neles atuavam.
Após a Proclamação da República brasileira (1889), em 1894 o autor teatral Arthur Azevedo lançou uma campanha para que um novo teatro fosse construído para ser sede de uma companhia municipal, a ser criada nos moldes da Comédie-Française.Entretanto, naqueles agitados dias, a campanha resultou apenas em uma lei municipal, que determinou a construção do teatro municipal. Essa lei não foi cumprida, apesar da cobrança de uma taxa para financiar a obra. Observe-se que a arrecadação desse novo tributo nunca foi utilizada para a construção do teatro.
Seria necessário esperar até à alvorada do século XX quando a sua construção viria a representar um dos símbolos do projeto republicano para a então capital do Brasil. À época, o então prefeito Pereira Passos promoveu uma grande modernização do centro da cidade, abrindo-se, a partir de 1903, a Avenida Central (hoje avenida Rio Branco) moldada à imagem dos boulevards parisienses e ladeada por magníficos exemplares de arquitetura eclética.
Nesse contexto, realizou-se um concurso para a construção de um novo teatro, do qual saiu vitorioso o projeto de Francisco de Oliveira Passos (filho do então prefeito Francisco Pereira Passos), que contou com a colaboração do francês Albert Guilbert, com um desenho inspirado na Ópera de Paris, de Charles Garnier.
O edifício foi iniciado em 1905 sobre um alicerce de mil e seicentas estacas de madeira fincadas no lençol freático. Para decorar o edifício, foram chamados os mais importantes pintores e escultores da época, como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli. Também foram recrutados artesãos europeus para executar vitrais e mosaicos.
Finalmente, quatro anos e meio mais tarde – um tempo recorde para a obra, que teve o revezamento de 280 operários em dois turnos de trabalho – no dia 14 de julho de 1909 foi inaugurado pelo então presidente da República, Nilo Peçanha, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Serzedelo Correia era o então prefeito da cidade.
Originalmente com capacidade para 1.739 espectadores, em 1934, com a constatação de que o teatro estava pequeno para o tamanho crescente da população da cidade, a capacidade da sala foi aumentada para 2.205 lugares. A obra, apesar de sua complexidade, foi realizada em apenas três meses, também tempo recorde para a época. Posteriormente, com algumas modificações, chegou-se ao número atual de 2.361 lugares.
Em 1975, a 19 de outubro, o teatro foi fechado para obras de restauração e modernização de suas instalações e reaberto em 15 de março de 1978. No mesmo ano foi criada a Central Técnica de Produção, responsável por toda a execução dos espetáculos da casa.
Em 1996 iniciou-se a construção do edifício anexo, visando desafogar o teatro dos ensaios para os espetáculos, que, com a atividade intensa da programação durante todo o ano, ficou pequeno para eles e, também, para abrigar condignamente os corpos artísticos. Com a inauguração do anexo, o coral, a orquestra e o balé ganharam novas salas de ensaio e espaço para as suas práticas artísticas.
Em seus primórdios, apresentavam-se no teatro apenas companhias e orquestras estrangeiras - especialmente as italianas e francesas - até que, em 1931, foi criada a Orquestra Sinfônica Municipal do Rio de Janeiro. Entre as personalidades ilustres que nele se apresentaram destacam-se os nmomes de Maria Callas, Renata Tebaldi, Arturo Toscanini, Sarah Bernhardt, Bidu Sayão, Eliane Coelho, Heitor Villa-Lobos, Igor Stravinsky, Paul Hindemith, Alexander Brailowsky entre outras. Hoje a casa abriga a Orquestra Petrobras Sinfônica e a Orquestra Sinfônica Brasileira e são apresentados, majoritariamente, programas de dança e de música erudita.


fonte: Wikipedia

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"O Jogador", de Robert Altmann (1992)




Revi ontem de madrugada no TC Cult “O Jogador”, de Robert Altmann.
Nossa! Só aquele início com o plano seqüência de 9 minutos já é espetacular. Um a homenagem por certo ao de “A Marca da Maldade “ de Orson Welles, que por sinal, neste meio tempo da abertura, é citado duas vezes. O filme todo é uma ode à Sétima Arte com diversas menções, citações, aparições e imagens do mundo do cinema. Mas ao mesmo tempo que homenageia escarnece do próprio meio, mostrando o quanto pode ser podre, imoral, artificial e ridículo este universo. Um barato e engaçadíssimos os roteiros mirabolantes e esdúxulos que os roteiristas oferecem ao produtor em sua sala. Mas o cinema é assim, nos mostra o diretor: estrelas em alta, em baixa, fracassados, roteiros ruins que podem vender, roteiros bons que vão pro lixo, interesses, sujeira e tudo mais.
O produtor Griffin (Tim Robbins) com uma das cartas
de ameaça do roteirista misterioso
Ah, e não pode-se deixar de mencionar que no meio de toda essa reverência à telona corre um suspensezinho bem interessante sobre um produtor ameaçado por um roteirista insatisfeito; e esta pequena trama desenvolve-se muito bem e de maneira muito envolvente em meio a todo o circo hollywoodiano montado por Altmann.
Emocionante pra quem gosta de cinema e principalmente pra quem consegue colher e perceber onde estão as referências.
Obra de arte deste mestre do cinema!






Cly Reis