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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Karlheinz Stockhausen - “Gesang der Jünglinge” (1956)


Capa das edições de 1957 e
1962, respectivamente, da
Deutsche Gramophon

“'Gesang der Jünglinge' é a mais original criação eletrônica de Stockhausen e talvez a peça eletrônica mais influente já composta."
Alex Ross
jornalista, escritor e crítico musical

"'Novo' significa mudar o método; novos métodos mudam a experiência, e novas experiências mudam o homem. Sempre que ouvimos sons, somos mudados: não somos mais os mesmos depois de ouvir certos sons, e isso é ainda mais verdadeiro quando ouvimos sons organizados, sons organizados por outro ser humano: música".
Karlheinz Stockhausen

O trauma da Segunda Guerra Mundial foi decisivo para toda uma geração de artistas da segunda metade do século 20 na Europa. Ainda mais na Alemanha pós-nazismo. Misturavam-se, principalmente do lado ocidental do Muro, sentimentos de culpa e de constrangimento, que tomava o coração dos artistas das mais diversas áreas, do cinema à literatura, das artes visuais à música. Tanto que o reerguimento da Alemanha destruída física e moralmente veio com altos investimentos de tecnologia, mas também com uma vontade irrefreável de produzir arte para espantar os demônios. Dessa complicada equação, que une dor e profundo catolicismo com inovação científica e pulsões existenciais, algumas figuras foram chave para trazer ao mundo obras que revolucionariam a arte contemporânea. Na música do país germânico, Karlheinz Stockhausen é o principal deles.

Nascido em Mödrath, em 1928, Stockhausen foi afetado diretamente por todos esses fenômenos. Durante a Guerra, perdeu os pais, fato que seria, ao mesmo tempo, traumatizante e mobilizador de suas ações. Órfão, aos 22 anos se mudou para Colônia, onde trabalhou como pianista e estudou música na universidade local, frequentando logo em seguida cursos de serialismo musical em Darmstadt com o mestre francês Olivier Messiaen. Com uma mente acima da média do resto dos seus colegas, em 1952, foi selecionado para o Conservatório Nacional de Música de Paris e estudou com outra referência da música de vanguarda, o também francês Pierre Boulez. Circundavam lhe ideias da música serialista, concreta, atonal, futurista, dodecafônica, mas nada fazia total sentido a Stockhausen, que ansiava por algo realmente inovador, mais profundo e que lhe respondesse àquele vácuo existencial. Precisava elevar um novo Deus, mas um Deus de ossos de metal, feito de transistores e estanho, já que aquele da igreja havia ido embora. O laboratório era a nova igreja.

Foi aí que veio, a partir da observação não dos instrumentos, mas do funcionamento da frequência dos osciladores de rádio, a ideia para a música eletrônica, a qual, há 70 anos, Stockhausen ajudou a fundar. É bem verdade que o francês Pierre Schaefer já havia lançado, em 1948, as bases de uma música que não seguia nenhum padrão tonal ao criar o gênero acusmático, no qual a música pré-gravada é difundida sem a presença de músicos ou cantores em tempo real graças às tecnologias de captação, manipulação e reprodução eletroeletrônicas. Mas o obstinado Stockhausen vai além e monta suas primeiras peças com fitas magnéticas para, sim, serem apresentadas ao vivo, o que realiza com “Gesang der Jünglinge”, peça que completa sete décadas de sua estreia, numa estranhíssima avant-premiére em Colônia, em 30 de maio de 1956. Quem assistiu aquela "performance", saiu ou chocado ou sem entender.

Foto da estreia de "Gesang...", em Colônia.
Estranhamento da plateia
Criada durante dois anos, “Gesang....” - que quer dizer “Canção dos Jovens”, na tradução para o português - é obscura e diferente de qualquer coisa que se tinha notícia até então, antecipando-se à reorganização tonal de Steve Reich e às saborosas esquisitices da turma da Fluxo. Composta para fita magnética e cinco autofalantes, esta obra religiosa não-litúrgica é pioneira em alguns sentidos. Em primeiro lugar, pela própria ideia de fundir e combinar o som da voz humana com sons gerados eletronicamente, lançando mão da tecnologia e das técnicas então disponíveis. A composição é basicamente constituída pela alteração da voz de um menino sintetizada. Alterando o espectro de ondas senoidais, Stockhausen conseguiu criar uma linha contínua que permitia a manipulação de todas as articulações pronunciadas. Uma vez criada a linha contínua, o compositor extraiu os elementos básicos e os grupos de elementos da composição. 

O “serialismo total” desenvolvido por Stockhausen resolve uma série de questões técnicas altamente intrincadas para resultar em uma obra de pouco mais de 13 minutos capaz de, mesmo sem conhecimento profundo de música do ouvinte, impactá-lo. Selvagem e estranhamente “científica”, detalhada e artesanal, “Gesang…”, quando composta, levava horas de trabalho para que fosse criado um segundo de música, apenas dosando, expandindo, reduzindo, sintetizando sons.

Entre silêncios, estranhas emulações de instrumentos “reais”, guizos, farfalhares e ruídos em geral, o que resulta é uma obra sombria, que traduz aquela nova liturgia fundada por Stockhausen. A memória dos pais, o trauma da Guerra, a religiosidade cristã da infância e a febre moral de seu país transformam-se em uma música que, propositalmente, soa sem sentido ou, se não tanto, sem exigir-se racional ou pertencente a uma tradição. O próprio canto do jovem soprano Josef Protschka, de 12 anos à época, período em que a voz dos meninos oscila entre o grave e o agudo, exprime esse incômodo. Nada é verdade. Assim, o texto bíblico Do Forno Ardente, do livro de Daniel, é meramente um instrumento filosófico para o compositor expurgar seus males trazendo à tona outro, que passaria a ser muito conhecido da sociedade: o mal-estar do Século 20.

De Miles Davis a Beatles, passando por David Bowie, Kraftwerk, Philip Glass, Radiohead, Chemical Brothers e Björk, o pensamento de Stockhausen estimulou a que se buscasse desbravar outras possibilidades de composição, apropriação e organização do som, além de alçar o problema da escuta da música a uma outra dimensão. Junto com Boulez e John Cage, Stockhausen reescreveu a música moderna, “matando” o tonalismo e abrindo um novo paradigma. Cabe aos que vieram depois desbravá-lo e decifrá-lo.

Um repórter que presenciara a famigerada estreia de “Gesang…”, ao entrevistar seu compositor logo após, confessou-lhe que achava não ter entendido a obra, mas que ficara extrema e positivamente transtornado com o que ouvira. Stockhausen lhe respondeu que, justamente por essa reação, ele havia, sim, entendido a proposta.

📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼

FAIXAS:
Versão 1957:
1. "Studie I" - 9:42*
2. "Studie II" - 3:20*
3. "Gesang Der Jünglinge" - 13:00
* Peças de música eletrônica geradas a partir de tons senoidais manipulados de 1953 e 1954, respectivamente 

Versão 1962:
1. "Gesang Der Jünglinge" - 13:00
2. "Kontakte" - 35:30**
** Peça para fita de 4 canais escrita entre 1958 e 1960

📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼



Daniel Rodrigues

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Música da Cabeça - Programa #459

O Pentágono divulgou foto desse OVNI's em formato esférico sobrevoando os céus, mas lamento frustrá-los. Com nossa super lente de aumento conseguimos ver que não se trata de um corpo extraterreno, mas somente o nosso MDC dando voando alto. Fruto do planeta Terra, o programa desta semana revela sonoridades improváveis, como as de Gilberto Gil, Enya, The Beatles, Talking Heads e Public Enemy. "De outro mundo" também é a música do pai dos sintetizadores, o norte-americano Milton Babbitt, que estará no Cabeção. Sem documentos secretos, o programa está liberado para todos às 21h na terráquia Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues (MDC, phone, home!) 


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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Música da Cabeça - Programa #455

 

Essa cara de espanto do quadro não é por causa do estilo cubista e nem em razão da pechincha que foi o leilão desse Picasso. O que realmente causa assombro é o MDC de hoje, só com verdadeiras pinturas em forma de música. The Beatles, Cartola, Bent, Neil Young e Elis Regina revelam seus traços. Igualmente, a gente repete o quadro Cabeção de março de 2021 para celebrar os 90 anos da compositora de vanguarda brasileira Jocy de Oliveira. Com uma paleta muito viva, o programa "pinta" por aqui às 21h na artística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e tintas próprias: Daniel Rodrigues


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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Música da Cabeça - Programa #453

A Nasa diz que vai voltar à Lua neste 1º de abril, mas tem muita gente que diz que é mentira que eles já foram. Sem dúvida alguma, o que a gente vai ter hoje é MDC. E pra não mentir pra ninguém, hoje não é programa novo, mas sim reprise de um outro 1º de abril, de 2020, na edição 156, que teve Itamar Assumpção, Riachão, Sepultura, Tracy Chapman, Detrito Federal e um quadro "Cabeção" sobre Krzysztof Penderecki. Verdade verdadeira: vamos ao ar 21h na inquestionável Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues


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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Música da Cabeça - Programa #442 (retrospectiva)

 O ano tá começando não muito feliz com a invasão a Venezuela e o sequestro do Maduro. Mas mesmo assim, sem essa de dar adeus ao ano velho. Afinal, no MDC a gente valoriza tudo aquilo que se fez nos 365 dias que se passaram. Por isso, nossa retrospectiva 2025 vai ser montada somente com blocos dos nossos programas rodados durante o ano passado: as edições, 397 (fevereiro), 417, 418 (julho), 423 (agosto), 433 (outubro) e 435 (novembro). Desejando uma bom 2026, vamos ao ar às 21h, na valorosa Rádio Elétrica. Produção, apresentação e muito dinheiro no bolso: Daniel Rodrigues.  


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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Arvo Pärt - “Tabula Rasa” (1977)



Duas das edições mais conhecidas
de "Tabula Rasa": ECM e DG
“A música de Arvo Pärt é como bater em uma parede e um buraco aparece nela, onde você pode ver um novo mundo do qual você não tinha a menor ideia de que existia.” 
Thom Yorke

“Pärt dá espaço para o ouvinte, e ele pode entrar e viver ali.” 
Björk

O século 21 decretou a morte da música erudita. Dos poucos compositores que restaram dos importantes para a história dessa tradição secular, quase todos sucumbiram. O começo do novo milênio os viu, um a um, se despedirem: Luciano Berio (2003), György Ligeti (2006), Karlheinz Stockhausen (2007), Pierre Boulez (2016), Sir Peter Maxuell Davies (2016). Até mesmo os “trilheiros” John Williams e Philip Glass ficaram sozinhos com a ida, praticamente nas duas últimas décadas, de Jerry Goldsmith (2004), Ennio Morricone (2020) e, mais recentemente, Ryuichi Sakamoto (2023).

Após séculos de permanente produção, de obras-primas da humanidade, de sublimações, de revoluções, de genialidades, de invenções de mundos, a arte musical clássica, enfim, se desgastava. Da era antiga ao Renascimento, do Barroco ao Romantismo, do Modernismo às vanguardas, parece que nada mais restara para se apresentar, entender, aprender ou subverter. Algo haveria de salvar a música clássica desta crise. Mas o quê? A resposta estava na batuta do maestro e compositor estoniano Arvo Pärt, o último bastião da música clássica mundial, que completou 90 anos em 2025. Sua obra-símbolo: “Tabula Rasa”, de 1977, marco na história da música do século 20 e talvez a última grande obra da música erudita – até aqui.

Pärt é um desses compositores cuja produção criativa mudou significativamente a forma como se entende a natureza da música. Em 1976, após anos de pesquisa, interrupções e introspecção, e por ter passado pelos mais variados estilos (neoclassicismo, dodecafonia, serialismo, sonorismo, colagem e aleatoriedade), ele criou uma linguagem musical única chamada tintinnabuli (latim para "pequeno sino"), a qual define seu trabalho até hoje. A técnica, em essência, une duas linhas monódicas de estrutura – melodia e tríade – em um conjunto inseparável. Ela cria uma dualidade original de vozes através da qual confere um novo significado aos eixos horizontal e vertical da música, ampliando a percepção da música tonal e modal em seu sentido mais amplo.

Claro que, como todo compositor talentoso da União Soviética comunista, a exemplo dos conterrâneos Shostakovitch, Prokofiev e Stravinsky, uma vez que sua Letônia só se emancipara do Bloco em 1991, Pärt teve problemas com o governo. Por um lado, ele era visto como um dos compositores mais originais e notáveis de sua geração. Por outro, muitas de suas obras compostas na década de 1960 foram duramente criticadas, sobretudo “Credo”, de 1968, pelo impacto "perigosamente" forte que teve sobre o público. O texto em latim "Credo in Iesum Christum", constante no libreto, era uma confissão aberta e sincera do compositor de sua religiosidade cristã, o que foi considerado provocativo e contrário ao regime soviético da época. “Credo” foi praticamente proibida e Pärt, assim como sua música, caiu em desgraça por vários anos.

Curiosamente, foi justamente nesse período de reclusão e crise interna, o qual durou até 1976, que fez o compositor chegar à sua autoexpressão. Convertido à Igreja Ortodoxa, em 1972, e voltado intensamente para a música antiga, dedicando-se ao estudo do canto gregoriano, da Escola de Notre Dame e da polifonia renascentista, Pärt chega, enfim, ao tintinnabuli. “Tabula Rasa” (“Folha em Branco”, na tradução do latim), dos primeiros trabalhos resultantes desse longo processo do autor, não poderia ter um nome mais significativo.

Concerto de pouco menos de meia hora de duração escrita para cordas, piano preparado e dois violinos solo, "Tabula Rasa" contém apenas dois movimentos: “Ludus” e “Silentium”, que se complementam entre si em estrutura e expressão. “Ludus” (“Jogo”) mostra os dois violinos solo brincando em campos de lá menor, suavemente a princípio (após sua declaração fortissimo do centro tonal) e frequentemente interrompidos por silêncios. O “jogo” cresce em volume e atividade rítmica até explodir em uma cadência climática, um turbilhão de arpejos para os solistas e o piano preparado (ou seja, parafusos de metal e feltros inseridos entre as cordas do piano, produzindo "um efeito de cor tonal alienada"). A sensação gerada por Pärt neste movimento é de elevação. O Deus de Pärt está ali, definitivamente. Impossível o ouvinte ficar passivo à sua força emocional.

Já “Silentium” (“Silêncio”) é puro "tintinnabulismo": com elementos que conversam com a primeira parte, traz suaves oscilações triádicas sobre escalas no baixo. No final, os instrumentos vão desaparecendo gradualmente à medida que a música penetra nas profundezas. Densa, contristada, absoluta de espírito. Sem pressa em sua fé e expressividade.

Pärt e seu tintinnabuli influenciariam grande parte da música contemporânea, como Björk, Steve Reich, Radiohead, PJ Harvey e Nick Cave, que celebram ainda outras obras marcantes do compositor como "Spiegel im Spiegel" (1978), "Cantus in Memory of Benjamin Britten" (1977), "Collage über BACH" (1964) e "Te Deum" (1993). Diferentemente de outros inventores de técnicas composicionais modernos, como o jazzista norte-americano Anthony Braxton e o modernista lituano Osvaldas Balakauskas, cujos métodos são tão intrincados como exclusivos, Pärt, com seu proveito dramático dos silêncios, os ataques poderosos, o uso estratégico das dissonâncias e a expressão de uma profunda espiritualidade, alcançou o coração das pessoas. Se a música erudita tal qual a humanidade conhece acaba em Pärt, ao menos simboliza um final à altura. Mais do que isso, um final em que, curiosa e simbolicamente, termina onde tudo começou: nos primórdios da humanidade. Numa "tabula rasa".

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O CD "Tabula Rasa", editado pela Deutsche Gramophon em 1999, traz, além deste concerto, "Fraters", composição da mesma fase e ano que a obra principal, 1977, e a "Sinfonia nº 3", de 1971, considerada uma composição precedente do ainda não criado método composicional pärtiano. Já a versão da ECM, que detém os direitos da obra do compositor estoniano, editada em 1984, reúne duas versões de "Fraters": uma com a luxuosa execução de Gidon Kremer, ao violino, e Keith Jarrett, ao piano, e outra com arranjo da Orquestra de 12 Celistas da Filarmônica de Berlim. Inclui também "Cantus In Memory of Benjamin Britten" (Orquestra Staatsorchester de Stuttgart) e, claro, a própria "Tabula Rasa", que ganha execução da Lithuanian Chamber Orchestra, sob regência de Saulus Sondeckis, piano preparado pelo pianista e compositor russo Alfred Schnittke e violinos de Gidon Kremer e Tatjana Grindenko.

🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶

FAIXAS:
Ed. Deutcsche Gramophon:
1. "Fratres" - For Violin, String Orchestra And Percussion (Roger Carlsson, Gil Shaham, Göteborgs Symfoniker, Neeme Järvi) - 09:43
a. "Ludus: Con moto" - 09:50
b. "Silentium: Senza moto" - 13:17
3. "Symphony No.3" (Göteborgs Symfoniker, Neeme Järvi)
a. "Attacca" - 06:59
b. "Più mosso Attacca" - 09:09
c. "Alla breve" - 09:09

Ed. ECM:
1. "Fratres" (Piano – Keith Jarrett/ Violin – Gidon Kremer) - 11:24
2. "Cantus In Memory Of Benjamin Britten" (Conductor – Dennis Russell Davies/ Orchestra – Staatsorchester Stuttgart) - 5:00
3. "Fratres" (The 12 Cellists Of The Berlin Philharmonic Orchestra) - 11:49
4. "Tabula Rasa" (Conductor – Saulus Sondeckis/ Orchestra – Lithuanian Chamber Orchestra/ 
Piano Prepared – Alfred Schnittke/ Violin – Gidon Kremer, Tatjana Grindenko) - 26:26

OUÇA:

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Daniel Rodrigues


quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Música da Cabeça - Programa #433

 

A Nasa tá se quebrando pra entender o comportamento do cometa 3I/Atlas. Mas o que vai dar mesmo um nó nos cientistas é desvendar a composição do MDC desta semana. Elementos como Luiz Gonzaga, Michael Jackson, Dr. Feelgood, Banda Black Rio e Elis Regina formam uma química improvável. Ainda mais atônico é o nosso homenageado do Cabeção, o italiano Luciano Berio, que faria 100 anos. Enquanto o corpo interestelar ziguezagueia na direção da Terra, a gente escuta o programa 433 bem de boas, às 21h, na celeste Rádio Elétrica. Produção, apresentação e só de olho no céu: Daniel Rodrigues


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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

“Os Saltimbancos”, de Chico Buarque, Sérgio Bardotti e Luis Bacalov, e "Tubby, a Tuba", de George Kleinsinger - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) - Casa da Ospa - Porto Alegre/RS (10/10/2025)

 

Fazia um bom tempo que não assistíamos alguma apresentação da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, a Ospa. Houve uma época, anos atrás, em que particularmente ia com certa frequência aos concertos, geralmente ocorridos no Salão de Atos da UFRGS desde que a orquestra ficara sem casa após a desativação do Teatro da Ospa, em 2008. Porém, a Ospa ganhou um novo endereço a pouco tempo, o Complexo Cultural Casa da Ospa, aberto em 2018, e que inclusive é perto de onde moramos. 

A oportunidade de revermos o grupo e de conhecermos, enfim, a nova sede, surgiu, então, a partir de um convite do amigo Javier Balbinder, músico e segundo-oboé da Ospa. E a atração não podia ser melhor: assistir ao ensaio de “Os Saltimbancos”, programada para a sessão em homenagem ao Dia das Crianças, dali a dois dias. Numa agradável noite e na ainda mais agradável companhia de Javier, Leocádia e eu fomos vê-los tocar a famosa peça infantil de Chico Buarque, Sérgio Bardotti e Luis Bacalov, que tanto ouvimos na nossa vitrola há tantos anos, seja a trilha da peça, de 1977, quanto a do filme “Os Saltimbancos Trapalhões”, de 1982, o qual guardamos a memória de infância de assistir no cinema.

Embora fosse um ensaio, tendo na plateia basicamente famílias dos músicos e dos integrantes dos coros infantil e jovem da orquestra – essencial para o arranjo d”Os Saltimbancos” -, a execução foi mesmo pra valer. Ou seja: além da caracterização dos cantores/atores (a Galinha, o Jumento, o Cão e a Gata), que já nos ajuda a mergulhar na cenicidade, os músicos tocaram como se estivessem na apresentação oficial.

Após o enseio da primeira parte, a peça também infantil "Tubby, a Tuba", de George Kleinsinger, e que teve narração e Simone Rasslan e solo de Wilthon Matos, veio então a parte principal. A primeira peça infantil de Chico bem poderia ser classificada como “manifesto comunista para crianças”, dado seu teor político contestatório – e de esquerda. Desde o início, com a deliciosa “Bicharia” (“Au, au, au. Inha in nhó/ Miau, maiu, miau/ Cocorocó”, quem não reconhece?), a mensagem está posta: “O animal é tão bacana/ Mas também não é nenhum banana”. O brilhante monólogo do Jumento, que vem logo na sequência com seu tema, é trazido com a boa interpretação de Daniel Schilling, que adiciona um leve sotaque caipira ao personagem, toque bastante pertinente da diretora cênica Carol Braga.

Trecho da divertida canção do 
Jumento de Os Saltimbancos

A cativante trilha de “Os Saltimbancos”, regida por Manfredo Schmiedt, foi tocada, então, exatamente na ordem, com momentos engraçados, como nos devaneios da bicharada em “A Cidade Ideal” (‘A cidade ideal da galinha/ Tem as ruas cheias de minhoca/ A barriga fica tão quentinha/ Que transforma o milho em pipoca”, por exemplo), ou o cachorrinho (vivido por João Boff) contando de sua trajetória até ali em “Um Dia de Cão”, obedecendo a qualquer um que o trate bem (“Sim, vossa Galinidade!”, diz certa hora à Galinha). “História De Uma Gata”, originalmente na voz de Nara Leão e imortalizada na de Lucinha Lins, para a trilha do filme, neste belo concerto da Ospa quem assume o microfone é a pequena e graciosa Maitê Ely. Já a Galinha, feita por Pablo Pinho, também entrega cenas espevitadas como a personagem.

Mas, principalmente, a apresentação nos emocionou. Em “Minha Canção” e na politicamente revolucionária “Todos Juntos”, além do discurso humanista e do posicionamento do lado certo da história, é impossível não sair tocado pela doçura da obra em si, um primor de música popular brasileira para criança, algo que poderia ter como sigla MPBC. E com a densidade da orquestração e o coro infantil da Ospa, tudo ganha ainda maior dimensão. Um belo programa – antecipado – para alimentar de cultura e beleza as nossas eternas crianças.

🐔🐔🐔🐔🐔🐔🐔🐔🐔

Ospa ensaiando Os Saltimbancos como se fosse pra valer 


Daniel Schilling no brilhante monólogo do Jumento


O atrapalhado e servil Cão vivido por João Boff


A espevitada Galinha por Pablo Pinho


A pequena Maitê Ely faz uma graciosa Gata,
destaque entre os solistas


"História de Uma Gata": 
"Nós gatos já nascemos pobres..."


Hora da balada "Minha Canção", com os quatro personagens em uníssono


Para finalizar lindamente, a engajada "Todos Juntos":
comunismo para crianças


Na saída do teatro, nós com o amigo Javier



Daniel Rodrigues

domingo, 12 de outubro de 2025

Chick Corea - "Children's Songs" (1984)


"Adoro estar perto de crianças, porque elas são livres e brilhantes e te fazem acordar. Então, pensar sobre esse conceito do brilho das crianças foi o que serviu de modelo para eu escrever essas canções infantis".
Chick Corea

É interessante perceber como músicos acostumados a se experimentarem uma hora chegam à música infantil. Foi assim com Woody Guthrie, Carole King e Esquivel, assim como com os brasileiros Chico Buarque, Adriana Calcanhoto (sob o pseudônimo Partimpim), Paulo Leminski e Vinicius de Moraes. Até mesmo na música clássica, a se ver por Prokofiev, Debussy e Mozart. Há exemplos no jazz também, de Sammy Davis Jr., com seu “Sings the Complete ‘Dr. Dolittle’”, a Vince Guaraldi, que um dia foi escalado para compor as trilhas da série infantil televisiva Peanuts e ficou mundialmente conhecido justamente por esse trabalho.

Não é uma regra, mas quando esses músicos se tornam mães ou pais, há um motivo a mais para dedicarem canções aos pequenos. Chick Corea é um desses casos. No início dos anos 70, já uma lenda do jazz mundial, ele estava recém divorciado da mãe de seus filhos, Thaddeus e Liana, e casava-se pela segunda vez, agora com a também pianista Gayle Moran, esposa que o acompanhou até o final da vida, em 2021. Porém, os filhos ainda eram pequenos àquela altura. Como, então, afagá-los neste novo momento de suas vidas pessoais? Como mantê-los próximos a si? Não há confirmação sobre esta motivação, mas a resposta parece ter vindo, nada estranhamente, em formato de música. A coincidência dos períodos entre a nova configuração familiar, as primeiras composições com a temática da criança e o começo das improvisações solo ao piano dão a “Children’s Songs”, de 1984, este caráter.

Virtuose do piano, mas também um visionário da música contemporânea, Corea ajudou a moldar o curso do jazz moderno, influenciando gerações de músicos com sua habilidade técnica, ousadia harmônica e busca incessante pela inovação. Sua obra passa pelo hard bop, jazz fusion, latin jazz, eletrônico, vanguarda e música clássica. Escritas entre 1971 e 1983, as “Children’s Songs” captam, num grande poder de síntese e sensibilidade, vários aspectos de toda essa musicalidade em 20 peças e mais um “adendo” final.

A onipresença dos filhos na vida de Corea fez com que ele, inspirado na série “Mikrokosmos”, de 1940, do compositor húngaro Béla Bartók (uma de suas grandes influências), passasse a escrever, dentre outros diversos formatos, breves miniaturas de música infantil. Ele cria suas versões em composições ao mesmo tempo líricas e ricas em estrutura melódica e harmônica, que passeiam pelo romântico, pelo jazz, pelo folk e pelo pop. Na simplicidade lúdica das “Children’s Songs” há um trabalho complexo. Há paralelos estilísticos e estruturais com o ciclo de Bartók, como o uso das escalas pentatônicas, o emprego de compassos e de ritmos cruzados incomuns, a variedade de atmosferas sonoras em um tempo relativamente curto de cada peça e o aumento gradativo de dificuldade e complexidade ao longo da sequência.

A lúdica capa com os Smurfs de
"Friends", de 1978, onde já tinham
duas das "Children's Songs"
Traços desse repertório aparecem, a partir de então, em vários momentos de sua vasta produção musical, seja em carreira solo, em bandas ou parcerias. Uma versão mais lenta de "Nº 1" aparece pela primeira vez no álbum “Crystal Silence”, duo com Gary Burton, de 1972, e um ano depois junto da Return to Forever em “Light as a Feather”. A célebre banda de jazz fusion de Corea, entretanto, já havia prenunciado as “canções infantis” dentro da faixa "Space Circus Part I", constante no primeiro disco deles, “Hymn of the Seventh Galaxy”. Já os temas "Nº 5" e "Nº 15" surgem em “Friends”, de 1978, quando acompanhado dos músicos Steve Gadd, Eddie Gomez e Joe Farrell.

A ebulição elétrica da Return to Forever foi usada mais uma vez por Corea para trazer esses conceitos musicais dentro da extensa "Songs of the Pharoah Kings", que encerra epicamente o álbum “Where Have I Known You Before”, de 1974, a qual escondia, na verdade, a fuga “Nº 6”. Até mesmo o travesso tema "Nº 9" fez sua primeira aparição no álbum solo “The Leprechaun”, de 1976, como "Pixieland Rag".

Somente nos anos 80, agora desnudadas de qualquer arranjo ou grandes instrumentalizações, as “Children’s Songs” são reunidas e gravadas ao piano solo em julho de 1983, no Tonstudio Bauer, em Ludwigsburg, Alemanha, pelo selo ECM. A exceção é a última faixa, em que o Corea forma um trio de câmara com Ida Kavafian, ao violino, e Fred Sherry, no violoncelo. O alegremente elegante "Addendum", que fecha “Children's Songss”, demonstra a excelência contrapontística do pianista e a capacidade de compor para cordas, uma habilidade que surgiu em “The Leprechaun” e foi aprimorada ainda mais por ele no clássico “Mad Hatter”, de 1978.

Corea, que pretendia "transmitir simplicidade como beleza, representada no espírito de uma criança", como escreveu no encarte original do disco, não apenas conseguiu seu objetivo como entendeu ser importante não se eximir (e nem isentar a criança) de experimentar densidades musicais não tão comuns de serem dirigidas a esse público. Lances lúdicos, coloridos e graciosos se juntam à dramaticidade, melancolia e introspecção. E não necessariamente nessa ordem, como na impermanência da vida, algo essencial que um ser humano aprenda desde pequeno. E o objetivo principal foi atingido: os filhos Thaddeus e Liana sentiram-se devidamente afagados. E os fãs também.

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Chick Corea apresentando ao vivo na 
Alemanha as "Children's Songs", em 1982


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FAIXAS:
1. “Nº 1” - 1:47
2. “Nº 2” - 0:53
3. “Nº 3” - 1:23
4. “Nº 4” - 2:14
5. “Nº 5” - 1:07
6. “Nº 6” - 2:38
7. “Nº 7” - 1:38
8. “Nº 8” - 1:39
9. “Nº 9” - 1:11
10. “Nº 10” - 1:29
11. “Nº 11” - 0:38
12. “Nº 12” - 2:33
13. “Nº 13” - 1:21
14. “Nº 14” - 1:58
15. “Nº 15” - 1:08
16. “Nº 16” & Nº 17” - 1:55
17. “Nº 18” - 1:47
18. “Nº 19” - 2:26
19. “Nº 20” - 1:20
20. “Addendum” - 5:10
Todas as composições de autoria de Chick Corea

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OUÇA O DISCO:
Chick Corea - "Children's Songs" 

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Daniel Rodrigues

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Música da Cabeça - Programa #428

 

Ei, você, que não tem medo de Lei Magnitsky e que não arreda um centímetro pra perdoar bandido, este programa é feito pra você! Numa "excelente química", o MDC de hoje convoca House of Pain, Antônio Adolfo, Luiz Melodia, The Stooges, Air e outros, digamos, "caras legais". Também tem um novo Cabeção, desta vez celebrando os 90 anos do compositor estoniano Arvo Pärt. Contra qualquer blindagem ou anistia, o programa reúne milhares em ato às 21h na manifestante Rádio Elétrica. Produção, apresentação e soberania inegociável: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Música da Cabeça - Programa #423

 

Vocês sabiam que agora dá pra conceber embriões congelados depois de muito tempo, igual nos filmes de ficção? É a ciência evoluindo... mas, peraí: isso que está nascendo é mais um MDC! Cheio de força vital, o programa desta semana procria muita música, como as de Elis Regina, Caetano Veloso, Th' Faith Healers e The Claypool Lennon Delyrium. E se celebramos o nascimento, também lembramos do aniversário de morte de Dimitri Shostakovitch e da passagem de Arlindo Cruz. A gestação começa a contar a partir desta terceira semana de agosto, precisamente, às 21h, na fértil Rádio Elétrica. Produção, apresentação e DNA compatível: Daniel Rodrigues


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quarta-feira, 16 de julho de 2025

Música da Cabeça - Programa #419

É, Presidente: só mesmo fazendo malabarismo pra levar a situação. É tarifaço, é extrema-direita, é IOF, é trama golpista... Aqui a gente se contorce também no MDC pra trazer um novo programa, que terá acrobacias musicais de Fausto Fawcett, Heraldo do Monte, Miles Davis, The Prodigy, João Bosco e mais. Ainda, Cabeção celebrando os 130 anos de nascimento do autor de Carmina Burana, Carl Orff. Sem crise diplomática, o programa vai ao ar hoje na recíproca Rádio Elétrica. Produção, apresentação e movimentos friamente calculados: Daniel Rodrigues 


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quarta-feira, 26 de março de 2025

Música da Cabeça - Programa #404

As algemas já estão separadas, só esperando aquele dia tão aguardado. Enquanto o processo corre, a gente prepara a festa com música. A trilha sonora do xilindró traz Chico Batera, Joe Espósito, Elis Regina + Jair Rodrigues, Frente! e mais, como Jorge Benjor, aniversariante da semana. Ah, e praquele momento mais "Cabeção" da festa, tem ainda Pierre Boulez, que completaria 100 anos. Esfregando as mãos, o MDC forma maioria hoje às 21h na justa Rádio Elétrica. Produção e apresentação "sem anistia": Daniel Rodrigues




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quarta-feira, 19 de março de 2025

Música da Cabeça - Programa #403

 

Em semana dos 40 anos da redemocratização e em que político brasileiro fujão se acovarda e deixa o país, o MDC com muito orgulho traz a memória de alguém que nunca fugiu da raia. Aliás, nossa Elis Regina, que completaria 80 anos se viva, não deixava barato nunca! Igual aos outros convidados do programa: Titãs, Henri Mancini, Tracy Chapman, Mutantes, Kraftwerk e mais. Mas é a Pimentinha, claro, que toma conta do nosso quadro especial Sete-List e do Palavra, Lê. Fazendo reverências mil, o MDC vai ao ar na noite do Brasil às 21h na equilibrista Rádio Elétrica. Produção, apresentação e cuca legal: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 12 de março de 2025

Música da Cabeça - Programa #402

 

Não adianta: 
agora o ano começou de vez! 
Não tem mais desculpa de Carnaval, 
férias, ano astrológico, emissão do IPTU... 
É! Mas tudo isso acompanhado 
de uma boa música vai frouxo, 
e é isso que o MDC vai hoje 
trazer em doses aliviantes. 
Tem Morcheeba, Chico Buarque,
 Bobby McFerrin, Steely Dan 
e Moacir Santos 
pra dar aquele ânimo. Ainda, 
um Cabeção homenageando os
 150 anos de nascimento de 
Maurice Ravel. O programa 
é ou não é um bom motivo 
pra iniciar o ano? 
Só mesmo na revigorante 
Rádio Elétrica, às 21h. 
Produção e apresentação 
sem mais postergação: 
Daniel Rodrigues


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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #398

 

É guerra de tarifa pra cá, é retaliação pra lá... Olha, se continuar assim, vão sobretaxar até quem escuta o MDC. Enquanto o Trump não se dá conta disso, a gente traz um programa tipo exportação saído de fábrica. João Bosco, Karnak, R.E.M., Cátia de França e um Cabeção à memória de Alban Berg só fazem dar mais valor agregado à nossa carga. Livre de impostos, a edição entra em rota a partir das 21h pelos mares musicais da portuária Rádio Elétrica. Produção, apresentação e contêineres de música boa: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Música da Cabeça - Programa #388

 

Se essa banana aí vale milhões de dólares, imagina o quanto vale o MDC? Afortunado como sempre, o programa traz hoje só artistas ricos de talento. John Cale, Madonna, Gerson King Combo e Gil Scott-Heron estão entre eles. No mesmo ranking, o russo Alfred Schnittke, que completaria 90 anos, no quadro Cabeção. Bolso cheio? Que nada! Mas com muita arte no coração, o programa vai ao ar às 21h na abastada Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues (e vamos nos respeitar: banana artística mesmo é a do Warhol!)


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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Música da Cabeça - Programa #383

 

Sem essa de roubar o boi dos outros, pois aqui é garantido que o Boi Garantido não é fake! E garantia também é de um novo MDC com a mais pura verdade. Sandra Sá, Arthur Rimbaud, Iggy Pop, Enya e Cornelius que não nos deixam mentir. Igualmente, um Cabeção pra não restar dúvida sobre a importância de Charles Ives. Garantindo a qualidade e a veracidade, o programa vai ao ar às 21h na confirmada Rádio Elétrica. Produção, apresentação e "que vacilo, Lud!": Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Música da Cabeça - Programa #378

 

Calma aí, Datena! Não precisa partir pra ignorância. Afinal, ouve o MDC quem quer, e eu duvido que alguém de sã cosciência não queira se ligar na edição desta semana. Também, com Marisa Monte, João Nogueira, Deep Purple e Fausto Fawcett, até esse boçal deve se interessar. E ainda mais com as homenagens a Arnold Schoenberg e Lupicínio Rodrigues! Faz assim: usa a cadeira pra sentar e escutar numa relax o programa, às 21h, na pacífica Rádio Elétrica. Produção e apresentação no país do meme pronto: Daniel Rodrigues


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