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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

The Velvet Underground & Nico - "The Velvet Underground & Nico" (1967)

"Andy Warhol me disse que estávamos fazendo na música o mesmo que ele na pintura, no cinema e na literatura."
Lou Reed


"Todos nós sabíamos que algo revolucionário estava acontecendo. A gente sentiu isso. As coisas não pareceriam estranhas e novas se alguma barreira não estivesse sendo quebrada."
Andy Warhol


No embalo da exposicão de Andy Warhol aqui no Rio, aproveito pra destacar aqui nos FUNDAMENTAIS um dos discos mais influentes de todos os tempos, "The Velvet Underground and Nico" de 1967. Como uma espécie de 'tentáculo' musical do projeto multimídia de Warhol, que também incluía artes plásticas, cinema, moda e literatura, o Velvet Underground apadrinhado pelo gênio da pop-art, era composto por músicos extremamente inventivos, ainda que nem todos brilhantes, como eram os casos da limitada percussionista Maureen Tucker e do esforçado Sterling Morrisson, por outro lado destacavam-se especialmente o guitarrista e vocalista Lou Reed com suas influências folk, suas levadas pesadas e letras cáusticas; e o multi-instrumentista criativíssimo John Cale, cara técnico, metódico mas aberto a todas as possibilidades e experimentações musicais. No entanto o projeto musical de Warhol ficaria completo mesmo com o acréscimo da modelo alemã Nico, agregando aos vocais da banda sua voz singela e aveludada, cheia de sotaque e sex-appeal apesar de toda a relutância inicial de Lou Reed. O resultado de tudo isso, Warhol+Velvet+Nico, foi um álbum brilhante, notável, uma referência musical e artística, um dos discos mais influentes da hstória do rock.
O produtor (na verdade, financiador)
Andy Wahol
"The Velvet Underground and Nico" é marcante antes mesmo de ser ouvido, já por sua capa concebida pelo mentor e produtor Andy Warhol, com a clássica e conhecidíssima banana; mas é inegavelmente na parte musical que as coisas foram verdadeiramente impressionantes: "Sunday Morning" que abre a obra lembra uma canção de ninar embalada ao som de uma caixinha de música. Em "I'm Waiting for My Man" a guitarra ganha peso acompanhada por um piano insistente e barulhento com o vocal  de Lou Reed soando escrachado enquanto versa sobre as drogas nas ruas de Nova Iorque.
"Venus in Furs", a melhor do álbum e uma das maiores da história do rock, é um épico arrastado com uma batida marcial, pontuada pela viola elétrica de Cale e com Reed, desta vez, cantando de maneira quase hipnótica.
"Heroin" outra das grandiosas do disco vai serpenteando como uma montanha-russa sonora com variações de aceleração, intensidade, ênfases e ruídos como fundo para que Reed conte detalhadamente o uso e as sensações causadas pela droga, com a bateria de Mo Tucker chegando a parecer desordenada em determinados momentos e com tudo culminando numa loucura instrumental total e o violino alucinado de Cale 'bagunce' tudo de vez num final caótico-apoteótico. Aliás, bagunça mesmo (num bom sentido), é o que não falta em "European Son" que chega a ficar praticamente inaudível tal a aceleração, a mistura de sons, as microfonias, a distorção que alcança; mas afinal o que seria do Sonic Youth, do Jesus and Mary Chain, do My Bloody Valentine sem isso?
Nico, a vocalista que Warhol praticamente impôs
mas que deu grande contribuição
Nico aparece apenas como vocal de apoio em "Sunday Morning" mas faz as vezes de principal na lenta "I'll Be Your Mirror", na intensa "All Tomorrow's Parties" e na luxuriante "Femme Fatale" com um vocal sensualíssimo e uma interpretação de 'melar a cueca'.
De resto tem também a galopante e elétrica "Run Run Run", tem outra interpretação bárbara de Reed em "There She Goes Again" falando sobre prostituição, tem outra vez o violino esquizofrênico de Cale em "The Black Angel's Death Song", cara... todas demais, porra!
O disco na época não foi lá muito apreciado; vendeu mal e não obteve grande sucesso. Sua importância foi sendo notada aos poucos e já na década seguinte se sentiria sua influência com a explosão do punk rock. Mas foi só um pouco depois ainda, com o passar do tempo, que se reconheceu definitivamente seu justo status de obra-prima.
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FAIXAS:
  1. "Sunday Morning" (Reed, Cale) - 2:56
  2. "I'm Waiting for the Man" - 4:39
  3. "Femme Fatale" - 2:38
  4. "Venus in Furs" - 5:12
  5. "Run Run Run" - 4:22
  6. "All Tomorrow's Parties" - 6:00
  7. "Heroin" - 7:12
  8. "There She Goes Again" - 2:41
  9. "I'll Be Your Mirror" - 2:14
  10. "The Black Angel's Death Song" (Reed, Cale) - 3:11
  11. "European Son" (Reed, Cale, Morrison, Tucker) - 7:46
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Ouça:
The Velvet Underground & Nico 1967



Cly Reis

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ramones - Rocket to Russia (1977)

"Fui vê-los no CBGB's e consegui um lugar na frente sem nenhum problema (...) Eles entraram, e me apaixonei por eles. Achei que estavam fazendo a coisa certa. Eram rápidos, e eu gostava de rapidez (...) Rock'n roll tem que ser rápido. Adorei."
Danny Fields
ex-empresário da banda


Tá certo que o que viríamos a conhecer como punk já vinha tomando forma a algum tempo, mas foi com os americanos conhecidos como Ramones que a identidade sonora e visual deste estilo se consolidou efetivamente. Músicas curtas, rápidas, composições com três ou quatro acordes, som básico e cru. O visual? Desleixado, sujo, cabelos desgrenhados, jeans surrados e jaquetas de couro.
O primeiro álbum, homônimo à banda foi sem dúvida o responsável por apresentar os Ramones ao mundo e difundir sua sonoridade, mas foi no terceiro que eles capricharam, melhoraram em relação a eles mesmos demonstraram influências, experimentaram mais e nos apresentaram então um discaço cheio de pérolas do rock'n roll.
"Rocket to Russia" de 1977 tem um pouco mais de trabalho de estúdio e por consequência canções mais bem acabadas. Não que isso fosse crucial para uma banda punk mas este empenho mínimo já foi o suficiente para evidenciar, numa sequência de trabalho, que ali não estavam apenas mais um bando de garotos fazendo barulho.
O disco traz as ótimas "I Don't Care", "Rockaway Beach", a clássica "Sheena is a Punk Rocker" e a excelente releitura de "Surfin' Bird" do Trashmen que é uma daqueles casos em que a cover talvez tenha se tornado maior que a original.
Depois deles o subgênero punk tomou rumos variados, assumiu formas, agregou um monte de coisas e influenciou tudo o que veio depois dele. Dali a pouco, no outro lado do oceano, na Terra da Rainha, o troço todo ficaria mais agressivo, mais raivoso, ganharia doses de ódio, fúria e protesto, não só nas letras e no som como nas roupas com outros caras também importantíssimos neste processo todo chamado Sex Pistols, mas fazendo-se justiça, foi com os Ramones que a coisa toda começou ganhou cara de verdade e "Rocket to Russia" representa o melhor produto dos caras no seu período inicial de existência.
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FAIXAS:
1. "Cretin Hop"
2. "Rockaway Beach"
3. "Here Today, Gone Tomorrow" 
4. "Locket Love" 
5. "I Don't Care" 
6. "Sheena Is a Punk Rocker" 
7. "We're A Happy Family" 
8. "Teenage Lobotomy" 
9. "Do You Wanna Dance?" 
10. "I Wanna Be Well" 
11. "I Can't Give You Anything" 
12. "Ramona" 
13. "Surfin' Bird" (White/Frazier/Harris/Wilson) 2:37
14. "Why Is It Always This Way"
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Ouça:
Ramones Rocket To Russia



Cly Reis

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Warhol TV - Exposição - Oi Futuro - Rio de Janeiro - RJ








Abriu hoje aqui no Rio a exposição Warhol TV que mostra esta outra faceta midiática do multiartista Andy Warhol: seus trabalhos e produções para a telinha. Normalmente conhecido por suas obras de art-pop com figuras múltiplas e coloridas de Marilyn Monroe, as desfocadas de Elvis, ou as latas de feijão e sopa, o artista multimídia aparece nesta exposição em vídeos experimentais, clipes, pequenos filmes, entrevistas, aparições em programas de TV e mesmo apresentando alguns. Tipo da exposição pra ir com tempo, com calma, pra ver sem pressa. Alguns vídeos serão mais longos, outros mais curtos, mas certamente é algo pra se assitir e não pra dar uma passada de olhos.
Pretendo ir no fim-de-semana. Depois comento mais um pouco sobre as impressões do que terei visto lá no local.


Andy Wahol
Nascido Andy Warhola em Pittsburgh, Pensilvânia em 6 de agosto de 1928, morreu em 22 de fevereiro de 1987. Era o quarto filho de Ondrej Warhola e Ulja, cujo primeiro filho nasceu na sua terra natal e morreu antes de sua migração para os Estados Unidos. Seus pais eram imigrantes da classe operária originários de Mikó (hoje chamada Miková), no nordeste da Eslováquia, então parte do Império Austro-Húngaro. O pai de Warhol emigrou para os E.U. em 1914 e sua mãe se juntou a ele em 1921, após a morte dos avós de Andy Warhol. Seu pai trabalhou em uma mina de carvão. A família vivia na Rua Beelen, 55, e mais tarde na Rua Dawson, 3252, em Oakland, um bairro de Pittsburgh. A família era católica bizantina e frequentava a igreja bizantina de São João Crisóstomo em Pittsburgh. Andy Warhol tinha dois irmãos mais velhos, Ján e Pavol, que nasceram na atual Eslováquia. O filho de Pavol, James Warhola, tornou-se um bem sucedido ilustrador de livros para crianças.
Nos primeiros anos de estudo, Warhol teve coreia, uma doença do sistema nervoso que provoca movimentos involuntários das extremidades, que se acredita ser uma complicação da escarlatina e causa manchas de pigmentação na pele. Ele tornou-se um hipocondríaco, desenvolvendo um medo de hospitais e médicos. Muitas vezes de cama quando criança, tornou-se um excluído entre os seus colegas de escola, ligando-se fortemente com sua mãe. Às vezes quando estava confinado à cama, desenhava, ouvia rádio e colecionava imagens de estrelas de cinema ao redor de sua cama. Warhol depois descreveu esse período como muito importante no desenvolvimento da sua personalidade, do conjunto de suas habilidades e de suas preferências.
Aos 17 anos, em 1945, entrou no Instituto de Tecnologia de Carnegie, em Pittsburgh, hoje Universidade Carnegie Mellon e se graduou em design.
Logo após mudou para Nova York e começou a trabalhar como ilustrador de importantes revistas, como Vogue, Harper's Bazaar e The New Yorker, além de fazer anúncios publicitários e displays para vitrines de lojas. Começa aí uma carreira de sucesso como artista gráfico ganhando diversos prêmios como diretor de arte do Art Director's Club e do The American Institute of Graphic Arts.
Fez a sua primeira mostra individual em 1952, na Hugo Galley onde exibe quinze desenhos baseados na obra de Truman Capote. Esta série de trabalhos é mostrada em diversos lugares durante os anos 50, incluindo o MOMA, Museu de Arte Moderna, em 1956. Passa a assinar Warhol.
O anos 1960 marcam uma guinada na sua carreira de artista plástico e passa a se utilizar dos motivos e conceitos da publicidade em suas obras, com o uso de cores fortes e brilhantes e tintas acrílicas. Reinventa a pop art com a reprodução mecânica e seus múltiplos serigráficos são temas do cotidiano e artigos de consumo, como as reproduções das latas de sopas Campbell e a garrafa de Coca-Cola, além de rostos de figuras conhecidas como Marilyn Monroe, Liz Taylor, Michael Jackson, Elvis Presley, Pelé, Che Guevara e símbolos icônicos da história da arte, como Mona Lisa. Estes temas eram reproduzidos serialmente com variações de cores.
Além das serigrafias Warhol também se utilizava de outras técnicas, como a colagem e o uso de materiais descartáveis, não usuais em obras de arte.
Em 1968, Valerie Solanas, fundadora e único membro da SCUM (Society for Cutting Up Men - Sociedade para eliminar os homens) invade o estúdio de Warhol e o fere com três tiros, mas o ataque não é fatal e Warhol se recupera, depois de se submeter a uma cirurgia que durou cinco horas. Este fato é tema do filme "I shot Andy Warhol" (Eu atirei em Andy Warhol), dirigido por Mary Harron, em 1996.
Em 1987, ele foi operado à vesícula biliar. A operação correu bem mas Andy Warhol morreu no dia seguinte. Ele era célebre há 35 anos. De facto, a sua conhecida frase: In the future everyone will be famous for fifteen minutes (No futuro todos serão famosos durante quinze minutos), só se aplicará no futuro, quando a produção cultural for totalmente massificada e em que a arte será distribuída por meios de produção de massa.
fonte: Wikipédia
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Exposição WARHOL TV
Local: Oi Futuro Flamengo
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63, tel. (21) 3131-3060.
Período: de hoje (02 de fevereiro a 03 de abril
Horário: 11h às 20h (fecha 2ª).
Entrada: Grátis