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segunda-feira, 20 de junho de 2011

"Unknown Pleasures: A Celebration of Joy Division" - Peter Hook & The Light - Circo Voador - Rio de Janeiro (18/06/2011)



 Não tive a oportunidade de conhecer o Joy Division na época de sua curta existência, até porque tinha apenas 5 aninhos quando lançaram seu primeiro álbum e só fui conhecê-los mesmo no início de minha adolescência, ali pelos 13 anos de idade; mas então Ian Curtis, seu vocalista, já estava 'do outro lado' e a banda, disposta a seguir a vida após a tragédia, já se tornara o New Order e botava o mundo pra dançar com sua eletrônica "Blue Monday". Assim que, tirando alguma eventual 'canja' do New Order não haveria como ouvir as míticas canções do Joy Division executadas por seus integrantes originais. Mas, de todo modo, já perdi de ver o N.O. duas vezes e ao que parece não vou ver mais porque (pela milésima vez) eles dizem ter-se separado.
Mas eis que Peter Hook, baixista original, juntou uma meninada, ensaiou bem as músicas e caiu na estrada para homenagear o primeiro disco da banda, o lendário "Unknown Pleasures" . Aterrisou por aqui e neste último sábado apresentou no Circo Voador, aqui no Rio, o show "Unknown Pleasures: A Celebration of Joy Division", tocando na íntegra as músicas do álbum. Ora!!! Não haveria como perder uma chance destas! Não seria o Joy Division inteiro, é verdade, Ian está morto e nada vai mudar isso, mas presenciar um integrante original tocando um álbum como este não deixaria de ter um grande valor físico, musical e emocional. E a apresentação foi realmente emocionante. Uma alegria enorme para qualquer fã. Um dos poucos shows que passei praticamente todo o tempo com os olhos marejados. Empolgante nos momentos certos, visceral quando tinha que ser, sombrio na medida certa, e especalmente mágico o tempo todo.
Pra começar a loucura, os caras entraram no palco ao som de "Trans-Europe Express" do Kraftwerk, o que já foi de arrepiar; aí abriram a sessão com a instrumental "Incubation", que eu adoro e que minha banda tocava de vez em quando no estúdio; seguiram numa linha bem Warsaw com "No Love Lost" e "Leaders for Men", me surpreendendo porque, ao contrário do que eu imaginava, Peter Hook, que eu achei que fosse ficar só no baixo e fosse trazer um vocalista com um timbre parecido com o de Ian, assume à frente dos vocais e manda bem. Aí vem "Digital" e o lugar quase vai abaixo com a galera cantando o "day in, day out" do refrão num coro alucinado, na última antes da execução das músicas do disco clássico.
O "Unknown Pleasures" começa e "Disorder", um punk-rock embalado e gostoso de poguear, provoca uma catarse coletiva. Segue a belíssima "Day of Lords" com seu andamento lento e pesado, bem executada pelos The Light, mas que, por mais esforçado que Hook estivesse nos vocais, acabou perdendo a dramaticidade conferida pela voz e pela interpretação de Curtis.
Até então Peter Hook cantava, gesticulava, posava com seu instrumento musical, jogava-o pras costas mas a verdade era que, depois da primeira música do show, na qual teve algum desempenho, não tirara mais uma nota sequer de seu reluzente contrabaixo vermelho deixando tudo à cargo dos seus competentes comandados. Só que isto àquelas alturas era um pouco decepcionante haja visto que sua forma de tocar baixo como quem toca guitarra (não só performaticamente mas sonoramente também) era um dos elementos aguardados por mim com expectativa. Mas aí o cara parou de fazer posição e jogar o baixo pra trás e tratou de esmerilhar as cordas. "Insight", se perdeu alguma coisa no que dissesse respeito à ausência dos efeitos da versão do disco, ganhou em peso e intensidade com dois contrabaixos e com a afinação muito peculiar de Peter Hook; em "New Dawn Fades", uma das melhores não só dos álbum em questão como da banda, Hook voltava a destruir tudo, desta vez com aquela levada mais grave, numa canção densa, sombria e espetacular.
Abre-se o lado B com outro clássico, "She's Lost Control", que, igualmente, mesmo sem o trabalho de estúdio para a bateria, manteve a força, a pegada e a magnitude. É quase redundância destacar, mas o baixo de Hook, bem agudo e agressivo nesta música, soava de maneira simplesmente arrasadora.
"Shadowplay" seguiu com aquela espécie de força surpreendente; "Wilderness" trouxe outro show das quatro cordas de Hook; "Interzone" foi selvagem; e "I Remember Nothing", talvez tenha sido a que mais perdeu em relação à sua gravação original, sem os efeitos de vidros quebrados, sem conseguir reproduzir bem aquela sensação de vácuo e sofrendo pela inevitável falta do seu intérprete de origem que nesta canção faz muita diferença. Mas mesmo assim muito boa. Ganhou em energia, força, ruídos, agressividade.
Estava encerrado o álbum. Eu havia visto e ouvido um membro do Joy Division tocar um dos meus álbuns favoritos.
Mas como não nos déssemos por satisfeitos com aquela dádiva, eu e todos os outros fanáticos ali, ficamos ali a exigir mais e mais... E felizmente tivemos mais:
Hook e seus parceiros voltam para uma "Atmosphere" que, na verdade, a mim, não agradou muito; mas por outro lado para uma "Ceremony" que, essa sim, me deixou com lágrimas nos olhos. Saíram do palco de novo e voltaram, agora com Hook vestindo uma camisa número 10 da seleção brasileira com seu nome, para um bis final. Aí veio a boa "These Days", outra pré-Joy, "Novelty"; a vibrante "Transmission" e aquele "dance, dance, dance to the radio" sendo entoado pela plateia inteira com as mãos para o alto; e fechando com, provavelmente o clássico maior da banda, "Love Will Tear Us Apart" para delírio geral.
Estávamos todos repletos, contemplados. Nenhum nome teria sido mais justo para aquele show, para aquela festa do que o que foi dado: "A Celebration of Joy Division". Foi isso. Aquilo ali havia sido uma grande celebração. Uma celebração que revelava agora, prazeres até então desconhecidos.

SET LIST:

1.Incubation
2.No Love Lost
3.Leaders Of Men
4.Digital
5.Disorder
6.Day Of The Lords
7.Candidate
8.Insight
9.New Dawn Fades
10.She's Lost Control
11.Shadowplay
12.Wilderness
13.Interzone
14.I Remember Nothing

Bis:
15.Atmosphere
16.Ceremony

Bis 2:
17.These Days
18.Novelty
19.Transmission
20.Love Will Tear Us Apart




Cly Reis

domingo, 19 de junho de 2011

Peter Hook & The Light - show "Unknown Pleasures"



Circo Voador - Lapa/RJ - Aqui, agora, diante de um representante original de uma das bandas mais legendárias do rock, Peter Hook, ex-Joy Division, executando na íntegra um dos álbuns mais marcantes e emblemáticos de todos os tempos.
Absolutamente fantástico!




C.R.










Cly Reis

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Frango Atirador

Metallica + Lou Reed

O pessoal do Metallica já havia antecipado e deixado no ar que lançaria um material que, segundo eles mesmos, "não seria exatamente o Metallica", mas só agora desvendaram o mistério: o lance todo é que a banda gravou uma série de canções em parceria com o ex- Velvet Underground , Lou Reed e pretende lançá-las em álbum em breve. Não houve maiores informações como nome do álbum, previsão de lançamento ou algo mais consistente, apenas se sabe que serão dez músicas e que James Hatfiled se diz muito orgulhoso de trabalhar com o velho Lou.
Fica a curiosidade do que pode sair desta união e a expectativa. Boa expectativa, aliás.



C.R.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Retrospective Guy Bourdin 2011 – Casa de Cultura Mário Quintana – Porto Alegre- RS




Passou por Porto Alegre, mais precisamente, pela Casa de Cultura Mário Quintana, uma retrospectiva do fotógrafo francês Guy Bourdin (1928-1992). Numa palavra: putaqueupariu! Muito bom: instigante, provocativo, enigmático, bizarro, preciso. Vários adjetivos podem ser atribuídos ao trabalho deste escultor de imagens fotográficas, dada sua capacidade de imprimir seu olhar artístico ao objeto fotografado.
Guy Bourdin foi um dos precursores da fotografia no mundo da moda, misturando a esta tão comum prática da captura de imagens estáticas a arte contemporânea. Através de técnicas inovadoras e audaciosas, tudo sob uma visão debochada e detalhista, ele criou uma forma de fantasia aliando seu talento estético a situações inesperadas e ousadas, muitas vezes picantes. A moda e a fotografia eram suas ferramentas para explorar reinos entre o absurdo e o sublime, bebendo constantemente no surrealismo e no humor (negro, por vezes).
A retrospectiva compreendeu, na verdade, uma fase curta da carreira profissional de Bourdin, pegando principalmente a década de 70, época da consolidação do seu estilo, até início dos 80. Mas isso basta. Com produções feitas para grandes revistas de moda e para nomes da moda como Dior ou Jourdan, seu jeito altamente estilizado de compor imagens – muitas cores, iluminações altamente planejadas (fosse natural ou artificial), enquadramentos precisos (em foco ou não, superenquadrados ou não, simétricos ou não), suscita climas de suspense, estranhamento, humor e muita, mas muita volúpia.
Corpo feminino, sensualidade, pernas, saltos-altos...
mas não de um modo muito convencional
A valorização dos elementos retrô, a iluminação ora dura, ora de luz propositalmente “precária” e sombreada, aliado a seus enquadramentos criativos e à coloração intensa que empregava aos objetos (roupas, sapatos, corpos, móveis, maquiagens), influenciou largamente toda a produção fotográfica para moda, além de alguns cineastas e o conceito de alguns filmes. Da galera do cinema que bebeu em Bourdin estão: Win Wenders, Jean-Jacques Beineix, David Lynch, Jonathan Demme, irmãos Cohen e, principalmente, Percy Adlon de “Sugarbaby” e “Roseline Vais às Compras”.
Outro fator que me impressionou bastante foi que, como se não bastassem os excelentes quadros expostos com as fotografias feitas para revistas, todos minuciosamente produzidos (e para os quais eram certamente necessárias várias horas de trabalho até chegar ao resultado final), a exposição mostrou duas projeções de slide-shows com fotos tiradas por Bourdin nas ruas dos Estados Unidos, país onde residiu por muito tempo. Nestas, sua lente registrou o charme decadente do kitsch, as texturas sujas da cidade, as geometrias modernistas, a interação entre natureza e concreto. Mas, diferente das superproduções elaboradas para uma Vogue, pré-planejadas em todos os pormenores, ali, se via o contrário: imagens captadas no momento, sob luz natural na maioria das vezes, quase como um repórter ou cronista. Prova de que foi um artista completo na criação de imagens.

O misterioso, o curioso, o bizarro,
o sugestivo no olhar de Bourdin
Sensualismo com surrealismo,
marcas registradas
das lentes do artista
O olho urbano de Bourdin,
com um toque artístico para complementar
Imagem com plasticidade, impacto e força
levandoa inúmeras possibilidades
de leituras e interpretações
Sensualidade kitsch com ar de mistério



por Daniel Rodrigues