Depois de muita insistência do Eduardo Wolff, meu parceiro aqui de ClyBlog e ex-colega do site 359 Online, as tirinhas deste peixinho prá lá de descolado estão de volta.
Naquele projeto, recheado de atrações, cartunistas qualificados, jornalistas de primeira, colunistas convidados e tudo mais, o Pix fazia suas primeiras aparições e curiosamente, mesmo com tiras aparentemente simplórias, conquistava seu espaço no site e uma boa quantidade de admiradores. Fazendo analogias interessantes entre o mundo submarino e o nosso mundo, ironizando fatos cotidianos, parodiando celebridades, criando personagens curiosos, a tirinha do Pix sempre foi um barato por estar sempre atual e ligada nos assuntos do momento. E neste contexto, com um projeto que está sendo tão bacana como é o caso do ClyBlog, nada mais justo que o velho Pix faça parte dele. Sendo assim, ei-lo: o Pix está de volta.
Mas, a propósito: por onde andava o Pix?
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Echo and the Bunnymen - "Ocean Rain" (1984)
Eu acredito nisso.
Ela é simples e bela e soa como
nenhuma gravação que eu já tenha escutado”.
Ian McCulloch
O disco abre com um dos clássicos da banda, a ótima “Silver” com suas adoráveis passagens com violinos; “Nocturnal Me”, uma das melhores do disco é simplesmente grandiosa com sua perfeita integração dos elementos orquestrais com os tradicionais do rock; a também excepcional, “Yo Yo Man” tem uma excelência e imponência tais que lhe conferem um tom épico; já "Chrystal Days” e "Thorn of Crowns" se aproximam mais do som original dos três primeiros discos da banda e o rock mais elétrico se impõe à leveza das cordas.
Outro clássico, “Seven Seas” também frequenta a fronteira entre o punk e o belo com sua bateria bem marcada do refrão, numa composição absolutamente bem amarrada; a simpática “My Kingdom” talvez seja a 'menos boa', por assim dizer, mas mesmo assim nada que faça cair a qualidade do todo; e “Ocean Rain” se encarrega de fechar o disco graciosamente numa canção lenta e melancólica de extema beleza.
Mas a grande canção do disco mesmo é “The Killing Moon”, clássico absoluto da banda, na qual tudo parece mágico, cada instrumento, cada acorde, cada verso, numa interpretação precisa e envolvente de Ian McCulloch. Uma canção que o próprio autor acredita não conseguir repetir.
E acredito que não tenha conseguido mesmo. Ainda que o próprio McCulloch tenha feito coisas incríveis, a banda tenha produzido coisas excepcionais, canções marcantes, discos interessantíssimos, parece que o sumo da obra do Echo and the Bunnymen está em “Ocean Rain” e nele, efetivamente, “The Killing Moon” seja sua obra definitiva. Sua obra-prima.
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FAIXAS:
1.Silver
2.Nocturnal Me
3.Crystal Days
4.The Yo Yo Man
5.Thorn of Crowns
6.The Killing Moon
7.Seven Seas
8.My Kingdom
9.Ocean Rain
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Ouça:
Echo and The Bunnymen Ocean Rain
Cly Reis
Mundo Livre S/A - "Samba Esquema Noise" (1994)
"Se a Terra é um rádio
Qual é a música?
Manguebit"
Cavaquinhos envenenados, frevos rasgados, guitarras distorcidas, batucadas explosivas, sambas ácidos... Com estes elementos, letras bem sacadas, composições complexas, crítica social e irreverência, o Mundo Livre S/A no seu mix de cultura brasileira e elementos pop e eletrônicos nos apresentava um dos discos mais legais e interessantes que a música brasileira já viu.
Em "Samba Esquema Noise" (1994) tem lugar para tudo: um frevo invade naturalmente um ska ("Manguebit"); uma levada de cavaquinho de repente dá lugar a uma explosão de guitarra distorcida ("Livre Iniciativa"); um berimbau se confunde com a guitarra num reggae sinuoso e serpenteante como em "Rios (Smart Drugs), Pontes e Overdrives"; ou ainda simplesmente predominam experimentações eletrônicas, samples e efeitos como no caso de "Sob o Calçamento (Se Espumar é Gente)".
O disco é cheio de tiradas inteligentes e antenadas com referências tecnológicas, filosóficas e literárias que vão de Kafka a Homero, sem contudo, ficar chato ou pedante, sem falar das inúmeras referências a Jorge Ben, uma espécie de mentor espiritual da banda. A começar pelo nome do álbum inspirado no "Samba Esquema Novo" primeiro trabalho de Jorge Ben, as referências passam, por exemplo, pelo samba alucinado "O Rapaz do B... Preto", aludindo à canção "O Homem da Gravata Florida" do disco "A Tábua de Esmeraldas"; ou mesmo meramente pela sonoridade dominante em toda a obra que vai completamente ao encontro do conceito que o inspirador já desenvolvia lá em 1963.
Uma das minhas prediletas, "Musa da Ilha Grande", é uma samba-rock de primeira, também bem ao estilo Babulina, com uma participação vocal mínima de Malu Mader, mas que é suficiente para conferir todo um toque de sensualidade. Gosto muito também de "Terra Escura", um samba chapado cantado quase sem forças acompanhado por um surdo alto e vibrado; "Cidade Estuário", muito soul e cheia de metais, também é das mais bacanas; "Rios (Smart Drugs), Pontes e Overdrives" traz a percussão preciosa de Naná Vasconcelos; "Sob o Calçamento" vem com a participação do vocal poderoso de Sérgio Boneka; e o álbum encerra com a faixa que lhe dá nome, ainda que a expressão "Samba Esquema Noise" não seja cantada nela e sim na faixa "Livre Iniciativa" , e que esta curiosamente não tenha barulho algum, tratando-se de um lamento acústico lento e pessimista sobre as oportunidades na vida.
Disco notável da banda que divide com a Nação Zumbi de Chico Science, a honra de terem promovido, como já falei no post sobre o "Da Lama ao Caos", o último grande movimento musical relevante no Brasil.
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FAIXAS:
1.Manguebit
2.A Bola do Jogo
3.Livre Iniciativa
4.Terra Escura
5.Saldo de Aratú
6.Uma Mulher com W... Maiúsculo
7.Homero, o Junkie
8.Rios (Smart Dugs), Pontes & Overdrives
9.Musa da Ilha Grande
10.Cidade Estuário
11.O Rapaz do B... Preto
12.Sob o Calçamento (se Espumar é Gente)
13.Samba Esquema Noise
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Ouça:
Mundo Livre SA Samba Esquema Noise
Cly Reis
Chico Science e Nação Zumbi - "Da Lama ao Caos" (1994)
"Modernizar o passado
É uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos..."
Com estes versos, a vinheta de abertura "Monólogo ao Pé do Ouvido" se encarregava de anunciar que a partir dali uma pequena revolução na música popular brasileira se iniciava. Chico Science e a Nação Zumbi, depois de muito tempo de parcas novidades no cenário musical, apresentavam-nos um surpreendente e sedutor misto de música popular brasileira, regionalismos, música pop, rock pesado e tecnologia. Liderados pela cabeça aberta, antenada e privilegiada de Chico Science, a banda composta por uma inusitada formação de guitarra e baixo complementados por uma linha de percussão de tambores regionais incrementados por programações, samples, scratches e teclados, incorporava tecnologia, peso, distorção, rock, metal, pop, funk, rap, a ritmos nortistas, nordestinos, pernambucanos, brasileiros, enfim.
Em "Da Lama ao Caos" (1994), Chico, com acidez, com ironia, com bom-humor às vezes, desfilava sua criatividade e as mais amplas possibilidades musicais tendo como pano de fundo a pobreza, a criminalidade e o crescimento desordenado de Recife. "Banditismo por uma Questão de Classe" fala sobre os anti-heróis do submundo violento dos morros, favelas e sertão; o hit "A Cidade" aborda a desigualdade social; e "Antene-se" dá bem essa noção de que mesmo em "mocambos empilhados à beira do Capibaribe" podem sair cabeças privilegiadas.
O disco todo é impecável mas vale conferir com mais atenção o maracatu eletrônico de "Rios, Pontes e Overdrives" que tem um sampler bem legal de The Fall na introdução; a pesadíssima "Da Lama ao Caos" despejando toneladas de guitarra metal sobre uma base batucada; a ótima canção de amor, igualmente com guitarras pesadas, "Risoflora"; "Lixo do Mangue", uma pequena vinheta instrumental mas que talvez seja o que melhor sintetiza o som da banda num frevo-metal pesadíssimo com samples furiosos e extremamente bem montados; e o forró-psicodélico "Coco Dub (Afrociberdelia)", uma viagem multireferencial com samples que vão de Chacrinha a Kraftwerk.
Chico Science é uma daquelas figuras que não se pode deixar de lamentar que tenha ido tão cedo. Sua mente efervescente parecia estar apenas no estágio inicial de um grande processo artístico que certamente teria muito mais ainda a apresentar. Mas mesmo apenas com dois álbuns gravados até a morte deste artista, não é exagero algum afirmar que ele a sua Nação foram os representantes mais importantes, junto com o Mundo Livre S/A, do último movimento cultural representativo acontecido no país. Provavelmente desde a Tropicália uma manifestação artística coletiva não estabelecia novos parâmetros, abria novos horizontes, propunha novas possibilidades dentro da cultura brasileira valorizando suas raízes, costumes, folclores e tradições como foi o caso do MangueBeat, iniciado nas ruas de Recife e que a partir de lá ganhou o Brasil afora
Por isso, pela criatividade, qualidade e ousadia além da relevância musical e cultural, não furto-me em colocar Chico Science junto com Raul, Mutantes, Titãs e Legião Urbana entre os 5 mais importantes nomes do rock nacional de toda a história.
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FAIXAS:
1. "Monólogo ao Pé do Ouvido"
2. "Banditismo por Uma Questão de Classe"
3. "Rios, Pontes e Overdrives" (Chico, Fred Zero Quatro)
4. "A Cidade (Boa Noite do Velho Faceta)"
5. "A Praieira"
6. "Samba Makossa"
7. "Da Lama ao Caos"
8. "Maracatu de Tiro Certeiro" (Jorge du Peixe, Chico Science)
9. "Salustiano Song" (Lúcio Maia, Chico Science)
10. "Antene-se"
11. "Risoflora"
12. "Lixo do Mangue" (Lúcio Maia)
13. "Computadores Fazem Arte" (Fred Zero Quatro)
14. "Côco Dub (Afrociberdelia)"
todas as faixas Chico Science, exceto as indicadas
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Ouça:
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Rio Comicon - Estação Leopoldina - Rio de Janeiro (23/10/11)
Fã de quadrinhos, desenhista, cartunista amador que sou, neste último domingo pela manhã dei uma fugida de casa, deixei minha bebê dormindo e fui dar aquela olhada na segunda edição do Rio Comicon. Nada de novo no que diz respeito ao formato, espaço físico ou distribuição em relação ao ano anterior, mas curiosamente, não sei porquê, este ano gostei mais, mesmo tendo menos tempo para apreciar. Não sei, talvez porque tenha me fixado mais na área de peineis mas, no geral, me pareceu ter destaques mais interessantes este ano do que no anterior. Mas o que se pode concluir facilmente desta pequena tour entre quadrinhos é que tem muita gente talentosíssima por aí e com os mais variados estilos.![]() |
painel dos irmãos Bá e Moon
no saguão principal
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O homenageado desta edição foi o norte-americano Will Eisner, criador do personagem Spirit, do qual não sou lá muito admirador. Nesta parte, devo admitir que gostei muito mais da homenagem da última edição ao italiano Milo Manara, ex-colaborador de Federico Fellini.
Também homenageadas a CLAMP, estúdio japonês de mangás, e a DC Comics, vovózinha com 75 anos de super-herois e aventuras, tiveram grandes murais ao longo da via férrea, mas particularmente, acho que ao menos esta segunda mereceria espaço melhor.
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| Este seu ilustre blogueiro entre quadrinhos |
A ideia era dar uma passada rápida mas com tantas coisas pra ver, pra comprar, foi impossível ser breve. Só não pude participar de oficinas, debates e etc. (mas acho que não ia querer mesmo), mas de resto foi um ótimo programa para uma manhã de domingo.
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EXPOSIÇÃO, PAINEIS E DESTAQUES
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| O público viu, curtiu e comprou |
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| Um artista mostra seu talento |
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| A Comic Cow. Tem uma HQ nela, de verdade. |
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| As mais diversas técnicas, temas e expressões |
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| Bob Schreck, um dos mais legais |
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| Trabalho do ilustrador Rafael Albuquerque |
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| Painel do artista Rafael Coutinho |
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| Ilustração do artista Dan Goldman |
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| Chris Claremont, um dos destaques do evento... |
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| ... e seu trabalho com os X-Men |
CLAP
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| A CLAP teve seus paineis expostos ao longo da via férrea |
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| A CLAP é um estúdo japonês conceituado no que diz respeito a mangás |
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| (gênero que não curto muito) |
DC Comics
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| Assim como a CLAP, a DC Comics teve seus paineis colocados ao longo dos antigos trilhos... |
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| ... e a meu juízo, merecia instalações melhores |
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| Algumas das 'fardas' clássicas da DC: Batman, Flash, Superman |
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| Dois momentos marcantes do Homem-Morcego: A clássica "Piada Mortal"... |
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| ... e o imortal HQ "Cavaleiro das Trevas". |
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| O ensandecido Coringa de "Asilo Arkhan" |
Valentina
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| O espaço dedicado à personagem |
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| E ela, toda sensual |
O Espírito Vivo de Will Eisner
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| A fachada do espaço dedicado a Eisner com seu personagem marcante, The Spirit |
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| Os diversos trabalhos de Eisner expostos |
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| A loura fatal do The Spirit: Ellen Dolan |
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| Projeções com imagens do material de Will Eisner já na saída da exposição |
Cly Reis
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