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| "Vitrais' - COSTA, Leocádia carimbo sobre color-plus, 24,5 x 11,5cm (nov.2009) |
quarta-feira, 6 de maio de 2015
terça-feira, 5 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Quadrinhos no Cinema
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| "Watchmen', filme que divide opiniões |
Devido ao enorme sucesso das
adaptações do Estúdio Marvel para o cinema (sucesso de publico e
crítica) e a corrida da DC para não ficar para trás, e também por
eu ser um enorme fã de quadrinhos e cinema, resolvi me aventurar
nesta maratona de filmes baseados em quadrinhos, e fui um pouco além
dos filmes de super-heróis. Vou falar na influencia dos quadrinhos
no cinema, não contar a historia dos quadrinhos, nem entrar
muito no mundo das HQ's, mas sim nos filmes, por isso não falarei (já
falando) do fabuloso Will Eisner, que tem muito da narrativa do
cinema nos seus trabalhos.
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| A atual "era de ouro" dos Quadrinhos |
A quantidade de filmes
baseados em quadrinhos tem crescido muito nos últimos anos, em sua
maioria há uma grande preocupação de manter o espirito dos
quadrinhos na grande tela, infelizmente nem sempre e assim já que
temos produções quase que diárias do “gênero” nos cinemas.
Mas sempre tivemos boas adaptações desde os tempo dos seriados
cinematográficos como Flash Gordon’s Trip To Mars (1938).
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| Akira não poderia faltar |
Cinema e quadrinhos sempre
foram muito próximos, por um motivo, os dois dão primazia à
imagem, por isso essa relação de influencias tão fácil, esse é o
motivo pelo qual as duas mídias dialogam tão bem. Esta proximidade
fica clara ao analisarmos o uso do recurso das storybords, que é o
planejamento da cena quadro a quadro, antes de se filmar. O storybord é
quase uma HQ, muitos diretores utilizam esta ferramenta desde o
saudoso Hitchcock , que foi um dos maiores adeptos da técnica, até
James Cameron.
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| Nem só de "supers" vivem os quadrinhos |
Então aguarde porque depois de invadirem a tela do cinema, os quadrinhos invadirão a tela do seu computador.
Prepare-se. Eles estão chegando.
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| Christopher Reeve, o Superman definitivo. |
por Vagner Rodrigues
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Ry Cooder - “Bop Till You Drop” (1979)
"Eu
tinha tudo pronto, quando um desses incompetentes gerentes de
gravadora ouviu a demo e decidiu que era uma merda de cachorro e que
não valia a pena gravar, de modo que não me deixaria fazer isso. Aí
então que eu a gravei [“The Very Thing That Makes You Rich (Makes
Me Poor)”] em “Bop...” e, de repente, eles queriam saber quem
era esse autor Sidney Bailey. Ridículo. Agora, até mesmo a
gravadora não pode localizá-lo para lhe pagar os seus royalties.
De repente, ele poderia estar sentado neste momento numa prisão e
esse dinheiro poderia tirá-lo de lá. Ou talvez ele esteja doente e
precise de uma operação...”
Ry Cooder, em 1981
Fui
apresentado ao Ry Cooder pelo meu amigo, colega de Famecos e
atualmente professor de Filosofia da PUC, Cláudio Almeida. Ele foi
aos Estados Unidos num período no final dos anos 70 e trouxe na
bagagem uma fita cassete de um disco chamado “Bop Till You
Drop”. Virou hit lá em casa e nas casas de amigos,
especialmente na de Mauro Magalhães. A partir deste disco, começamos
uma busca incessante pelos outros trabalhos do cara, um guitarrista
de mão cheia e uma espécie de arquivo vivo da música americana do
Século XX. É dele aquele solo lancinante de “Sister Morphine”
dos Rolling Stones.
Como
um profundo conhecedor da “americana”, Cooder resolveu revisitar
o rhythm and blues neste disco. E se deu muito bem. O trabalho
é um triunfo estilístico bem ao estilo do guitarrista. Como se não
bastasse, Cooder ainda tem o que se convencionou chamar de uma voz
“blue-eyed soul”, ou seja, um branco que canta como um
negro.
“Bop
Till You Drop” começa com uma versão de “Little Sister”,
canção de Doc Pomus & Mort Schuman que foi gravada por ninguém
menos do que Elvis Presley. Como eu não gosto do “rei do rock”,
prefiro o clima R&B que Cooder e seus comparsas (David Lindley na
guitarra e no slide guitar; Tim Drummond no baixo; Jim Keltner
na bateria; Milt Holland na percussão mais os maravilhosos vocais de
Bobby King, Herman Johnson e Cliff Givens) colocam no caldeirão.
“Go
Home Girl” é um bolero muito engraçado, quase um reggae.
Toda em cima da percussão de Holland, do órgão de Barron e das
guitarras e violões de Cooder e Lindley, a canção relata as
desventuras de um cara que se mete num triângulo amoroso com a
namorada de seu melhor amigo. “Go on go home girl / You better
go on home / You better move on” ("Vá para casa,
menina/ É melhor você ir para casa / É melhor você seguir em
frente"), diz ele, mandando a garota embora, apesar de
amá-la muito. Segundo ele, o “amor de uma mulher e o amor de um
amigo são duas coisas que não podem ser comparadas”. Num
determinado momento, Frank empresta o carro para seu amigo e fica
esperando, em casa. Mal sabe ele que seu amigo está dispensando SUA
namorada neste exato momento. Pra fechar, Bobby King dá a primeira
de muitas estrebuchadas vocais que fazem deste disco uma delícia de
ouvir.
“The
Very Thing That Makes You Rich (Makes Me Poor)” tem uma história
interessante. Composta pelo taxista Sidney Bailey, a música
foi dada a Cooder num cassete pelo próprio autor, quando o
guitarrista entrou em seu carro. Até aí, nada demais. O que Cooder
não sabia é que já havia gravado outras duas composições de
Bailey em seu disco “Paradise and Lunch”: “Fool for a
Cigarrette / Feelin' Good”, que havia encontrado numa editora.
Brilham mais uma vez as guitarras de Cooder e Lindley. Keltner faz
misérias na bateria. E os vocais parecem saídos direto de uma missa
de domingo numa igreja batista. E a letra é divertidíssima, pois é
misógina de uma maneira jocosa: “Meu pai me disse em seu leito
de morte / Rapaz, a mulher vai conseguir o que quiser, não se engane
/ Porque ela tem uma coisa que faz / o homem deixar o dinheiro bem na
mão dela / e a exata coisa que faz ela rica / te faz pobre”.
Sensacional filosofia popular. Mais adiante, o pai continua a
aconselhar seu filho: “Nunca, de maneira alguma, cometa este
erro / Prefiro subir numa cama com uma cascavel / do que trabalhar
duro todos os dias pra dar meu dinheiro pra ela”. À medida que
a canção avança, os vocais vão entrando naquele clima de pergunta
e resposta bem ao estilo soul music. Uma das grandes surpresas
do disco vem a seguir; “I Think It's Going to Work Out Fine”,
música que foi gravada por Ike & Tina Turner. Aqui, numa versão
instrumental, onde Ry Cooder e David Lindley carregam a melodia nas
guitarras elétricas, enquanto o mandolin faz a base.
A
única composição original do disco, “Down in Hollywood” é de
autoria de Cooder e do baixista Drummond e traz a primeira
participação da cantora funky Chaka Khan. No refrão, eles avisam
os incautos que vão passear de carro em Los Angeles: “Passeando
em Hollywood / é melhor que você não fique sem gasolina / Ele vai
te tirar do seu carro e chutar seu traseiro / Eles estão parados
numa esquina esperando um trouxa como você / Se você quer
permanecer saudável, é melhor seguir em frente”. E aí
começam a aparecer todas as figuras que habitam as noites de
Hollywood: os gays, os cafetões, as prostitutas, os policiais. Tudo
embalado por um clima soul-funk. De certa maneira, Cooder
previa os temas dos rappers de hoje, em especial a violência
urbana.
“Look
at a Granny Run Run” foi grande sucesso na voz de Howard Tate, um
cantor de soul music da segunda metade da década de 60. A
recriação de Cooder mantém o sabor original da primeira versão,
mas acrescenta um astral de blues, com o mandolin e seu violão de
aço fazendo a introdução. O vovô fica correndo atrás da vovó,
vocês imaginam com que intenção, né? Lá pelas tantas, o vovô
deixa tudo explícito: “Olhe aqui, mamãezinha, pare de correr/
tudo o que eu quero é fazer um amorzinho antes que chegue a minha
hora/ Não tem nada errado com isso”.
“Trouble,
You Can't Foll Me” mantém a levada R&B com ênfase no blues,
especialmente nas guitarras e violões que fazem uma teia de sons,
segurando a onda de Cooder e seus backing vocals. As mulheres
continuam a ser um problema, mas elas não podem enganá-lo. “Estou
te vendo atrás daquela árvore”.
A
faixa seguinte, “Don't Mess Up a Good Thing”, foi sucesso com a
cantora Fontella Bass, mas aqui vira um funky superdançante
com a bateria de Keltner fazendo aquela batida soul, mantendo
o clima dado pelas guitarras e pelo órgão, enquanto Cooder e Chaka
Khan conversam. A mulher pede que ele “não estrague uma coisa
boa” e o homem diz que “mesmo que tenha pulado a cerca de
vez em quando, o cheque do pagamento vai pra ela”. É
interessante que Cooder revisite o R&B dos anos 50 e 60, quando
as mulheres ainda não tinham voz ativa na sociedade e eram figuras
decorativas que só pensavam em gastar o dinheiro de seus maridos. O
revisionismo de Ry Cooder chega a este ponto, quase que um tema só
no disco inteiro, apesar das composições serem todas diferentes.
Pra
fechar este maravilhoso disco, “I Can't Win”, uma balada soul
entoada pelo incrível Bobby King. Cooder se dá ao luxo de fazer
backing vocal pro seu backing! E se você não se
dobrou totalmente por este disco e esperou até o último momento,
chegou a sua hora de ajoelhar e rezar na igreja de São Ry! Esta não
é uma canção. É uma prece! “Tenho tentado muito encontrar um
caminho pro seu coração/ mas não consigo ganhar/ seu amor”.
É uma canção de coração partido, triste como ela só. Mas com
este astral gospel americano de verdade e não esta chinelagem
travestida e “universalizada” (se é que vocês me entendem) que
a gente ouve por aí. Se não tivesse acompanhamento musical, esta
ainda seria a melhor canção do disco inteiro. É de arrepiar os
cabelos. Vozes de verdade, sentimentos de verdade. Há quanto tempo,
você não ouvia falar nisso, hein? Bobby King ganhou este presente
de Ry Cooder, que repassou para nós, ouvintes.
*******************
FAIXAS:
1. "Little Sister" (Doc Pomus, Mort Shuman) – 3:49
2. "Go Home, Girl" (Arthur Alexander) – 5:10
3. "The Very Thing That Makes You Rich (Makes Me Poor)"
(Sidney Bailey) – 5:32
4. "I Think It's Going to Work Out Fine" (Rose Marie McCoy,
Sylvia McKinney) – 4:43
5. "Down in Hollywood" (Cooder, Tim Drummond) – 4:14
6. "Look at Granny Run Run" (Jerry Ragovoy, Mort Shuman) –
3:09
7. "Trouble, You Can't Fool Me" (Frederick Knight, Aaron
Varnell) – 4:55
8. "Don't Mess Up a Good Thing" (Oliver Sain) – 4:08
9. "I Can't Win" (Lester Johnson, Clifton Knight, Dave
Richardson) – 4:16
*******************
OUÇA
O DISCO:
por Paulo Moreira
"Claun - A Saga do Bate-Bolas", graphic novel com argumento de Felipe Bragança e arte de Gustavo M. Bragança, Daniel Sake e Diego Sanchez - Ed. Boitempo/ Selo Barricada (2014)
"Mais
do que uma fantasia, essas figuras, de rostos cobertos, misteriosos,
usando roupas de tecido colorido, aos poucos foram sendo absorvidas
pelo carnaval de rua popular, fundindo e emulando diferentes tipos de
máscaras e rituais de encenação do caos e da desobediência – e
sendo perseguidas como baderneiras, assim como os capoeiras e os
sambistas de então."
Felipe Bragança
Felipe Bragança
"...seus mascarados escondem o rosto para não serem mais invisíveis!"
Felipe Bragança
Como acho interessante a figura do Bate-Bolas,
ou Clóvis como também é conhecido o mascarado que carrega uma bexiga que é por ele golpeada insistentemente contra o chão, figura tradicional do carnaval
carioca mas que só vim a conhecer há pouco tempo, assim que cheguei
ao Rio de Janeiro, pois sua tradição não é comum no Sul de onde venho, comprei a HQ “Claun – A Saga do Bate-Bolas”, a publicação que faz parte de um projeto multimídia que inclui uma websérie e futuramente um game, encabeçada pelo cineasta Felipe Bragança,
admirador de turmas de "bate-bolas" no subúrbio carioca,
com arte dos ilustradores Gustavo Bragança, Daniel Sake e Diego
Sanchez, igualmente cultuadores destes grupos carnavalescos.
Trazendo à tona a perseguição que
estes grupos de palhaços, assim como o samba, a capoeira e as
religiões africanas, eram vítimas no início do século passado, e
o consequente afastamento do carnaval “oficial”, e a discriminação que ainda sofrem hoje, o autor molda
contos urbanos entrelaçados onde o personagem Bate-Bolas surge como
uma espécie de justiceiro, conferindo aos clawns propriedades místicas, sobrenaturais e fantásticas.
A publicação vale muito pelo resgate dessa mitologia urbana, por essa inserção do elemento social e pelo estudo antropológico a que se propõe, mas
deixa um pouco a desejar no trabalho gráfico dos artistas que, de um
modo geral achei fraco, ainda que deva-se fazer justiça para a
qualidade da publicação, extremamente caprichada e bem acabada.
Por conta de toda aquela aura um tanto
sinistra que cerca a figura do palhaço de um modo geral e pelo
aspecto um tanto assustador do próprio Clóvis, particularmente,
quando comprei, no entusiasmo e sem informação, achei que fosse
algo mais voltado para o terror e neste sentido frustrou um pouco
minhas expectativas, mas, salvo alguma deficiência nos desenhos como
já mencionei, é extremamente competente no que se propõe com um
resultado bastante interessante como um todo. Para quem não for, como
eu, com a expectativa de uma publicação sanguinária, assustadora, sobrenatural, a conferida vale, principlamente porque a proposta é muito boa e os contos de Felipe Bragança tem muita
qualidade e rara sensibilidade.
Cly Reis
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