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terça-feira, 9 de junho de 2015

“Carlos Bracher - Pintura e Permanência” - CCBB - Rio de Janeiro












Autorretrato

"Sou esse cara caótico.
Minha pintura não tem retoque,
ela é até um pouco desagradável.
Gosto desse sentido da imperfeição,
o fazer é que me enleva."
Carlos Bracher




Estive no CCBB aqui do Rio, há poucos dias, visitando a exposição do artista plástico mineiro Carlos Bracher. Conhecia a obra muito superficialmente e foi uma grata surpresa ver de perto sua reinterpretação de expressionismo com inspiração cubista, suas formas deformadas, a pincelada livre e seu excesso de tinta. Belíssimo trabalho e muito bacana a exposição. O evento já saiu de cartaz aqui no Rio mas deixo aqui algumas imagens da exposição para quem perdeu a oportunidade, ou para os que como eu, viram e gostaram. 

O cavalete do artista

Igrajas mineiras, tema recorrente
na obra de Bracher

O excesso de tinta

A "ausência" de formas e contornos

Natureza morta

Homenagem a Van Gogh numa recriação d"O Quarto"

Instalação no átrio do CCBB com a recriação de um dos estúdios de Bracher

Este blogueiro no cenário do ateliê de Bracher com um
dos autorretratos dele ao fundo

Cly Reis





segunda-feira, 8 de junho de 2015

O Frango Atirador

cotidianas #373 - A Batalha de Vsär


A Batalha de Vsär, como ficou conhecida nos tempos seguintes, vinha sendo uma das mais longas, desgastantes e sangrentas daquela guerra. O batalhão via-se reduzido a pouco mais de cem homens que, além de extremamente cansados, já tinham que encarar a carência de provisões e de munição.
No meio da trincheira, mesmo entre estrondos de bombas e estampidos de tiros, o Comandante Grosvenor, absorto, ao contrário do que poderia algum dos seus comandados imaginar, não tinha o pensamento distante daquela brutal realidade. Eram poucos, estavam feridos, famintos, cansados, cada soldado economizava tiros talvez guardando a última bala para si próprio na hora exata. Além disso estavam na parte mais desfavorável da colina e ali fatalmente seriam presa fácil para o inimigo, para uma bomba de morteiro, granadas, ou mesmo para uma invasão em massa daquele devassável refúgio escavado na terra. Tais pensamentos foram interrompidos pelo mensageiro que trazendo na mão o bucal do aparelho de rádio, angustiado, desorientado e assustado, dirigiu-se ao superior:
 - Senhor, o comando pergunta se temos alguma possibilidade de alcançar a posição prevista?
Grosvenor olhou à sua volta. Homens caídos, partes amputadas, dor, morte. E ainda queriam saber se era possível algum avanço? Por outro lado... o que teriam a perder? Suas vidas, a resposta era óbvia, Mas que vidas? Já as tinham perdido desde que entraram naquela guarra imunda. Além do mais, um recuo daquele ponto, àquelas alturas, seria tão suicida quanto uma investida.
Olhou nos olhos daqueles que à sua volta esperavam por uma posição e falou em voz alta:
- Ora, que se foda! Não viemos aqui para tomar chá da tarde. Diga-lhes que vamos conquistar aquele alvo.
Viu os homens entreolharem-se estupefatos e completou:
- Quem vem comigo?
Com exceção daqueles que tratavam dos feridos, todos os que tinham alguma condição, ergueram-se aprumaram-se, pegaram suas armas.  Impávidos e destemidos, abandonaram a trincheira rumo ao inexorável destino.



Cly Reis

sábado, 6 de junho de 2015

A Calcinha da Sharon Tate


Na manhã de 8 de agosto de 1969, a atriz e modelo Sharon Tate acordou chateada. Estava a poucos dias de ganhar seu primeiro filho e seu marido, o diretor Roman Polanski, ainda não tinha conseguido voltar de Londres, onde tinha "compromissos" tanto no cinema quanto sexuais com Michelle Phillips, do The Mamas and The Papas, com quem tinha um caso. Sharon, acostumada às passarelas do mundo inteiro e eleita umas das mulheres mais lindas do cinema dos anos 60, mesmo grávida mantinha intocável toda sua beleza e por dentro uma profunda tristeza por saber da traição do marido. No cinema, ela era ainda uma grande promessa, chegando a ser considerada a nova Marilyn Monroe. O seu casamento com Polanski tinha aberto algumas portas, mas a atriz já havia trabalhado com grandes diretores e chegou a receber uma indicação ao Globo de Ouro. Mas naquele momento era hora de relevar as mágoas e se dedicar ao filho.
Polanski tinha alugado uma casa em Cielo Drive, que pertencia a Candice Bergen, onde adorava juntar os amigos para um clima descontraído de drogas e conversa fora a lá anos 60. Mas na madrugada de sábado do dia 9 de agosto de 1969, algo iria mudar e o lugar seria o palco do assassinato mais selvagem da história de Hollywood. Perto do meio dia, Sharon recebeu uma ligação de sua irmã, lhe oferecendo companhia para jantar à noite. A atriz disse que já tinha marcado com amigos uma ida a um famoso restaurante de Los Angeles e, posteriormente, se reuniriam na casa. Dentre os convidados para o pós-jantar estavam: Steve McQueenRobert Evans e Robert Towne e o cabeleireiro das estrelas Jay Sebring e mais dois amigos do casal. Nesse mesmo instante, no Spahn Ranch, um grupo de jovens seguidores de Charles Manson se preparava com armas e facas para sair à caça com uma lista de artistas a serem mortos. Nomes como Elisabeth Taylor, Steve McQueen e Sharon Tate eram prioridade. Por volta das 22h30, todos tinham retornado à casa: Steve, Bob e Towne tinham cancelado sua ida. Além de Seibrig, os amigos Abigail Folger e Wojciech Frykowski ficaram. O assunto do momento era o filme “Sem Destino”, com Hopper e Fonda, e o “White Album”, do The Beatles, mas em poucas horas todos ali seriam o assunto para muitas capas de jornais durante muito tempo.
Logo após a meia noite, a trupe dos Manson invadiu a casa. Entre o grupo, um rapaz de 23 anos e três moças quase que da mesma idade. Todos armados e decididos a matar. Frykowski, que era faixa-preta em Karatê, tentou defender todos, mas foi morto a tiros, pauladas e facadas, assim como Folger e Jay . Tate tentou fugir aos gritos, mas foi capturada por duas moças que a torturaram e bateram na atriz. Ela gritava e chorava implorando por sua vida e a de seu filho. De nada adiantou. Foi morta com 16 facadas, muitas delas direto na barriga. Os Manson ainda matariam na saída o amigo do caseiro da família e, dois dias depois, o casal Leno e Rosemary LaBianca. Em ambas as cenas dos crimes, as palavras “Pigs” e "Helter Skelter" seriam escritas com sangue dos mortos, pois elas eram o "sinal" do "Álbum Branco" dos Beatles para a guerra dos Manson começar.
A comunidade do cinema na época ficou apavorada e tratou de se armar ou contratar guarda-costas, cercar as casas, mas Polanski ficou tão abalado que dispensou tudo isso. Apenas, como consolo, carregou na mala durante anos e para onde quer que fosse a calcinha de sua amada Sharon Tate, onde enxugava as lágrimas de eterna culpa.

Arte Espontânea #11











"Arte Espontânea #11"
chapa de madeira compensada com tintas diversas