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segunda-feira, 1 de junho de 2009

ARQUIVO DE VIAGEM - Europa



Aeroporto, mala, poltrona desconfortável, sono ruim, hotel, informações e é em inglês, em italiano e é em francês, e dá-lhe fotografia, fotografia, fotografia, e de novo hotel, e outro dia mais fotografia, e tome outro aeroporto, ou estação de trem, ou táxi, e outro hotel, e mais foto, foto, foto... É, isso é viajar! Mas é bom! E principalmente para a Europa que era uma antiga aspiração. O roteiro? Londres, Paris, Roma, Florença e Veneza.

LONDON, LONDON


A primeira parada, a terra da Rainha, que mais do que todas as outras eu tinha uma enorme vontade de conhecer por causa principalmente de toda a atmosfera rock do lugar, por causa das bandas que admiro ou mesmo por toda a influência musical e comportamental que exerce sobre grande parte do mundo, não me decepcionou. Londres é DEMAIS!O lugar respira rock, as pessoas são do seu jeito e pronto... pode-se andar enrolado com uma tira de papel higiênico que ninguém dá bola (de verdade, eu vi isso!), punks circulam normal e ordeiramente por toda a cidade respeitando e sendo respeitados. E que povo educado! E não digo só pelo fato de cuidarem da limpeza da cidade, do seu pátio e tudo mais que é só obrigação de cidadão na verdade, são atenciosíssimos ao darem uma informação, realmente ficam consternados se pisarem no seu pá no metrô e se importam se você está gostando da cidade, sendo bem tratado, se não está perdido, etc.
Mesmo com sua paisagem arquitetônica um tanto homogênea com aquelas construções características em tijolos maciços, Londres é uma constante novidade a cada esquina por conta de prédios novos com características mais ousadas e vanguardistas, das atividades e costumes de cada bairro ou por causa dos prédios antigos, clássicos e históricos que por vezes são museus, alguns teatros e muitos ainda vinculados à realeza britânica que se pode ser encarada como retrógrada e hipócrita, pode também ser vista como um charme, uma peculiaridade.
Enfim, Londres é tudo o que eu esperava e um pouco mais.


PARIS AU PRINTEMPS

Já Paris é um pouco menos.
Não posso dizer que não gostei de Paris. Gostei, sim. Mas é uma cidade tão pretensiosa quanto o Rio, por exemplo, que acha que é muito mais do que é na verdade e lá pra piorar, seus habitantes chegam a ser arrogantes por conta dessa pose. Além disso, ao contrário do que se possa imaginar Paris é uma cidade com pedintes de rua, perigosas estações de metrô, trombadinhas nos pontos turísticos e pichações depredatórias no metrô, que a propósito, confirmando informações, realmente FEDE no interior dos seus vagões.

Ao contrário do que imaginava, Paris não me fascinava a cada rua, a cada esquina. Os lugares, os pontos principais em si tem seu brilho mas não fazem um conjunto harmonioso. O Louvre na paisagem não impressiona, mas impressiona ao chegar ao seu pátio e ver a imponente pirêmide à frente do antigo palácio. As outras igrejas, fora a de Notre Damme, que é lindíssima, não tem aquele impacto por mais que inegavelmente sejam belas e importantes. O Champs-Élysées é charmoso e tal, mas não foi o suficiente pra me amolecer. Porém a Torre Eiffel eu diria que é o ponto de exceção. Ela é incrível de qualquer ponto da cidade que se veja e domina a paisagem .Chegar na Torre e vê-la é indescritível! Certamente é um dos mais incríveis e mais belos monumentos erguidos pelo homem e justificadamente é o cartão postal da capital francesa.

A CIDADE ETERNA

Roma apesar de também me passar uma má impressão assim que desembarquei em uma estação de trem semi-deserta e meio pichada, se recuperou comigo logo em seguida.
É uma cidade agradabilíssima, cheia de vida e alternativas. Tem um povo vibrante, alegre, meio matreiro como o brasileiro, mas acho que até por conta disso a gente se sente como se estivesse em casa.

Roma tem graça de se percorrer a pé. Vê-se uma praça aqui, um teatro ali, um museu, passa-se por ruazinhas estreitas, tropeça-se em antiguidades como antigos templos e palácios e igrejas de arquitetura fantástica e fascinante e bebe-se água em uma fonte . E as fontes!!! A lendária Fontana de Trevi é muitíssimo bela e disputada por conta da superstição de se jogar moedas nela. Fica numa região muito simpática num labirinto de vielas que passam pela Piazza Navona, pelo templo de Adriano e pelo Pantheon, não muito distante de outra famosa que é a da Piazza de Spagna, que por sua vez, fica numa região chiquérrima cheia de lojas das mais famosas grifes, e situa-se ao pé de uma extensa escadaria que leva à igreja de Trinitá dei Monti.
E a Roma antiga??? Nossa, cara! Pisar na Roma antiga é como remontar a história. Entrar no Coliseu, passar pelo Arco de Constantino, o Fórum de César, o antigo Circo de Corridas (que infelizmente não tem mais quase nada pois foi OFICIALMENTE saqueado), o Campidóglio,os muros da cidade... Tudo demais.
Ah! Ia esquecendo do Vaticano! Igualemte fascinante. Mas fascinante graças a Michelângelo.
O teto da Capela Sistina é relamente tudo o que se diz dela. É de tirar o fôlego. Absolutamente maravilhoso.
Igualmente incrível é a praça de São Pedro e sua basílica homônima. A praça tem aquele formato que parece abraçar o visitante e a catedral tem projeções de luz solar que dão um aspecto verdadeiramente celestial ao local. Isso sem falar na riqueza dos ornamentos, na beleza dos afrescos e da emocionante escultura da Pietá, que fica logo à direita na entrada.
Ave, Michelângelo!


O BERÇO DO RENASCIMENTO
Florença é uma cidade que respira arte.
Tudo nela é beleza e cultura. Seus museus são indispensáveis e suas igrejas são tão valorosas quanto não só pelas ricas e belíssimas ornamentações internas, quanto por suas concepções arquitetônicas bem características da região. A Basílica, por exemplo a de Nossa Sra. del Fiori, o Duomo de Florença, é espantosa pelo grau de ornamentação e detalhamento das fachadas em grande parte revestida em mármores branco e verde. Tudo, e digo absolutamente TUDO, tem detalhe, chega a ser carregado visualmente, mas não chega a comprometer sua beleza. Isso sem falar no porte da edificação, que é incrivelmente monumental.
É uma cidade que se percorre praticamente toda a pé e digo-lhes: é um deleite e privilégio caminhar nas ruas de Florença. Neste berço de gênios. Terra de Dante Alighieri e de Leonardo, que na verdade é de Vinci, como diz o nome, mas que na época do seu nascimento fazia parte de Florença.

SERENÍSSIMA
A sereníssima do Adriático, Veneza, é apaixonante. Tem todo aquele romantismo que se atribui a ela e aquela singularidade de ser uma cidade cortada por inúmeros canais, o que só a deixa mais bela.
A Praça de São Marco é o coração da cidade e lá encontra-se a incrível Catedral de mesmo nome com sua arquitetura gótica com influência moura e oriental, seu enorme campanário separado dela à sua frente, o belíssimo palácio Ducale também com algum toque mourisco no qual localiza-se a legendária ponte dos suspiros ligando o palácio a seu anexo do outro lado de um dos canais. A propósito de pontes, existem inúmeras, muitíssimas mesmo e em cada uma delas uma beleza diferente, um charme, uma foto para tirar. Click!
Nos canais constante movimentação pra lá e pra cá de gondoleiros levando casais para passeios românticos. Pode parecer cafona ( e eu tô preocupado com o que pode parecer?) mas fizemos, eu e minha guria, o passeio de gôndola e é romântico mesmo.
Só que, curiosamente, ao dizermos que éramos brasileiros ao gondoleiro ele cantarolou "Aquarela do Brasil". Eu esperava um "Sole Mio" ou algo assim. Mas valeu! Veneza é nota 10!

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Esse foi só um apanhado geral.
Em outras postagens me deterei mais em cada cidade tratei mais fotos e contarei curiosidades.



Cly Reis

quarta-feira, 13 de maio de 2009

LONDON CALLING

Achei que nao fosse conseguir postar daqui mas felizmente surgiu esta breve oportunidade.
Bom, a aproveito entao para passar este pequeno boletim aqui de Londres e afirmar que LONDRES É TUDO!!! A cidade é demais! Tao cosmopolita quanto se possa imaginar, organizada, charmosa, limpa, fascinante. Tem um povo extremamente gentil e educado, paisagens naturais sutilmente ternas e uma arquitetura marcante, singular e de inegável importancia historica.
Além disso tem aqueles charmes que só Londres tem como os onibus de dois andares, os táxis, as pontes, os pubs e o clima.

Saio daqui na sexta-feira. Proxima parada: Paris.
Vamos ver se consigo postar de lá.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Prodigy - "Invaders Must Die"

De Olhos Fechados


Há pouco tempo atrás havia uma série de artistas ou bandas que assim que eu sabia que tinham lançado algo novo, eu saía para comprar de olhos fechados. Sim, saía para COMPRAR porque, via de regra, apesar das facilidades de download que se tem hoje em dia, não gosto muito da qualidade de CD's gravados. E quando digo que comprava de "olhos fechados" não exagero muito não. Na maioria das vezes não precisava nem ter ouvido o single, ter visto um clipe, ter lido uma crítica. Para Cure, Madonna, U2, New Order, Chemical Brothers, Prodigy, Morrissey eu sequer pestanejava. Não interesava!
Com o tempo e com a minha "chatice" aumentando passei a ficar menos tolerante com algumas coisas. Bandas que por mais que eu gostasse insitiam em se repetir, em se auto-imitar em lançar álbuns só por lançar, pra encher as burras de dinheiro ou pra cumprir compromisso com as gravadoras.
The Cure, que é provavelmente a minha banda preferida, desde o álbum "Wild Mood Swings" que eu adquiri logo de cara e que era um lixo, que eu não compro mais nada (nem baixo arquivos). Ainda dei chances. Me disseram que o tal do "Bloodflowers" era um bom álbum. Que nada! É insosso. Li em algum lugar que o álbum "The Cure" era interessante e tal... Hmmfff! Disquinho que não fede nem cheira. Não tem pegada, não tem novidade, não tem vida. Desde então desconsidero o Cure. Fico com a história dele.
Madonna é outra que desde o "American Life" que também é uma droga, vive numa montanha-russa de qualidade. Faz um disco interessantíssimo como o "Confessions on a Dance Floor" ceio de conceito, experimentação, ousadia e uma porcaria como "Hard Candy" onde ela se limita a imitar quem ela criou, aquele bando de loirinhas magricelas como a Britney, Aguilera e outras. Da Madonna eu não desisti, mas tenho que ouvir antes de botar meu dinheiro.
Outro dos meus preferidos é Stephen Morrissey, ex-vocalista dos Smiths que logo no seu primeiro trabalho solo, "Viva Hate", do qual todos duvidavam pela ausência de seu parceiro musical, Johnny Marr, faz um discaço. Seguem-se outros bons trabalhos, com diferentes produtores, idéias diferentes, mas que mantém o interesse. Mas nos últimos tempos também tem feito uns disquinhos meio que... sei lá. Parece que todas as músicas são iguais. É só a mesma lamentação, a mesma melosidade e o "algo mais" que é bom, nada! Até que,dando um desconto pro cara, este último disco lançado essse ano, "Years of Refusal" é legal, masaté então vinha de uns dois ou três que naõ faziam diferença no mundo. Ou seja: é outro que eu tenho que ouvir antes de encarar.
Mas falo tudo isso pra dizer que comprei sem ter ouvido nehuma faixa anteriormente, o novo disco do Prodigy. E, cara... É MATADOR!!!
Em "Invaders Must Die" o Prodigy parece que achou o ponto certo entre o estilo mais "pista" do início da carreira, a influência raggae, a house e a pancadaria do "Fat of the Land". O disco é pesado mas não é punk!
Tem inserções de samples de guitarras e efeitos o suficiente para carregar o som enão para ditar a linha do disco.
Exceção é "Piranha", faixa que é tão pesada que conta até mesmo com a bateria de David Grohl, do Foo Fighters e ex-Nirvana, mas que ainda assim ela é menos humana e mais autoática que a detonadora"Fuel my Fire", por exemplo de outra época mas com proposta semelhante. Um barato também é "Thunder" com seu vocal bem carregado de raggae, lembrando os tempos de 'Out of Space" do primeiro disco.
Mas minha preferida mesmo é "Omem" uma pedrada com a dupla Maxim e Flint matando a pau.
Prodigy comprovou que ainda goza de minha inteira confiança e que eu posso ir à loja e comprar de olhos fechados.

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FAIXAS:
01. Invaders Must Die
02. Omen
03. Thunder
04. Colours
05. Take Me To The Hospital
06. Warrior's Dance
07. Run With The Wolves
08. Omen Reprise
09. World's On Fire
10. Piranha
11. Stand Up

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Ouça:
Prodigy - Invaders Must Die

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Primal Scream "Screamadelica" (1991)




"We're gonna have a good time,
we're gonna have a party"



Peguei para ouvir hoje no carro o Primal Scream “Screamadelica” que, particularmente, considero um dos cinco melhores e mais influentes discos dos anos 90, e para o qual vejo constantemente minha opinião compartilhada por renomadas publicações, sites, blogs, críticos ou listas.
Normalmente vejo muito associado o grande mérito do disco ao fato de integrar efetivamente a house music ao pop/rock inglês mas no meu ponto de vista analisar por aí, é ver apenas a ponta do iceberg. É sim mérito um inegável este, e Bobby Gillespie e sua turma de amigos, DJ’s e produtores que recheiam todo o contexto desta obra, o fazem brilhantemente como na dançante e empolgante “Don’t Fight It, Feel It” por exemplo, ou no hit “Come Together” que mistura o psicodelismo à house, cheia de inserções de metais e vocais gospel, que também aparecem até com mais ênfase, na ótima abertura do álbum “Movin’ on Up” que lembra muito Stones. Mas até por conta desta complexidade de elementos, vê-se que não se limita a um disco de indie com uma pitada de house. Trata-se de um álbum extremamente bem trabalhado e diversificado.
O já citado psicodelismo encontra seu auge na versão de “Slip Inside this House” dos não menos psicodélicos 13th. Floor Elevators, em uma releitura que com méritos diferentes, não fica devendo nada à original. “Higher than the Sun”, também muito doida, tem duas versões no mesmo disco (que na verdade são três): uma primeira mais “musical”, por assim dizer, mais constante e regular, e uma outra, como diz o subtítulo, uma “sinfonia dub dividida em duas partes” na qual a primeira praticamente vai-se compondo elemento a elemento, instrumento a instrumento, parte a parte, até que se completa, se interrompe, pára e recomeça a segunda parte onde prevalece uma levada de baixo hipnótica.
“Loaded”, uma das melhores do disco, é na verdade uma remixagem de uma música da própria banda, “I'm Losing More than I'll Ever Have", do álbum anterior e que não faz questão de esconder o seu caráter de regravação por mostrar bem uma cara de RE-mix.
A acústica “Damaged” é adorável assim como “Shine Like Stars”, uma baladinha leve que fecha o disco com delicadeza depois de toda a alucinada viagem musical.
É um dos meus preferidos. Considero um disco muito influente porque vejo que aquela linguagem de pop/rock inglês do início dos anos 90 estava sem personalidade e sem qualidade. Tinha muita gente tentando fazer algo desse gênero como Jesus Jones, Soup Dragons, EMF mas meio sem rumo e com a falta daquele “algo mais”, e foi isso que o Primal Scream proprocionou com “Screamadelica”. Fez o que todos estes estavam tentando fazer mas com um toque superior de qualidade somada a muito psicodelismo, ousadia, tentativae experimentação que acabou sendo crucial para o que viria no pop britânico dali para a frente nos anos 90.

OUTROS TOQUES:
* O álbum conta com diversos produtores para as propostas diferentes do que pretendia-se na mesma obra. Produziram o disco: The Orb, Hyphnotoe, Andrew Weatherall, Hugo Nichelson, Jimmy Miller; A remixagem de “I’m Losing More than I’ll Ever Have” que gerou “Loaded” foi feita por Andrew Weatherall;
* A abertura de “Loaded” conta com sampler da voz de Peter Fonda no filme ‘Wild Angels’;
* A grande linha de baixo da segunda parte da segunda versão de “Higher tahn the Sun” é executada por Jah Wabble, ex-PIL;
* Informação adicional, apenas pra quem não sabe ou para os menos avisados: Bobby Gillespie, líder e mentor do Primal Scream é o antigo bateirista do Jesus & Mary Chain. Grande banda, mas que, cá entre nós, estava desperdiçando todo o talento do cara lá no fundo do palco.

FAIXAS:
  1. "Movin' on Up" – 3:47
  2. "Slip Inside this House" – 5:14 (Ericson, Hall)*
  3. "Don't Fight It, Feel It" – 6:51
  4. "Higher Than the Sun" – 3:36
  5. "Inner Flight" – 5:00 (instrumental)
  6. "Come Together" – 10:21
  7. "Loaded" – 7:01
  8. "Damaged" – 5:37
  9. "I'm Comin' Down" – 5:59
  10. "Higher Than the Sun [A Dub Symphony In Two Parts]" – 7:37
  11. "Shine Like Stars" – 3:45  
*dos 13th. Floor Elevators do álbum “Easter Everywhere”

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Baixe e ouça:

sexta-feira, 24 de abril de 2009

"Che", de Steven Soderbergh (2008)



Fiquei positivamente impressionado com o filme “Che” de Steven Soderberg que retrata a vida do guerrilheiro revolucionário argentino Ernesto Guevara. Tinha boa expectativa mas ela foi superada.
Muitíssimo bem dirigida, a obra apresenta um roteiro bem elaborado no qual, a partir da cenas da visita aos Estados Unidos para o discurso nas Nações Unidas, onde Che concede uma entrevista a jornalistas americanos, o diretor faz com que as perguntas e respostas funcionem quase que como um fio condutor do filme, intercalando breves cenas desta entrevista, diferenciando a película (sempre em preto e branco neste caso), com cenas da sua formação como guerrilheiro, treinamentos, as batalhas nas matas cubanas, além de diálogos e situações que vão moldando a imagem do homem que viraria uma lenda em um país que nem era seu por origem, apresentando-nos seus princípios de revolucionário, de cidadão e sobretudo de homem. Tudo isso muito bem caracterizado na pele de Benício Del Toro, que faz um Ernesto Guevara irrepreensível.
Destaque também para o ótimo Fidel, representado por Demián Bichir e para a apagada atuação do brazuca Rodrigo Santoro como Raúl Castro.
Mérito também para odiretor em ACABAR um filme apresentado previamente como tendo duas partes. Ainda que saibamos que o filme “Che – parte 1” continua, há um encerramento da primeira parte e não fica aquela sensação de que paramos para os comerciais.
Posso-lhes dizer que fiquei ansioso para assistir a segunda parte, que tem estréia prevista para julho no Brasil.


Cly Reis

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Tony Manero", de Pablo Larrain (2008)





O elogiado e bem recomendado filme chileno Tony Manero merece em parte as deferências da qual é objeto. Bom filme, sim, mas não é tudo isso.
O filme centra sua ação no personagem Raúl Peralta que é obcecado pelo filme "Os embalos de sábado à noite" e sobretudo no personagem vivido por John Travolta, que inspira o nome do filme e também as ações, trejeitos e coreografias do protagonista. Às voltas com sua fixação em realizar, em um bar de última categoria, a coreografia do filme, juntamente com seu "corpo de dança" (igualmente miserável), Raúl vai se mostrando uma pessoa vazia, seca e eventualmente violenta, revelando-se uma espécie de serial-killer inconsequente, matando por qualquer motivo que lhe contrarie ou que vá contra seus interesses, que, a rigor, baseiam-se quase que exclusivamente na encenação da dança do filme. Tudo isso em meio à ditadura Pinochet e todo aquele clima de medo e terror que pairava no ar em todas as ditaduras sulamericanas.
No fundo, no fundo a realidade de Raúl é mais ou menos a do seu país naquele momento: um vazio, uma falta de esperança, um horizonte de fascínio e de beleza muito distante para ser alcançado e que naquelas condições não poderia de forma alguma tornar-se realidade. Na trama, elementos representados por Travolta, pelas luzes, pelas roupas, pelo american way of life, que de uma forma ou de outra acabam também não se afastando muito simbolicamente das aspirações das ditaduras daquela época.
Nisso também pode-se comparar a violência do dançarino com a do Chile de Pinochet, como uma espécie de indiferença ao restante, uma falta de respeito, uma busca de "superioridade" pela força, disposto a passar por cima do que estiver no caminho para se firmar, se estabelecer.
No caso do aspirante a Travolta, esta questão fica evidenciada com a idéia de montar um palco imitando o chão luminoso do filme para seu grupo de dança e principalemente com sua intenção em disputar um concurso de Tonys Maneros em um programa de TV que é o ponto no qual culmina o filme, lembrando um pouco, neste momento, o "Ginger e Fred" de Fellini, com os bastidores do programa, os candidatos, a expectativa a apresentação e tudo mais.
Não é um filme fácil mas se for assistir, vá sem preconceitos nem conceitos, porque certamente o diretor não o fez pensando em obedecer padrões, sobretudo de caracterizações.


Cly Reis