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sexta-feira, 20 de março de 2009

Siouxsie & the Banshees "Nocturne" (1983)


"Siouxsie and the Banshees 
é uma das poucas bandas 
que se pode recomendar
 toda a discografia."
Kid Vinil



Vim ouvindo no carro entusiasmadamente o "Nocturne", álbum ao vivo da Siouxsie & the Banshees.
Cara, o que é aquele álbum?
Gravado no Royal Albert Hall em Londres, é outro dos que certamente figuram entre os melhores discos ao vivo da hist´ria do rock.
A "doida" introdução de Stravinsky - fantástica-, abre "Israel" que já entra com o baixo marcante e seguro de Steve Severin, no primeiro momento do disco e já dos pontos altos.
"Paradise Place" é uma pedrada agressiva e certeira. "Melt" mesmo sem os bandolins da original mantém o clima sombrio e sensual, muito graças à habilidade e técnica de Robert Smith do Cure, que participa dese álbum e curiosamente toca como jamais tocou antes mesmo na própria banda.
"Slowdive" por exemplo que tinha violino na sua versão original, nem sente falta desse elemento, uma vez que a guitarra de Smith dá conta do recado e confere mais "pegada" à canção.
Em "Cascade" o show fica por conta de Budgie que destrói com sua batida complexa e elaborada que invariavelmente aparece com grande qualidade em quase todas as faixas.
"Helter Skelter" é outro grande momento, "Nightshift" também é destaque, e "Eve White, Eve Black" introduzindo para a longa "Voodoo Dolly" é verdadeiramente sinistra e estas fecham o show e o álbum em grande estilo.
O show também resultou num filme da banda no qual se pode notar a presença de Robert Smith que, estranhamente, apesar da grande performance musical, quase não se mexe no palco. Mas ele não é dançarino, mesmo...

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FAIXAS:
  1. Intro - The Rite Of Spring
  2. Israel
  3. Dear Prudence
  4. Paradise Place
  5. Melt!
  6. Cascade
  7. Pulled To Bits
  8. Nightshift
  9. Sin In My Heart
  10. Slowdive
  11. Painted Bird
  12. Happy House
  13. Switch
  14. Spellbound
  15. Helter Skelter
  16. Eve White / Eve Black
  17. Voodoo Dolly

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Ouça:



Cly Reis


terça-feira, 17 de março de 2009

The 13th. Floor Elevators "The Psychedelic Sounds of the 13th. Floor Elevators" (1966)




"Rocky Erikson e seus 13th. Floor Elevators
 foram basicamente a primeira banda de rock psicodélico
lá por 1965.
Johhny Depp, ator e músico




Não sei como é que eu cheguei até aqui na minha vida sem ter ouvido The 13th. Floor Elevators!
Fiquei curioso para ouvi-los depois que li sobre o álbum ‘The Psychedelic Sounds of the 13th. Floor Elevators”, no livro “1001 Discos para ouvir antes de morrer”, que mencionava, por exemplo, o fato do Primal Scream ter gravado a música deles “Slip Inside this House”. Achei que só pelo fato de ter merecido uma releitura em 1992 de uma banda tão vanguarda como o Primal Scream, já recomendaria bem a música em questão e a própria banda.
Não me enganei!
“Slip Inside this House” é realmente grandiosa e é tão boa quanto sua versão posterior (cada uma com méritos diferentes, é claro), só que não era do mesmo disco. Esta compõe o álbum “Easter Everywhere” e o que eu queria era ouvir o “Psychedelic Sounds...”.
Fui ouvir o tal do disco e é simplesmente demais. A capa já é uma viagem e dá uma mostra do que nos espera. O álbum com todo seu psicodelismo, é praticamente um precursor do que se chamou de “madchester”, cenário no qual figuraram bandas como o próprio Primal Scream, Stone Roses, Ride e outros tantos. Criativos, doidos, ousados, fizeram uma mistura sonora que ia desde um ensaio de progressivo a uma tendência punk. Músicas como “Reverberation”, também regravada pelo Jesus & Mary Chain, mostram claramente que os Elevators foram uma das fontes que os irmãos Reid beberam para consolidar sua sonoridade. “You’re Gonna Miss Me” é fantástica, “Kingdom of Heaven” é um blues ácido psicodélico, “Roller Coaster” é uma verdadeira montanha-russa com sua inconstância de ritmo e “Fire Engine” mantém a doideira mas com uma veia de surf music tradicional.
Imperdoável que nunca tivesse ouvido falar nessa banda vendo hoje o quão influentes eles foram e continuam sendo.
Bom, antes tarde do que nunca para eu ter descoberto o 13th. Floor Elevators.
Acesso pelo elevador principal pros caras!
Destino: décimo terceiro andar.
Sobe, sobe, sobe... até ficar bem alto.

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FAIXAS:
  1. "You Don't Know (How Young You Are)" (Powell St. John)
  2. "Through the Rhythm" (T. Hall, S. Sutherland)
  3. "Monkey Island" (Powell St. John)
  4. "Roller Coaster" (T. Hall, R. Erickson)
  5. "Fire Engine" (T. Hall, S. Sutherland, R. Erickson)
  6. "Reverberation" (T. Hall, S. Sutherland. R. Erickson)
  7. "Tried to Hide"* (T. Hall, S. Sutherland)
  8. "You're Gonna Miss Me" (R. Erickson)
  9. "I've Seen Your Face Before (Splash 1)" (C. Hall, R. Erickson)
  10. "Don't Fall Down" (T. Hall, R. Erickson)
  11. "The Kingdom Of Heaven (Is Within You)" (Powell St. John)  
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Ouça:

segunda-feira, 16 de março de 2009

"Estômago", de Marcos Jorge (2007)




Bom, como já disse em outra ocasião, não tenho muito compromisso com os “atualismos”, e sendo assim me dou ao direito de comentar algo passado com a mesma intensidade de uma estréia, ainda que você, eventual leitor, já esteja careca de conhecer, ter visto, ouvido falar, escutado e etc.
Vi finalmente no sábado, em DVD, o elogiadíssimo “Estômago”, do diretor Marcos Jorge pelo qual guardava grande expectativa.
Multiindicado a prêmios e multipremiado, “Estômago” é um bom filme. Nada excepcional, mas um bom filme. Méritos principalmte para o roteiro bem elaborado, intercalando a introdução ao personagem, um nordestino recém chegado a São Paulo, ao seu destino em um presídio. O filme vai nos dando as peças no decorrer deste jogo de tempo, para desvendarmos o porquê e Nonato ter acabado na cadeia. Entre se apaixonar por uma prostituta, ver seu talento para cozinhar descoberto por um dono de restaurante italiano numa espelunca onde começou a trabalhar quase que por acaso, vemos Nonato já na cadeia, igualmente conquistando brutos presidiários com o sabor da sua comida.
Não é uma comédia chega a ser divertido até mesmo por conta da inocência do protagonista em diversas situações.
No fim das contas o filme acaba nos mostrando que para sobreviver, quem puder engolir o outro, tem que engolir, senão será engolido.

AVISO: Almoce, jante ou faça um lanche antes de ver o filme, porque senão vai dar uma fome!


Cly Reis

quinta-feira, 12 de março de 2009

Ministry - "Psalm 69 - The Way to Succeed and the Way to Suck Eggs" (1992)


A melhor música de todos os tempos


"...com o walkman derretendo nos ouvidos, eu tenho a impressão de estar ouvindo a melhor música de todos os tempos"

André Barcinski, crítico musical, sobre "Jesus Built My Hot Rod"



Sempre lembro desta crítica do André Barcinski na ShowBizz quando ouço "Jesus Built my Hotrod" do Ministry. Exagero! Mas compreendo a empolgação do colunista ouvindo aquela loucura acelerada hardcore quase inconsequente, com o vocal bêbado e praticamente descontrolado do amigo e convidado da banda, Gibby Haynes, numa composição que curiosamente remete muito ao rock'n roll mais clássico lá do início de tudo.
O disco do qual faz parte, "Psalm 69" de 1992, já abre com a pedrada "N.W.O." com diversas inserções eletrônicas, aparecendo até um sample de uma fala do Bush-pai, compondo com as pesadíssimas guitarras e o vocal rouco rasgado, uma verdadeira avalanche sonora.
Segue com a igualmente pesadíssima "Just One Fix" com sua bateria estourando, "Hero" com sua levada bem hardcore e "TV II", um thrash metal aceleradíssimo que se interrompe para a entrada de um vocal berrado. O curioso é que, mesmo com toda essa fúria, "TV II" sempre me lembrou "Ego Sum Abbas", uma das partes de "Carmina Burana" de Carl Orff, por sua composição de interromper a melodia e entrar voz e assim continuamente; além de uma certa agressividade e "peso" que mesmo a composição clássica apresenta.
"Scarecrow" parece um longo sobrevôo de uma ave sobre uma presa com seus 8 minutos de duração conduzidos numa batida pesada e quase marcial.
A faixa título do álbum, "Psalm 69" é uma obra de arte de metal e industrial com sua mistura de elementos de música clássica, coral e metal . A introdução, como se fosse o côro do fim-do-mundo com camadas de colagens de vozes de pregações religiosas, é interrompida por uma estridente guitarra que entra de sola e introduz um vocal cavernoso entremeado por samples.
Depois disso ainda vem "Corrosion", outra tempesatade sonora, porém esta mais com ênfase na bateria, preenchida com samples, efeitos e um constante alarme nuclear ao fundo funcionando como base da música.
O álbum fecha com "Grace", uma sobreposição de efeitos e colagens que serve quase que como vinheta de encerramento de uma grande disco.
Não, não! "Jesus Built My Hotrod" não é uma música tão fantástica assim. Talvez para os padrões do que representa: metal, industrial, peso, etc. Não sei. Mas, graças ao Sr. André Barcinski, assim que Gibby Haynes começa a balbuciar no início da faixa, logo vem à minha cabeça "vai começar a melhor música de todos os tempos".
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FAIXAS:
  1. "N.W.O." - 5:31 (Jourgensen, Barker)
  2. "Just One Fix" - 5:11 (Jourgensen, Barker, Rieflin, Balch)
  3. "TV II" - 3:04 (Jourgensen, Barker, Scaccia, Rieflin, Connelly)
  4. "Hero" - 4:13 (Jourgensen, Barker, Rieflin)
  5. "Jesus Built My Hotrod" - 4:51 (Jourgensen, Barker, Balch, Rieflin, Haynes)
  6. "Scare Crow" - 8:21 (Jourgensen, Barker, Scaccia, Rieflin, Balch)
  7. "Psalm 69" - 5:29 (Jourgensen, Barker)
  8. "Corrosion" - 4:56 (Jourgensen, Barker)
  9. "Grace" - 3:05 (Jourgensen, Barker)
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Ouça:
Ministry Psalm 69


Cly Reis