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quarta-feira, 1 de abril de 2009

100 anos do Sport Club Internacional


Visitando o site do meu clube do coração, esta semana, encontrei lá destacado um texto do jornalista Mauro Beting homenagenado o clube que completará 100 anos de fundação no próximo sábado.

Na condição de colorado fanático não posso deixar de ficar emocionado com textos como este e de exibí-lo aqui.


INTERNACIONAL, 100



Naquela noite de 1969, nos Eucaliptos, Tesourinha e Carlitos viram as luzes se apagando no estádio. Foram até as goleiras, retiraram as redes do velho campo colorado, e deixaram nuas as traves naquelas trevas. Era a última cerimônica antes da inauguração do Beira-Rio. Onde iniciaria o ciclo vitorioso e virtuoso que começou com um Falcão imperial nos anos 70 e acabou num Gabiru iluminado na noite japonesa e mundial, em 2006.
Ficou tudo escuro nos Eucaliptos no último ato da velha cancha naquele entrevado ano brasileiro de 1969. Em 14 de dezembro de 1975, a tarde de Porto Alegre estava cinza. Até um raio de sol iluminar a grande área onde o ainda maior Figueroa subiu para anotar o gol do primeiro dos três Brasileiros da glória do desporto nacional naqueles anos 70. O maior time do país em uma das nossas melhores décadas. O melhor campeão brasileiro por aproveitamento, no bicampeonato, em 1976. O único campeão invicto nacional, em 1979.
0 Internacional centenário. O clube da família italiana Poppe que deixou São Paulo para fazer a vida em Porto Alegre, em 1909. Tentaram jogar bola no clube alemão – não deixaram. Tentaram jogar tênis, remar, dar tiro – não deixaram. Então, juntaram um time de estudantes e comerciários para fazer um clube que deixasse entrar gente de todas as cores e credos. Dois negros assinaram a ata. O primeiro “colored” da Liga da Canela Preta (Dirceu Alves) atuou pelo clube em 1925, enquanto o rival só foi aceitar um negro em 1952 – justamente o Tesourinha, glória gaudéria nos anos 40, na década do Rolo Compressor que durou 11 anos, e dez títulos estaduais.
Inter que ergueu estádios com o torcedor que vestiu a camisa, arregaçou as mangas, e construiu arquibancadas de cimento armado e amado. Inter que apagou as luzes dos Eucaliptos para acender um gigante no Beira-Rio e ascender aos maiores lugares de pódios brasileiros, sul-americanos e mundiais. Superando potências e preconceitos, fincando a bandeira colorada da terra gaúcha no gramado do outro lado da Terra, vencendo um gaúcho genial como Ronaldinho e um Barcelona invencível aos olhos da bola.
Mas quem ousa duvidar da pelota que peleia? Dizem que o futebol gaúcho só é duro, só é viril. Diz quem não viu o Inter de Minelli, fortaleza técnica, tática e física. O Rolo inovador no preparo atlético e no apetite por gols. O futebol que ganhou o mundo em 2006 marcando como gaúcho, e contra-atacando como o alagoano Gabiru. Campeão com gringos como Figueroa, Villalba, Benítez, Ruben Páz, Gamarra, Guiñazú e D’Alessandro, com forasteiros como Fernandão, Valdomiro, Manga, Falcão, Bodinho, Dario, Larry, Lúcio, Nilmar, Mário Sérgio, gaúchos como Tesourinha, Carlitos, Oreco, Nena, Taffarel, Carpegiani, Chinesinho, Batista, Mauro Galvão, Dunga, Flávio, Paulinho, Claudiomiro, Jair.
Tantos de todos. Nada mais internacional. Poucos como o Internacional centenário. Aquele time de excluídos que, em 100 anos, hoje tem o sétimo maior número de sócios do planeta. São mais de 83 mil que têm mais que uma carteirinha. Eles têm um clube para amar que não depende de documento. Números e nomes não sabem contar o que uma bandeira vermelha pode fazer à sombra de um eucalipto. Uma bandeira vermelha pode ensolarar um estádio apagado, uma tarde cinzenta, e o mundo na terra do Sol Nascente. Aquele que iluminou Figueroa, aquele que inspirou Gabiru, aquele que neste 4 de abril vai nascer mais vermelho.



Mauro Betting

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Entre os muros da escola", de Laurent Cantet (2008)



Fui assistir ontem ao filme “Entre os muros da escola”, premiado na edição 2008 do Festival de Cannes com a Palma de Ouro. Já vi grandes filmes que receberam esta premiação e vi também outros que me passaram a impressão de que o prêmio fora “muita areia para o caminhãozinho” daquela obra. Acho que nunca vi um Palma de Ouro terrível. Vi alguns contestáveis como “Yol” ou “A enguia”, só para citar alguns, e este “Entre os muros da escola” acho que se esquadra nesta categoria.
Tem lá seus méritos, uma boa intenção, mas me parece que o ingrediente CINEMA fica para trás. Pois vejamos, então: o filme na maior parte do tempo se passa dentro de uma sala de aula com situações corriqueiras do dia-a-dia de uma escola pública (a minha surpresa ficou na verdade por conta de que em uma escola pública francesa, a situação fosse tão parecida com as brasileiras). Mas até aí não é mérito nem demérito. O problema que eu vejo, enquanto filme, é que estas cenas de sala de aula, praticamente não tem nada de especial e as vendo repetidamente o filme fica desgastante e cansativo.
É como se uma sala de aula de uma escola brasileira tivesse um circuito interno e assistíssemos a situações cotidianas de deficiência de aprendizado, indisciplina, desinteresse e comportamento, só que o diretor transforma estas situações em uma longa mas com pouco arrojo cinematográfico.
Pode-se argumentar que um espaço restrito como uma sala de aula não permite arroubos nem ousadias e é verdade mas pode ter cortes mais bem articulados, captação de emoções nos rostos, entre outros recursos que, mesmo quando aparecem, são um tanto mal explorados. Pode-se também argumentar que o enfoque, a ênfase do filme reside nos dilemas, conflitos, temas levantados, o ensino, a diversidade cultural, etc., mas colocado de maneira tão superficial não sei se atende ao que se propõe.
Da maneira como foi filmado e com os temas tão crus, fica parecendo meramente um documentário. E quando digo crus, não reclamo pelo fato de serem temas eventualmente polêmicos, fortes, relevantes ou impactantes. Os classifico assim exatamente porque são pouco aprofundados. Não precisa-se fazer uma dissertação sobre cada um deles, mas se não os leva um pouco adiante, fica um pouco vazio.
As questões extraclasse que influem no rendimento, no aprendizado, no comportamento dos alunos, os sinais dos tempos, os hábitos e as personalidades dos indivíduos tudo isso tem seu valor no filme, seu valor humano e seu valor de análise, assim como é um barato e até um espelho o fato de remeter à nossa época de escola (principalmente para quem como eu estudou em escola pública). Só fico com a impressão de que é um FILME superestimado e que mesmo com o mérito de levar-nos à constatação inevitável, que a situação em uma escola pública de um país desenvolvido de primeiro-mundo é muito parecida com a daqui, e provavelmente com a de vários outros lugares do mundo, não vejo isto como sendo suficiente para sustentar o filme.


Cly Reis

segunda-feira, 23 de março de 2009

Kraftwerk - Festival Just A Fest - Praça da Apoteose - RJ (20/03/09)




Há algum tempo atrás fui assistir a uma apresentação "despretensiosa" em um domingo de manhã no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, de Paulinho da Viola e surpreendentemente, pra mim que já tinha visto U2, Madonna, Cure ao vivo, aquele pequeno show superou em qualidade estes de monstros do pop rock, os quais aprecio muitíssimo. O show do sambista brasiliero só veio a ser superado na minha avaliação, pelo do Pearl Jam em Porto Alegre em 2005. Nem gostava tanto dos caras na época mas fui ver só porque há tempos não havia um show grande em POA e aquela era uma oportunidade, e, NOSSA!, o Pearl Jam destruiu! Quase pôs a baixo o Gigantinho. Um repertório consagrado e de tirar o fôlego, com uma intensidade, vibração e garra que foram de arrepiar, incrementado pela participação de Marky Ramone tocando bateria em "I believe in miracle" dos próprios Ramones. Aquilo foi quase inacreditável.

E eis que na última sexta-feira o Peral Jam perdeu o seu trono!

Sempre tivera grande expectativa para ver ao vivo o Kraftwerk, mas às vezes, a própria expectativa exagerada frustra. Que nada!!! Kraftwerk ao vivo foi tudo o que eu imaginava, queria ver e ouvir ( e + um pouco ainda!).
Pra quem acha que um show do Kraftwerk não passa de quatro caras parados mexendo nos seus laptops com programações pré-gravadas e com um monte imagens passando num telão ao fundo, não nota, com certeza, a profundidade, a penetração, o trabalho de composições que são preciosas e elaboradas, e que são executadas AO VIVO (sim) com a precisão de um relógio, de uma máquina, que é exatamente o conceito com o qual o grupo trabalha, e que é lógico, traz bases pré-gavadas também, mas até mesmo o próprio Radiohead que viria depois apresentava este recurso também. As imagens projetadas, por sua vez, são parte componente do espetáculo, uma vez que estão sincronizadas às letras, a ruidos, às batidas de forma ativa e integrada e se por uma lado, não se vê uma performance ativa e vibrante dos membros da banda, o contexto visual o faz por eles. E é essa a idéia!
"The Man Machine" na abertura já sai dando esse recado: nós somos "homens-máquina", e daí pra frente são só clássicos e composições geniais. "Radioactivity" destruidora com seu conceito RADIO-RADIOATIVIDADE-ENERGIA perfeitamente integrado em som, imagem e performance, "Trans-Europe Express" emenda "Metal on Metal" em outra seqüência de arrepiar, "Aerodynamic" como parte de "Tour de France" trouxe fotos antigas e trechos de filmes antigos da volta ciclística da França, que interagiam admiravelmente com a música. "Showroom Dummies" cantada em francês virou "Les Manequins" e completou o passeio musical de moda e estilo da banda com "The Model".
Depois de um intervalinho em que a banda sai do palco, eles retornam em roupas com detalhes fosfluorescentes lembrando o visual do disco "Electric Café" e, acabam o show exatamente com uma música deste álbum, "Music Non Stop", como sempre toda misturada com "Boing Boom Tschak" e Technopop".
A propósito deste intervalo, todo mundo está careca de saber que em algum momento os robôs vão ser colocados no palco e vão se mover naquela espécie de balé mecânico, mas é sempre uma expectativa vê-los e é um barato quando eles substituem a banda no palco durante "Robots", pelo tempo suficiente para aquela pausinha para a água. Afinal de contas, eles também são gente. (?)

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OUTROS TOQUES:

1. Nem com o Cure que é minha banda do coração fiquei tão REPLETO quanto, agora, assistindo ao show do Kraftwerk.

2. Felizmente cheguei ao Sambódromo já ao final do show do Los Hermanos e só tive que agüentar duas músicas. Nossa! Eles me impressionaram! São muito PIORES do que pareciam.
É muito ruim!

3. Minha intenção antes de ver o show dos alemães era a de ficar mais um pouco no show do Radiohead, pelo menos pra ver os caras tocando "Creep", mas acabando o show dos "robôs", me pergunta se eu, com a alma cheia, vou ficar vendo Radiohead? Quem vê Kraftwerk não fica pra ver Radiohead.

4. Não fui o único a ir embora. É lógico que não esvaziou o local, não ficou às moscas, mas notei pelos menos umas 50, 60 pessoas indo embora. Outros que, como eu, não precisavam de mais nada.

5. Todo mundo sabe da influência do Kraftwerk para a música eletrônica em geral, mas por esses dias, vendo as publicações que faziam referência ao show, li algumas manifestações impressionantes, mas que não ficam muito longe da verdade, como por exemplo que o Kraftwerk seria possivelmente a banda mais influentes do século passado ao lado apenas dos Beatles e também li que figuraria entre as cinco maiores bandas de pop/rock de todos os tempos. Exagero? Provavelmente não.

6. Complemento dizendo que na minha opinião a música do Kraftwerk é a continuidade da tradição alemã de música clássica representada por nomes como Händel, Bach, Orff entre outros, tendo dado o passo adiante em modernidade que é necessário em todas as épocas, para todas as artes, em todas as culturas, fazendo a interação de linguagens como a arquitetura, as artes-plásticas, o design e a tecnologia alemãs, traduzindo todos estes elementos em MÚSICA.


Cly Reis

sexta-feira, 20 de março de 2009

Coluna dEle #7


Hoje conto novamente com a ilustre participação dEle

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Tô na área, se derrubar é pênalti!
E aí, falou? Beleza?
Por falar em área e pênalti, fico contente em ver o Ronaldo se recuperando. Venho tentando ajudar mas mesmo com toda a "ferramenta" que Eu dei pro cara jogar toda aquela bola, parece que ele insiste em estragar tudo, ora comendo demais, ora comendo traveco na rua.
Mas sou fã do Ronaldo. Sou fã, mesmo. Torço pra que se recupere legal, mas, cá entre nós, pra quem Eu apontei o dedo e disse "esse é o cara", foi outro.
Mas, tem uma coisa, né, só quem fez as coisas que eu faria se estivesse aí embaixo foi o 10 do Santos.
O negão era foda jogando! Até dei aquela "mãozinha" pro Maradona em 86, mas só quem teve os meus superpoderes, aí, foi o Édson.
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Vamos ver o Ronaldo contra o Santos. Vou ficar ligado atentamente ao clássico do domingo.
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A propósito de representantes Meus na Terra, tem neguinho Me rachando a cara de vergonha!
Esses caras, aí, de batina que dizem que estão falando em Meu nome quando afirmam que aborto é pior do estupro.
Peraí um pouquinho! Deve ser porque ele não é mulher. Ou quem sabe até seja, lá, pros coroinhas e menininhos de seminário, mas mesmo assim com certeza não sabe o que é um marmanjo podre abusando do que se tem de mais Sagrado: o seu corpo. Bom... Talvez ele saiba e goste.
Mas o caso é o seguinte. Nessas aí, não falem em meu nome. Me incluam fora dessa
Eu é que excomungo esse fulano.
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Estranho é parece que só agora o mundo inteiro descobriu que tem barbado sem-vergonha comendo criancinha.
Cara, Me cobram muito de como é que Eu deixo fazerem isso, como é que Eu deixo isso acontecer, mas, véio, não posso ficar intereferindo em tudo o tempo inteiro senão as coisas aí embaixo não andam. É um pouco com vocês também de tomarem juízo e pararem de fazer merda e de darem um jeito de fazer a justiça de verdade. E olha que quando eu digo FAZEREM JUSTIÇA não estou sugerindo "nada" específico, ainda que às vezes até Eu mesmo tenha vontade de arrancar o pau desses filhas-das-puta. Mas Eu deixo a bola rolar, deixo o jogo seguir. Um dia, independente do que você, meu leitor, acredite, a conta vai ser cobrada, cara. Seja Comigo no Juízo Final pra quem acha que é assim, seja na outra vida pra quem acha que tudo continua, seja lá embaixo com o Coisa-Ruim pra quem tem medo dele... Ah, mas que tem volta tem!
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E falando em morrer, porra, e o Clodovil morreu, hein!
Não tô lamentando pela morte dele, não. Tô lamentando porque agora quem vai ter que agüentar o cara sou Eu aqui em cima.
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Bom, vou parando por aqui hoje.
A Maria, aqui tá reclamando que eu ecrevi muito palavrão dessa vez.
Vou tentar me conter mais nas próximas se é que o dono do blog vai voltar a me convidar pra escrever depois de ter desfilado todos esse vocabulário "bonito".
Fui!!!

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