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terça-feira, 10 de novembro de 2009

"Morrissey: The Pageant of His Bleeding Heart", de Gavin Hopps - ed. Continuum (2009)

Morrissey é o melhor letrista britânico de todos os tempos



Li hoje uma pequena matéria na Internet que confirma uma impressão que sempre tive desde que comecei a ouvir os Smiths e me interessei em saber o que diziam as letras que acompanhavam aquelas melodias encantadoras e cantadas daquele jeito tão emocional: Morrissey é o melhor letrista do mundo da música! É o que também afirma o sr. Gavin Hopps, palestrante da Universidade St Andrews, e especialista em romantismo britânico que escreveu o livro Morrissey: The Pageant of His Bleeding Heart. Segundo o ensaísta, que já discorreu em outras oportunidades sobre o mundo pop-rock, a qualidade do ex-Smiths pode ser comparada à de mestres das letras inglesas, inclusive a um dos ídolos do cantor (e meu também), Oscar Wilde.
Principalmente quando descobri Smiths ficava vendo aquelas letras e percebia que aquilo era algo diferente. Tinha conteúdo, tinha sensibilidade, poesia, tinha texto e qualidade de escrita. Muito raramente se vê boa qualidade de escrita em música. Muitos tem contundência, muitos tem mensagem, muitos tem boa construção mas tudo junto, somado a um bom texto, não sei..., talvez só Dylan tenha.
Mas ainda que admita que outros tenham letras tão boas, Mozz tem ainda um diferencial: o jeito que canta. Poucas vezes eu senti alguém conferir tão perfeitamente o significado das palavras, expressões, das frases. Seja extremamente triste, seja cínico, seja apaixonado, irado, ele coloca a entonação exata no que canta.
Mas no que diz respeito às letras, em particular, considerava exatamente isso que afirma o professor Hopps, sem a mesma bagagem de estudo dele, de que Morrissey é um genuíno herdeiro da grande tradição de letras britânica. Em Londres mesmo, em uma revista li também algo a respeito reverenciando esta verve literário-poética deste inglês; recentemente li também o crítico, ex-roqueiro, Kid Vinil também tecer loas à pena de Morrissey.
É legal para fã ver este tipo de análise qualificada. Não que a do fã não tenha qualidade -pode ter, sim-, mas muitas vezes nos perguntamos até que ponto a admiração nos conduz, nos cega e acaba elevando o ídolo mais alto do que ele mereça. No caso de Morrissey cada vez mais fica evidente que nós fãs não estamos enxergando demais. É isso aí, mesmo. Morrissey escreve como ninguém.





Cly Reis

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

New Order - "Brotherhood" (1986)




Não existe nada melhor que New Order


Eu tenho uma teoria (mentirosa) que não existe nada melhor do que New Order. É a sensação que eu tenho no auge do solo de baixo de “Perfect Kiss”, curtindo a melodia de “Bizarre Love Triangle”, no início da bateria eletrônica clássica de “Blue Monday”, enfim, parece que enquanto se está ouvindo New Order a sensação é de que aquilo é a melhor coisa do mundo. Lógico que aí vem à cabeça um Kraftwerk, os Stones, uns Smiths da vida e a gente cai na real e vê que não é tanto assim. Mas que é demais é. Principalmente ouvindo o excelente “Brotherhood”, de 1986, que mais do que qualquer outro da banda passa essa sensação. Com “Brotherhood” parece que o New Order acha o meio termo entre suas experimentações eletrônicas e seu veio de banda de rock, encontrando o melhor entrosamento entre teclados-sintetizadores-bateria eletrônica com guitarra-baixo-bateria.
“Paradise” que abre o disco já dá mostra disso, com uma entrada de bataria falando alto, uma base eletrônica mas com aquele vocal melodioso de Barney Sumner e com o baixo de Peter Hook, como de costume, funcionando como uma guitarra; no que aliás ele é singular.
As seguintes seguem também esta linha de interação de elementos, com uma curiosa, até então, atenção para as guitarras que não costumavam figurar na música dos caras.
Um dos maiores hits da banda “Bizarre Love Triangle” não foge à esta regra e embora tenha predominância de elementos eletrônicos, vale a pena desviar a audição dos teclados e tudo mais para se ouvir o contrabaixo de Hook conduzindo a música com uma beleza admirável.
“All Day Long” que a segue é um dos pontos altos com seu final apoteótico com teclados soando como uma orquestra de violinos; e a próxima, “Angel Dust” é uma viagem dançante com uns samples de vozes em árabe, e que culmina num surpreendente e empolgante solo de guitarra.
O disco fecha com a quase acústica “Every Little Counts”, leve e descontraída a ponto de Bernard Sumner rir da própria letra durante a música, que acaba estranha e curiosamente com uma mistura de ruídos, como de uma agulha arranhando um vinil.
Muita gente prefere o álbum anterior, “Low Life”, que direciona mais para esta tendência eletrônica da banda, mas que na minha opinião ainda fica devendo no acabamento da idéia; outros preferem o posterior, também excelente, “Technique”, que é uma lapidação e uma mistura dos conceitos dos dois anteriores, mas ainda fico com o “Brotherhood” que é tão bom, que quando a banda quis retormar o rumo, foi nele que buscou referências para fazer o, também interessante, álbum “Get Ready” de 2001. “Brotherhood” é meio rock, meio eletrônico, meio acústico, meio Joy Division, mas sobretudo é totalmente New Order e a história acabou provando isso e fazendo justiça a esse álbum que quando lançado não teve tão boa receptividade. Tanto que a mal recebida “Bizarre Love Triangle” é hoje, provavelmente o “cartão de visitas” da banda em qualquer lugar no mundo.
Sei que ouvindo o êxtase da “orquestra” de “All Day Long”, o inusitado solo de guitarra vibrante em “Angel Dust”, aquele incrível baixo sempre solando soando como uma guitarra, aquela integração de percussão eletrônica com acústica como só Stephen Morris sabe fazer desde os tempos do Joy, afirmo que, pra mim “Brotherhood” é sim, o melhor disco da banda e, digo-lhes também, senhores, que não existe nada melhor do que New Order.
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FAIXAS:
1."Paradise" – 3:50
2."Weirdo" – 3:52
3."As It Is When It Was" – 3:46
4."Broken Promise" – 3:47
5."Way of Life" – 4:06
6."Bizarre Love Triangle" – 4:22
7."All Day Long" – 5:12
8."Angel Dust" – 3:44
9."Every Little Counts" – 4:28
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Ouça:
New Order Brotherhood

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

cotidianas #11 - Treze, treze, treze...



Dois homens estão perto de um poço repetindo:
- Treze, treze, treze...
Um cara chega perto deles e pergunta:
- O que é que vocês est...
Pegam ele, atiram dentro do poço e começam:
- Quatorze, quatorze, quatorze...

Berinjela Beligerante




terça-feira, 3 de novembro de 2009

The Stone Roses - "The Stone Roses" (1989)





"I'm the Ressurection
and I'm the life"



Adquiri sábado, irresponsavelmente , a edição de 20 anos aniversário do álbum “The Stone Roses”. Digo irresponsavelmente por que uma edição dessas com o álbum original, mais um de demos, mais o DVD, foi uma verdadeira facada no rim ($$$). Mas e daí? Que se dane!
O grande disco dos Stone Roses, um dos marcos da cena chamada Madchester, daquela renovada onda de psicodélicos ingleses do final dos 80 acabou por ser na verdade um dos discos mais importantes da década seguinte que já estava ali às portas. Muitos como Charlatans, Ride, An Emotional Fish, Inspiral Carpets, já estavam na estrada e tinham o seu som, mas os Roses, certamente ajudaram a direcionar e abrir novas possibilidades.
Novas possibilidades como em “Warerfall” com sua melodia hipnótica que lá pelas tantas parece acabar e começa a tocar invertida mas continua sendo cantada normalmente. Já vimos isso com Hendrix em “Are You Experienced”? Já. Certamente. Mas aquela sonoridade da Grâ-Bretanha no final dos 80 precisava destas reinjeções, destas reexperimentações.
É lógico que nada se cria. Muito do disco é Beatles puro. Puro, não, aliás. Quase puro. Quase impuro. Sempre entendi que os Beatles deram os passos que ninguém havia dado até então, mas quando chegou a hora de seus discípulos (inesgotávies) os darem, o fizeram com um resultado melhor porque o caminho já estava trilhado. Por isso algumas coisas são totalmente influenciadas pelos Fabfour mas acabam, aquelas alturas, em 1989, tendo um resultado mais conciso. “I Wanna Be Adored” é um exemplo disso, “Bye Bye Badman” é outra muito próxima daquela sonoridade mas soa bem contemporânea e “Elizabeth My Dear” também não deixa de ter esta característica, mas tem aquela tocada mais melancólica, num breve acústico que funciona quase como uma ponte dentro do álbum.
Pontos altos na minha opinião são “Made of Stone”, que foge um pouco da característica do resto do disco, com uma pegada mais forte, e a clássica “I’m the Ressurrection” que é uma metamorfose contínua ao longo de seus quase 9 minutos.
A edição ainda tem uma bônus no disco principal que é a ótima “Fools Gold”, também totalmente psicodélica e mutável, que sem sofrer variações bruscas, vai indo, indo e termina bastante diferente de como começou.
O segundo disco é praticamente só de versões demo, sendo a maior parte de músicas daquele álbum mesmo, além de uma faixa inédita até então, “Pearl Bastard”; e o DVD traz parte de uma apresentação ao vivo em Blackpool com 6 músicas.
“The Stone Roses” com certeza é um dos meus álbuns preferidos e por certo, também, um dos mais influentes e importantes de todos os tempos, freqüentador assíduo de listas de melhores álbuns de todos os tempos e apontado, por exemplo, pela New Musical Express como o “maior álbum britânico de todos os tempos”.
Entre os 10, deve estar, sim.

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FAIXAS "The Stone Roses" 2009 20th. Aniversary Release:
  • disco 1
The Stone Roses album
1."I Wanna Be Adored" 4:52
2."She Bangs the Drums" 3:42
3."Waterfall" 4:37
4."Don't Stop" 5:17
5."Bye Bye Badman" 4:00
6."Elizabeth My Dear" 0:59
7."(Song for My) Sugar Spun Sister" 3:25
8."Made of Stone" 4:10
9."Shoot You Down" 4:10
10."This Is the One" 4:58
11."I Am the Resurrection" 8:12
12."Fools Gold" (UK 12" single version; bonus track) 9:53

  • disco 2
The Lost Demos
1."I Wanna Be Adored" (Demo) 3:42
2."She Bangs the Drums" (Demo) 3:46
3."Waterfall" (Demo) 4:45
4."Bye Bye Badman" (Demo) 4:03
5."(Song for My) Sugar Spun Sister" (Demo) 3:30
6."Shoot You Down" (Demo) 4:25
7."This Is the One" (Demo) 4:00
8. "I Am the Resurrection" (Demo) 6:38
9."Elephant Stone" (Demo) 3:13
10."Going Down" (Demo) 2:40
11."Mersey Paradise" (Demo) 2:47
12."Where Angels Play" (Demo) 3:16
13."Something's Burning" (Demo) 3:03
14."One Love" (Demo) 6:22
15."Pearl Bastard" (Demo; previously unreleased track) 3:42

  • disco 3
Music videos
1."Waterfall" (Video) 3:36
2."Fools Gold" (Video) 4:14
3."I Wanna Be Adored" (Video) 4:33
4."One Love" (Video) 3:47
5."She Bangs the Drums" (Video) 3:41
6."Standing Here" (Video) 3:15

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Ouça: