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quinta-feira, 4 de março de 2010

Loura Devassa barrada

Vi por aí que tiraram a Paris Hilton do ar. Suspenderam a veiculação pública do comercial da cerveja da loirinha.

Olha, na boa, isso me parece mais uma ação por interesse de alguma concorrente do que propriamente interesses públicos.

Alega-se que a campanha é apelativa, machista, diminui a imagem da mulher, é incitadora do consumo excessivo de álcool. Não vejo nada disso! É mais uma campanha.Tantas outras não tem mulheres gostosas semi-nuas? Não tem aquela outra que encosta um caminhão do lado do bar e o carinha faz aquela cara de “tudo isso pra mim!”? A outra não sugere que quem bebe tal cerveja é mais guerreiro, mais perseverante do que os outros? Ah!!! Qualé! Então não encham o saco!

Pra mim alguma das concorrentes no ramo botou um “laranja” qualquer ou um grupo já previamente predisposto a estar incomodado com qualquer coisa, como tantos que existem por aí, para ingressar no Ministério Público com a reclamação, e aí, é lógico, o MP acata considerando interesse público.

Como eu disse na postagem anterior, nem curto muito a tal da Devassa, não acho a Paris tudo isso, não estou fazendo aqui a defesa da cerveja, só acho que tudo isso não passa de mais uma bobagem, mais uma babaquice, e o pior é que sustentada por velhas demagogias.



C.R.

terça-feira, 2 de março de 2010

The Rolling Stones "Exile on Main St." (1972)


Entre muitas drogas, álcool, discussões, brigas e polêmicas, os Rolling Stones em 1972 lançavam aquele que seria o único álbum duplo de sua discografia e ainda hoje considerado por grande parte da crítica, o melhor da banda. “Exile on Main St.” curiosamente, apesar das boas vendas, causou algum estranhamento no público e desagrado à gravadora pelo tratamento diferente dado a cada música, o que, além do resultado fonográfico considerado irregular, saíra muito caro por conta do longo período que a banda permanecera em estúdio. Este é outro detalhe importante deste disco que, sem falar na grande qualidade da obra, é envolvido por grandes curiosidades: a maioria das músicas eram sobras dos dois álbuns anteriores e foram levadas para terem um “tratamento” diferente e aí então comporem um álbum e o interessante é que mesmo com origens diferentes e não tendo sido pensadas para uma obra ou conceito específico conseguem ter uma unidade e coesão a ponto de receberem até hoje tamanho destaque. A banda foi gravá-lo na França e alugou uma antiga casa que tinha servido na 2° guerra como quartel-general da Gestapo. Consta que a própria banda diz ter sido afetada pelas vibrações do lugar o que teria contribuído em parte para (um dos) quase fim da banda por conta das freqüentes brigas de Jagger e Richards. Daí já vem outra curiosidade: Jagger, insatisfeito com o resultado que estava se apresentando, meio que largou de mão o material gravado e aí que Richards achou de dar o tratamento que bem entendia, enchendo a sonoridade de metais e vocais gospel. O fato de estar insatisfeito com o que vinha sendo feito talvez tenha servido de estímulo a Mick Jagger que acaba tendo uma performance vocal incrível no disco. Pra completar, a capa cheia de bizarrices, esquisitices, absurdos e abominações já era uma mostra do que estava contido ali dentro, refletindo, em parte, o que se passara com a banda, o ambiente e a atmosfera das gravações. O resultado de tudo isso é o disco mais chapado, criativo e experimental dos Stones e um dos melhores de todos os tempos.

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FAIXAS:
1. Rocks Off
2. Rip This Joint
3. Shake Your Hips
4. Casino Boogie
5. Tumbling Dice
6. Sweet Virginia
7. Torn and Frayed
8. Sweet Black Angel
9. Loving Cup
10. Happy
11. Turd on the Run
12. Ventilator Blues
13. I Just Want to See His Face
14. Let It Loose
15. All Down the Line
16. Stop Breaking Down
17. Shine a Light
18. Soul Survivor
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Ouça:
The Rolling Stones Exile On Main Street

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"A Onda", de Dennis Gansel (2008)



Na onda d”A Fita Branca”, formação de fascismo, regimes totalitários, etc., por acaso acabou caindo na minha frente logo na seqüência, outro filme onde estes temas reaparecem.Trata-se de “A Onda”, produção alemã de 2008, dirigida por Dennis Gansel, que reproduz fatos reais ocorridos na Califórnia em 1967, mas que ambientado na Alemanha como é, ganha muito mais impacto por todo o histórico daquele país nos âmbitos político e militar.
Um simples exercício didático, uma demonstração prática como tentativa de despertar o interesse dos alunos para uma aula de autocracia, acaba se tornando o estopim para uma espécie de movimento coletivo, que aos poucos, sustentado inicialmente por interesses comuns baseados em igualdade, colaboracionismo, união, revela-se por fim um exemplo de núcleo autocrata tendo como figura central o professor. Os alunos, mesmo submetidos a uma rígida disciplina de sala de aula, acabam por se identificar com os princípios que norteiam a proposta pois vêem naquela possibilidade de formação de grupo vantagens diferentes conforme seus interesses, tais como, inclusão, segurança, identidade, atenção, incentivo, etc.
Em nome do grupo, da unidade, do que se pode fazer juntos, do que se pode conquistar, primeiro se sugere nome, depois uniforme, depois um símbolo, depois uma saudação e dali a pouco a coisa corre de uma maneira desenfreada e o impressionante é como o professor, inocentemente, não vê a proporção que a coisa vai tomando. A erva-daninha estava ali viva o tempo inteiro mas só estava esperando um pouco d’água.
Foi o que o professor deu. (Quase) Todos de certa forma estavam sequiosos por algo assim: interesses em comum demonstrados e conduzidos por um líder, e quando isso lhes foi dado A ONDA cresceu, cresceu e transformou-se em uma pequena unidade fascista mas com potencial perigosíssimo para crescimento. E o mais impressionante é como sempre tem aqueles cabeças fracas, os vidas-vazias, os sem-propósito que acabam adotando coisas como estas como os ideais de vida, pois, afinal de contas não tem nada mais para abraçar.
O filme trata do assunto em uma escola, mas poderia muito bem aplicar-se a outros contextos coletivos como as tais torcidas uniformizadas do Brasil, que vivem se matando, cantando hinos de guerra escondidos atrás de cores clubísticas, por exemplo; ou mesmo, num exemplo mais próximo, dos grupos neonazistas que existem por aí que saem nas ruas espancando os que julgam inferiores. Não é parecido? Símbolos, gestos, hinos, uniformes, cores?
Enquanto filme, vejo méritos na direção, nas cenas de sala de aula, explorando por vezes aquele ambiente como se fosse um palanque, enquadrando a classe como se fosse um exército; e considero este resultado da experiência de cinema com uma abordagem pedagógica d”A Onda” mais válido e completo que o obtido no recente e elogiado “Entre os Muros da Escola”, que na minha opinião foi bastante realista porém muito raso. Este, além de apresentar igualmente um ambiente escolar com suas diversidades, ainda proporciona este tipo de análise e reflexão de um elemento político-social absolutamente relevante e perigoso. Por outro lado vi o diretor Dennis Gansel ser meio apressado na condução do filme dispendendo menos tempo do que devia no convencimento da turma acerca da proposta, na caracterização de alguns alunos-chave, e na revelação do problema ao professor, que acordou muito abruptamente e de uma maneira muito simplista.
Acho que tem mais méritos que defeitos mas com um pouquinho mais de “estrada” do jovem diretor, tenho a impressão que o resultado teria sido melhor ainda.


Cly Reis

"A Fita Branca", de Michael Heneke (2010)


Recomendado pelos prêmios significativos que vem recebendo, como a cobiçada Palma de Ouro em Cannes, “A Fita Branca”, de Michael Heneke, é aquele tipo de filme que não acaba com o final da sessão. O escurecimento gradual da tela com a passagem dos créditos no mais profundo silêncio é um convite à reflexão. As mais variadas sensações e dúvidas ficam suspensas na mente do espectador, e em pouco tempo acabamos por perceber que toda a chamada à trama ao mistério, ao suspense não era mais que uma máscara para a verdadeira intenção do diretor que era o tempo todo se aprofundar na natureza das pessoas e daquela comunidade onde viviam.
Tendo como ponto de partida uma série de incidentes, que se revelam depois propositais, Michael Heneke vai aos poucos saindo do geral para o particular e nos levando a conhecer as famílias de um pequeno vilarejo no interior da Alemanha, suas particularidades e personalidades, mostrando faces brutas, cruéis, invejosas, mesquinhas e preconceituosas, tudo isso inserido em um sistema patriarcal controlado por um barão que se faz impor mais pelo medo que pelo respeito, sempre às voltas também com a religião, que é ponto comum nas famílias naquela pequena sociedade.
Os referidos incidentes, pela reincidência e pelo aumento das gravidades, passam a causar medo nos cidadãos do lugar e aos poucos também a se mostrar como castigos a faltas cometidas. Coisas que acontecem dentro dos lares, desvios de caráter individuais ou injustiças, passam a ser julgados por algum vigilante (ou vigilantes) e atrocidades ou vandalismos são cometidos contra famílias como forma de punição.
Acaba-se criando um mistério, mas aí é que está a questão: ainda que fiquemos com a impressão que um grupo de crianças seja responsável por aquilo, por seu comportamento estranho e formação de grupos; mesmo que sejam eles; este não é o ponto principal, e sim o porquê destas crianças ou fosse lá quem fosse estar movido por aquele ímpeto justiceiro. É o contexto autoritário, é o rigor religioso, são os castigos domésticos, os abusos infantis, tudo contribuindo para a formação de um INDIVÍDUO repressor.
Devo admitir que tinha-me passado despercebido, e somente depois lendo uma crítica do filme, que me alertei para o fato de que o narrador (um professor morador da vila), anos depois nas suas reminiscências, ao relatar os fatos, os classifica como fundamentais para se entender os acontecimentos que se sucederiam nas décadas seguintes na Alemanha. Na concepção do diretor, o narrador por certo se refere à formação da sociedade que resultou no nazismo. Que aquele tipo de contexto social, autoritário, patriarcal, segregaconista, às portas da 1° grande guerra, acabaria por formar os indivíduos que moldaram a política fascista que culminou na 2° Guerra Mundial. A própria representação da fita branca no braço das crianças, para lembrar da sua pureza, tem como intenção esta alusão aos judeus dos guetos com suas braçadeiras com a estrela de Davi, usadas como forma de diferenciação.
Bom..., aceitável enquanto influência, impulso, mote, mas espero que o sr. Michael Heneke não tenha se enganado e encarado isto como uma desculpa, do tipo, um psicopata fatiou a namorada porque o pai batia nele. Não serve. Por mais que aceitemos que o sistema interno da Alemanha e do seu povo pré-1° guerra, já contribuísse para o que acabou se tornando, não servirá de justificativa para o Holocausto e para todas as atrocidades cometidas durante a 2° Guerra. Se não é por ai, a causa apresentada é válida sim, mas apenas se somada a outras tantas. Jamais sozinha.
Mas independente disso, não pode-se tirar os méritos cinematográficos, que são muitos, na realização deste filme. A começar pela belíssima e precisa fotografia em preto-e-branco que é parte importante do conceito pretendido, reforçando expressões, ressaltando os contrastes, texturas e dando uma atmosfera sombria e fria ao lugar. Destaque também para a organização dos elementos, fazendo com que conheçamos primeiro o todo e só depois entraemos no detalhe, fazendo isso de forma tão sutil que, de repente estamos dentro da casa vendo os problemas de determinada família e neste mergulho vemos que eles são mais sérios do que pareciam e o mergulho continua e continua psicologicamente. E ainda destacar o jogo de mostra-e-esconde que faz, deixando totalmente límpido e evidente o que já está explícito, e ocultando elementos do que possam dar margem à especulações e análises deixando as conclusões a cargo do espectador.
Temática ousada, técnica apurada, qualidade, suspense e beleza plástica. Ingradientes que fazem de "A Fita Branca" um programa sem risco de arrependimento.

Segue abaixo um trecho de uma entrevista do diretor, que dá uma idéia das pretensões dele com “A Fita Branca”:
“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”



Cly Reis