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terça-feira, 13 de abril de 2010

Moby - "Play" (1999)

Moby é certamente um dos artistas mais criativos e importantes das últimas décadas no cenário musical geral e não apenas no eletrônico. Moby já transcendeu a isso. Não pelo fato, que eu nem aprovo muito, de estar pegando em guitarras e se aventurando mais do que devia nos microfones ultimamente, mas sim porque a extensão do que produz como música, como sonoridade, como possibilidades, chega muito mais longe do que uma pick-up, um deck, uma rave.
Acompanho Moby mais ou menos desde que pintou por aí, e desde a badalada “Go”, passando por ‘Next is the E”, “UHF”, “Thousand’, viu-se então o cara chegar ao seu grau máximo de qualidade em “Play”.
“Play” é daqueles álbuns que o artista acertou. Pensou em alguma coisa e deu certo, tentou uma evolução em relação ao próprio som e deu também, brincou com elementos diferentes e pimba! Golaço.
O álbum abre em grande estilo, já com uma das melhores do disco, a descontraidíssima “Honey”, seguida da excelente “Find My Baby”, com aquele sampler de vocal blues que não perde a raiz mesmo com a batida eletrônica.
“Why Does my Heart Feel So Bad” ao contrário de “Honey”, é melancólica, mas não menos excitante a seu modo. Notável na sua tristeza, é extremamente bem trabalhada em cada detalhe contando com um belíssimo vocal gospel.
"Bodyrock” é, como sugere o nome e como confirma o clipe, pra não parar de mexer. É mesmo um corpo em movimento pela música, ou música movendo o corpo, ou música em movimento. Tudo isso! É elétrica, empolgante, entusiasmante.
“Natural Blues”, mais uma das minhas favoritas, com seu sampler de vocal bluseiro, é outra das boas misturas que Moby arrisca na obra e o resultado fica admirável.
Ao longo de suas 18 faixas Moby vai intercalando momentos de introspecção, como “Guitar, Flute & Strings”, faixas mais vibrantes, como “Machete” e algumas experimentações sonoras como em "7" ou "If Things Were Perfect", contudo, incrivelmente conseguindo manter uma unidade e uma identidade, fazendo assim de “Play” um disco singular no âmbito da música eletrônica e um marco no gênero.
Depois de tudo isso o encerramento e daqueles que justificam um grande disco: “My Weekness”com seu coro celestial numa atmosfera etérea fazem uma despedida relaxante.
Elogia-se muito o álbum “18”, sucessor de “Play”. Particularmente não gosto tanto, e como disse, acho que ele anda se aventurando demais nos microfones, mas não invalida todo o talento e inovação deste que é um dos principais nomes da música nos últimos anos.
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FAIXAS:
1."Honey" 3:27
2."Find My Baby" 3:58
3."Porcelain" 4:01
4."Why Does My Heart Feel So Bad?" 4:23
5."South Side" 3:48
6."Rushing" 2:58
7."Bodyrock" 3:34
8."Natural Blues" 4:12
9."Machete" 3:36
10."7" 1:00
11."Run On" 3:44
12."Down Slow" 1:32
13."If Things Were Perfect" 4:16
14."Everloving" 3:24
15."Inside" 4:46
16."Guitar Flute & String" 2:07
17."The Sky Is Broken" 4:16
18."My Weakness" 3:37


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Ouça:
Moby Play


Cly Reis

Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore (1988)




Hoje, no dia do beijo, nada melhor do que falar de um dos grandes filmes das últimas décadas, o belo "Cinema Paradiso".
O que que ele tem a ver com beijo?
Ah! A belíssima cena final na qual o protagonista, Toto, recebe o que o projecionista da cidadezinha, onde morou quando criança, havia deixado para ele antes de morrer. Sabendo da morte do amigo do cinema, Toto, já um homem, retorna à sua cidade natal para uma última homenagem àquele que, mesmo turrão, bravo às vezes, lhe incitara na paixão pelo cinema estimulando-o incllusive a ser um diretor de sucesso. Lá vem à memória suas lembranças de infância, alegrias e tristezas do lugar onde nascera e vivera boa parte da vida.
Na época, no cinema, o padre local fiscalizava, por assim dizer, as sessões de cinema, mandando parar as projeções e cortar das películas todas as cenas de beijo ou mais insinuantes, deixando, na época, a criançada doida de curiosidade para ver. Como um último presente ao garoto preferido, anos depois, o projecionista Alfredo deixa uma encomenda para que fosse entregue a Toto quando falecesse. E o que Toto recebe é uma edição com as cenas 'proibidas" do padre.
Cara, eu, apaixonado por cinema como sou, sempre choro na cena em que Toto vê o filme que Alfredo deixou pra ele. Lindíssimo.
Uma belíssima homenagem ao cinema. Filme de apaixonados pela sétima-arte.
Muito clássico, muito neo-realista, muito Rosselini, muito Fellini. Um baita filme!
Ganhou uma pá de prêmios por aí mas destaque, mesmo, é para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
"Cinema Paradiso" é um daqueles que tem seu lugar de destaque garantido na história do cinema.
Curta aí a cena dos beijos proibidos:



titulo original: (Nuovo Cinema Paradiso)
lançamento: 1988 (Itália)
direção: Giuseppe Tornatore
duração: 123 min
gênero: Drama




Cly Reis

sábado, 10 de abril de 2010

cotidianas #22- "Um estranho chamado João" *



* baseada na canção "Matita Perê",
de Tom Jobim e Paulo César Pìnheiro



Matita Perê
No jardim das rosas
De sonho e medo
Pelos canteiros de espinhos e flores
Lá, quero ver você
Olerê, Olará, você me pegar

Madrugada fria de estranho sonho
Acordou João, cachorro latia
João abriu a porta
O sonho existia

Que João fugisse
Que João partisse
Que João sumisse do mundo
De nem Deus achar, Ierê

Manhã noiteira de força viagem
Leva em dianteira um dia de vantagem
Folha de palmeira apaga a passagem
O chão, na palma da mão, o chão, o chão

E manhã redonda de pedras altas
Cruzou fronteira de servidão
Olerê, quero ver
Olerê

E por maus caminhos de toda sorte
Buscando a vida, encontrando a morte
Pela meia rosa do quadrante Norte
João, João

Um tal de Chico chamado Antônio
Num cavalo baio que era um burro velho
Que na barra fria já cruzado o rio
Lá vinha Matias cujo o nome é Pedro
Aliás Horácio, vulgo Simão
Lá um chamado Tião
Chamado João

Recebendo aviso entortou caminho
De Nor-Nordeste pra Norte-Norte
Na meia vida de adiadas mortes
Um estranho chamado João

No clarão das águas
No deserto negro
A perder mais nada
Corajoso medo
Lá quero ver você

Por sete caminhos de setenta sortes
Setecentas vidas e sete mil mortes
Esse um, João, João
E deu dia claro
E deu noite escura
E deu meia-noite no coração
Olerê, quero ver
Olerê

Passa sete serras
Passa cana brava
No brejo das almas
Tudo terminava
No caminho velho onde a lama trava
Lá no todo-fim-é-bom
Se acabou João

No Jardim das rosas
De sonho e medo
No clarão das águas
No deserto negro
Lá, quero ver você
Lerê, lará
Você me pegar