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sexta-feira, 18 de junho de 2010

cotidianas #31 - "Mano a Mano"


*clique na imagem para ampliar

Mano a Mano
 Meu pára-choque com seu pára-choque
Era um toque
Era um pó que era um só
Eu e meu irmão
Era porreta
Carreta parelha a carreta
Dançando na reta
Meu irmão
Na beira de estrada valeu
O que era dele era meu
Eu era ele
Ele era eu

Ela era estrela
Era flor do sertão
Era pérola d'oeste
Era consolação
Era amor na boléia
Eram cem caminhões
Mas ela era nova
Viçosa, matriz
Era diamantina
Era imperatriz
Era só uma menina
De três corações
E então

Atravessando a garganta
Jamanta fechando jamanta
Na curva crucial
Era uma barra, era engano
Na certa, era cano
Na mão, mano a mano
Pau a pau
Na beira de estrada se deu
Se o que era dele era meu
Ou era ele ou era eu

Ela era estrela
Era flor do sertão
Era pérola d'oeste
Era consolação
Era amor na boléia
Eram cem caminhões
Mas ela era nova
Viçosa, matriz
Era diamantina
Era imperatriz
Era só uma menina
De três corações
E então

Então lavei as mãos
Do sangue do
Meu sangue do
Meu sangue irmão
Chão

de Chico Buarque e João Bosco
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"Mano a Mano" - Chico Buarque com João Bosco - 1984



Mano a Mano

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Led Zeppelin - "Led Zeppelin" ou "Led Zeppelin IV" ou "Four Symbols", ou "ZoSo" ou "o disco do velho" (1971)


“Ninguém nunca mais nos comparou ao Black Sabbath depois deste álbum.”
John Paul Jones


Sempre tive a ideia de botar algum Led Zeppelin no ÁLBUNS FUNDAMENTAIS mas hesitava um pouco pensando em qual deles pra não cometer injustiça. O primeiro? Ou o incrível Led Zeppelin II? Ou por que não o III ? Ou o fantástico "Physical Graffiti"? Podia ser qualquer um destes sem problema algum, mas na minha opinião o quarto álbum do Led Zeppelin, de 1971, conhecido como "IV", ou "Four Symbols" ou "ZoSo" ou ainda, somente, como "o disco do velhinho na capa" é o que melhor representa toda a pagada, a força, a sonoridade e a qualidade da banda.
Com influências que iam de blues, ao country, a Elvis e a bruxaria, o Led consolidava em "IV" uma sonoridade que iria se tornar pedra fundamental do estilo metal e similares, com muito peso nas guitarras, ritmos acelerados e vocais  gritados. "Black Dog", canção que abre o disco é prova e símbolo disso, com aquela guitarra extremamente pesada e mágica de Jimmy Page, alternado tempos com o vocal poderoso e estridente de Robert Plant. Certamente é, ainda hoje, um dos riffs mais conhecidos e lembrados de todos os tempos. Um clássico imortal do rock!
E a propósito de clássico e de rock, o que dizer de um álbum que tem uma música chamada "Rock'n Roll"? Bom, muitos podem ter uma música com este nome, mas provavelmente só o Led  conseguiu fazer com que ela remetesse ao estilo com tanta clareza, ficasse marcada pelo nome e virasse um clássico absoluto. Eu mesmo, sempre que ouço o termo rock' roll me vem à cabeça aquele início marcado na bateria de John Bonham, que aliás, "quebra tudo" nesta música. Mas não só ele. Nesta, a guitarra menos distorcida que de costume, conduz uma espécie de blues acelerado, um rockabilly pesado alucinante, num show à parte que se constitui em outro dos riffs mais conhecidos da história da história da música.
Para os mais "populares", este álbum traz ainda o clássico "Stairway to Heaven" que serviu até mesmo de faixa de trilha sonora de novela nos anos 80, fazendo-a alcançar uma grande popularidade até entre os não-fãs e público em geral, mesmo com sua estrutura rica, complexa e sua extensa duração para padrões comerciais.
Todas as 8 faixas são excepcionais mas o disco acaba com outra de minhas favoritas, a poderosa "When the Levee Brakes", sonoramente impactante com sua bateria estrondosa  com uma marcação ao que ao mesmo tempo é tem um tom marcial mas é também emocionante e sedutora. Mas Bonham não cria esse fascínio sozinho: a guitarra de Page aqui é mística, mágica e hipnótica; John Paul Jones conduz a linha de maneira segura e forte; e Plant é preciso nos vocais em cada verso, em cada entonação, em cada nota, além da harmônica que toca conferindo um ar ainda mais místico à canção. Um final monumental para um disco fantástico!
Pela seleção privilegiada de faixas do álbum, pelos clássicos que traz, pelo significado no cenário musical, pela consolidação de um estilo, pela importância da obra, pela popularidade, pela sonoridade, por todas estas razões e muitas mais é que "Led Zeppelin IV" é para mim não só o melhor álbum da banda como um dos melhores de todos os tempos. Acho que não cometo nenhuma injustiça em mencioná-lo aqui. Agora, o que também não invalida de daqui a pouco termos aqui na seção um "Led Zeppelin II", por exemplo... Ou o " Led III", ou o "Physical" ou o "Houses"...
Não precisamos ter apenas um, precisamos?
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FAIXAS:
  1. "Black Dog" (Page/Plant/Jones) – 4:57
  2. "Rock and Roll" (Page/Plant/Jones/Bonham) – 3:40
  3. "The Battle Of Evermore" (Page/Plant) – 5:52
  4. "Stairway to Heaven" (Page/Plant) – 8:03
  5. "Misty Mountain Hop" (Page/Plant/Jones) – 4:38
  6. "Four Sticks" (Page/Plant) – 4:45
  7. "Going To California" (Page/Plant) – 3:31
  8. "When The Levee Breaks" (Page/Plant/Jones/Bonham/Minnie) – 7:08
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Ouça:
Led Zepppelin IV 1971


Cly Reis

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ela se foi, Green!

Há pouco tempo atrás havia postado aqui uma crônica que falava a respeito de um jogador de futebol que com a cabeça inquieta por uma separação recente, falhara num lance decisivo de uma partida ficando aquele momento marcado como o início do ocaso de sua carreira.
Aquilo era ficção. Um conto. Mas não sem um fundo de verdade.
Abordei o assunto porque sei o quanto este tipo de coisa mexe com a cabeça de um homem. Já aconteceu comigo, por que não admitir? Não foi jogando futebol no meu caso; a "perda" me atrapalhou nos estudos, na faculdade. Não conseguia pensar em outra coisa e não tinha ânimo pra nada como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. É passado, foi outro momento, é superado, mas desde então entendo o que se passa quando um sujeito está assim.
Lembro também, na época que tinha meu time de bairro, de, na condição de técnico, receber um desabafo de um garoto que passava por má fase alegando mais ou menos isso: brigara com a namorada, estava triste, abatido, não conseguia fazer gols, não rendia bem.
Aconteceu também com o pugilista Popó, se vocês não lembram, que depois de ter rompido o relacionamneto com a noiva adiou lutas, voltou a lutar fora de forma, perdeu outras tantas e declinou bruscamente em uma carreira bastante exitosa até então para sua categoria.
E agora não é que vem à tona de novo o fator "dor-de-corno"?
Um dos frangos mais incríveis e espetaculares ocorridos em copas do mundo teria acontecido exatamente porque o goleiro inglês Green estaria abalado com o fim de um relacionamento.
Um chute meio despretensioso da entrada da área. Não muito forte.O goleiro da seleção inglesa se abaixa na direção da bola pra encaixá-la; prendê-la contra o peito e segurar firme. Mas cai ajoelhado meio de lado, sem fazer o que manda a cartilha do goleiro - proteger a bola com o corpo atrás dela. Vai pra pegar a bola meio que como se já estivesse convicto de tê-la ou pensando já em repor em jogo, ou no próximo ataque, no posicionamento, ou quem sabe na namorada... Mas ela (a bola) não estava segura e lhe escorre pelas luvas, lentamente. Mas rápida o suficiente para não dar-lhe tempo de voltar e busá-la. Ela passou e como se diz no futebol para um frango clássico, ele só ficou com as penas na mão.
Ela escapou, Green. Quem? A bola? A Namorada? As duas.
Onde você estava com a cabeça Green?
Na namorada? Na separação?
Não duvido, Green. Compreendo. Isso acontece.
Como escreveu uma vez Françoise Segan, "os homens são animais de hábitos e sempre sofrem mais com a separação.". Eu compreendo, Green.
Agora, compreendo, mas, humildemente, aconselho o técnico da seleção inglesa Fabio Capello (ainda que com certeza ele não venha a ler-me), a tirá-lo do time. Uma cabeça assim, inquieta e atormentada por um golpe que para ele tem a dimensão de uma copa do Mundo, e com o qual o cara não está sabendo lidar, somado a um recente fracasso pessoal tão grandioso como foi aquele gol que custou a vitória de sua equipe, constituem-se em uma ameaça constante sob as traves.
Green só vai voltar a ser o mesmo se ela (a namorada) voltar ou se esquecê-la. Já a bola que escapou, não volta e talvez ele não a esqueça tão cedo.
E não dá pra ficar esperando ou apostando que ele as supere.



C.R.

cotidianas #27 - Casamento Grampeado


Achei incrível a notícia de um casamento interrompido pela polícia?
Uau! Demais!!! Hehehehe!!!
O lance foi que a polícia desbaratou um bando de fraudadores de cartões de crédito (veja a notícia do site G1) e soube que estariam todos juntos em um evento, e eis que o anunciado convescote era nada mais nada menos que o casamento de dois integrantes da gangue.
Chegaram e levaram todo mundo em cana!
Bárbaro!!!
E a gente que ria da situação hilária da música "Defunto Grampeado" interpretada classicamente por Bezerra da Silva, nunca imaginou que a situação aconteceria de modo praticamente igual ... só que num casamento.

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Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!


Mas aquela atitude causou muito espanto e admiração
Até o vigário 171 dizia que aquilo era anti-cristão
Fechou o tempo lá no cemitério,
Ninguém entendeu a tal voz de prisão!


Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! onde foi que já se viu
Um defunto grampeado?
Sururu formado, aí gente boa!
Sururu formado! onde foi que já se viu
Um defunto grampeado?


Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!


E os acompanhantes estavam por fora e desinteirados
Somente o vigário e a malandragem
Sabiam quem ali ia ser enterrado
Quando os tiras chegaram perto do caixão
Eles gritaram: "meu deus, fomos caguetados!"


Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! quando os homens abriram o caixão
O defunto era apenas cabrito importado!
Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! quando o vigário sentiu o flagrante perfeito
Quis sair de pinote, mas foi logo algemado!


Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!

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"Defunto Grampeado"
(Pedro Butina e Evandro Do Galo)
Ouça:
Bezerra da Silva- Defunto Grampeado