terça-feira, 9 de outubro de 2012
Cabeça de Vento
Cabeça de Vento é o segundo espetáculo infantil da Cia. Pandorga que apresenta montagens infanto-juvenis teatrais com “ar” de gente grande. É a constatação de que a verdadeira conversa entre adultos e crianças pode e deve ser inteligente, desafiadora e criativa. Numa demonstração prática de respeito à criança - indivíduo repleto de potencial e que nessa fase de formação precisa ser bem nutrida, contatando uma Arte sensibilizadora – o espetáculo cumpre com o seu objetivo – refletir de uma maneira sensível e ao mesmo tempo lúdica sobre os processos de morte.
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O protagonista Léo e seu pai.
Entendendo a vida e a morte.
(foto: Cristina Froment)
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encontrando personagens como o cientista e inventor Benjamin Franklin, a guerreira e rainha chinesa Fu Hao e Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra. Essa é a história central do espetáculo que mostra também paralelamente a origem e a história da pipa, através do olhar infantil.
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Sua grande paixão: as pipas
(foto: Cristina Froment)
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O espetáculo traz imagens maravilhosas, como a de dormir entre os bambus, uma simbologia do sono aconchegante no colo do pai. A referência aos apelidos de uma forma afetiva e não preconceituosa, constrói as relações entre pai e filho que transformam Léo, afetivamente em Leléo. Lidar com tantos personagens que possibilitam reflexão sobre inimigos internos, vindos da lucidez da filosófica oriental, e de insights como “a memória viverá para sempre”, ensina que essa vivência pode ser transformadora e de fato é em qualquer idade.
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Nas 'viagens' de Léo, ele encontra
a rainha chinesa Fu Hao
(foto: Cristina Froment)
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Pronto agora mantenha seus pés no chão, reserve linha, papel, cola e bambu. Deixe sua cabeça ao flutuar pelo ar, monte sua pipa e embarque nessa aventura de descoberta e libertação. Bom espetáculo!
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Próximas apresentações 2012:
- No dia 14 de outubro “Cabeça de Vento” estará no Teatro SESC São João de Meriti/Rio de Janeiro.
- A próxima temporada “Cabeça de Vento” no Rio de Janeiro será de 03 a 11 de novembro, sempre aos sábados e domingos, às 17h, no Teatro SESC Tijuca.
- No dia 13de novembro “Cabeça de Vento” estará no 40º Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa/Paraná.
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Premiações 2012:
Em agosto no XIII FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE GUAÇUÍ/ES em agosto de 2012 de Melhor Ator – Jan Macedo/ Melhor Atriz – Luciana Zule/ Melhor Figurino – Daniele Geammal/ Melhor Trilha Sonora – Gustavo Finkler/ Melhor Maquiagem – Rodrigo Reinoso e Francisco Leite e teve indicações nas categorias: espetáculo, direção, texto, iluminação, ator coadjuvante e cenário.
Em setembro no IX FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE DUQUE DE CAXIAS recebeu os prêmios: Melhor Espetáculo/ Melhor Texto Original/ Melhor Ator - Jan Macedo/ Melhor Ator Coadjuvante - Eduardo Almeida/ Melhor Iluminação - Tiago Mantovani e teve indicações nas categorias: direção e cenário.
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Breve histórico da Cia Pandorga:
A Cia Pandorga criada em 2005 por Cleiton Echeveste e Eduardo Almeida pesquisa temas que possibilitem montagens diferenciadas, buscando textos autorais de qualidade. Cleiton que dirige a Cia, diz: “A proposta da Companhia é o desenvolvimento de um trabalho de qualidade e de pesquisa em teatro, independente da faixa etária a que seus espetáculos se destinam. O grupo se propõe também à busca de uma linguagem cênica contemporânea, que dialogue com a dramaturgia clássica, mas que também vá ao encontro de outros gêneros da literatura, como o conto e a poesia.”
Em 2007 a Cia chega aos palcos com a montagem “O Menino que Brincava de Ser” inspirado no livro homônimo de Georina Martins, lançado nove anos antes com ilustrações de Pinky Wainer. O livro se empenha em desmontar o preconceito contra a aparente homossexualidade de um menino – o Dudu quer virar menina- através de uma fábula cheia de lirismo e de símbolos. O crítico teatral Carlos Augusto Nazareth comenta: “O Menino que Brincava de Ser – através do jogo do teatro, da brincadeira infantil do “faz de conta”, do humor – discute questões cotidianas de uma família, a relação familiar, o autoritarismo, o machismo, as dúvidas que por vezes a criança tem em relação à sua sexualidade e a reação diversa da família com o lidar com esta questão. Os temas são difíceis de serem conduzidos, mas equilibrando seriedade e humor, Cleiton Echeveste consegue resolver em seu texto teatral as questões colocadas por Georgina Martins, ampliando mesmo, ou pelo menos sublinhando, com maior ênfase, as diversas questões levantadas.” O espetáculo foi adaptação e dirigido por Cleiton Echeveste e apontado em 2009 como um dos cinco melhores espetáculos infantis pela Revista Veja do Rio de Janeiro.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Iggy Pop - "The Idiot" (1977)
“Nesse exato momento,
eu queria estar morto.
Eu simplesmente
não aguento mais”.
texto do bilhete deixado por Ian Curtis,
encontrado enforcado em sua casa,
com o disco “The Idiot” de Iggy Pop ainda rodando no toca-discos.
Depois de ter produzido o último álbum dos pré-punk, The Stooges, David Bowie já renomaado e prestigiado adotava o vocalista da banda, Iggy Pop, como pupilo e produzia seu álbum solo de estréia. Neste disco, “The Idiot”, de 1977, o Camaleão limpava o som ruidoso e retumbante dos Stooges, conferindo toda uma sofisticação e classe, acrescentava alguns toques tecnológicos e eletrônicos, dosando os elementos, sem contudo violentar a característica agressiva e selvagem do cantor. Provas disso são “China Girl”, que viria a ser gravada por Bowie anos depois em um álbum próprio, exemplo claro de punk moderado, com todos os elementos ali, ritmo, força, distorção, voz rasgada, porém amenizados por um tema romântico e por um teclado agudo tipicamente oriental; ou “Funtime” cuja agressividade sonora fica contida pelos ecos e efeitos dando lhe inclusive um certo ar futurista.
“Sister Midnight”, a faixa que abre o disco e uma das grandes músicas dele, é notável com sua estrutura totalmente quebrada e pela versatilidade dos vocais de Iggy dentro da mesma canção; “Dum Dum Boys” mesmo na voz de Iggy é aquele tipo de balada tipicamente bowieana; o charmosíssimo pop de cabaré “Nightclubbing”, que mais tarde veio a ter uma versão igualmente admirável de Grace Jones, tem Iggy numa interpretação notável simulando uma certa embriaguez na voz; e o disco fecha com a lenta, minimalista e arrastada “Mass Production”, e seu apito de navio anunciando o fim do disco.
Um dos mais importantes e primeiros representantes da chamada fase berlinense de David Bowie que ainda traria seus excelentes "Low", “Lodger” e Heroes”, além de outra espetacular parceria com Iggy Pop, produzindo seu ótimo “Lust for Life”, que por certo, mais cedo ou mais tarde vai acabar pintando aqui nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
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FAIXAS:
- "Sister Midnight" – 4:19
- "Nightclubbing" – 4:14
- "Funtime" – 2:54
- "Baby" – 3:24
- "China Girl" – 5:08
- "Dum Dum Boys" – 7:12
- "Tiny Girls" – 2:59
- "Mass Production" – 8:24
Ouça:
Iggy Pop The Idiot
Cly Reis
"O Artista", de Michel Hazanavicius (2011)
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O filme já começa avisando,
"Eu não direi uma palavra!!!".
Símbolo da resitência do
personagem em enfrentar os novos tempos
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Já havia saudado aqui, sem ter mesmo visto o filme, a iniciativa da conservadora e tendenciosa (comercialmente) Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood em premiar com suas principais honrarias a um filme mudo e em preto-e-branco mas agora, mesmo com todo o atraso que já me é característico, tendo-o visto, não posso deixar de além de ratificar minha reverência, dizer que diante de tão admirável, expressiva, inspirada e notável obra, os velhos da Academia não fizeram mais que a obrigação pois não tinham mesmo como ignorá-la. “O Artista” , dirigido pelo francês Michel Hazanavicius é um daqueles filmes mais do que importantes, necessários para a vida do cinema. Uma obra que em face à utilização de seus recursos técnicos ‘superados’ é contraditoriamente oportuno e renovador. Sua disposição em simplificar o cinema repleto de efeitos especiais, de três-dês excessivos, de excesso de informação, de diálogos batidos, previsíveis e estúpidos, é uma espécie de sopro de frescor que se fazia imperioso neste momento no universo cinematográfico. Era preciso realmente se redescobrir a arte da sétima arte e, nesse sentido, sem querer ser redundante e já sendo, o filme da Hazanavicius é absolutamente artístico.![]() |
Grito mudo - os sons
invadem o mundo de Valentin
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Com uma narrativa brilhantemente conduzida, inteligentíssima dada a ausência de falas, o filme, repleto de de metáforas visuais, de falas (na tela) genialmente sugestivas e referências a outras obras do cinema, trata da resistência do astro George Valentin, interpretado brilhantemente pelo expressivíssimo Jean Dujardin, em aceitar a o advento do cinema falado Rejeitando-o por orgulho e vaidade, Valentin é relegado então ao esquecimento enquanto outros atores, inclusive a graciosa Peppy Miller (Bérénice Bejo), apadrinhada por ele inicialmente, são guindados à condição de estrelas do novo cinema que se afigura.
Além das atuações de Dujardin, de Bejo, do motorista Clifton (James Cromwell), da direção de arte e da espetacular fotografia em preto-e-branco, não tem como deixar de falar do gracioso cachorrinho Uggie, um show à parte de papel destacado e importante na história. E mais, a cena da escadaria cheia de simbologias e referências, Peppy dançando com o casaco, a fantástica seqüência do sonho onde os sons invadem o mundo do astro Valentin, ou a do tiro com a inversão de expectaviva com a onematopéia na tela. Tudo sensacional!
Eu que sou um chorão assumido de cinema, tenho que admitir que neste, “O Artista”, em momento algum tive lágrimas nos olhos. Mantive, sim, foi um constante sorriso no rosto. Do início ao fim.
Simplesmente, sem palavras.
Cly Reis
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