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terça-feira, 30 de setembro de 2008

"O Alienista", adaptação de Fábio Moon e Gabriel Bá para o conto de Machado de Assis (ed. Agir - 2007)




"(...)De todas as vilas e arraiais vizinhos afluíam loucos à Casa Verde. Eram furiosos, eram mansos, eram monomaníacos, era toda a família dos deserdados do espírito. Ao cabo de quatro meses, a Casa Verde era uma povoação. (...)
trecho de "O Alienista"



Aproveitando o momento no qual se recorda dos 100 anos da morte do maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis, quero citar aqui uma de suas novelas que admiro muito e que acaba de ganhar versão em HQ. Trata-se de O Alienista. Para quem não conhece a história, o conto narra a história de um médico que dentro de suas pesquisas, pensamentos, estudos, vai chegando à conclusão que determinadas pessoas na cidade estão loucas, por fugirem de um padrão de comportamento que ele estabelecera. Aos poucos vai aumentando e variando seus conceitos sobre a loucura até chegar ao ponto de internar toda a cidade no manicômio chamado de Casa Verde. A história tem seus desenrolares e reflexões não só sobre a lucidez, mas sobre a condição humana, ética, convenções, política e também sobre influência da ciência na sociedade numa época em que descobertas e teorias estavam em alta porém engatinhando, em um tema que se mantém extremamente pertinente até hoje.
Muito legal a versão da dupla Fábio Moon e Gabriel Bá, bastante fiel ao conto sem perder sua originalidade na adaptação gráfica.



Cly Reis



segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"Sindicato dos Ladrões", de Elia Kazan (1954)




O canal TCM de clássicos tem me proporcionado sessões fantásticas de obras que até então não tinha visto por falta de oportunidade ou porque preferi pegar algo mais atual na locadora e fui deixando o clássico pra depois, depois, depois... e no fim não vi.
Vi ontem Sindicato dos Ladrões (1954), com Marlon Brando, no especial Elia Kazan que o canal está exibindo.
Não é à toa que este filme tem a fama que tem. É um grande filme, mesmo! Um clássico!
Uma direção preciosa com uma fotografia fantástica e uma atuação incrível de Marlon Brando, que lhe valeu um Oscar de Melhor Ator, além dos outros sete que o filme levou, incluindo Melhor Filme.
A película conta a história de um ex-boxeador que é usado, sem saber, numa cilada que leva à morte de um dos estivadores do cais do porto que desafiou o poder chefão do sindicato. O boxeador se envolve com a irmã da vítima e com isso, aos poucos, se volta contra os chefões e abraça a causa dos trabalhadores.
Remete muito ao neo-realismo italiano de Rosselini, De Sicca e Viscontti, com características mais hollywoodianas é claro, mas que não o fazem perder a qualidade. Destaque também para a ótima música de Leonard Bernstein que valoriza e pontua cada cena de maneira vibrante e emocionante.
O filme também tem um fator de comportamento cultural importante. Ele é certamente um dos elementos formadores do visual do jovem rebelde nos anos 50, juntamente com outros filmes como O Selvagem, com o prórprio Brando e Juventude Transviada, com a imagem de rebelde sem causa de James Dean e com a tendência rock'n roll que cada vez mais crescia, impulsionada pelo jovem Elvis Presley, naquele momento.




Cly Reis

domingo, 28 de setembro de 2008

Maior do que River x Boca


Tive a satisfação, hoje de assistir, à tarde um grandioso clássico: Milan x Internazionale. Um dos maiores clássicos do mundo. Um jogaço, com todos os ingredientes que um jogo deste porte deve ter. Jogadas de categoria, de raça, confusão, expulsão, gol e tudo mais.

Há outros, há rivalidades fantásticas, mas, particularmente no Brasil não considero nenhum maior, mais disputado ou mais aguerrido. Respeito muito o clássico argentino, o qual é chamado nada mais nada menos que SUPERCLÁSSICO. É isso, não o chamam pelas sílabas de cada nome dos clubes como Fla-Flu, com algum nome engraçadinho como Vovô, Sansão, não chamam de derby... Não. É o Superclássico.

Mais tarde no início da noite assisti ao clássico da minha terra, com uma arrasadora vitória sobre o inimigo, e OUÇO, após o jogo, um grande jogador, de seleção argentina, campeão olímpico, que já jogou no River Plate, Andrés D'Alessandro declarar que o clássico graNal é maior que um River e Boca. Já tinha ouvido Muricy Ramalho, atualmente, técnico do São Paulo declarar que no Brasil não conhecia rivalidade maior, já tinha ouvido de Abel Braga, que já dirigiu Fla-Flu e Clássico dos Milhões, mas essa do D'Alessandro dá uma dimensão maior do que eu mesmo imaginava.

Olha, esse cara é argentino. A gente sabe o quanto as barras castellanas são vibrantes, o quanto o jogo é pegado e ainda ssim ele se impressiona com uma rivalidade como esta. Nos enche de orgulho por ter no Rio Grande do Sul um clássico com tamanha tradição e que neste confronto o Internacional tenha vantagem em número de vitórias, títulos no próprio Estado, confrontos internacionais e em eliminatórias nacionais.



greNAL é o maior clássico do país e um dos maiores clássicos do mundo!

abaixo a declaração do argentino:

sábado, 27 de setembro de 2008

The Cure- "Disintegration" (1989)


O MAIOR DISCO DO MUNDO



"Disintegration é o maior disco do mundo!"


Tem um episódio do South Park em que a Barbra Streisand vira um monstro (se é que já não é), tipo aqueles de seriados japoneses, começa a destruir tudo e então as crianças da cidade chamam Sydney Pottier para combatê-la. Este se transforma em gigante, usa todas as suas forças e não consegue vencê-la, ao que chamam então Robert Smith, do The Cure, que fica também gigante, como um Ultraman, um Jaspion, e consegue derrotá-la. No final, quando Bob Smith está indo embora, um dos meninos o chama, ele se volta e o garoto diz, "Disintegration é o maior disco do mundo!" e Robert segue e some no horizonte.
Não, Disintegration não é o maior disco do mundo. Mas é bom pra caralho!!! E é com certeza um dos melhores desta banda da qual sou fãzaço.
Costumam colocá-lo numa espécie de 'trilogia das sombras' com o Pornography e o Bloodflowers. Concordo com o Pornography, que acho também um discaço, mas só aceito colocá-los juntamente com o Bloodflowers pelo clima mais deprê dos álbuns, mas não por qualidade, uma vez que o Bloodflowers é muitíssimo inferior.
Disintegration abre com a mágica "Plainsong" com seus tilintares que parecem uma explosão estrelar, segue a adorável e doce "Pictures of You", sempre num clima pesado passa-se por "Closedown", "Lovesong" e pelo sombrio hit "Lullaby", chegando à que considero a melhor música do álbum, a intensa "Fascination Street". Com um fio condutor que é uma linha de baixo violenta e arrasadora, a música ganha efeitos sobrepostos que dão uma atmosfera alucinante e guitarras que parecem quase que como independentes do restante da música estando porém em plena harmonia o tempo todo. É a mais emplogante do disco.
Segue com "Prayers for Rain" que abre com uma guitarra forte e se desenvolve com uma melancolia agressiva, vai à triste e longa "The Same Deep Water as You" com seus efeitos de chuva e chega novamente a outro ponto alto, a faixa-título "Disintegration". Esta um pouco mais "pra cima" , também com uma linha de contrabaixo marcante que orienta toda a canção, na melhor interpretação vocal de Robert Smith no disco. O álbum fecha com "Untitled", que é uma faixa simples, delicada, mas que mantém esse clima de escuridão mas que serve pra fechar bem um disco grandioso. Eu listei assim porque tive este disco primeiro em LP, no CD tem duas faixas extras, "Last Dance" e a ótima "Homesick", que fica melhor ao vivo, no mini-álbum Entreat.
Desde que vi o tal episódio de South Park, sempre que vou à minha prateleira de CD's pegar o Disintegration pra ouvir, penso: "É o maior disco do mundo!"
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FAIXAS:
1. “Plainsong”
2. “Pictures Of You”
3. “Closedown”
4. “Lovesong”
5. “Last Dance”
6. “Lullaby”
7. “Fascination Street”
8. “Prayers For Rain”
9. “The Same Deep Water As You”
10. “Disintegration”
11. “Homesick”
12. “Untitled”

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Ouça:

"O Anjo Exterminador" de Luis Buñuel (1963)


Depois de assistir ao ótimo "Ensaio sobre a cegueira", lembrei de outro filme que, assim como ele também traz situações limite de convivência humana por conta de uma circunstância, igualmente, extraordinária. É O Anjo Exterminador, de Luís Buñuel, de 1962. Não estou dizendo que os filmes sejam iguais, que tem tudo a ver e coisa e tal, é só porque em algum ponto um lembra o outro, e neste caso, já, no cinema mesmo, assistindo ao "Blindness", quando os internos começam a ficar irascíveis, quando o respeito pelos outros começa a ir por água abaixo e uma das alas começa a botar as "manguinhas de fora", já me veio à mente o clássico do Buñuel.

Em O Anjo Exterminador o que acontece é que ao final de uma festa da alta-sociedade os convidados, por conta alguma força desconhecida, não conseguem deixar o local para ir embora. Algo os impede de cruzar uma porta que está aberta. Em um primeiro instante parece natural, quem chega à porta pronto para ir, acaba desistindo e voltando, mas logo notam que não estão conseguindo mesmo sair.
Aí com o decorrer da situação, que se estende por dias os dias, o cansaço, a fome e outras necessidades fisiológicas começam a ficar maiores do que o espaço que os confina e toda a pompa e amabilidades de gente de sociedade desaparecem. A tolerância humana vai pro ralo e situações de egoísmo, falsidade, vaidade, se impõe em um ambiente pesadíssimo.

É um clássico! Este, sim, posso dizer que é um filme maravilhoso que certamente vale a conferida pra quem não viu, e vale assistir novamente pra quem já teve o privilégio.

Como curiosidade, o filme concorreu com o incrível 8 1/2 do Fellini e com o Pagador de Promessas no Festival de Cannes de 1963, onde pela primeira e única vez, um filme brasileiro venceu o prêmio principal.
É mole? O Pagador... ganhou de 8 1/2 e O Anjo Exterminador!!!

Mas sobre o Pagador de Promessas eu falo outro dia.


Cly Reis