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Ôpa, fazia tempo que não aparecíamos com listas por aqui! Em parte por desatualização deste blogueiro mesmo, mas por outro lado também por não aparecem muitas listagens dignas de destaque.
Esta, em questão, por sua vez, é bem curiosa e sempre me fez pensar no assunto: quais aquelas bandas/artistas que já 'chegaram-chegando', destruindo, metendo o pé na porta, ditando as tendências, mudando a história? Ah, tem muitos e alguns admiráveis, e a maior parte dos que eu consideraria estão contemplados nessa lista promovida pela revista Rolling Stone, embora o meu favorito no quesito "1º Álbum", o primeiro do The Smiths ('The Smiths", 1984), esteja muito mal colocado e alguns bem fraquinhos estejam lá nas cabeças. Mas....
Segue abaixo a lista da Rolling Stone, veja se os seus favoritos estão aí:
Os 5 primeiros da
lista da RS
01 Beastie Boys - Licensed to Ill (1986) 02 The Ramones - The Ramones (1976) 03 The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced (1967) 04 Guns N’ Roses - Appetite for Destruction (1987) 05 The Velvet Underground - The Velvet Underground and Nico (1967) 06 N.W.A. - Straight Outta Compton (1988) 07 Sex Pistols - Never Mind the Bollocks (1977) 08 The Strokes - Is This It (2001) 09 The Band - Music From Big Pink (1968) 10 Patti Smith - Horses (1975) 11 Nas - Illmatic (1994) 12 The Clash - The Clash (1979) 13 The Pretenders - Pretenders (1980) 14 Jay-Z - Roc-A-Fella (1996) 15 Arcade Fire - Funeral (2004) 16 The Cars - The Cars (1978) 17 The Beatles - Please Please Me (1963) 18 R.E.M. - Murmur (1983) 19 Kanye West - The College Dropout (2004) 20 Joy Division - Unknown Pleasures (1979) 21 Elvis Costello - My Aim is True (1977) 22 Violent Femmes - Violent Femmes (1983) 23 The Notorious B.I.G. - Ready to Die (1994) 24 Vampire Weekend - Vampire Weekend (2008) 25 Pavement - Slanted and Enchanted (1992) 26 Run-D.M.C. - Run-D.M.C. (1984) 27 Van Halen - Van Halen (1978) 28 The B-52’s - The B-52’s (1979) 29 Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) (1993) 30 Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006) 31 Portishead - Dummy (1994) 32 De La Soul - Three Feet High and Rising (1989) 33 The Killers - Hot Fuss (2004) 34 The Doors - The Doors (1967) 35 Weezer - Weezer (1994) 36 The Postal Service - Give Up (2003) 37 Bruce Springsteen - Greetings From Asbury, Park N.J. (1973) 38 The Police - Outlandos d’Amour (1978) 39 Lynyrd Skynyrd - (Pronounced ‘Leh-‘nérd ‘Skin-‘nérd) (1973) 40 Television - Marquee Moon (1977) 41 Boston - Boston (1976) 42 Oasis - Definitely Maybe (1994) 43 Jeff Buckley - Grace (1994) 44 Black Sabbath - Black Sabbath (1970) 45 The Jesus & Mary Chain - Psychocandy (1985) 46 Pearl Jam - Ten (1991) 47 Pink Floyd - Piper At the Gates of Dawn (1967) 48 Modern Lovers - Modern Lovers (1976) 49 Franz Ferdinand - Franz Ferdinand (2004) 50 X - Los Angeles (1980) 51 The Smiths - The Smiths (1984) 52 U2 - Boy (1980) 53 New York Dolls - New York Dolls (1973) 54 Metallica - Kill ‘Em All (1983) 55 Missy Elliott - Supa Dupa Fly (1997) 56 Bon Iver - For Emma, Forever Ago (2008) 57 MGMT - Oracular Spectacular (2008) 58 Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine (1989) 59 Yeah Yeah Yeahs - Fever to Tell (2003) 60 Fiona Apple - Tidal (1996) 61 The Libertines - Up the Bracket (2002) 62 Roxy Music - Roxy Music (1972) 63 Cyndi Lauper - She’s So Unusual (1983) 64 The English Beat - I Just Can’t Stop It (1980) 65 Liz Phair - Exile in Guyville (1993) 66 The Stooges - The Stooges (1969) 67 50 Cent - Get Rich or Die Tryin’ (2003) 68 Talking Heads - Talking Heads: 77’ (1977) 69 Wire - Pink Flag (1977) 70 PJ Harvey - Dry (1992) 71 Mary J. Blige - What’s the 411 (1992) 72 Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969) 73 Norah Jones - Come Away with Me (2002) 74 The xx - xx (2009) 75 The Go-Go’s - Beauty and the Beat (1981) 76 Devo - Are We Not Men? We Are Devo! (1978) 77 Drake - Thank Me Later (2010) 78 The Stone Roses - The Stone Roses (1989) 79 Elvis Presley - Elvis Presley (1956) 80 The Byrds - Mr Tambourine Man (1965) 81 Gang of Four - Entertainment! (1979) 82 The Congos - Heart of the Congos (1977) 83 Erik B. and Rakim - Paid in Full (1987) 84 Whitney Houston - Whitney Houston (1985) 85 Rage Against the Machine - Rage Against the Machine (1992) 86 Kendrick Lamar - good kid, m.A.A.d city (2012) 87 The New Pornographers - Mass Romantic (2000) 88 Daft Punk - Homework (1997) 89 Yaz - Upstairs at Eric’s (1982) 90 Big Star - #1 Record (1972) 91 M.I.A. - Arular (2005) 92 Moby Grape - Moby Grape (1967) 93 The Hold Steady - Almost Killed Me (2004) 94 The Who - The Who Sings My Generation (1965) 95 Little Richard - Here’s Little Richard (1957) 96 Madonna - Madonna (1983) 97 DJ Shadow - Endtroducing ... (1996) 98 Joe Jackson - Look Sharp! (1979) 99 The Flying Burrito Brothers - The Gilded Palace of Sin (1969) 100 Lady Gaga - The Ame (2009)
"Podem me prender/ Que eu não mudo de opinião”. Na semana em que o ex-presidente Lula foi preso, nós abrimos as grades para deixamos as ideias livres para correr por aí. Representadas em músicas, claro, que é isso que compõe o Música da Cabeça, que hoje terá The Chemical Brothers, Violent Femmes, Arnaldo Antunes, Legião Urbana, Wire, entre outros gritos. Como não poderia deixar de ser, um “Música de Fato” sobre a prisão de Lula e mais “Sete-List” e “Palavra Lê”. Então, te desvencilha das amarras e vem escutar o programa hoje, às 21h, pela Rádio Elétrica. Produção, apresentação e indulto: Daniel Rodrigues.
Fiz recentemente duas aquisições relacionadas com o fascinante mundo dos desenhos animados, que de certa forma coloriram nossas infâncias e mesmo hoje ainda fazem mundo marmanjo parar na frente da TV e dar risada das "maldades" do Pica-Pau, do sadismo do Pernalonga ou do silêncio charmoso da Pantera-Cor-de-Rosa:
"ANIMAQ - O ALMANAQUE DOS DESENHOS ANIMADOS", de Paulo Gustavo Pereira
Um deles é "ANIMAQ - O Almanaque dos Desenhos Animados", uma publicação que acaba sendo um adorável exercício de nostalgia para os fãs de desenhos animados. Lembrar de desenhos esquecidos, de personagens queridos, seus gritos de guerra, seus bordões, seus uniformes. O livro faz uma linha de tempo, desde os anos 30 até hoje, com as datas de produção e exibição, com breves descrições do desenho citando origens, apetrechos, frases, temas musicais e em alguns casos episódios marcantes.
Bastante completo e bem pesquisado, vai desde Betty-Boop, passando pelos clássicos da Hanna-Barbera (Zé Colméia, Flintstones, Scooby-Doo), os da Warner Bros. (Pernalonga, Papa-Láguas, Patolino); os heróis da Marvel (Homem-Aranha, Homem-de-Ferro) e os da DC (Batman, Super-Amigos), citando mangás como Speed-Racer e Cavaleiros do Zodíaco, até chegar aos mais atuais como South Park, Dexter ou os Backyardigans.
Ponto negativo são as excessivas repetições de informação, tipo, se um desenho teve mais de uma versão em décadas diferentes, automaticamente alguma informação acaba sendo mencionada novamente no texto da outra temporada, bem como quando faz menção a desenhos relacionados (algo como, falar de Wally Gator na parte dedicada a ele e repetir a informação quando fala da Hiena Hardy porque fazia parte do Show do Wally Gator também) ou voltar a falar de todos eles nos textos especiais sobre as produtoras (HB, Warner Bros., Disney) o que acaba só acumulando linhas, páginas e deixando por vezes uma leitura ou pesquisa que deveria ser prazerosa, cansativa, repetitiva e meio chata. Mas este defeitinho não é suficiente pra derrubar o bom trabalho do autor, Paulo Gustavo Pereira, e no fim das contas o livro é uma viagem bem legal no túnel do tempo.
Nas páginas finais ainda tem uns extras com alguns textos das locuções de abertura de desenhos como o inesquecível da Corrida Maluca, "aqui estão agora os volantes mais birutas do mundo"; e letras das canções tema, como, por exemplo, a do divertido George da Floresta, "George, George, George of the Jungle/ Strong as he can be/ watch out for that tree!", aí ele dava aquele grito longo imitando Tarzã e dava com a cara na árvore.Lembram?
Pois é, o "ANIMAQ" nos traz este refresco de memória.
Um barato!
"SATURDAY MORNING - CARTOONS GREATEST HITS (1995)
E a propósito de canções de desenhos, a outra compra foi o CD "Saturday Morning", que tem trilhas de desenhos animados gravadas por diversas bandas de rock. Foi lançado em 1995 mas só agora o tenho de verdade. Tive em cassete há um tempo atrás, deixei de ter fitas, tentei baixar na internet e não encontrei, e agora como topei com ele por um precinho camarada, trouxe pra casa.
Nem tudo é MUITO BOM. Coisas como a trilha dos Banana Splits cantada por Liz Phair é bem mais-ou-menos, a dos Bugaloos com Colective Soul é outra bem fraquinha, e o Frente! tocando um tema dos Flintstones ("Open Up Your Heart and Let the Sun Shine In") é muito chato. Mas coisas como "Underdog", tema do Vira-Lata - O Super Cão, com os Butthole Surfers, "Gigantor" com o Helmet, o pequeno medley de "Johnny Quest e Pegue o Pombo" do Reverend Horton Heat, e principalmente a punkíssima versão de "Spiderman" dos Ramones, valem o CD.
Pra animar definitivamente as manhãs de sábado ou qualquer hora de qualquer outro dia da semana.
FAIXAS:
1. Tra la la Song (One Banana, Two Banana) [The Banana Splits] - Liz Phair with Material Issue
2. Go, Speed Racer, Go! [From Speed Racer] - Sponge
3. Sugar, Sugar [From the Archie Show] - Mary Lou Lord with Semisonic
4. Scooby-Doo, Where Are You? - Matthew Sweet
5. Josie and the Pussycats - Juliana Hatfield and Tania Donnely
6. The Bugaloos - Collective Soul
7. Underdog - Butthole Surfers
8. Gigantor - Helmet
9. Spiderman - Ramones
10. Johnny Quest/Stop That Pigeon - [from Dastardly and Muttley in their Flying Machines] The Reverend Horton Heat
11. Open Up Your Heart And Let The Sun Shine In - [from The Flintstones] Frente!
12. Eep Opp Ork Ah-Ah (Means I Love You) - [from The Jetsons] Violent Femmes
13. Fat Albert Theme - [from Fat Albert and The cosby Kids] Dig
14. I'm Popeye The Sailor Man - face to face
15. Friends/Sigmund And The Seamonsters - Tripping Daisy
16. Goolie Get-Together - [from The Groovie Goolies] Toadies
17. Hong Kong Phooey - Sublime
18. H.R. Pufnstuf - The Murmurs
19. Happy, Happy, Joy, Joy - [from Ren and Stimpy] Wax
Enfrentar um original consagrado já é difícil, encarar uma lenda, então, é uma tarefa ainda mais inglória. "O Corvo", 1994, como se não bastasse ser um filme cultuado entre os góticos, darks, o pessoal que curtia a cena alternativa dos anos 80, praticamente o representante cinematográfico dessas tribos, marca a morte trágica, dentro do set de filmagens, do ator Brandon Lee, o protagonista da história que interpreta nada menos que um homem que volta do mundo dos mortos. Era como se fosse o próprio personagem, ninguém mais poderia ter feito aquele filme senão ele. Brandon Lee em tela, na pele do personagem Eric Draven era por si só uma espécie de lenda em movimento.
Por si só o desafio de refilmar "O Corvo" era algo pouco recomendável. Teria que conquistar o fiel público que praticamente endeusa o original, e ainda conseguir algo parecido com o carisma e a aura de Brandon Lee.
Assim, a tarefa mais viável seria uma aproximação com a nova geração de modo a conquistar o público atual. Uma linguagem mais adequada ao século XXI, comportamento, costumes, anseios, etc. O visual, a música, a dinâmica, os hábitos, tudo isso teria que ser repensado. Mas a nova versão de "O Corvo" não atende praticamente nada. Não dialoga com os antigos fãs e nem fica marcante para os novos interessados. Se afasta do original exatamente em pontos que poderia tirar proveito, não consegue imprimir uma estética, uma identidade visual, não empolga, e não consegue personificar em Bill Skarsgard um protagonista carismático.
Em ambos os filmes Eric Draven e sua namorada Shelly Webster são assassinados mas uma entidade sobrenatural permite que aqueles que foram mortos injustamente retornem para realizar sua vingança. Eric então retorna ao mundo dos vivos, incólume fisicamente, imortal, e vai à caça daqueles que os mataram a fim de encontrar e ficar com Shelly no mundo dos mortos.
Basicamente isso mas com algumas diferenças: no primeiro, o casal é assassinado na chamada Noite do Demônio, uma data em que todos os crimes e atrocidades acontecem, sem controle, pelas ruas. O apartamento deles é invadido por uma gangue, ela é brutalmente violentada por todos eles e ele é morto com um tiro. Um ano depois, um pássaro negro misterioso, um corvo, aparece em sua sepultura, o desperta da morte, o guia até o antigo apartamento e, lá, diante das memórias do casal que vão aparecendo para ele em flashes, fica claro que sua alma só descansará mesmo ao lado da namorada quando se vingar daqueles que os mataram. Ele então vai atrás de cada um da gangue.
O cenário é sombrio, a Noite do Demônio é lindamente caótica, a angústia de Eric ao se descobrir morto, ao recuperar as imagens de Shelly é comovente, sua iniciativa de se disfarçar como uma figura assustadora é instintiva e inspirada, e sua maquiagem de arlequim das trevas é simplesmente icônica. Em uma cidade constantemente chuvosa, decadente e sem lei, uma trilha sonora empolgante embala a saga de vingança de Draven dando a morte adequada a cada um que lhes fizeram mal. Imortal, imune à dor, inatingível a balas ele elimina todos os capangas até chegar até o chefão, Top Dollar, um excêntrico figurão que descobre que a força vital do vingador das trevas está no pássaro que o acompanha. Em uma tocaia Top Dollar fere o pássaro e então fica praticamente condições de igualdade para encarar o palhaço imortal num duelo decisivo.
"O Corvo" (1994) - trailer
"O Corvo" (2024) - trailer
Na nova versão, a relação do casal é um pouco mais explorada. Os acompanhamos desde quando se conheceram em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos onde se apaixonam e de onde fogem quando Shelley se diz perseguida por alguém. Ao saírem do sanatório, se refugiam na casa de um antigo amigo dela, onde são assassinados por homens que procuravam algo que estaria em poder da moça. Eric, interpretado por Bill Skarsgård, então acorda numa espécie de limbo onde uma entidade permite que ele retorne à vida para vingá-la desde que nunca duvide de seu amor por ela. Ele concorda mas ao retornar e entender os envolvimentos dela e do que os bandidos estavam atrás, ele fraqueza quanto a seu sentimento e morre novamente. Desesperado ela tenta um último acordo com o guia do além, de matar Roeg, o líder de uma seita satanista que estava atrás de segredos que Shelly escondia, de modo a trocar sua alma pela dela no inferno.
Aí, sim, Draven volta, empoderado, imortal, impenetrável a tiros, regenerado a ferimentos, e vai buscar o homem que prende a alma da namorada morta no inferno. Na trilha de sangue e vingança que Eric deixa, Roeg descobre os poderes sobrenaturais do jovem e resolve então roubá-los de modo a aumentar ainda mais seu poder demoníaco. Eles terão então um confronto final que definirá se Roeg conseguirá seus objetivos malignos ou se Eric conseguirá salvar a alma de sua amada.
A trama até tem mais complexidades, o casal, sua origem, a natureza de sua relação são mais explorados desde o início, a motivação inicial do vilão é menos simplória, mas nada disso garante maior qualidade. As nuances da história, personagens secundários dispensáveis, elementos pouco relevantes, afastam a trama de um ponto central; a introdução à relação de Eric e Shelly fica longa, maçante e ocupa uma parte significativa do filme sem que alguma coisa realmente avance; sem falar que a natureza do vilão, Roeg, tipo um 'demonista' ambicioso, seu envolvimento com a garota, o segredo que ela guarda é tudo simplesmente estapafúrdio.
Pra completar, cenários CGI tipo Marvel, personagens caricatos, atuações constrangedoras... "O Corvo" de 2024 dói de ruim.
De positivo, temos o bom confronto final com Roeg e as cenas de luta com muita violência gráfica e inventividade. No mais, é só buscar a bola no fundo da rede.
Um pelo visual, a ambientação, a cidade escura, decadente, chuvosa, em chamas. As vistas aéreas, as perseguições nos telhados a visão distorcida pelo olho do pássaro. Tudo demais! 1x0 .
Dois pelo figurino e maquiagem do protagonista, aquela cara branca de palhaço sorridente numa alma triste, sombria e torturada, aquele cabelo escorrido, desgrenhado, a roupa de couro preto. Uma figura sinistramente cativante que, como se não bastasse, toca guitarra pelos telhados da cidade. Muito rock'n roll, muito dark: 2x0 .
Três pela trilha sonora eletrizante e muito bem escolhida com nomes como Jesus and Mary Chain, Nine Inch Nails, Helmet, Violent Femmes e The Cure, talvez os grandes representantes e inspiradores de todo o visual do personagem. 3x0 .
E por falar na banda de Robert Smith, o quarto gol vai por conta da cena do 'surgimento' do Corvo, o momento em que, ao som da espetacular "Burn" do The Cure, no loft do casal, as memórias chegam torturando o jovem Eric, ele repassa angustiantemente o roteiro da noite de terror, entende seu destino de vingança, pinta o rosto inspirado numa máscara teatral de arlequim e, decidido, sob a luz de relâmpagos, olha do alto de sua janela redonda, a cidade onde começará sua caçada. 4x0 .
"O Corvo" (1994) -
A "transformação" de Eric Draven
O quinto vai pela importância do corvo, do pássaro em si, no original, enquanto que no remake ele é subutilizado, meramente alegórico e quase sem importância. É ele quem vai à cova de Draven trazê-lo de volta dos mortos, é nele que está a força vital do personagem vingador, e é ele quem guia nosso herói pelas cidade, e as cenas sobrevoando do alto, com a visão do pássaro, são simplesmente incríveis. Não tem Pato, Ganso, Falcão? Por que que não pode ter gol do corvo também! É gol do Corvo! 5x0 .
O sexto é dele, Brandon Lee. Além de ser filho de craque, do mítico Bruce Lee, Brandon era carismático e perfeito para o papel. Só que acabou infelizmente tornando-se legendário pelo pior motivo possível: uma arma disparada por acidente nas filmagens que veio a tirar sua vida. Mesmo incompleto, com cenas de dublês e remendos digitais, o mero fato de ter sido concluído depois de sua morte, fez do filme, sombrio sobre morte e ressurreição, algo ainda maior e só aumentou seu culto. Brandon é o nome do gol! 6x0 Corvo '94.
Como já mencionado, o gol de honra da nova versão fica por conta das ótimas cenas de luta, especialmente na da sequência da ópera em que nosso herói vai com uma espada katana atrás de seus inimigos. Ótimas coreografias de luta, mortes criativas, muito sangue e muita brutalidade. 6x1 para o original.
E é fim de papo. O time de '94 manda seu desafiante de 2024 para a cova sem direito a ressurreição.
À esquerda, o original e à direita o remake: 1.Brandon Lee e Bill Skarsgård como o vingador morto-vivo; 2. As duas Shelly Webster, a do primeiro, bem mais sombria; 3. A trilha de vingança do Corvo, no original mais estética, praticamente uma obra de arte para cada morte, no remake o que temos são boas cenas de luta; 4. O elegante e excêntrico Top Dollar, da primeira versão, e o caricato satanista Roeg da segunda; 5. No original, Eric Draven com sua guitarra pelos telhados da cidade decadente e chuvosa, na refilmagem, o único instrumento que ele empunha é uma espada samurai mesmo; 6. O 'surgimento' do corvo nas duas versões, apoteótico no primeiro e artificial no segundo.