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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Atividade Paranormal" de Oren Peli (2009)




Fui ver ontem no cinema “Atividade Paranormal”. Muito parecido com “A Bruxa de Bair”, muito mesmo. É um filão do cinema que está na moda esta coisa documentarística, câmera na mão, filmagem sugeridamente amadora; tipo “REC” e “Cloverfield-Monstro”, por exemplo; e este “Atividade Paranormal” segue o mesmo rumo com uma inteligência de gancho de roteiro que confere uma saudável sensação de realismo às cenas. A ideia? Filmagem de fenômenos paranormais dentro de uma casa. Ótima! Pena os atores serem fracos, mas o que afinal não acaba prejudicando a idéia do filme, porque a favor do realismo proposto, faz parecer às vezes que são pessoas comuns que não se sentem de todo confortáveis em frente à câmera.
O lance todo é uma garota se diz atormentada desde criança por alguma coisa paranormal, assombração, espírito ou algo assim, e o namorado meio cético resolve tirar a limpo o negócio filmando tudo que fazem durante o dia e deixando a câmera e microfones ligados à noite e, principalmente nestas horas, a câmera parada registra coisas ora silenciosas, ora barulhentas, ora estaticamente assutadoras. Portas mexendo, sombras, passos na escada, luzes acendendo. Tudo sem que o “negócio” apareça. E este é o grande ganho do filme. O invisível!
“A Bruxa de Blair” que certamente o inspirou, também joga com os mesmos elementos, e é claro investe neste desconhecido também, mas talvez a vantagem que “Atividade Paranormal” tenha em relação a seu antecessor de sucesso seja o ambiente CASA. Casas assombradas sempre foram símbolos de terror, e o coquetel casa+escuridão+movimentos+portas+invisível+desconhecido formam uma combinação verdeiramente assustadora.
Ao passo que em “Blair Witch Project” os sustos e as expectativas eram mais raros e esperados, aqui eles são uma constante cada vez que o casal apaga a luz e vai dormir. Só de vê-los deitados já ficamos com a atenção aguçada para os ruídos e para todo canto da tela. Ponto alto é quando a menina é puxada por algo que não aparece e arrastada corredor afora (e a câmera só ali parada no tripé).
No fim das contas, você no cinema pode até achar “ah, nem é muuuito assutador”; até mesmo ouvi risos ao final da sessão – que seja dito, dos mesmos que quase grunhiam durante algumas cenas. Que seja. “Atividade Paranormal” não é exatamente um filme pra assustar na hora, ele deixa a sensação de medo. Queria ver estes mesmos que riram no cinema, ao chegar em casa na hora de apagar a luz pra dormir.
***
OBS. Curiosamente é o tipo do filme que, em nome da sensação, é melhor ver em DVD em casa do que ver no cinema. Imagina desligar o aparelho e ir da sala até o quarto? E depois no quarto?



Cly Reis

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"Círculo do Medo" (1962) de J.Lee Thompson e "Cabo do Medo" (1991) de Martin Scorcese




Tava passando no TCM, era a sessão dos 50 filmes pra assistir antes de morrer e eu não tinha visto ainda. Então, eu não podia correr o risco de morrer (toc, toc, toc) sem ver "Círculo do Medo", de J.Lee Thompson que renderia posteriormente uma refilmagem de Martin Scorcese entitulada aqui no Brasil "Cabo do Medo" (que aliás é o nome original da versão antiga também.
Minha curiosidade residia muito em ver como a versão original caracterizava o terrível Max Cady, vivido por Robert de Niro no remake, e como se configurava a relação do criminoso com o advogado que o metera na cadeia. Cady no original é vivido por Robert Mitchum que, a propósito de atuações perversas e assustadoras, já havia protagonizado o ótimo "Mensageiro do Diabo" de forma maligna, e aqui para minha surpresa não fica devendo nada à interpretação de De Niro. Mictchum consegue ser tão sinistro quanto, tão sarcástico quanto, tão sádico quanto e só não mais violento porque o cinema da época não permitiria. Mas mesmo assim o filme é curiosamente muito ousado neste apecto para sua época (e não à toa, tendo problemas com censura), sendo até mesmo extremamente insinuante em determinados momentos como no evidente desejo do maluco pela filha semi-adolescente do advogado ou no suposto estupro da esposa do mesmo.
Um outro elemento que tinha curiosidade de saber como era colocada na versão antiga era se estava presente o elemento anti-ético apresentado na refilmagem que levara Max Cady à cadeia. E realmente não, não havia este elemento e este provavelmente foi o grande ganho de Scorcese em relação à versão antiga. Com a introdução de questões morais e éticas, transgredidas por todos os envolvidos em determinado momento do filme, Scorcese conseguiu fazer com que ninguém ficasse como anjinho na história e em determinado momento a família ameaçada fica minada por estas questões dentro do próprio lar.
Os dois Max Cady, ambos de dar medo,
cada um à sua maneira
Lógico, é certo que o Max é um psicopata, um criminoso, mas o diretor faz com que não deixemos limpo em nosso julgamento, um advogado, que jurou defender a lei e a verdade, e que omitiu provas para pôr atrás das grades seu próprio cliente. Não acabamos torcendo pelo vilão, mas acabamos sim com um certo asco e desprezo pelo novo Sam Bowden, interpretado por Nick Nolte, ao passo que o antigo, Gregory Peck, o máximo que faz de ilegal foi chamar uma gangue pra dar um corretivo no delinqüente.
Salvo isto, "Círculo do Medo (1962)" é excelente até em termos de direção com algumas cenas quase que rigorosamente copiadas por Scorcese tamanha a qualidade da filmagem original de J.Lee Thompson.
Suspense de primeira, com certeza muito inspirado em Hitchcock, o que fica mais evidenciado ainda pela trilha sempre arrepiante do colaborador de Hitch, Bernard Herrmann.
Vale a pena ver os dois!


Cly Reis

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A culpa foi exclusivamente do Inter


Findo o Campeonato Brasileiro de Futebol, o mais emocionante, mais disputado, mais equilibrado dos últimos tempos, eu, colorado, dispensarei algumas linhas sobre o assunto, até porque meu time era até a derradeira rodada direto interessado nos fatos e acontecimentos que a cercavam.
Quero dizer que se chegamos à última rodada dependendo de um resultado paralelo e sobretudo de um resultado paralelo exatamente do nosso arquirrival isto não é culpa de ninguém menos que do próprio Internacional que fez durante quase todo o segundo turno, depois de ter sido o campeão do primeiro, uma campanha de rebaixado, dando uma guinada no final que não só o livrou desta situação embaraçosa, como também lhe garantiu a incrível possibilidade de ver-se de repente lutando por um título que parecia totalmente inalcançável. Ajudado pela instabilidade emocional, técnica e administrativa do Palmeiras e pela queda repentina do São Paulo quando tinha a faca e o queijo nas mãos, e por uma pequena reação, o Colorado acordou depois da trigésima sexta rodada com a possibilidade palpável de um título que nem a torcida mais acreditava. Eu, particularmente, já estava dando graças a Deus se confirmasse uma vaguinha na Libertadores, nem que fosse aquela indireta, mas num piscar de olhos o título parecia possível. Só que o destino (e o Corinthians) quis(eram) que com a combinação dos penúltimos jogos de cada um que o Flamengo ficasse com uma vantagem em relação ao Inter, que só seria revertida com uma ajuda improvável do nosso principal rival.
Ora, o resto do Brasil parecia não conhecer o tamanho disso, os cariocas, os flamenguistas pareciam não saber dimensionar o tamanho desta rivalidade. Eles não entendiam que NUNCA o Grêmio permitiria que o Internacional conquistasse um título importante se eles pudessem impedir, e não só podiam, como estava nas mãos deles.
Festa feita, Flamengo Campeão, Grêmio botou os juvenis pra jogar, tirou os melhores jogadores do jogo (Maxi e Souza), não chutou mais a gol no segundo-tempo, tudo bem? Nada disso tem a ver com o título. O Internacional não deixou de ganhar este tetracampeonato porque o Grêmio foi desinteressado pro Maracanã. Deixamos de ganhar este campeonato em uma série de jogos fáceis, jogos ganhos nos quais deixamos a vitória escorrer entre os dedos. Perder para o Corinthians em casa acontece, mas não pode acontecer quando o time paulista vai desfigurado, sem 7 ou 8 titulares, sem Ronaldo, sem o bom goleiro titular. E perdemos. De 2x1. E massacrando o adversário mas não conseguindo fazer gols. Massacramos também o Atlético PR, que era um dos últimos naquele momento, e não saímos do empate em casa. A propósito de últimos, deixamos o Fluminense empatar aos 47 do segundo-tempo. Tá certo que este jogo foi fora de casa, que o Fluminense teve toda essa reação e tudo mais, mas NÃO; contra um dos lanternas, no finalzinho do jogo; espana, joga a bola pra longe, faz cêra, cai, seja expulso mas não deixa empatar. E pra completar, e aí sem desculpa mesmo, foi a gota d'água perder em casa para o Botafogo, que também estava na rabeira do campeonato, tendo levado um gol aos 3 do primeiro tempo e depois não tendo conseguido reagir durante os outros 87 minutos. Não pode. Não pode ser campeão mesmo. Depois querem atribuir ao Grêmio, aos reservas, ao corpo-mole.
Até acho que no fim das contas, se alguém neste campeonato jogou bola de verdade foi o Flamengo. Teve enfrentamentos difíceis e superou, como nas vitórias contra Palmeiras e Atlético fora, por exemplo, coisa que o Inter não fez, só tendo ganho de algum postulante ao título agora no finalzinho quando bateu o Galo no Mineirão.
No fundo não lamento muito. Gostaria de ter o título é claro, mesmo às custas do rival, mas pra quem como eu, em determinado momento vendo as atuações do time não cria nem em Libertadores,chegar em segundo acabou sendo grande coisa. Agora é pensar no Bi da América. Com um pouquinho de planejamento, alguns reforços pontuais e mais garra no próximo ano até dá. Tudo é Libertadores!


Cly Reis

domingo, 6 de dezembro de 2009

"Vicky Cristina Barcelona' de Woody Allen (2008)


Esta semana, mesmo, por acaso, li em algum lugar, um comentário afirmando que o Woody Allen bom era o dos anos 70. Deve-se admitir que as obras-primas do diretor encontram-se com efeito nesta fase, como "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar" e "Manhattan", tendo ainda uma produção bastante interessante nos 80 com jóais como "Hannah e suas irmãs" e "Zelig", mas verdadeiramente começa a dar sinais de estafa criativa e qualitativa nos 90, mesmo assim, neste período, ainda conseguindo produzir o ótimo e divertido "Misterioso Assassinato em Manhattan" em 1993 e o bom "Poderosa Afrodite". O novo século pelo visto não tem sido muito auspicioso para Allen, depois de uma série de fracassos logo na virada do milênio, parece estar tentando reencontrar o caminho. Tenho que admitir que não vi "Dirigindo no Escuro", "O Escorpião de Jade", "Os Trapaceiros" mas sei que o próprio Allen afirma fazerem parte de sua pior fase como cineasta. Com um testemunho desses acho que nem vou arriscar.
Não vinha assistindo muito a estes mais novos também porque aqui em casa há uma restrição (da patrôa) a Woody Allen e, como na medida do possível a gente pega filmes para ver juntos, acabava deixando passar filmes que até me interessam como "Scoop" e "Melinda e Melinda" para o qual tenho boas recomendações. Curiosamente, neste sábado procurando filmes na locadora ela demonstrou interesse em "Vicky Cristina Barcelona" do qual eu ouvira falar bem. Ôpa! Oportunidade de ver Allen em casa na Sessão Conjunta com a mulher.
Só que lamentavelmente o filme não é lá essas coisas. Aliás é bem fraco. Uma história bem inconsistente, um roteiro incrivelmente óbvio com falas até mesmo previsíveis e um humor bastante duvidoso. Pra piorar, o filme todo é conduzido por uma narração que, salvo toda a minha paciência de tentar descobrir onde queria-se chagar com aquilo, mostrou-se absolutamente desnecessária. Não era necessário narrar o que eu estava vendo, estava ali na tela ou ia estar dali a segundos. Uma condução de filme totalmente equivocada.
A locação em Barcelona, a mistura de línguas, o cenários, a fotografia, me parecem mais uma expressão de paixão momentânea ou descoberta do diretor de algum outro lugar que não Manhattan, onde, sinceramente, acho que ele deveria continuar. Até por inspiração mesmo. O fator Espanha, o fator Barcelona, com Javier Barden e Penélope Cruz, o intimismo, a comédia velada, só fez com que ficasse com uma cara meio Almodóvar no fim das contas e, na boa, se é pra ver Allen assim, eu prefiro ver um Almodóvar mesmo.
Como disse, tenho boas referências de "Melinda e Melinda" e pretendo ver uma hora dessas. Só que pelo jeito vai ter que ser sozinho na sessão da madrugada. Acho que depois desse perdi de vez a boa vontade da minha mulher em ver Woody Allen.


Cly Reis

Berinjela Beligerante



sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PIL (Public Image Ltd.) - "Metal Box (1979)




O Public Image Limited é a banda criada por John Lydon, o ex-Johnny Rotten dos Sex Pistols após a dissolução da banda quando o movimento punk já se mostrava cansado e moribundo. Não que a experiência não tivesse sido válida, que não tivesse sido importante ou deixado um legado, mas o grito do punk em si, já começava a ficar sem sentido, e sem perceber ele já tinha ramificado para tanta coisa que nem a sua linguagem mias já permanecia pura. Foi isso que viu John Lydon ao fundar o PIL. A new-wave aparecia, a disco-music era a onda, o pós-punk assumia diversas formas e um cara antenado, inquieto, inteligente não ia querer ficar só vociferando e xingando a rainha a vida toda. Os punks o renegaram, “Traidor do movimento”, “Judas”. Mas e daí? Ele lá tem cara de que se importa com isso? Acho que pelo contrário. Quanto mais batem, mais ele gosta.
O primeiro disco, homônimo à banda, (ou também chamado de “First Issue”), já transparecia a mudança, com visíveis concessões pop, mas foi em "Metal Box”, o segundo, que John Lydon achou a liga. Curiosamente num ambiente conturbado cheio de brigas e dificuldades de gravação, de onde seria provável que não saísse algo coeso, aparece um álbum que desfila e brinca com os estilos vigentes da época, volta ao punk e ao mesmo tempo oferece rumos para o pop-rock dos anos 80. Até mesmo seu formato de apresentação, inusitado, lançado originalmente como álbum triplo em uma lata de rolo de filme, “Metal Box” parece com este invólucro pesado e hermético querer proteger o ouvinte do “perigo” à sua exposição. E quando se ouve é quase isso. “Metal Box” é um disco perigoso!
Abre com a quilométrica “Albatross” que se arrasta como um longo vôo da ave com um baixo primoroso e cadenciado do cara que é considerado o melhor pior baixista do mundo, Jah Wobble, e que neste disco em especial parece estar, dentro da sua pouca técnica, extremamente inspirado no que diz respeito a criatividade;ora é minimalista, ora elaborado, ora jazzístico e muitas vezes bem disco-music como na ótima “Swan Lake”, (conhecida também como “Death Disco”), esta uma das melhores faixas do álbum.
"Poptones” não à toa tem este nome pois ela aponta um horizonte de levada pop que serviria para o resto da década e talvez além. Igualmente com uma linha de baixo destacada e agradável, em “Poptones” Lydon desfila sua voz com aquele costumeiro tom sarcástico só que aqui parece um pouco mais light e relaxado.
“Careering” que a segue, tem destaque para uma bateria bem marcada e com constantes improvisos entre os tempos, e “The Suit” um dub solo de baixo com uma voz quase sussurada de Lydon, também vale o destaque. Outro dos pontos altos é “Socialist”, uma composição instrumental tipicamente punk mas com uns tecladinhos quase infantis que suavizam a levada agressiva. “Chant” com sua bateria alta é minimalista e agressiva, num clima meio caótico, cantada em insistentes repetições; e apenas como trilha de encerramento “Radio 4”, levinha, tocada no teclado por Keith Lavene, baixa a poeira e faz as honras de fechar esse discaço.
Álbum fundamental!

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FAIXAS:
1. Albatross
2. Memories
3. Swan Lake
4. Poptones
5. Careering
6. No Birds
7. Graveyard
8. The Suit
9. Bad Baby
10. Socialist
11. Chant
12. Radio 4

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Ouça:
PIL Metal Box


Cly Reis

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Os Causo de Dois Morro - "Camponato Brasilêro"


Essa coisa toda de Camponato Brasilêro; Framengos, Sonpaulo, Ternacionar, Parmera; tudo quase empatado, me alembra aquele certame de ’31 quando o Doismorrense perdeu o títlo nacionar por caus’ de uma tramóia do nosso co-irmão, o Província. Naquelas época o Dois Morro fazia parte do Brasir e jogava o camponato de vocêis. Sei dizê que a peleia tava mais embolada que pêlo de carnero sujo, sabe? Sabe quando tá sujo que chega a tá grudento? É, assim que tava o camponato. Todo mundo junto. Chego na penúrtima rondada com 4 time tudo iguar, mas iguar assim que nem que um caminhão cheio de melancia. Jogo ganhado, jogo perdido, jogo robado, gôlo feito, gôlo levado, tudo. Cartão marelo, vermeio, de visita, de crédito. Tudo iguar que não ia tê jeito de desempatá. Aí que na penúrtima, o Doismorrense ganhô do Companhia das Índia Ocidentar, lá de Pernambuco, por 2x0 com dois gôlo do Zuninga (saudoso Zuninga); o Província só se empatô lá nas Minas Gerais com o Inconfidência; o Recreativo, de Sonpaulo, levô um arrodião do Tomé de Souza e se despediu da taça; e o Repúbrica ganhô do Ventura por 4x1 e ficô com vantage de gôlo pra úrtima rondada.
Entonces que fico assim: o Província, que era o mais inimigo do Doismorrense ia pegá o Repúbica da capitar no úrtimo jogo, e se ganhava e o Doismorrense passava pelo Cerrado, que tinha perdido pra todo mundo, o Doismorrense levava o trofér. Só que os provinciense não querío dá essa alegria pra nóis aqui de Dois Morro e tavo armando de entregá o jogo pro Repúbrica pra modo deles sê campeão. Dizío que não; "Comé que nóis ia fazê uma coisa dessa?”, “Magina!, Nóis entregá? Não, nóis somo gente direita.”, mas a claque deles pedío pelamordedeus pr’eles entregá pra não dá ôtro títlo pro Doismorrense.
No dia dos jogo, o Doismorrense passô por cima do Cerrado, fêiz 9x2, com brilhante atuação do Restilo, que anoto 3 vêis na meta diversária. Só que lá na capitar se deu-se fatos mui estranhosos: o Província logo no comêço, deu a saída, um jogador recuô pro golkíper e a bola entrô. 1x0 pro Repúbrica com 2 segundo de embate. O Província deu ôtra saída e o jogador deles fêiz que foi passá pro companhêro na esquerda e deu um lançamento pro center-forward do Repúbrica que foi como se botasse ca’ mão. Pronto: o tar de Júlio César, que a torcida do Repúbrica chamava de Imperador, dibrô o golkíper e encaçapô mais um. Sei que foi gôlo estranho de tudo qué tipo: gôlo contra cobrando remesso laterar, beque cobrando tiro-de-meta de carcanhá pro póprio gôlo, treinero do time que saiu da área ténica e foi lá cabeceá contra no córner. Uma vergonha! Cabô 8x0 pro Repúbrica que se sagrô-se campeão daquele ano.
Mas o pisódio foi tão marcante, tanto se falô-se da marmelada que ficô, tão feio, mas tão feio pros jogador do Província que eles só andavo na rua com pacote de supermercado na cabeça. Quase todos eles não conseguiro mais jogar em ôtros time que ficáro com medo deles entregá jogo de novo, deles fazê corpo-mol em jogo importante, e essas coisa assim. A maioria deles parô de jogá cedo, lá pelos meado de 1935 e acabaro pobre, sem trabáio e afogado na cachaça.
Só sei que o Província dexô de existí pôco dispois por causa dessa vergonha, o Repúbrica mudô de nome, o Recreativo virô só crube de piscina, e os ôtros fôro fechando as porta. Aí que em '71 inventaro esse ôtro Camponato Brasilêro dos tempo de agora com esses time aí. Mas bom mesmo era naquele tempo. Aquilo sim é que era futebór!


postado por Chico Lorotta

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ELVIS






"Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino (2009)





Como disse aquele médico do “Hellraiser 2” que depois de ter resitido tanto em ser levado pelos Cenobitas, então se regozija com os prazeres da dor:”E PENSAR QUE EU HESITEI!’.
E dizer que eu resisti a ir a um cinema ver “Bastardos Inglórios”. E o pior, que eu prejulguei de maneira tão leviana. Que eu subestimei a capacidade de um dos meus diretores preferidos. Mea culpa. Mea maxima culpa!Apostava, quando desdenhei do filme, que os elementos típicos de Tarantino já estivessem ficando desgastados e que simplesmente estariam aplicados agora a um tipo de cenário atípico até então na sua filmografia, a guerra, mas já com a “piada” gasta. Em parte é verdade. Está tudo lá; os flashblacks, a violência, a divisão do filme em partes, os diálogos longos; só que tudo colocado perfeitamente bem e aplicado diferentemente do que em seus outros filmes. Em “Bastardos...”, mesmo com esta segmentação do filme, o roteiro é mais linear e os flashbacks funcionam quase que como um apoio à história e não a desconstrói como Tarantino costuma fazer. Os diálogos longos e que parecem improdutivos até chegarem a um ponto chave também aparecem e de forma muito bem construída e inteligente como no caso da visita do coronel alemão à casa de um camponês na França ocupada, na qual ele enrola, enrola, enrola, e brilhantemente a conversa chega a o ponto que ele queria. Aliás, este personagem, o Coronel Hans Landa, é o objeto especial para o desfile das melhores “conversas-fiadas” que Tarantino adora desenvolver em seus roteiros, e diga-se de passagem com uma atuação excepcional, entre o cômico, o charmoso e o brutal, de Christoph Waltz.
A propósito de brutalidade, não poderia faltar a violência que sempre foi marca registrada dos filmes do cara e neste, não faz por menos também. O curioso é que ele trata, no mais das vezes , de forma tão banal, tão natural, tão spaghetti, que quase não causa o impacto que deveria causar. Por exemplo, os escalpos de nazistas: os Bastardos o fazem como se descascassem laranjas e até por esta naturalidade acaba nem doendo nos olhos do espectador. Tipo, faz parte da história. É isso aí. Depois do primeiro escalpo passa a ser engraçado. Tão engraçadas quanto as marcas que o caricato Aldo Rayne, vivido por Brad Pitt, faz na testa do nazistas, este aliás com uma atuação que não me convenceu. Sei que a interpretação faz parte da proposta da construção do personagem, mas o tipo que ele faz, as caras e bocas ficaram muuuiito forçadas. Mas vá lá. Não chega a estragar o todo.
Não contando o final do filme mas me valendo da última frase dita nele, “acho que esta é minha obra prima”, como se fosse a manifestação de Tarantino pela boca do Ten. Aldo Rayne, não acho que seja a obra-prima do cara, mas, ao contrário do que eu imaginava quando escrevi anteriormente, Tarantino está melhorando ainda mais seu cinema dentro da sua linguagem.
Não duvido mais do cara. Prometo.




Cly Reis

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

25 Melhores Riffs de Guitarra de Todos os Tempos

Em mais uma destas tantas listas que aparecem por aí, o site Music Radar, promoveu uma eleição entre os leitores sobre o Melhor riff de guitarra de todos os tempos. Pra quem não sabe, o riff é praticamente como se fosse a assinatura da música. Aquela melodia básica que quando toca você já identifica a música, a banda ou uma época.
Os leitores da Musica Radar botaram "Voodoo Child" do Hendrix no topo. Na minha opinião não diria que é "O RIFF" mais marcante. Do prórpio Hendrix eu escolheria por exmplo "Purple Haze" que aparece lá atrás na 22° posição. Mas verdadeiramente, a minha preferida no quesito é "Smoke on the Water" que para mim é quase um sinônimo de rock'nroll e que qualquer um cantarola entre os dentes imitando a distorção.
Destaco também na lista deles a inclusão justa, mas para mim inesperada pela atualidade, de "Seven Nation Army" dos White Stripes, provavelmente um dos riffs mais marcantes dos últimos tempos.

Eis aí os 25 melhores da Music Radar:

1 - "Voodoo child", Jimi Hendrix
2 - "Sweet child o' mine", Guns N' Roses
3 - "Whole lotta love", Led Zeppelin
4 - "Smoke on the water", Deep Purple
5 - "Layla", Derek and the Dominos
6 - "Back in black", AC/DC
7 - "Enter sandman", Metallica
8 - "Day tripper", The Beatles
9 - "Smells like Teen Spirit", Nirvana
10 - "(I can't get no) satisfaction", The Rolling Stones
11 - "Paranoid", Black Sabbath
12 - "Plug in baby", Muse
13 - "Ain't talkin' 'bout love", Van Halen
14 - "You really got me", The Kinks
15 - "Seven nation army", The White Stripes
16 - "Highway to hell", AC/DC
17 - "Heartbreaker", Led Zeppelin
18 - "Iron man", Black Sabbath
19 - "Black dog", Led Zeppelin
20 - "Beat it", Michael Jackson
21 - "Paperback writer", The Beatles
22 - "Purple haze", Jimi Hendrix
23 - "Whole lotta Rosie", AC/DC
24 - "Johnny B Goode", Chuck Berry
25 - "Sad but true", Metallica



E o seu? Qual o seu favorito?

Deixe em comentários.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

200 Melhores Músicas de Todos os Tempos

Saiu uma dessas listas da Rolling Stone com as 200 melhores músicas de todos os tempos.
Concordo com muitas, é lógico, discordo de alguma ordem que outra mas fundamentalmente me parece uma lista excessivamente conservadora. Só foi no certo. Não arrisca quase nada acima dos anos 80. Pode ser que o crítico, os críticos, os votantes, sei lá quem, realmente achem que não existe nada que valha a pena nos últimos tempos, mas assim parece uma lista de melhores até 1975, com raras exceções.
Exceção louvável é ver o Nirvana com justiça já figurar nas 10 primeiras posições.
Vale pela curiosidade:

1. Bob Dylan "Like a Rolling Stone" 1965
2. Rolling Stones "(I Can't Get No) Satisfaction" 1965
3. John Lennon "Imagine" 1971
4. Marvin Gaye "What's Going On" 1971
5. Aretha Franklin "Respect" 1967
6. Beach Boys "Good Vibrations" 1966
7. Chuck Berry "Johnny B. Goode" 1958
8. Beatles "Hey Jude" 1968
9. Nirvana "Smells Like Teen Spirit" 1991
10. Ray Charles "What'd I Say" 1959
11. The Who "My Generation" 1966
12. Sam Cooke "A Change Is Gonna Come" 1965
13. Beatles "Yesterday" 1965
14. Bob Dylan "Blowin' in the Wind" 1963
15. The Clash "London Calling" 1980
16. Beatles "I Want to Hold Your Hand" 1964
17. Jimi Hendrix "Purple Haze" 1967
18. Chuck Berry "Maybellene" 1955
19. Elvis Presley "Hound Dog" 1956
20. Beatles "Let it Be" 1970
21. Bruce Springsteen "Born To Run" 1975
22. The Ronettes "Be My Baby" 1963
23. Beatles "In My Life" 1966
24. Impressions "People Get Ready" 1965
25. Beach Boys "God Only Knows" 1966
26. Beatles "A Day in the Life" 1967
27. Derek and the Dominos "Layla" 1971
28. Otis Redding "Sitting on the Dock of the Bay" 1968
29. Beatles "Help!" 1965
30. Johnny Cash "I Walk the Line" 1956
31. Led Zeppelin "Stairway To Heaven" 1971
32. Rolling Stones "Sympathy For The Devil" 1968
33. Ike and Tina Turner "River Deep, Mountain High" 1966
34. Righteous Brothers "You've Lost That Lovin' Feelin'" 1964
35. The Doors "Light My Fire" 1967
36. U2 "One" 1991
37. Bob Marley and the Wailers "No Woman No Cry" 1974
38. Rolling Stones "Gimme Shelter" 1969
39. Buddy Holly and the Crickets "That'll Be the Day" 1957
40. Martha and The Vandellas "Dancing In The Street" 1964
41. The Band "The Weight" 1968
42. The Kinks "Waterloo Sunset" 1967
43. Little Richard "Tutti Frutti" 1956
44. Ray Charles "Georgia On My Mind" 1960
45. Elvis Presley "Heartbreak Hotel" 1956
46. David Bowie "Heroes" 1977
47. Simon and Garfunkel "Bridge Over Troubled Water" 1969
48. Jimi Hendrix "All Along The Watchtower" 1968
49. The Eagles "Hotel California" 1977
50. Smokey Robinson and the Miracles "The Tracks Of My Tears" 1965
51. Grandmaster Flash and The Furious Five "The Message" 1982
52. Prince "When Doves Cry" 1984
53. Sex Pistols "Anarchy In The UK" 1977
54. Percy Sledge "When A Man Loves A Woman" 1966
55. The Kingsmen "Louie Louie" 1963
56. Little Richard "Long Tall Sally" 1956
57. Procol Harum "Whiter Shade Of Pale" 1967
58. Michael Jackson "Billie Jean" 1983
59. Bob Dylan "The Times They Are A-Changin'" 1963
60. Al Green "Let's Stay Together" 1971
61. Jerry Lee Lewis "Whole Lotta Shakin' Goin' On" 1957
62. Bo Diddley "Bo Diddley" 1957
63. Buffalo Springfield "For What It's Worth" 1968
64. Beatles "The She Loves You" 1964
65. Cream "Sunshine of Your Love" 1968
66. Bob Marley and the Wailers "Redemption Song" 1968
67. Elvis Presley "Jailhouse Rock" 1957
68. Bob Dylan "Tangled Up In Blue" 1975
69. Roy Orbison "Cryin'" 1961
70. Dionne Warwick "Walk On By" 1964
71. Beach Boys "California Girls" 1965
72. James Brown "Papa's Got A Brand New Bag" 1965
73. Eddie Cochran "Summertime Blues" 1958
74. Stevie Wonder "Superstition" 1972
75. Led Zeppelin "Whole Lotta Love" 1969
76. Beatles "Strawberry Fields Forever" 1967
77. Elvis Presley "Mystery Train" 1956
78. James Brown "I Got You (I Feel Good)" 1965
79. The Byrds "Mr. Tambourine Man" 1968
80. Marvin Gaye "I Heard It Through The Grapevine" 1965
81. Fats Domino "Blueberry Hill" 1956
82. The Kinks "You Really Got Me" 1964
83 Beatles "Norwegian Wood" 1965
84. Police "Every Breath You Take" 1983
85. Patsy Cline "Crazy" 1961
86. Bruce Springsteen "Thunder Road" 1975
87. Johnny Cash "Ring of Fire" 1963
88. The Temptations "My Girl" 1965
89. Mamas And The Papas "California Dreamin'" 1966
90. Five Satins "In The Still Of The Nite" 1956
91. Elvis Presley "Suspicious Minds" 1969
92. Ramones "Blitzkrieg Bop" 1976
93. U2 "I Still Haven't Found What I'm Looking For" 1987
94. Little Richard "Good Golly, Miss Molly" 1958
95. Carl Perkins "Blue Suede Shoes" 1956
96 Jerry Lee Lewis "Great Balls of Fire" 1957
97. Chuck Berry "Roll Over Beethoven" 1956
98. Al Green "Love and Happiness" 1972
99. Creedence Clearwater Revival "Fortunate Son" 1969
100. Rolling Stones "You Can't Always Get What You Want" 1969
101. Jimi Hendrix "Voodoo Child (Slight Return)" 1968
102. Gene Vincent "Be-Bop-A-Lula" 1956
103. Donna Summer "Hot Stuff" 1979
104. Stevie Wonder "Living for the City" 1973
105. Simon and Garfunkel "The Boxer" 1969
106. Bob Dylan "Mr. Tambourine Man" 1965
107. Buddy Holly and the Crickets "Not Fade Away" 1957
108. Prince "Little Red Corvette" 1983
109. Van Morrison "Brown Eyed Girl" 1967
110. Otis Redding "I've Been Loving You Too Long" 1965
111. Hank Williams "I'm So Lonesome I Could Cry" 1949
112. Elvis Presley "That's Alright (Mama)" 1954
113. The Drifters "Up On The Roof" 1962
114. Crystals "Da Doo Ron Ron (When He Walked Me Home)" 1963
115. Sam Cooke "You Send Me" 1957
116. Rolling Stones "Honky Tonk Women" 1969
117. Al Green "Take Me to the River" 1974
118. Isley Brothers "Shout - Pts 1 and 2" 1959
119. Fleetwood Mac "Go Your Own Way" 1977
120. Jackson 5, "I Want You Back" 1969
121. Ben E. King "Stand By Me" 1961
122. Animals "House of the Rising Sun" 1964
123. James Brown "It's A Man's, Man's, Man's, Man's World" 1966
124. Rolling Stones "Jumpin' Jack Flash" 1968
125. Shirelles "Will You Love Me Tomorrow" 1960
126. Big Joe Turner "Shake, Rattle And Roll" 1954
127. David Bowie "Changes" 1972
128. Chuck Berry "Rock & Roll Music" 1957
129. Steppenwolf "Born to Be Wild" 1968
130. Rod Stewart "Maggie May" 1971
131. U2 "With or Without You" 1987
132. Bo Diddley "Who Do You Love" 1957
133. The Who "Won't Get Fooled Again" 1971
134. Wilson Pickett "In The Midnight Hour" 1965
135. Beatles "While My Guitar Gently Weeps" 1968
136. Elton John "Your Song" 1970
137. Beatles "Eleanor Rigby" 1966
138. Sly and the Family Stone "Family Affair" 1971
139. Beatles "I Saw Her Standing There" 1964
140. Led Zeppelin "Kashmir" 1975
141. Everly Brothers "All I Have to Do is Dream" 1958
142. James Brown "Please Please Please" 1956
143. Prince "Purple Rain" 1984
144. Ramones "I Wanna Be Sedated" 1978
145. Sly and the Family Stone "Every Day People" 1968
146. B-52's "Rock Lobster" 1979
147. Iggy Pop "Lust for Life" 1977
148. Janis Joplin "Me and Bobby McGee" 1971
149. Everly Brothers "Cathy's Clown" 1960
150. Byrds "Eight Miles High" 1966
151. Penguins "Earth Angel (Will You Be Mine)" 1954
152. Jimi Hendrix "Foxy Lady" 1967
153. Beatles "A Hard Day's Night" 1965
154. Buddy Holly and the Crickets "Rave On" 1958
155. Creedence Clearwater Revival "Proud Mary" 1964
156. Simon and Garfunkel "The Sounds Of Silence" 1968
157. Flamingos "I Only Have Eyes For You" 1959
158. Bill Haley and His Comets "(We're Gonna) Rock Around The Clock" 1954
159. Velvet Underground "I'm Waiting For My Man" 1967
160. Public Enemy "Bring the Noise" 1988
161. Ray Charles "I Can't Stop Loving You" 1962
162. Sinead O'Connor "Nothing Compares 2 U" 1990
163. Queen "Bohemian Rhapsody" 1975
164. Johnny Cash "Folsom Prison Blues" 1956
165. Tracy Chapman "Fast Car" 1988
166. Eminem "Lose Yourself" 2002
167. Marvin Gaye "Let's Get it On" 1973
168. Temptations "Papa Was A Rollin' Stone" 1972
169. R.E.M. "Losing My Religion" 1991
170. Joni Mitchell "Both Sides Now" 1969
171. Abba "Dancing Queen" 1977
172. Aerosmith "Dream On" 1975
173. Sex Pistols "God Save the Queen" 1977
174. Rolling Stones "Paint it Black" 1966
175. Bobby Fuller Four "I Fought The Law" 1966
176. Beach Boys "Don't Worry Baby" 1964
177. Tom Petty "Free Fallin'" 1989
178. Big Star "September Gurls" 1974
179. Joy Division "Love Will Tear Us Apart" 1980
180. Outkast "Hey Ya!" 2003
181. Booker T and the MG's "Green Onions" 1969
182. The Drifters "Save the Last Dance for Me" 1960
183. BB King "The Thrill Is Gone" 1969
184. Beatles "Please Please Me" 1964
185. Bob Dylan "Desolation Row" 1965
186. Aretha Franklin "I Never Loved A Man (the Way I Love You)" 1965
187. AC/DC "Back In Black" 1980
188. Creedence Clearwater Revival "Who'll Stop the Rain" 1970
189. Bee Gees "Stayin' Alive" 1977
190. Bob Dylan "Knocking on Heaven's Door" 1973
191. Lynyrd Skynyrd "Free Bird" 1974
192. Glen Campbell "Wichita Lineman" 1968
193. The Drifters "There Goes My Baby" 1959
194. Buddy Holly and the Crickets "Peggy Sue" 1957
195. Chantels "Maybe" 1958
196. Guns N Roses "Sweet Child O Mine" 1987
197. Elvis Presley "Don't Be Cruel" 1956
198. Jimi Hendrix "Hey Joe" 1967
199. Parliament "Flash Light" 1978
200. Beck "Loser" 1994

"(500) Dias com Ela", de Marc Webb (2009)





Fiquei, dia desses, lendo um jornalzinho destes de sinal de trânsito, bem impressionado com o que se dizia do filme “(500) dias com ela”. Comédia romântica fora dos padrões tradicionais, fugindo dos clichês, The Smiths fora o elo de ligação inicial do casalzinho, sem um final exatamente feliz. Ôpa! Me interessou.
Fui ver o filme e ele é legal, mesmo. Nada fora do comum, mas é lagal.
Um dos principais méritos é a descontrução da linha da história, num ir e voltar dos dias (contados na tela) de modo a mostrar como as coisas ESTÃO em cada momento e não onde chegarão. Já sabemos no início do filme que ela acabou com ele. Não é novidade. O legal é a sensação que se dá pelos momentos da relação e, afinal de contas, tudo são momentos.
O termo “comédia romântica” que normalmente dá a se entender que há situações cômicas não corresponde exatamente à verdade. As situações acabam se tornando engraçadas, a gente acaba rindo do que até mesmo acontece toda a hora nas nossas vidas, ou aconteceu e que a gente acabou dando risada depois só que ali estamos diante desse espelho e é mais fácil rir dos outros. Na história, um rapaz com um perfil menos usual para homens mas ainda assim bastante comum - ramântico, sonhador, sensível - se apaixona por uma colega de trabalho que claramente tem outra visão de relacionamentos e é bem mais pragmática neste sentido. É lógico que em determinado momento estas visões, dentro de uma relação, vão entrar em choque e o mundo de quem é muito romântico acaba ruindo. O diretor constrói bem este personagem masculino principalmente por dois aspectos: ele é um arquiteto e de certa forma um artista e o todo artista é mais sensível, é mais propenso a este tipo de projeção, de idealização; além disso também tem o gosto musical, principalmente por Smiths, que é um dos ganchos para a aproximação do casal, e que por ter letras cheias de afetação, carência, sensibilidade, ajudam a formal o perfil do protagonista.
Outro ponto a favor do filme é que nesta “desordem” do roteiro, o diretor reconstrói situações em flashbacks, repete cenas mas com aquele detalhezinho a mais. E são estes detalhes que acabam completando uma informação, uma impressão, uma sugestão. Aliás diria que este é o principal mérito do filme: os detalhes. Comédias românticas tem aos montes por aí e de um modo geral elas são muito parecidas porque nós, homens e mulheres, somos muito parecidos. O jeito de mostrar a história, de filmar não vai variar muito. Ganha-se um pouco aqui, outro tanto ali com um roteiro, com tomadas ousadas, com uma película diferente, mas no geral é aquilo mesmo. O grande ganho do diretor Marc Webb foi ver, observar, se ater e nos colocar diante dos detalhes. Onde a coisa dá ou não dá certo, o porquê daquela pulga atrás da orelha, onde começa um romance com uma motivação boba ou com a coincidência improvável. Afinal de contas não é sempre assim? Não foi assim com você? Já não levou um fora que parecia sem motivo? Não ficou pensando porque fulano tinha mudado de atitude? Como você conheceu a pessoa que você ama? Tem cada história... E no fim das contas, todas são (quase) iguais.


Cly Reis