Curta no Facebook

quinta-feira, 16 de maio de 2013

cotidianas #224 - Carmem



"... dir-lhes-ei, em suma, que
a cada defeito ela reunia uma qualidade,
talvez ainda mais acentuada pelo contraste."
"Carmen", de Prosper Mérimée



Alice
meu rosto

Aline
seu corpo

Me Ana como los lobos
Tati me com las manos
Ou Dani-se

Que se diz
Vanessa
Faça-se às Claras
Diadora em diante
Que se desvaneça
Faça-se a Aurora

É a Glória, é a Glória



de Cly Reis

Elvis


terça-feira, 14 de maio de 2013

The Beatles - "Magical Mystery Tour" (1967)


"Longe no céu, além das nuvens, vivem 4 ou 5 mágicos.
Com feitiços maravilhosos transformaram
a mais comum viagem de ônibus
em uma Mágica Excursão Misteriosa.
Se você deixar-se levar,
os Magos vão te levar a lugares maravilhosos.
Talvez você tenha estado em uma Excursão Mágica e Misteriosa mesmo sem perceber.
Você está pronto para ir?
Esplêndido!"
texto do encarte do disco

Perdoem-me os beatlemaníacos, mais entendidos que eu quando o assunto são os Rapazes de Liverpool, mas meu disco favorito do quarteto é sem dúvida "Magical Mystery Tour", uma trilha sonora de um filme estrelado pelos próprios integrantes, e que teve versões diferentes de lançamento nos Estados Unidos e na Inglaterra. A inglesa, inicialmente trazia apenas 6 faixas distribuídas em 2 discos, o que era absolutamente inapropriado para os padrões comerciais americanos, que por sua vez tiveram uma edição de álbum simples, com todas as 6 faixas originais num lado A, e cinco outras que eram sobras do disco anterior, "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", inéditas, ou de compactos, compondo um lado B.
Embora reconheça a importância, a técnica, a inovação de outras obras do grupo, este trabalho, na verdade, acho que é o disco que mais consegue me empolgar do começo ao fim. É aquela minha velha argumentação sobre os Beatles de que muitas vezes as canções são irrefutavelmente perfeitas, reconhecidamente impecáveis, admiráveis sob o ponto de vista compositivo, com recursos nunca antes pensados ou utilizados mas no que diz respeito à audição, não conseguem causar aquela sensação de entusiasmo. Ótimas, sem dúvida, a gente aprecia, fica admirado com cada instrumento, com toda a produção, com o trabalho vocal, etc., mas não canta a plenos pulmões ou mesmo faz um air-guitar, por exemplo.
"Magical Mystery Tour", não! Ainda que seja considerado por muitos um trabalho menos, um trabalho sem conceito, sem unidade, talvez seja intrínsecamente o álbum mais rock'n roll dos Beatles, pela loucura, pela sonoridade, pela crueza, pela viagem, pela psicodelia, pela 'imperfeição'. Já na abertura, a música que dá nome ao disco a energia já pode ser sentida numa viagem psicodélica com Paul fazendo um vocal mais intenso e gritado do que o habitual, um trumpete enlouquecido e uma bateria alta e marcante. Aliás este é um disco em que Ringo Starr pode ser destacado em diversas faixas, seja pela performance, seja pelo andamento ou pelo arranjo que privilegia o instrumento, como na viajante "Flying", na pirada "Blue Jay Way" ou na ótima e subestimada "Baby, You're A Rich Man", da parte extra do disco.
Num disco bem mais psicodélico e sujo, por assim dizer, que outros da banda, mesmo a balada, "Fool in the Hill" me impressiona mais do que algumas mais cultuadas de disco mais célebres, com um arranjo excepcional com com destaque especial para a flauta. "Your Mother Shoud Know", é o que pode-se chamar uma boa canção pop, nada excepcional mas perfeitinha, competente e muito agradável. A ótima instrumental "Flying", a primeira composta pelos 4 a ser gravada, com seu andamento oscilante e variado é ácido puro; "Blue Jay Way", mesmo com uma atmosfera perturbadora, surreal, não esconde o toque exótico habitual das composições de George Harrison; e a excepcional "I'm the Walrus", que fecha o lado A da edição americana, talvez seja melhor música do disco com sua concepção nonsense, chapada, doida, com sua levada alegre, instrumentação maluca, o vocal com efeito de John, e aqueles graciosos gritinhos do refrão.
Poderia parar por aqui se falasse só do EP britânico, mas a versão ampliada, o que seria o lado B americano, ainda contava com as ótimas "Strawberry Fields Forever", "Penny Lane" e a belíssima e gostosa "All You Need is Love", que tem no côro, entre vários nomes famosos, nada mais nada menos que Jagger e Richards dos 'rivais' Rolling Stones.
Perdoem-me os beatlemaníacos se não admiro tanto um "Sgt. Pepper's...", se não me entusiasmo tanto com o "Álbum Branco", se não me rasgo em elogios ao "Rubber Soul". Não é questão de desrespeito. Não é por desfazê-los, eu lhes asseguro. É só questão de pegar pelo ouvido, e se tem um disco dos Beatles que eu curto, que eu canto junto, que eu tamborilo com os dedos, é esse "Magical Mystery Tour".
*******************************************

FAIXAS:
Lado A
1. "Magical Mystery Tour"
2. "The Fool on the Hill"
3. "Flying"
4. "Blue Jay Way"
5. "Your Mother Should Know"
6. "I Am the Walrus"


Lado B
7. "Hello, Goodbye"
8. "Strawberry Fields Forever"
9. "Penny Lane"
10. "Baby, You're a Rich Man"
11. "All You Need Is Love"

**************************************************
Ouvir:

Prazeres Desconhecidos









"prazer 1"

"prazer 2"



fotos e manipulação digital: Cly Reis

segunda-feira, 13 de maio de 2013

cotidianas #223- Zumbi



Angola, Congo, Benguela
Monjolo, Capinda, Nina
Quiloa, Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há uma princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados em carros de boi


Eu quero ver quando Zumbi chegar
Eu quero ver o que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
Zumbi é senhor das demandas
Quando Zumbi chega, é Zumbi quem manda


Pois aqui onde estão os homens
Dum lado, cana-de-açúcar
Do outro lado, um imenso cafezal
Ao centro, senhores sentados
Vendo a colheita do algodão branco
Sendo colhidos por mãos negras


Eu quero ver quando Zumbi chegar
Eu quero ver o que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
Zubi é o senhor das demandas
Quando Zumb chega, é Zumbi é quem manda

Angola, Congo, Benguela
Monjolo, Capinda, Nina
Quiloa, Rebolo

************************************
letra de  "Zumbi"
de Jorge Ben

Ouça:
Jorge Ben Zumbi

Berinjela Beligerante


domingo, 12 de maio de 2013

cotidianas #222 Especial Dia das Mães - "Mãe"



"Maternidade" - Picasso, Pablo
aquarela sobre papel
Mãe... São três letras apenas

As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.

Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!


*****************************
"Mãe"
(Mário Quintana)

sábado, 11 de maio de 2013

Métis









"Métis"- REIS, Cly
grafite sobre sulfite com
manipulação digital- 10x18cm

REIS, Cly

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Lobão - "Vida Bandida" (1987)




"Aí, galera da onze"
introdução de
"Vida Bandida"



O senhor João Luiz Woerdenbag, mais conhecido como Lobão, é um grandessíssimo babaca!
"Ah, mas..."
Não. Não tem, "ah, mas".
É um idiota que costumeiramente liga uma metralhadora giratória atirando no que está por perto, no que está no seu caminho, no que está quieto, no que não lhe diz respeito, no que não valeria a pena disparar, ou até no que ele defendia anteriormente, tudo em nome de uma pseudo-imagem de... Lobo-Mau. Seria isso? Vá lá, às vezes até critica com razão, até vocifera com justiça, ataca coisas atacáveis, mas com uma contundência, não raro tão desproporcional, que quase sempre se torna tão antipático, por vezes até para os que concordam com ele, que sua razão e credibilidade ficam abaladas.
Mas, polêmicas à parte, não posso negar que esse idiota, enquanto fazia música relevante, ali pela metade dos anos 80, produziu alguns dos discos mais legais e importantes do rock nacional e por que não, da música brasileira. O amadurecimento musical depois da fase new-wave com Os Ronaldos no ótimo “O Rock Errou”; o bom “Cuidado!” de experimentações rítmicas e letras afiadas; o interessante, porém mal mixado “Sob o Sol de Parador”; e o excelente “Vida Bandida”, seu maior sucesso comercial, que entra a partir de agora para o hall dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS deste blog.
“Vida Bandida” de 1987, gravado na sua maior parte na cadeia quando o cantor fora preso por porte de drogas, é um disco meio marginal, meio poético, meio punk, tudo isso com a dose perfeitas de peso e leveza, com melodiosidade e agressividade nas medidas certas.
Lobão, indignado com a polícia, com a mídia, com a hipocrisia, abre o disco, dedicando aos parceiros de cela a violenta e vibrante “Vida Bandida” que, apesar de indubitavelmente rockeira, já sinalizava para as experiências sambísticas que viriam em “Cuidado!”. Entre violência, dinheiro, traição, notícias, cadeia, o lobo vociferava com raiva aquele refrão poderoso como se cuspisse na cara da sociedade e pretendesse com aquele brado mostrar todo seu desprezo: "Vidaaaaaa, Vida,vida, vida, vida bandida".
A gostosa “Girassóis da Noite”, também indicava caminhos mais MPB, com uma levada se aproximando do samba e um belo sax delineando a canção; “Soldier Lips”, a única cantada em inglês, é uma espécie de blues envenenado com uma interpretação “embrigada” do cantor; “Nem Bem, Nem Mal”, também com um sax muito bacana, é um soco na normalidade, na mediocridade, no conformismo; a pesada “Esse Mundo Que Eu Vivo” é vigorosa e contundente; e a belíssima “Tudo Veludo”, é uma esfumaçada balada melancólica, apaixonante, com pé no tango e outro blues, trazendo, além de outra interpretação magnífica, um show de guitarra do Lobo.
A conhecidíssima “Rádio Blá”, uma canção de decepções amorosas, parte de uma introdução lenta pontuada pelo sax, ganhando ênfase a seguir até estourar num refrão altamente marcante e contagiante que não podia dar em outra coisa que não num estrondoso sucesso radiofônico. Outra que tocou à exaustão, primeiro com Lobão e mais tarde com Cazuza, foi “Vida Louca Vida”, mais um daqueles manifestos contra a chatice, falsidade, babaquice do mundo. A música acabou ganhando outra dimensão e um significado todo especial com Cazuza, pela inevitabilidade da morte do cantor em virtude da AIDS combinada aos versos resignados, “vida louca vida/ vida breve/ já que eu não posso te levar/ quero que você me leve”, mas a interpretação de Lobão, na minha opinião, é muito superior e continua insuperável.
O brilhante álbum fecha com uma canção quase sertaneja, por assim dizer,“Chorando No Campo”, uma espécie de balada folk com ares rurais, na qual Lobão estraçalha no violão e nos proporciona mais uma interpretação vocal memorável.
Este era Lobão. Grande cantor, grande músico, grande letrista. Um cara capaz de fazer um disco assim.
Sempre foi porra-louca, sempre foi linguarudo, meio bobalhão, metido a dono da verdade mas ao menos fazia música de qualidade.
Hoje em dia nem isso...
Até se pinça uma música que outra de um disco que outro nos últimos tempos, mas é pouco pra quem fala demais. Talvez por isso, apenas fale.
Talvez seja falta das drogas mais pesadas, que ele mesmo admite ter deixado (tem artistas para quem, infelizmente, elas são necessárias). O que sei é que desde que virou um 'careta', não produz mais nada de interessante. E o pior, ficou um chato insuportável e estúpido. O que resta é separar o Lobão-artista, do Lobão-apresentador, do Lobão-escritor, do Lobão-opiniático e nos deliciarmos com essa curta fase de sua carreira que compreende uns 3 ou 4 álbuns de alta qualidade. É lamentável ter que ser tão cruel assim com um artista que eu aprecio mas a vida é assim. Ela é bandida, mesmo.
***********************************************

FAIXAS:
"Vida Bandida"
"Da Natureza dos Lobos"
"Nem Bem, Nem Mal
"Soldier Lips"
"Girassóis da Noite"
"Esse Mundo que Eu Vivo"
"Vida Louca Vida"
"Tudo Veludo"
"Blá Blá Blá... Eu Te Amo (Rádio Blá)"
"Chorando no Campo"

**************************************
Ouça:
Lobão Vida Bandida

terça-feira, 7 de maio de 2013

cotidianas #221 - Aipim

para Lúcio



A coisa toda começou quando a irmã do Ângelo, que havia ouvido falar em algum lugar sobre cachaça de mandioca, resolveu produzir em casa a bebida. O problema é que na cabeça dela, o processo era simplesmente fazer um combinado de aguardente com o tubérculo e estaria pronta a poção. O fez. Deixou então a raiz curtindo na cachaça por algum tempo pra pegar bem o sabor. Nesse meio tempo, o irmão, abrindo a geladeira, topou ali com aquela espécie de conserva muito bizarra. Achou esquisito mas vendo que tratava-se de algum tipo de bebida alcoólica, resolveu provar. O cheiro não era lá aquelas coisas mas o gosto... hum!!! Até que era bom. Descobrindo com a irmã do que era feita aquela poção, surpreendeu-se mas nem de perto se arrependeu de ter provado. Pelo contrário, acrescentou mais alguns ingredientes para ficar mais interessante. Um pouco de limão, gengibre, quem sabe alguns butiás... Gostando do estranho resultado, passou um pouco para uma garrafa menor e foi para a rua. Encontrando a gurizada na esquina, logo foi solicitado a dividir a bebida:

- Ô. Ângelo, vai ficar te fazendo com essa mixaria? Passa logo esse trago pra cá – intimou um.

- Ó, só vou avisando que é um negócio estranho que a minha irmã fez, hein.

- Ah, dá logo isso aqui – disse o Lúcio, parceiro velho de baderna e bebedeiras, arrancando a garrafa da mão do outro.

Porém, assim que o Lúcio destampou e tentou levar à boca, o cheiro, já originalmente desagradável e agora piorado pelos ingredientes adicionados pelo Ângelo, quase o fez desistir.

- Mas o que é que tu botou aqui???

- Eu disse que o negócio era brabo – riu o Ângelo e continuou – Foi a minha irmã que tentou fazer cachaça de mandioca e deixou curtindo no aipim. Aí ficou isso. Mas tá bom. Eu coloquei mais uns troço aí. Prova, prova aí – insistiu.

O Lúcio, taura, índio-velho, gaudério, velho de guerra, não ia arregar pra um cheirinho de uma cachaça fedorenta e não se intimidou metendo o tal trago goela abaixo.

- Hmm... Pior é que é bom. Hehe! Toma aí, Black – passando a garrafa.

- Bah, ‘tisguei’! – exclamou o Black, com aquela expressão que ele tinha inventado mas que significava, mais ou menos, que havia ficado positivamente impressionado

Os outros, mesmo um tanto desconfiados de início, foram provando e por fim compartilharam da opinião que tinha ficado muito bom. Muito bom mesmo. Tanto que ficaram até horas da madrugada bebendo aquele troço, até mesmo pra se esquentar no frio de Sapucaia do Sul no inverno. E naquela de ‘me passa o aipim pra cá’, ‘passa o aipim pra ele’, ‘não vai virar o aipim’, o nome da beberagem ficou sendo mesmo Aipim.

Quando resolveram que era hora de voltar pra suas casas tinha sobrado pouco do aipim na garrafa. Mas tinha ficado tão bom. Tinham que ter mais Aipim pras próximas madrugadas de frio falando besteira na esquina. Como ima fazer pra reproduzir aquela fórmula. O Pereba se prontificou a resolver. Levou a garrafa pra casa e no dia seguinte acrescentou mais cachaça. Vendo que havia perdido as propriedades exóticas, resolveu adicionar mais algumas coisas. Algum legume, um pouco de Ki-Suco, casca de maçã.... O troço ficou com uma aparência medonha e com um cheiro ainda pior. Levou então pra galera.

- Ó, aí, o aipim – anunciou com aquele seu jeito quase impassível.

O Lóki foi o primeiro a provar.

- Bah, esse cheiro tá horrível...- disse virando a cara para evitar o odor que exalava do gargalo- Tá pior do que ontem.

Mas bebeu.

- Porra, mas ainda tá bom! – disse com entusiasmo.

E a bebida correu de mão em mão entre exclamações de satisfação e risadas.

Pra quem chegava e se interessava pelo que estavam bebendo, valia sempre a advertência:

- Não cheira. Se tu cheirar tu não bebe.

E outro completava:

- Mas se beber, não cheira.

E caíam todos na risada.

E aquilo, “se tu cheirar não bebe, mas se beber, não cheira”, virou praticamente o slogam da bebida.

O fato é que a invenção etílica correu os bairros de Sapucaia ganhando fama e adeptos. Sempre que estava para acabar, alguém levava a garrafa pra casa e acrescentava cachaça e mais alguma coisa tipo agrião, vagem, suco de frutas, uísque, orégano, macela, maconha, de modo a manter o brilho e o encanto da conserva.

Agora dividiam o conteúdo em recipientes menores, em pequenas embalagens de sal de frutas Eno, de modo que todos da turma tivessem um pouco e pudessem levar para qualquer lugar. Para as festas, para o trabalho, para praça pra andar de skate, ou mesmo para a escola. O problema é que a bebida era cada vez mais popular no colégio e não raro se encontrava algum aluno entornando um potezinho de sal de frutas. Começaram a haver queixas de professores que alunos estariam assistindo às aulas completamente embriagados, o que motivou o diretor a convocar uma reunião pública no pátio para expor a situação e dar um basta naquilo;

- Temos informações que alunos tem consumido bebidas alcoólicas no interior deste estabelecimento de ensino e têm freqüentado às aulas em condições lastimáveis de embriaguez. Quero declarar aqui que condutas como estas são inadmissíveis e que a partir de hoje o aluno que for encontrado portando alguma bebida ou em condições suspeitas será suspenso...

O Lúcio e o Ângelo, no pátio, bem lá atrás, só se olharam um para o outro meio de lado.

- Vamos largar fora?

- Vamo. – concordou o Ângelo

O Lúcio tirou um pote de sal de frutas Eno da mochila, deu um gole, fez cara feia, passou pro Ângelo que também fez careta no talagaço, e saíram os dois para matar mais uma aula.




*Salvo algum exagero, alguma fantasia, alguma licença poética, algum personagem fora do lugar ou que eu tenha errado ou esquecido, os fatos descritos aqui são absolutamente verdadeiros e o Aipim efetivamente existiu.



Cly Reis

Pirilampos











"A luz brilha no céu
Pirilampos"

"Pirilampos" - REIS, Cly
grafite sobre papel heliográfico (7x5cm)



REIS, Cly

domingo, 5 de maio de 2013

cotidianas #220 - Baader-Meinhoff



imagem do filme "O Grupo Baader-Meinhoff
A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também.

Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome.

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.

Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?

Não estatize meus sentimentos
Pra seu governo,
O meu estado é independente.

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.

*******************************************
"Baader-Meinhoff Blues"
letra: Renato Russo

Ouça:
Legião Urbana -" Baader-Meinhoff Blues"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ramones - "Ramones" (1976)



“Hey, Ho!
Let’s Go!”



Em pouco menos de uma semana e com pouco mais de 6 mil dólares, aqueles quatro rapazes esculhambados de calças jeans rasgadas, jaquetas de couro e cabelos descuidados tinham mudado definitivamente a história da música. Sim, o punk já vinha em curso, era um processo, foi o experimentalismo, depois foi a sujeira, foi o minimalismo, o peso, teve Kinks, Sonics, teve Doors, Velvet, Stooges, MC5, e tantos outros, mas parece que tudo foi para que chegasse naquele ponto em síntese e personificação. E essa materialização chamava-se Ramones.
Em seu primeiro disco, gravado meio às pressas e com o orçamento máximo que o agente da banda Danny Fields conseguiu obter; com canções rápidas e certeiras, poucos acordes, sem firulas, sem solos elaborados e com uma produção bruta e tosca, os Ramones fizeram um dos discos mais importantes de todos os tempos, pela musicalidade revolucionária, pela atitude, e pela influência que passou a exercer dali para frente em praticamente tudo o que se ouve (e se vê) em música pop até hoje.
Embora eu prefira o terceiro, "Rocket to Russia", um pouco mais bem cuidado e mais profissional, não tem como negar o valor, importância e a curtição que é este “Ramones” de 1976.
As boas?
Todas!
Mas merecem menções especiais “Judy is a Punk” a primeira das garotas punk dos nomes de músicas dos Ramones e que mais tarde ganharia a companhia de outras como Sheena, Suzy e Jackie; "I Don't Wanna Walk Around With You", boa pra poguear; "I Wanna Be Your Boyfriend" que é, assim, uma espécie de canção romântica dos Ramones; e “Blitzkreig Bop” que traz a expressão clássica que virou uma espécie de marca da banda, “Hey, ho! Let’s Go!”.
**********************************************

FAIXAS:
  1. "Blitzkrieg Bop" - 2:14 (Tommy Ramone, Dee Dee Ramone) 
  2. "Beat On The Brat" - 2:31 (Joey Ramone) 
  3. "Judy Is A Punk" - 1:32 (Joey Ramone, Dee Dee Ramone) 
  4. "I Wanna Be Your Boyfriend" - 2:24 (Tommy Ramone) 
  5. "Chain Saw" - 1:56 (Joey Ramone) 
  6. "Now I Wanna Sniff Some Glue" - 1:35 (Dee Dee Ramone) 
  7. "I Don't Wanna Go Down To The Basement" - 2:38 (Dee Dee Ramone, Johnny Ramone) 
  8. "Loudmouth" - 2:14 (Dee Dee Ramone, Johnny Ramone) 
  9. "Havana Affair" - 1:56 (Dee Dee Ramone, Johnny Ramone) 
  10. "Listen To My Heart" - 1:58 (Ramones) 
  11. "53rd & 3rd" - 2:21 (Dee Dee Ramone) 
  12. "Let's Dance" - 1:51 (Jim Lee) 
  13. "I Don't Wanna Walk Around With You" - 1:42 (Dee Dee Ramone) 
  14. "Today Your Love, Tomorrow The World" - 2:12 (Ramones)

*********************************************
Ouvir:
Ramones 1976


Cly Reis

quarta-feira, 1 de maio de 2013

"Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" (partes 1 e 2), animação de Jay Oliva (2012)




Comprei por recomendação do meu amigo e parceiro de blog, Christian Ordoque, a animação “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, que dá vida à legendária obra de Frank Miller, considerada por muitos a maior HQ de todos os tempos. Não, não vá confundir com o último filme da trilogia proposta por Christopher Nolan de mesmo nome, até interessante mas que, a propósito, rouba muitos elementos desta história em quadrinhos, sem no entanto se utilizar efetivamente dela.
Este aqui, um desenho animado chancelado pela própria DC Comics e lançado em 2 partes, é uma  adaptação competentíssima do diretor Jay Oliva, desenhista e diretor de episódios para TV, emocionante para os fãs de Batman, cultuadores da obra e fãs de quadrinhos em geral, reproduzindo com originalidade respeitosa o clássico de Miller, recriando em cenas espetaculares e empolgantes os quadros estáticos que vimos outrora somente no papel e que sempre ansiamos que se tornassem filme.
Pra quem não conhece, em "o Cavaleiro das Trevas", Bruce Wayne, ou o Batman, já um senhor com uma certa idade, diante de uma nova onda de crimes e desordem em Gotham City, volta de um silêncio de 10 anos nos quais esteve afastado de suas atividades de herói mascarado para botar ordem na cidade; mas este retorno, de certa forma, mexe com quem estava quietinho lá no Asilo Arkham, o Coringa e incomoda as autoridades a ponto do governo americano, apelar para o Super-Homem para, digamos, 'aquietar' novamente o Homem-Morcego.
A luta na lama com o Mutante, o confronto final com o Coringa, o encontro do palhaço com a decadente Mulher-Gato, a intervenção do Super-Homem numa guerra atômica, e a batalha épica do Homem-Morcego contra o Homem-de-Aço, tudo muitíssimo bem adaptado, e sem economizar no realismo, no sangue e na brutalidade, numa versão que seria provavelmente impensável para o cinema, como foi sempre um desejo dos fãs, tamanha a fidelidade ao original.
Embora os últimos episódios do Homem-Morcego, na visão do competente Nolan, tenham sido bastante bons e menos caricatos que os anteriores feitos para o cinema, até que a indústria tome coragem de ser menos comercial, aceite botar a classificação etária lá em cima, esteja disposta a arriscar a imagem pública do personagem e abrir mão de bilheterias astronômicas, nada em matéria de Batman terá superado essa preciosa adaptação.
Fiquei verdadeiramente emocionado de ver, enfim, em movimento, "O Cavaleiro das Trevas". O verdadeiro "Cavaleiro das Trevas" dos quadrinhos.
Imperdível!
Item obrigatório para bat-fãs.





Cly Reis

terça-feira, 30 de abril de 2013

Persephone












"Por certo três sementes de romã
bastaram para que Proserpina se lembrasse" 

"Persephone - REIS, Cly
grafite sobre sulfite





REIS, Cly

Persephone 2








"Persephone" - REIS, Cly
grafite sobre sulfite (7x7cm)



REIS, Cly