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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

The White Stripes "Elephant" (2003)



"Em breve estaremos longe de você,
mas você poderá nem perceber.

Você não precisa de ninguém, inumana como é.
O estranho é que nós não podemos partir sem você.
K. Johnson (1905)
trecho no encarte do álbum



Lembro da primeira vez que vi e ouvi os White Stripes. Estava passando distraidamente pelo Vídeo Music Awards, sem muita expectativa, assim só mudando de canal e resolvi dar uma paradinha ali. Parei ali bem na hora do número desta banda. Na hora já me causou sensação aquilo: Só dois e numa formação inusitada: guitarra e bateria. E os dois estranhamente trajando apenas vermelho e branco e seus instrumentos acompanhavam estas cores também. A era música extremamente criativa, bem elaborada, com um inegável potencial pop sem deixar de ter uma”pegada” e uma fúria digna do que há de melhor no rock. Era “Seven Nation Army” com aquela marcação grave, o acompanhamento no bumbo naquela bateria sem muita técnica de Meg White equilibrada e compensada pelo completo domínio técnico de Jack White que faz a guitarra explodir e gritar no refrão sem letra, desta que se mostrava para mim naquele momento uma das poucas músicas que conseguiam me surpreender em anos, de uma das poucas bandas que conseguiam igualmente o mesmo efeito.
Na verdade, na hora, no VMA, não consegui ouvir o nome da banda, mas sabia que tinha que descobrir do que se tratava. Catei na Internet as apresentações que ocorreram naquela noite e descobri o nome: White Stripes.
Foi o suficiente pra ir a uma loja e comprar o CD, o último da banda até aquele momento, chamado “Elephant”, que hoje veio de trilha sonora no meu carro pelas ruas do Rio de Janeiro.
O álbum apresenta uma clara distinção de trechos. Um primeiro bem agitado e agressivo, passando a um outro mais lento com baladas, indo a um terceiro de blues e mais energia novamente e fechando num meio termo. Resultado da concepção inicial que previa o lançamento em LP duplo, em alguns países, gerando assim 4 lados.
O disco abre com a que eu ouvira na MTV, “Seven Nation Army”, e a versão de estúdio tem o ganho de um melhor preenchimento de eventuais vazios ocasionados pela sua “mera” individualidade no palco. Afinal Jack White é um só, só ele é guitarrista e a banda não tem baixo. (Mesmo assim, ao vivo também manda muito bem)
A seqüência é uma porrada com “Black Math” com a guitarra estourando as caixas num punk violento. Jack White adapta Burt Bacharach em “I Just Don’t Know What to Do With Myself” que também explode em guitarras e microfonias no refrão e no final, mas que com seu clima predominante breguinha de cabaré, já introduz para a seqüência de baladinhas. A bonitinha “In the Cold. Cold Night” é cantada por Meg e "I Want to Be the Boy to Warm Your Mother's Heart” é executada no piano por Jack.
A pegada retorna com o melhor blues feito desde a geração dos mestres, “Ball and Biscuit” com três solos diferentes incríveis ao longo da música. Blues que aliás é influência evidente do guitarristas e aparece com freqüência na maior parte das outras faixas do álbum, mas Jack White, em especial nesta, estraçalha verdadeiramente.
Segue-se com “The Hardest Button to Button”, que por ter uma marcação grave da guitarra com acompanhamento do bumbo lembra a concepção de “7 Nation Army”. “Little Acorns” que vem em seguida traz um início de piano acompanhando uma narração de uma espécie de novela, culminando numa ensurdescedora guitarrada; e “Hypnptize” que vem depois é um empolgante punk clássico que dá vontade de sair pogueando.
“Girl, You Have No Faith in Medicine” é outra das boas canções do disco também cheia de blues e “Well, It’s True that We Love One Another” que fecha o disco é um simpático e agradável triângulo amoroso com participação nos vocais da amiga Holly Golighlty.
Uma das poucas bandas que ainda tem alguma coisa diferente a mostrar e com um resultado muito interessante, em um dos discos que considero dos melhores dos últimos tempos, embora se reconheça a fraca mas importante e competente performance de Meg White como baterista.
Mas é aquele negócio, né: a gente percebe na música de Jack White tudo que ele ouviu, toda a sua formação. Punk, country, blues. E como ele sabe transformar, sabe aproveitar, sabe expressar, não poderia sair coisa ruim.
Disco que já nasceu clássico.
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FAIXAS:
1."Seven Nation Army"– 3:51
2."Black Math" – 3:03
3."
There's No Home for You Here" – 3:43
4."
I Just Don't Know What to Do with Myself" (Burt Bacharach, Hal David) – 2:46
5."In the Cold, Cold Night" – 2:58 (vocal principal : Meg White)
6."I Want to Be the Boy to Warm Your Mother's Heart" – 3:20
7."You've Got Her in Your Pocket" – 3:39
8."Ball and Biscuit" – 7:19
9."
The Hardest Button to Button"– 3:32
10."Little Acorns" (
Mort Crim, J. White) – 4:09
11."Hypnotize" – 1:48
12."The Air Near My Fingers" – 3:40
13."Girl, You Have No Faith in Medicine" – 3:17
14."Well It's True That We Love One Another" – 2:42


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Ouça:
The White Stripes Elephant



Cly Reis

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Pavor na Cidade dos Zumbis", de Lucio Fulci (1980)




Já que hoje é sexta-feira 13, nada melhor do que se falar sobre filmezinhos de terror.
Ganhei do meu irmão, que achou um desses sites cheios de filmes trash e baixou, o filme "Pavor na Cidade dos Zumbis".
O filme é um "lixo" num bom sentido. É grotesco, bizarro e com aqueles roteiros mal explicados e sem lógica. O que que tem de bom? De certa forma, exatamente a bizarrice. Neste tipo de filme o barato é ver a podreira, as cenas de mutilações, sangue, extirpações, o tipo dos zumbis, rir da precariedade e dos recursos técnicos.
A história gira em torno de um suicídio de um padre de uma cidade interiorana que faz com que se abram as portas do mundo dos mortos (???). Que porra de influência tinha o padre pra fazer tanto estrago? Por que AQUELE padre? Fez algum pacto com o demônio, recitou o livro dos mortos, renegou Cristo? Não sabemos. O fato é que a zumbizada começou a circular e aí o bicho pegou na cidadezinha. Lá pelas tantas um jornalista curioso e uma médium metida resolvem se meter lá e salvar o mundo também sem motivo aparente.
Legais algumas cenas de violência e sanguera, como a surpreendentemente bem feita em que um velho empurra a cabeça de um rapaz numa furadeira de bancada. O barato é que em qualquer outro filme teria um corte e passaria pra próxima cena, ou a gente só veria o sangue espirrando, a tela ficaria escura e tal, mas ali não. Mostra a broca entrando de um lado e saindo do outro. Sinistro!
Um barato também, mas extremamente podre, a cena na qual uma garota que tá de amassos num carro com o namorado, ao ver os olhos do padre (fantasma, zumbi, espectro, sei lá), começa primeiro a lacrimejar sangue, depois começa a sangrar pela boca, narina e por fim a botar todas as tripas pra fora pela boca. Bota tudo pra fora mesmo. Vai saindo, saindo, saindo, sem cortes. Aarghh!!!
Ridículo mesmo são os zumbis arrancando os tampos das cabeças das pessoas; pegando pelos cabelos e levando, couro cabeludo, crânio, cérebro e tudo mais; e o final, que eu não vou contar, que tenta passar aquela sensação de dúvida mas que no fim das contas só acaba sendo mais um elemento mal construído no filme.
Parece que eu só esculachei o filme mas não. Pra categoria dele, terror trash de zumbis, é bem legal e mantém a tradição do terror italiano daquela época.



Cly Reis

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Coluna dEle #13

Desculpa aí Eu ter estado fora todo esse tempo mas estive bem ocupado ultimamente e, afinal de contas, Eu tenho uma mulher e 7 bilhões de filhos pra criar.
Não é mole.
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Tive que cuidar, por exemplo, dessa merda toda que aconteceu aí no Rio.
Cacete! Vocês não conseguem sossegar o rabo um minuto? Vocês fazem, fazem, se matam, incendeiam ônibus, derrubam helicóptero e depois Eu é que tenho que dar um jeito de acalmar a situação.
Tenho um monte de coisas pra cuidar; é tsunami, é Zelaya, é pirata na África, mas volta e meia Eu tenho que parar todo Meu trabalho pra me ocupar do Rio de Janeiro.
Eu não trabalho só pra vocês aí, viu?
vendo que Eu vou ter muito trabalho pra tal de Olimpíada sair direito.
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Mudando de assunto, e a tal da minissaia da fulana lá da Uniban, hein? Geysa, ? (meio “fofinha” ela, não?)
Na boa, pode até não ter levantado a saia como o pessoal da universidade afirmou, mas, curtinha daquele jeito, mesmo daqui de cima, Eu vi TUDO.
Se a fulana queria aparecer conseguiu. Teve seus quinze minutos de fama (até bem mais do que quinze, por sinal).
Parabéns! Com essa publicidade toda vai acabar fazendo um pornozinho por aí. Um “Brasileirinhas”.
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Desde o tempo do Império Romano que Eu não via tanta notícia com o nome do Meu guri.
É Jesus pra cá, Jesus pra lá! Só que naquele tempo as manchetes eram “Jesus lota comício na montanha”, “Jesus condenado à crucificação”; agora é “Jesus faz compras no Leblon com Madonna”, “Jesus comanda as 'pick-ups' na noite carioca”.
Eu sempre acabo ficando meio confuso quando leio essas notícias. Tipo: será que o Meu guri já ta querendo aparecer de novo? Mas não. Não é ele. É só esse outro aí. Que, também, vou te dizer, ó: não sei a que que veio. Mas a Dona “Like a Virgin” é que sabe. Pra quem já namorou o Denis Rodmann...
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A propósito do Meu filho, mês que vem já é Natal, hein!
(Como o ano passou rápido! A gente vê e já é dezembro)
Dia 25 tem festinha aqui em casa pro aniversário do guri.
E ainda tem que comprar o presente do níver dele e de todo mundo pro Natal. Ufff!!!
E o pior é que eu vou ter que deixar pra última hora porque Eu até aqui de serviço até o fianl do ano. Só de pensar em entrar em shopping eu já desanimo.
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Então era isso.
Escreverei assim que puder.

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Sugestões, opiniões, pitacos, palpites
pelo e-mail god@voxdei.gov

terça-feira, 10 de novembro de 2009

"Morrissey: The Pageant of His Bleeding Heart", de Gavin Hopps - ed. Continuum (2009)

Morrissey é o melhor letrista britânico de todos os tempos



Li hoje uma pequena matéria na Internet que confirma uma impressão que sempre tive desde que comecei a ouvir os Smiths e me interessei em saber o que diziam as letras que acompanhavam aquelas melodias encantadoras e cantadas daquele jeito tão emocional: Morrissey é o melhor letrista do mundo da música! É o que também afirma o sr. Gavin Hopps, palestrante da Universidade St Andrews, e especialista em romantismo britânico que escreveu o livro Morrissey: The Pageant of His Bleeding Heart. Segundo o ensaísta, que já discorreu em outras oportunidades sobre o mundo pop-rock, a qualidade do ex-Smiths pode ser comparada à de mestres das letras inglesas, inclusive a um dos ídolos do cantor (e meu também), Oscar Wilde.
Principalmente quando descobri Smiths ficava vendo aquelas letras e percebia que aquilo era algo diferente. Tinha conteúdo, tinha sensibilidade, poesia, tinha texto e qualidade de escrita. Muito raramente se vê boa qualidade de escrita em música. Muitos tem contundência, muitos tem mensagem, muitos tem boa construção mas tudo junto, somado a um bom texto, não sei..., talvez só Dylan tenha.
Mas ainda que admita que outros tenham letras tão boas, Mozz tem ainda um diferencial: o jeito que canta. Poucas vezes eu senti alguém conferir tão perfeitamente o significado das palavras, expressões, das frases. Seja extremamente triste, seja cínico, seja apaixonado, irado, ele coloca a entonação exata no que canta.
Mas no que diz respeito às letras, em particular, considerava exatamente isso que afirma o professor Hopps, sem a mesma bagagem de estudo dele, de que Morrissey é um genuíno herdeiro da grande tradição de letras britânica. Em Londres mesmo, em uma revista li também algo a respeito reverenciando esta verve literário-poética deste inglês; recentemente li também o crítico, ex-roqueiro, Kid Vinil também tecer loas à pena de Morrissey.
É legal para fã ver este tipo de análise qualificada. Não que a do fã não tenha qualidade -pode ter, sim-, mas muitas vezes nos perguntamos até que ponto a admiração nos conduz, nos cega e acaba elevando o ídolo mais alto do que ele mereça. No caso de Morrissey cada vez mais fica evidente que nós fãs não estamos enxergando demais. É isso aí, mesmo. Morrissey escreve como ninguém.





Cly Reis