segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (2009)
Não havia me empolgado muito com a estréia de "Viajo porque preciso, volto porque te amo", mesmo apreciando o cinema do pernambucano Karim Aïnouz (diretor de "O Céu de Suely) e tendo boas referências do co-diretor Marcelo Gomes (de "Cinema, Aspirinas e Urubus"). Parecia-me em principio, apenas mais um filme com a temática do sertão, com foco no popular, nos dramas sociais da região, etc. No entanto, uma observação em uma crítica de jornal, aliada a uma sinopse bem objetiva e convincente, me estimularam a ir assistir ao filme. O texto em questão referia-se ao filme como "uma pequena obra-prima" que teria seu lugar assegurado na filmografia nacional e descrevia-o como um filme quase sem palavras, visto com os olhos do narrador, sendo que este, em momento algum aparecia. Pela descrição, pareceu-me, no mínimo, valer uma conferida.
O que se vê no início de "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" é uma sucessão de filmagens amadorísticas, imagens toscas, às vezes só fotos na tela, enquadramentos parados longos, tudo isso acompanhando a narração do protagonista, um geólogo que percorre o interior do Sertão Nordestino a fim de avaliar uma área para implantação de um canal na região. Só que por trás deste aparente mal-acabamento, de um descuido estético e técnico, se esconde, ou melhor, se MOSTRA, uma obra rigorosamente pensada e cuidada em todos os detalhes. A película, a fotografia, a montagem, a trilha "incidental", a duração de uma cena, a extensão de uma frase; tudo tem um intuito, uma utilidade, um objetivo por vezes cada elemento deste complementando o outro, ora na mesma cena, ora ao longo do filme.
Num formato meio documentário, meio amador, meio câmera-na-mão, o narrador vai alternando relatos técnicos sobre sua pesquisa com revelações íntimas sobre uma mulher, que chama de Galega, e constantes declarações de amor e saudades. Mas aos poucos vai se revelando uma relação não muito feliz com esta pessoa e problemas no casamento ficam evidentes. Aí pensamentos vão se confundindo, intenções vão se transformando, objetivos mudando e os relatos e ficam cada vez mais reveladores em um espírito atormentado, inquieto, para o qual a viagem teoricamente profissional, acaba-se justificando em parte como uma tentativa de fuga do problema e uma de fuga de si mesmo. O problema é que logo no início desta tentativa, nosso narrador descobre que fugir não adianta.
As imagens dialogam fantasticamente com o texto, quase sempre pessimista, desiludido e triste na voz do geólogo-narrador. Ao mesmo tempo que reforçam este seu estado de espírito de tédio, melancolia e confusão, o desmentem várias vezes quando ele nos diz uma coisa e as imagens apresentam detalhes que o desautorizam e mostram mais do que ele gostaria de contar. Isso semfalar nas músicas, quase sempre escutadas no rádio do carro do pesquisador mas que valem por muitos diálogos.Confira aí o trailer do filme:
Cly Reis
sábado, 22 de maio de 2010
cotidianas #26 - O Dalvo
- Desculpa, mas o senhor não é o Dalvo? O Dalvo que jogou no Nacional, na Seleção?
- Eu mesmo, garoto. Como é que me reconheceu? Não é do seu tempo - fazendo esta última observação entre uma tímida risada.
- É - concordei rindo também - Não é mesmo, mas eu pesquiso, eu me interesso pelos jogadores do passado... Puxa, Dalvo, eu sou seu fã!
- Obrigado, garoto! - disse verdadeiramente satisfeito e lisonjeado.
- Meu pai sempre falava do senhor. Dizia que foi o melhor centroavante que ele viu jogar. Que cabeceava como ninguém. Era o "Cabeça-de-Nêgo" porque a cabeçada era uma verdadeira bomba.
- Tu sabe tudo, hein, garoto!
- Puxa, seu Dalvo, o senhor é uma lenda!
-Quê isso, garoto? Assim eu fico até meio sem jeito.
Nisso, a fila já chegara até a porta e uma das amigas do Caco interrompe:
- Vamos entrar, Thiago?
- Vão entrando. Eu vou daqui a pouco.
Não entrou.
Ficou horas na porta conversando com o Dalvo e depois ainda foram pra um boteco falar sobre futebol.
No final da noite, saiu com um autógrafo do Dalvo no verso do ingresso da festa.
Cly Reis
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Coluna dEle #17
Depois de muito tempo sem dar as caras por aqui, sem mandar um post, uma coluna, um SMS que fosse, me reaparece aqui com uma cara deslavada e cheio de desculpas esfarrapadas o tal do Colunista deste espaço. Só porque é Dono do Mundo acha que é o dono do blog, e no entanto é quese um ex-dono deste espaço. Só não rodou ainda porque tem gente que lê esse monte de bobagem que ele escreve. Mas estou, novamente, repensando a situação deste colaborador.
Enquanto eu decido o que fazer, fiquem com mais uma Coluna dEle.
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Sei, sei que tá todo mundo puto Comigo. Tô sabendo, tô sabendo.
Recebo milhões de e-mails e orações todos os dias dizendo que isso não é pai, que Eu abandonei vocês, que já sabiam que Eu não prestava e coisas do tipo. Tudo isso porque, devo admitir, o mundo está de cabeça pra baixo. É enchente, ciclone extratropical, terremoto em todo o lugar, isso sem falar naquela chaminézinha da Islândia.
Não é desculpa ou conversa fiada, galera, mas é que, aqui em cima, a gente tem um sistema todo, uma rede, sala de comando com computador central e tudo mais. É tudo informatizado. Negócio de primeiro mundo, sabe. Eu, mesmo nem sei mexer nessas coisas. Eu só dou as coordenadas e a rapaziada mais nova que entende dessas coisas de nets, internets, long-net, vai lá no computador e bota pra funcionar.
Daqui a gente comanda tudo: fases da lua, velocidade dos ventos, nível pluviométrico, temperatura. Só não temos gerência direta sobre a língua do Lula, por exemplo. Mas de resto é tudo por aqui, e salvo alguma falha de sistema, algum vírus, um apagão ou algo assim, as coisas vão mais ou menos na ordem natural.
Só que de uns tempos pra cá o pessoal notou algo estranho no sistema, e não estamos conseguindo sequer acessar a nossa própria rede.
Aí, um desses meninos da informática descobriu que tem um hacker no sistema e que ta comandando tudo de fora. Rastreamos e descobrimos que vem lá de baixo, das profundezas do Inferno. E, cara, o Coisa-Ruim tá no comando! É por isso que o mundo tá que é só tragédia. O cara foi lá na rede e modificou os níveis de movimentação de placas e deu no que deu: terremoto no Haiti. Foi lá e reativou um vulcão que tava dormindo a 200 anos: eo que deu? Caos aéreo na Europa. Mexeu em tudo! Fez até o time dele ser campeão brasileiro!!!
O pessoal da técnica aqui tentando solucionar isso tudo e transferir os comandos pra cá de novo, mas tá foda! Enquanto isso é esperar. Eu mesmo tô sem trabalhar aqui em cima. De braços cruzados. Sem o sistema, não dá pra fazer nada.
É, são os novos tempos. Como a gente ficou dependente da informática!
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E esses padrecos que comem criancinha, hein?
Putz! Me racham a cara de vergonha.
E ainda usam meu nome pra fazer essas putarias. “Somos homens do senhor”, “a palavra Dele”. Eu fora!
Acho que deram OUTRA interpretação pr’aquela passagem do “vinde a mim, ó, criancinhas”.
Não era nada disso, cambada de tarado!
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E a seleção do Dunga, hein?
Pô, Dunga, cadê os meninos da Vila?
Já li que o blogueiro concorda com a besta-quadrada deste técnico, mas a opinião desse aí não conta porque não entende nada de futebol. Essa gurizada nova que não viu seleções de 58, de '70 não sabe o que é futebol de verdade.
Ai, ai, tô vendo que eu vou ter que ajudar vocês aí, de novo.
(Não sabem o quanto foi complicado fazer aquela bola do Baggio subir tanto).
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E falando ainda de futebol, o Adriano não tem jeito mesmo.
O cara passa a vida inteira me pedindo uma oportunidade na vida, pra sair da favela, pra ser um grande jogador, ir pra seleção e blá, blá, blá. Aí Eu, burro, atendo. Faço o cidadão jogar pra cacete, boto o cara na Europa jogando em time grande e morando numa das melhores e mais sofisticadas cidades do mundo, o cara enche o cu de dinheiro e quer voltar pro Brasil pra brincar na favela. Ah, para!!! Mas até aí tudo bem. É lá com ele trocar a Inter pelo flamengo. Mas faço o cara jogar o bastante pra chegar na seleção, o cara é um dos preferidos do técnico e nas vésperas de uma Copa faz tudo isso: falta a treino, vai a baile funk, engorda como um porco, faz orgia com anão, jumento e os cambal e depois ainda quer reclamar que não foi convocado? Tá de pilha! Depois Eu que sou ruim, que não dou oportunidade, que não perdôo.
O mal é que Eu dou biscoito pra quem não tem dentes.
Esse é o mal.
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Bom, vou nessa, galera.
Espero conseguir normalizar o sistema e voltar ao comando. Enquanto isso, recomendo paciência por que a coisa vai continuar como o Diabo gosta.
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Orações, sugestões, reclamaões, palpites, preces, súlicas, promessas para
god@voxdei.gov
(pode mandar poque ainda estou conseguindo acessar o e-mail e o Belzebu não tem a senha)
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