quinta-feira, 19 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
My Bloody Valentine - "Loveless" (1991)
O Disco Que Eu Levaria Para Uma Ilha Deserta
"Muitos dos samples eram de feedbacks. Nós aprendemos que do feedback da guitarra, com muita distorção, que você pode fazer qualquer instrumento, qualquer um que você possa imaginar."
Kevin Shields
- Não interessa, só pode escolher um.
- Só um? Uns dez que seja. Pra ter mais variedade, mais opções...
- Só um.
- Então...então..., vai o "Loveless" do My Bloody Valentine.
Este hipotético diálogo não seria muito diferente do real se, algum dia por alguma circunstância qualquer, um incêndio, uma enchente, um terremoto, um roubo, uma divisão de bens, um exílio, fosse obrigado ter que apenas escolher UM álbum na minha discoteca para levar comigo para qualquer lugar, para uma ilha deserta, por exemplo. Não que seja o melhor CD que tenho, se fosse por isso o por exemplo "Let It Bleed" estaria à frente; não que seja a banda que mais gosto, se prevalecesse este critério provavelmente Cure e Smiths teriam prioridade, mas o "Loveless" é um daqueles discos que poderia-se chamar um xodó. Mas não um xodó injustificável, daqueles que a gente sabe que é ruim, não contraria o fato, mas morre abraçado com ele, por qualquer motivo que... só Deus sabe. Não, é um álbum absolutamente prazeroso de se ouvir, com seu harmonioso e cativante ruído que constrói a todo tempo inusitadas sinfonias. Além do mais, este disco do My Bloody Valentine é um dos melhores, mais significativos e influentes das últimas décadas e a banda é uma das mais cultuadas e respeitadas no universo underground mesmo com uma discografia rigorosamente pequena.
Com inegáveis influências do noise-rock, caracteristico de bandas como Sonic Youth, por exemplo, do gótico dos '80 e de bandas como Jesus and Mary Chain , o MBV conseguiu em apenas dois álbuns incorporar novas características a estes estilos, praticamente reinventando-os, conferindo-lhe então uma assinatura própria de tal forma original que tornam o som da banda absolutamente peculiar e inconfundível.
"Loveless" o segundo álbum da banda é avanço em relação ao bom "Isn't Anything", seu trabalho de estreia, agregando às distorções, aos efeitos, aos ruídos e à criatividade do cérebro da banda, Kevin Shields, mais vocais femininos de Belinda Butcher, arranjos mais melodiosos e muito mais ousadia nas experimentações.
"Only Shalow", a primeira do disco, é daquelas coisas que a gente mal acredita que esteja ouvindo algo daquele tipo: depois de uma introdução com uma tempestade de guitarras e distorções, que poderia fazer supor algo enérgico, violento, inaudível; tudo desemboca numa canção cantada suave e melodiosamente por uma doce voz feminina, até voltar, a cada 'refrão', a maravilhosas e improváveis explosões sonoras .
"Loomer", que a segue é cheia, concentrada e suavemente barulhenta; "Touched", a terceira, é uma pequena sinfonia 'desafinada' com a rotação alterada que provoca algum descons(c)erto de sentidos no ouvinte. Uma mistura de sensações de belo e bizarro, de harmônico e desrítmico, de clássico e contemporâneo.
A segue a fantástica "To Here Knows When", lindíssima a seu modo; uma cortina sonora que vai se dissipando aos poucos até ficar praticamente dissolvida, restando ao final apenas uma tênue conexão que ainda possa identificá-la em meio à névoa sonora que se transforma.
"When You Sleep" é outra grandiosa, com outro inusitado e indefinível riff conseguido por Kevin Shields em suas muitas experimentações de estúdio.
A lindíssima "I Only Said" já introduz com uma emocionante 'explosão estrelar' que conduz a uma base fantástica que de certa forma, cheia de guitarras, efeitos, samples e tudo mais, lembra uma orquestra de violinos, e os violinos de Kevin Shields são suas guitarras, suas distorções, seus efeitos.
"Come in Alone" é forte, completa e funciona como um catalisador de elementos; "Sometimes" é doce e agradável; "Blown a Wish" apenas compõe bem; "What You Want" é acelerada, empolgante e numa passagem mágica, quase que vacilante, introduz às baterias sampleadas da fantástica "Soon", uma joia cheia de efeitos de marcação, ruídos de fundo e incríveis guitarras que sobrevoam uma base ritmada e carregada de peso e beleza, tudo isso sob a maviosa voz de Belinda Butcher que quase desaparece em meio ao barulho. Num final absolutamente emocionante e épico, "Soon" atinge um clímax sonoro, um êxtase instrumental até praticamente se apagar, se desvanecer, com uma guitarra ao fundo ainda tentando sobreviver ao final inevitável. Um encerramento digno de um disco como este!
Um dos meus preferidos da discoteca, um dos meus xodós da coleção, um dos discos mais cultuados, um dos melhores discos dos anos 90 e um dos grandes da história do rock. Por todas estas razões, pelas sensações que causa, por toda essa estranha beleza, "Loveless" passaria à frente de discos mais completos, mais perfeitos, mais clássicos, mais geniais talvez e seria o disco que eu, se por uma inevitável e cruel escolha tivesse que optar, levaria para uma ilha deserta.
Mas aí penso no meu "Trans-Europe Express", no meu "Gil e Jorge", no meu "Aftermath" e lembro que felizmente, trata-se apenas de um exemplo, de uma hipótese absurda e totalmente improvável, e posso ir curtindo todos os outros também.
Ufa!
FAIXAS:
1."Only Shallow" (Butcher, Shields) - 4:17
2."Loomer" (Butcher, Shields) - 2:38
3."Touched" ( Colm Ó Cíosóig ) – 0:56
4."To Here Knows When" (Butcher, Shields) - 5:31
5."When You Sleep" - 4:11
6."I Only Said" – 5:34
7."Come in Alone" – 3:58
8."Sometimes" – 5:19
9."Blown a Wish" (Butcher, Shields) - 3:36
10."What You Want" - 5:33
11."Soon" – 6:58
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Baixe e ouça:
My Bloody Valentine Loveless
sábado, 14 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
cotidianas #81 - Nostálgico Blues Subterrâneo
Johnny está no porão
Misturando medicamentos
Eu estou no pavimento
Pensando no governo
O cara de sobretudo
De distintivo, ferrado
Diz que está com um nó na garganta
Quer pagar para se livrar
Olhe garoto
Foi algo que você fez
Deus sabe como
Mas você está fazendo de novo
Melhor você tropeçar parque abaixo
Procurando por um novo amigo
O homem de chapéu de guaxinim
Com a grande caneta
Quer onze notas de dólar
Você só tem dez
Maggie vem ao pé da frota
Cara cheia de fuligem preta
Falando que o calor pôs
Ervas na cama, mas
O telefone está desligado, mesmo assim
Maggie diz o que muitos dizem
Precisa atacar no começo de maio
Ordens do departamento
Olhe garoto
Não importa o que diz
Ande na ponta dos dedos
Não ande com deslocados
Melhor se manter afastado destes
Do que se meter em bizarrices
Mantenha o nariz limpo
Observe as roupas da moda
Você não precisa do homem do tempo
Para saber de que lado o vento sopra
Fique doente, fique bem
Arrume uma tatuagem legal
Balance o pinto, é difícil falar
Se alguém vai vender
Vá atrás, seja barrado
Volte, escreva em Braille
Seja preso, salte a cerca
Entre para o exército, se falhar
Olhe garoto
Você vai arrasar
Mas usuários, trapaceiros
Completos perdedores
Rodeiam os teatros
Garota na piscina
Procurando um novo otário
Não siga líderes
Observe os medidores dos parquímetros
Ah nasça, fique calmo
Calças curtas, romance, aprenda a dançar
Vista-se, seja abençoado
Tente ter sucesso
Agrade-a, agrade-o, compre presentes
Não roube, não furte
Vinte anos de escola
E eles o colocam no turno diurno
Olhe garoto
Eles mantêm isso escondido
Melhor pular num bueiro
Acenda para si uma vela
Não use sandálias
Tente evitar escândalos
Não queira ser um vagabundo
Melhor mascar chiclete
O barril de bebida não funciona
Pois os vândalos levaram a alavanca
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"Subterranean Homesick Blues"
Bob Dylan
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