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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Iron Buttterfly - 'In-A-Gadda-Da-Vida" (1968)




"No final dos anos 60 não era socialmente conveniente andar por aí com o cabelo comprido até o cóccix."
Doug Ingle,
vocalista e tecladista


Ao começar a ouvir o disco, você até reconhecerá inevitavelemente algumas qualidades, logo de cara. Reconhecerá por certo toques profundos de psicodelismo, um rastro de folk, sombras de blues e os caminhos para o metal. Poderá até pegar-se tamborilando com os dedos na mesa enquanto ouve a boa "Most Anything You Want", batendo com o pézinho ao som de "Are You Happy?" com seu psicodélico prenúncio de peso, e até ensaiar um air guitar na embalada "Termination"; mas a faixa-título, um épico monumental quilométrico que, sobremaneira, impressiona  e justifica um lugar de destaque para "In-A-Gadda-Da-Vidda" , do Iron Butterfly, no olimpo dos grandes.
Ao longo de seus dezessete minutos a música "In-A-Gadda-Da-Vida", que no formato original em LP era a única faixa do lado B, desfila uma infinidade de variações, ritmos, influências e sonoridades. Uma loucura psicodélica total com guitarras pesadas, uma percussão viajante, órgãos completamente alucinados e um vocal rouco-grave-chapado. Detonante! Cáustico! Espetacular! Um dos primeiros pilares do hard rock e do metal!
Outro daqueles discos em que um erro, equívoco, um mal-entendido acabou gerando e consagrando o nome da obra: consta que o compositor, cantor e tecladista Doug Ingle anunciou ao baterista ter feito uma nova música, mas bêbado demais para falar corretamente o nome pretendido que seria "In The Garden of Eden", pronunciou "In-A-Gadda-Da-Vida" que foi o que o parceiro entendeu e anotou, só que sem saber escreveu 'errado' também na história do rock.

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Embora o grande barato de um disco desses seja tê-lo em LP por causa desta configuração com uma música apenas perfazendo um lado inteiro, não deixa de ser interessante ter a edição remasterizada em CD que traz três versões do clássico "In-A-Gadda-Da-Vida", a original, uma ao vivo e a do single, bem menor, editada especialmente para tocar nas rádios.
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FAIXAS:

Lado A
"Most Anything You Want" – 3:44
"Flowers and Beads" - 3:09
"My Mirage" – 4:55
"Termination" (Erik Brann, Lee Dorman) – 2:53
"Are You Happy" – 4:31

Lado B
" In-A-Gadda-Da-Vida " – 17:05

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Ouça:
Iron Buttefly In-a-gada-da-vida 


Cly Reis

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ponto de Fuga





foto: Cly Reis

Shopping dos Antiquários - Copacabana - Rio de Janeiro - RJ



 


Um dos antiquários requintados do pequeno shopping...
Já tinha passado por lá mas só ontem pude entrar numa galeria comercial em Copacabana, chamada oficialmente Shopping Cidade Copacabana, conhecida popularmente como Shopping dos Antiquários. Como tinha visto que uma das lojas tinha uns LP’s, resolvi dar aquela conferida. Aproveitei então meu horário de almoço e mergulhei entre os corredores da galeria. A loja que eu havia visto, especificamente, não tinha muitas coisas legais; muitos discos bregas, ou muito populares, ou alguns interessantes mas que se encontra em qualquer lugar, então resolvi esticar um pouquinho e logo ali adiante encontrei uma outra com coisas excelentes e muito baratas. Bolachões de R$2,00, 4, 5 Reais. É lógico que fiz umas pequenas compras: levei na bagagem Iron Butterfly, “In-A-Gadda-Da-Vida”, o clássico “Déjà-Vu” de Crosby, Stills, Nash and Young, o “Wave” do mestre Tom Jobim, e aproveitei pra substituir meu CD piratinha do “Remain In Light” dos Talking Heads por um vinil oficial. O lugar é meio desorganizado no que diz respeito à disposição dos discos; de repente você está dedilhando os nacionais e dá de cara com um Frank Sinatra, ou está nas trilhas de filmes e se depara com um Dorival Caimmy, mas vale a pena vasculhar numa pilha qualquer e topar com uma surpresa interessante.
... e um outro interessante, porém mais amontoado e com jeito de brechó
Percorri mais um pouco a galeria e descobri mais algumas lojas bem legais: sebos riquíssimos, brechós estilosos e, lógico, justificando o nome do shopping, antiquários interessantíssimos, alguns mais chiques e sofisticados, outros mais pobrinhos mas não menos interessantes. Também tem uns bazares, umas lojas de ferragens, uns pés-sujos, mas deixa pra lá. Isso naõ faz a menor diferença.
Vou aproveitar que estou com obra em andamento aqui no bairro e voltar lá uma hora dessas pra mais compras. Só quero ver onde é que eu vou arranjar lugar pra guardar tantos vinis... (eu não devia ter descoberto esse lugar!)

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o Shopping Cidade Copacabana ou Shopping dos Antiquários
fica na Rua Figueiredo de Magalhães
ao lado da estação Siqueira Campos do Metrô.

O Frango Atirador

terça-feira, 7 de junho de 2011

cotidianas #85 - NOMES


"Nome", Arnaldo Antunes
Essa coisa dos nomes das pessoas é algo que pode ser muito curioso às vezes. Uma amiga me contou que certa vez, tendo levado seu filho pequeno a um posto de saúde, aguardava na sala de espera a chamada pelo nome do menino e entre Felipes, Vitórias, Pedros e Alices, de repente a enfermeira põe a cabeça pra fora da sala e sai com um "Micarráquinem da Silva". Micarráquinem da Silva??? Pode?

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Pais são fogo. Se forem pobres, então, são um perigo. Não é preconceito, é conceito formado baseado em observação. Notem como na maioria das vezes estes nomes de homenagem a personalidades importantes, a personagens de novela, aquelas combinações malucas do nome do pai com o da mãe normalmente vem das classes mais baixas. É duro dizer mas é verdade. O meu mesmo, que não é nenhum absurdo mas também não é la comum, é uma homenagem a um jogador dos anos 70 que eu nem sei em que time jogava. Mas gosto dele. gosto mesmo. O problema é que ninguém consegue pronunciar direito e eu sempre tenho que repetir mais de uma vez.

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A propósito de nome de jogador, houve uma obra e que eu estava trabalhando onde me pareceu um Hideraldo. Um dia estava conversando com ele num intervalo qualquer e perguntei se o nome era por causa do Hideraldo Luís Bellini, jogador da Seleção Brasileira de 1958. Ele então, 'caindo a ficha', respondeu, "ah, bem que eu sabia que o meu nome tinha a ver com o de algum jogador". Expliquei pra ele de quem se tratava, que o Belllini tinha jogado em 58, que tinha sido o primeiro jogador brasileiro a levantar a taça e que até tinha uma estátua dele em frente ao Maracanã. Acho que ele gostou de saber que o nome era mas importante do que jamais imaginara.
Mas esse Hideraldo não tinha nada lá muito a se elogiar: dias depois já começou a faltar, outro dia chegou bêbado e logo depois sumiu levando o uniforme e a botina da empresa.

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Ainda sobre jogadores de futebol teve um cara que registrou o filho com os nomes de todos os titulares da Seleção brasileira de 70. Sério!
Félix Carlos Alberto Brito Piazza Everaldo Clodoaldo Gérson Pelé Jair Tostão Rivellino... de Souza, da Silva, Pereira ou qualquer coisa assim.

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Na época que eu tinha um time de bairro, de futebol sete, mesmo tendo o time base, aqueles de fé, volta e meia rolava uma certa rotatividade e alguma dispensa ou inclusão acontecia. Sempre que ficávamos sabendo de alguém com futebol interessante, com potencial, com qualidades, dávamos uma conferida, chamávamos pra bater uma bola informalmente e íamos, por assim dizer, negociar a contratação. Assim que soubemos por um dos nossos jogadores que um carinha novo que tinha ido morar numa vilinha perto do campo onde jogávamos era bom de bola, jogamos uma pelada de fim de tarde, comprovamos a categoria do sujeito e o convidamos pra jogar conosco. Como ele era novo no bairro, não tinha compromisso com outro time, fechou com a gente mesmo. Era conhecido por João porque era assim que chamava às pessoas de quem não sabia o nome, mais ou menos como o Garrincha se referia às suas 'vítimas', de quem nem valia a pena saber o nome porque eram todos iguais e iam ficar estatelados no chão mesmo. Todos uns Joões! E ele preferia que fosse assim uma vez que era sabido que não gostava do próprio nome. No máximo permitia que lhe chamassem do segundo nome, Vinícius. Durante muito tempo chamamos aquele cara apenas de João sem saber  efetivamente qual o seu verdadeiro nome, até porque coisas como esta no futebol de rua, de bairro, de amigos, não fazem a menor diferença. Mas um dia deu de haver um campeonato e ser necessário uma inscrição e aí o João teve que revelar seu nome: "Alcione Vinícius", revelou ele contrariado.
Alcione...
- Tenho a maior bronca do meu velho por causa disso. - dizia ele.

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Soube também de um caso interessante: os pais, tendo alguma 'inspiração' daquelas de gosto bastante duvidoso resolveram botar no filho quando nascesse um nomezinho, no mínimo, complicado. Como desta história não sei detalhes vou chamar o garoto de Athaualpakauê, Ok? 
Então... O fato é que ninguém conseguia aprender nem pronunciar o nome do futuro bebê. Nem avós, nem tios, nem amigos, ninguém. Passou-se a gestação inteira com o nome decidido e com as pessoas quase engolindo a língua para falar o nome da criança que estava por vir. Atapauê, Atacapalauê, Atanásio Cauê. Deu-se então que nascida a criança, e com os pais entendendo a dificuldade dos parentes, as complicações que poderiam acontecer na escola, na vida social e tudo mais, tiveram bom senso e resolveram mudar o nome. O pai saiu da maternidade e foi registrar então o filho com o nome mais comum, digamos José, por exemplo, de modo a facilitar totalmente pra todo mundo. Mas aí era tarde demais: todos, apesar da dificuldade já tinham aprendido, acostumado, comprado presentes, toalhinhas, babadores, caminhas, brinquedos gravados com o complicadíssimo nome antigo e por pior que fosse já estava consagrado. Aí que mesmo registrado José, é chamado e conhecido pelo nome que era pra ser mas que acabou não sendo. Athaualpakauê.

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Cly Reis