sábado, 7 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Fotos da Minha "Casa"
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| "Espaçonave Barroca" |
por Daniel Rodrigues
Vasculhando meus alfarrábios, deparei-me com fotos produzidas por mim, provavelmente em 2001, na Casa de Cultura Mário Quintana, um dos principais centros culturais de Porto Alegre, que, mesmo com o advento de novos espaços de cultura nos últimos tempos na cidade, não perdeu em charme nem importância. Foi anunciado recentemente, inclusive, que o espaço será totalmente revitalizado, com previsão de conclusão em março de 2014.
CCMQ fundamental na minha formação intelectual e com a qual mantenho uma relação especial desde a infância. Guardo-lhe ótimas lembranças. Das talvez centenas de filmes assistidos, entre eles “Apocalipse Now Redux” do Coppola, “Acossado” do Godard e “Verdes Anos” do Gerbase e do Giba. Lá conheci o cinema de alguns diretores que hoje admiro como Eric Rhomer, Yasujiro Ozu e Max Ophuls. Casa de exposições maravilhosas, como a das fotos panorâmicas do cineasta Win Wenders, em 1999, feitas no deserto de Paris (Texas!), e a recente do fotógrafo-artista Gui Bourdin , que tive o prazer de presenciar este ano. Os bate-papos com personalidades, como o em comemoração aos 40 anos do Tropicalismo, em 1998, com Tom Zé, Capinam e Luiz Tatit. E shows! Aquele inesquecível de Jards Macalé cantando só Noel Rosa, em 2001, por exemplo, foi lá! Os vários encontros com amigos... ih, CCMQ de muitas histórias.
Não recordava deste meu trabalho fotográfico, feito para uma das cadeiras da faculdade de Jornalismo, e surpreendi-me positivamente com o resultado quando revi, pois me considero limitado tecnicamente para fotografia. Mas sempre acreditei no meu olho, e acho que foi isso que (reforçado pela necessidade de tirar uma boa nota) me impulsionou a produzir boas imagens deste cartão-postal da capital dos gaúchos. Devem alguma coisa em técnica às de um profissional, sei; mas que lhes há poesia, há. Confiram:
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| "Stalker" |
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| "A Alma" ou "Um passa, outro para" |
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| "Tango do Passaredo" |
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| "Jazida" |
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| "Olhos e Boca" ou "A CCMQ me olhando" |
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
cotidianas #126 - Primeiro do Ano
Sentaram na areia depois dos abraços, dos brindes, dos votos de ano novo, ainda um pouco disfarçadamente emocionados.
- O que tu pediu?- Ãhn? - respondeu voltando de onde seus pensamentos andavam vagando.
- De Ano Novo. - insistiu ele explicando a pergunta - Ali, pros pulinhos nas ondas?
Eram amigos de longa data. Amigos o bastante para que ele se desse o direito naturalmente de bisbilhotar sobre os pensamentos dela. Poder-se-ia dizer que ele era o melhor amigo que tinha. Com as outras garotas sempre tinha o ingrediente da competição, da inveja, da falsidade mas com ele sentia-se totalmente segura para falar o que bem entendesse. Por conta dessa cumplicidade é que dias antes manifestara-lhe a intenção de um ano novo diferente. Cansara de se submeter às grosserias do namorado autoritário, ciumento, machista e egoísta e uma semana antes do reveillón, noticiava ao amigo o rompimento.
Por isso estavam ali, juntos, agora pouco depois da meia noite naquela praia diante do mar. Ela e o amigo. O melhor amigo. Para quem não tinha frescuras ou segredos. Só que agora, de repente sentia-se um pouco embaraçada em responder à pergunta.
- Eu? - fazendo-se de desentendida.
- É, tu mesma! Tá vendo mais alguém aqui - brincou fingindo irritação.
- Eu tô vendo um montão de gente aqui! - e gargalharam juntos.
Cessado o riso, ela continuou, agora demonstrando uma certa ansiedade:
- Ah, um dos pedidos foi aquela coisa toda de paz e biriri-bororó, né; o outro foi aquela coisa de saúde e patati-patatá - e riram juntos - E ou último foi... Eu pedi pra voltar com o Marcos. Eu sei que ele não vale nada mas eu sou louca por aquele cara.
Assim que acabou a última frase uma lágrima silenciosa escorreu pelo rosto em meio ao barulho do foguetório na beira do mar, mas à que ela logo apressou-se em enxugar com os punhos. E esforçando-se para retomar um tom alegre, respirou fundo e recompôs-se:
- Mas não quero estragar a tua noite de Ano Novo, - disse ainda fungando - Mas e tu? O que tu pediu de Ano Novo?
- Mas eu nem pulei ondinha, nem nada. - esquivou-se.
- Ah, mas a gente sempre pede alguma coisa. - insistiu ela agora já sorrindo verdadeiramente.
Agora foi a vez dele ficar sem jeito. E ela só não percebeu o rubor de sua face por causa da intensidade do reflexo dos fogos avermelhados. Mas respondeu timidamente sem tirar os olhos fixos da areia:
- Ah, um dos pedidos foi aquela coisa toda de paz e biriri-bororó - e riu-se da imitação da manifestação da amiga - o outro foi aquela coisa toda de paz - ao que ela completou junto - 'patati-patatá' -caindo ambos na risada.
- E o outro? - quis saber a garota.
- Não teve outro.
- Ah, fala.
- Não teve mesmo. Foram só dois... eu acho - disse, finalmente tirando os olhos do chão e mirando fixamente os olhos da amiga. Foi um breve momento de silêncio entre os dois, em que ficaram se encarando até que ele finalmente desviou o olhar e o direcionou para o céu:
- Olha lá que tri aqueles fogos! - chamou atenção apontando.
- Onde? - empertigou-se, curiosa.
E voltando a cabeça na direção dos fogos, suas cores explosões e formas diferentes, não pode ver os olhos do amigo, marejados, vazios, apenas com o reflexo dos fogos que explodiam desenhando um coração.
Cly Reis
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