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sábado, 10 de março de 2012

Morrissey _ Fundição Progresso - Rio de Janeiro (09/03/2012)



Há uma estrela que nunca se apaga

Eu já havia visto Morrissey ao vivo na turnê anterior que fizera no Brasil, em Porto Alegre. Naquela ocasião foi um grande show.
Até por isso estava meio relaxado quanto ao que iria ver. Tipo: se não fosse lá tão legal, tão bom, pelo tempo ter passado pra ele (e pra todo mundo), pela idade, por algum eventual problema coma voz, porblema técnico, de som, desestímulo pessoal ou da banda, etc., eu já estaria no lucro por tê-lo visto uma vez em ótima performance; mas se tivesse a sorte de ver outra grande apresentação, ah, aí então eu estaria realizado.
Mas felizmente eu, e todos os fãs, admiradores e curiosos que estavam na Lapa, nesta última noite de sábado, fomos contemplados!
Senhores, Morrissey foi impecável!
Amigos, ele está em plena forma. Provavelmente, até, melhor de palco do que fora no passado. É verdade que não tem aquela vitalidade de outros tempos para ficar saracoteando de um lado para o outro do palco, chicoteando o fio do microfone, rebolando com flores no bolso traseiro, mas, assim como um grande jogador de futebol que quando vê que a idade está chegando passa a não correr mais o campo todo, Morrissey agora joga nos atalhos do campo. Faz o certo, faz simples mas com extrema competência.
Bem resguardado por uma banda de jovens vigorosos (sarados e descamisados, a propósito), praticamente a mesma banda de seu último álbum "Years of Refusal", Morrissey dominou completamente o palco e a plateia com interpretações admiráveis e potencial vocal ainda intacto.
Após uma pequena série de vídeos cinquentistas e sessentistas, com rapazes topetudos e moças de cabelos volumosos, a cortina que servia de tela de projeção subiu e por trás dela apareceu Morrissey e sua banda tascando pra começar a ótima "The First of the Gang to Die" que já incendiou a galera. Seguiu com algumas menos interessantes para meu gosto como "You Have Killed Me" e "When Last I Spoke to Carol" que apesar de não ser das minhas favoritas, tenho que admitir que ficou demais no show, com aquele climaço espanhol, seu violão flamenco poderoso, e contando até mesmo com o trumpete da original, tocado ao vivo.
A coisa ia com seu repertório de carreira solo até que sou surpreendido com "Still Ill" dos  Smiths . Putaquepariu! Me faltou o ar! Grande execução da banda, grande performance de  Morrissey , grande participação da galara. A emoção começava a aumentar.
"Everyday is Like Sunday", uma das mais aguardadas também teve participação bacana do público; "Speedway" foi uma das grandes do show, bem barulhenta e distorcida com aquelas guitarras que parecem motosserras mas com a paradinha, que existe na versão original, meio longa demais no show. "I Will See You in Far-Off Places", uma das minhas preferidas manteve sua intensidade e força; "Ouija Board, Ouija Board", outra que eu adoro foi legal, mas abreviada sem a última parte da letra; "You're the One for Me, Fatty" tratou de agitar o público; e a linda "Let Me Kiss You", foi simplesmente emocionante, com mias uma daquelas interpretações fantásticas e envolventes do cantor.
Ao contrário do show anterior dele que eu havia assistido, onde tocara algumas poucas de sua ex-banda, desta vez  Morrissey  caprichou no repertório  smithiano  e mandou várias. Atirou uma "Meat is Murder" comovente,  não sem antes dar uma alfinetada no príncipe Harry que, por acaso, também se encontrava no Rio naquele dia, surpreendeu com "Please, Please, Please, Let Me Get What I Want" brilhantemente executada pela banda; e quase pôs abaixo o local com "There's a Light That Never Goes Out". Particularmente, ME 'sacaneou', cantando "I Know It's Over" que às vezes eu já evito ouvir no CD pra não chorar e aí o cara vem lá de Manchester e me canta essa ali, na minha frente. Bom, tenho que dizer que fiquei vendo o palco embaçado durante toda a música. Mas o pior nem foi isso, lá pelas tantas começa aquela base  de guitarra com efeito, meio trêmula, repetida... Não... Não pode ser. 'How Soon Is Now?"!!! Era ela mesmo. Nossa! Mal tinha me recuperado e já estava em lágrimas de novo. Que frescura, né? Eu sei, eu sei. Mas foi impossível resistir.
Com esta acabaram a primeira parte, voltando apenas para "One Day Goodbye Will Be Farewell", que frustrou um pouco da expectativa de um gran finale com algo como "Suedehead", "Irish Blood, English Heart" ou "That's  How People Grow Up", mas pensando bem, valeu pelo recado. Talvez aquele adeuzinho não tenha sido ainda a despedida mesmo. Tomara. Volte sempre que quiser.


Cly Reis

sexta-feira, 9 de março de 2012

Morrissey - Fundição Progresso (pré-show)




Chegada à Fundição.

Ingresso na mão
21:48 -Grande expectativa. Galera ansiosa. Acabo de pegar o ingresso da compra on-line. Agora é tomar aquela ceva pra refrescar e aliviar a expectativa, e depois entrar.
Mas ainda tá cedo.


Cly Reis

terça-feira, 6 de março de 2012

Kraftwerk - "Trans-Europe Express" (1977)




"Os fundamentos da moderna música eletrônica dançante estão todos neste disco."



“Ah, mas já tem um Kraftwerk nos AF, não viste ? é o "Radio-Activity"!” Vi sim, criatura, mas aonde é que tá escrito que cada artista só pode ter um Álbum Fundamental, hein ? Bom, devo dizer que meu primeiro contato com esta obra foi através de uma fita que não sei quem me emprestou e no final das contas não cheguei a escutar. Tempos depois resolvi comprar no setor de discos das lojas Renner, ali no centro de Porto Alegre, subsolo. Cheguei em casa e coloquei o LP para tocar. E é um disco bárbaro de somente 7 faixas ! Como todo álbum fundamental tem começo, meio e fim e cada música cumpre essa função magistralmente.  Este disco é o resultado de 5 álbuns anteriores, e pode-se notar escutando-os (que comprei todos depois desse) que a base das idéias já estavam contidas lá, mas lhes faltavam recursos técnicos e tecnológicos para chegar ao ponto que chegaram nesse disco. Os fundamentos da moderna música eletrônica dançante, sequenciadores, batidas, climas estão todos ai nesse disco de 77. Inicia com “Europe Endless”, que serve como cartão-de-visitas do disco. Esta música lança os fundamentos de toda uma geração que iria despontar como astros pop 10 anos depois. Tem um “linha de baixo” marcante e pontilhada por sequenciadores e uma bateria eletrônica que vão dando o clima de viagem que marca todo o disco. Em seguida vem “Hall of Mirrors” a música da Starsax “o calçado da geração jeans” como era conhecida a música no Rio Grande do Sul, pois era a trilha sonora de um comercial de sapatos para o público jovem na década de 80. É uma música bem mais lenta que a anterior mas que possui um clima muito bem elaborado e que se for possível deve ser escutada com fones de ouvido pra sentires os efeitos passeando pela tua cabeça. E o lado A do disco termina com “Showroom Dummies” que é uma música bem estranha, que se pode considerar o primeiro “reggae eletrônico” do mundo, por falta de definição melhor. Vira-se o disco e começa o lado B com “Trans-Europe Express” que com sua batida hipnótica e teclados que de vez em quando marcam climas um tanto sinistros, mas ótimos e uma voz que repete Trans-Europe Express e vai narrando por onde esse trem já teria passado. E esta música já emenda na “Metal On Metal” que essa sim, mãe de todos os sons que nos anos 90 viriam se chamar de industriais etc e tal. Toda pessoa que já foi a uma indústria percebeu que as máquinas possuem um ritmo de trabalho e um som e é isto que essa música faz, reproduz o ritmo industrial pela música. Para mim é a música mais linda deste disco. Depois dessa faixa bem marcada, vem um exercício musical eletro-clássico chamado “Franz Schubert”, muito interessante e que serve de ponte para a musica final do disco (ou vinheta) que é a “Endless Endless”. Termina o disco e eu me levanto e aplaudo de pé !

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FAIXAS:
1. "Europe Endless" (9:35)
2. "The Hall of Mirrors" (7:50)
3. "Showroom Dummies" (6:10)
4. "Trans-Europe Express" (6:52)
5. "Metal on Metal" (6:44)
6. "Franz Schubert" (4:25)
7. "Endless Endless" (0:55)

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Ouça:
Kraftwerk Trans-Europe Express



segunda-feira, 5 de março de 2012

Os Causo de Dois Morro - O doismorrês


Um curiosamento bem normar entre as pessoa que num conhecia Dois Morro antes das minha mui útel informação, é sobre o ideoma que se fala lá, até porcausadequê Dois Morro é um dos berço da civilização.
Que ideoma se fala em Dois Morro?
Se fala o doismorrês! Lógico!
O doismorrês veio incrusives antes do latim, se tu queres saber.
Na verdade veio depois. Porque o causo foi o seguinte: o Sargento, que era o guaipeca do compadre Onório, num parava de latí, num tinha Deus que fizesse aquele bicho endemoniado calá a boca.
Foi que daí saiu o compadre Onório de dentro da casa, podre de bêbo. Mas podre, podre meso, podre pramaidimetro e xingou o coitado do bicho até não poder mais. Só que tava tão borracho que falava dum jeito nóis nem entendia uma palavra do que o Cristão dizia. Aí que a piazada, achando graça, começô a imitar o falamento dele, e de tanto brincá com aquilo, acabaro costumando e quando viu, tava todo mundo em Dois Morro falando daquele jeito que o Onório tinha inventado. Ficô tipo, como se diz, um dialético. Primero se chamou-se onorífico, porcaus'que foi inventado pelo Onório, mas dispois como quem falava era só as gente de Dois Morro, ficou chamando-se doismorrês. Linguajar esse que predececeu, inscruzive o latim e foi a orige da língua brasilêra.
Aí que a gente diz que depois do latim... do cachorro, veio o doismorrês, que foi o linguamento do compadre xingando o anemar.
E daí surgiu os outro falamento de língua do resto do planeta, umas fala estranha, umas coisa esquisita, mas importante meso pra Héstória da humanidade foi a invenção do doismorrês.
Entendêro?

postado por Chico Lorotta