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terça-feira, 29 de maio de 2012

Bo Diddley - "Bo Diddley" (1958)




“Bo Diddley é Jesus”
título de música da banda
The Jesus and Mary Chain 



Aquela guitarra era solo, base e percussão ao mesmo tempo!
Bo Diddley, ex-fabricante do instrumento, depois de ter produzido algumas tantas pela vida, reinventava o instrumento com uma batida única que revolucionaria o blues, o rock, a música de um modo geral. (Depois ainda reinventaria o instrumento, literalmente, produzindo a sua famosa guitarra quadrada, cujo formato não tinha muito a ver diretamente com a sonoridade e mais com o conforto de Bo na hora de tocar).
Destaco aqui seu primeiro álbum “Bo Diddley” de 1958, disco que traz algumas de suas mais marcantes canções como a 'pausada' “I’m a Man”; o gostosíssimo blues “Before you Acuse Me”; a ‘percussionada’ “Hush Your Mouth”; a excelente “Who Do You Love?”, regravada depois numa versão bem bacana pelo duo escocês The Jesus and Mary Chain, que o tem praticamente como um deus; além, é claro, das auto-homenagens megalomanas “Hey, Bo Diddley” e a outra que simplesmente leva o seu nome assim como o disco.
É outro dos poucos que eu listei aqui nos FUNDAMENTAIS que eu não tenho. Tenho, sim a coletânea da Chess Records que tem tudo de melhor da carreira do artista, inclusive todas deste álbum. Boa alternativa pra quem, como eu, não tem este primeiro disco deste bluesman pra lá de original. Mas, se encontarem, comprem. Eu, certamente farei o mesmo se topar com ele.

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FAIXAS:
1. "Bo Diddley" (2:30) 
2. "I'm a Man" (2:41)
3. "Bring It to Jerome" (Jerome Green) (2:37)
4. "Before You Accuse Me" (2:40)
5. "Hey! Bo Diddley" (2:17)
6. "Dearest Darling" (2:32)
7. "Hush Your Mouth" (2:36)
8. "Say, Boss Man" (2:18)
9. "Diddley Daddy" (McDaniel, Harvey Fuqua) (2:11)
10. "Diddy Wah Diddy" (Willie Dixon) (2:51)
11. "Who Do You Love?" (2:18)
12. "Pretty Thing" (Dixon) (2:48) 


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Ouça:
Bo Diddley 1958


Cly Reis











sábado, 26 de maio de 2012

cotidianas #160 - O Jardim Suspenso


Acordou assustado. Suado. Ofegante. Olhando em volta. Um barulho vindo da cozinha o acordara e o livrara daquele sonho que, não lembrava exatamente do que se tratava mas sabia que tinha sido perturbador.
O barulho continuava. Parecia alguém mexendo na geladeira.
Levantou-se e foi dirigindo-se lentamente a cozinha, descalço, pisando cuidadosamente e esgueirando-se para não ser notado por quem quer que estivesse lá.
"O Jardim das Delícias Terrestres",
Hyeronimus Bosh, séc. XV
Chegando no final do corredor virou à direita e dali já pôde avistar a porta da cozinha de onde notou então em frente à geladeira aberta, um homem de roupão cinza e pantufas mas cujo rosto não conseguia visualizar pois o estranho estava levemente inclinado olhando para dentro da geladeira. O intruso notando a aproximação de alguém voltou-se na direção da porta da cozinha e foi então que o dono a casa viu aquela cara bizarra. Uma cara de rato.  Corpo humano, mas com cara de roedor, de ratazanda de esgoto. Acuado por ter sido descoberto, o invasor, tratou de embrenhar-se geladeira adentro apressadamente. Tentou alcançar ainda o visitante antes que a porta do eletrodoméstico se fechasse mas não conseguiu em tempo. Mesmo tendo-o perdido num primeiro momento, reabriu a porta e deparou-se ali com um caminho escuro, uma passagem estreita de chão batido cercada pelos dois lados por uma extensão de mato baixo que precedia uma espécie de bosque. Colocando primeiro uma perna, depois a outra, a exemplo do visitante, ingressou pela passagem. Lá dentro seguiu pelo único caminho existente, em frente, já àquelas alturas nem pensando mais em encontrar o intruso e simplesmente andando para onde a trilha levasse. Caminhava agora olhando as árvores de galhos tortos e formas curiosas, o mato ia ficando mais alto conforme avançava e pensava se não haveria cobras naquele bosque, sentindo um pouco de medo por isso.
- Será que aquilo é um morcego? – perguntou sua irmã, que caminhava a seu lado.
- Acho que é algum tipo de pássaro noturno – respondeu com ar de conhecimento de causa.
Agora à sua volta não era mais aquele bosque assustador e sim um parque alegre e florido cheio de crianças onde resplandescia um belo dia ensolarado. Sentou no gramado olhando para as crianças e sentindo o calor agradável do sol no rosto. Sua irmã já não o acompanhava e agora uma bela moça sentava-se ao seu lado no gramado e fazia-lhe carinho nos cabelos. Pensou ainda, “mas não era minha irmã que estava aqui agora há pouco?”. Não importava. A garota era atraente, lembrava-lhe alguém que conhecia mas não sabia exatamente quem. Lentamente aproximou os lábios dos dela e aplicou-lhe um beijo longo e apaixonado. Logo levou e mão a seus seios, foi deixando descer até entrear por baixo da saia alisando-lhe primeiro as pernas e logo em seguida subindo lentamente. A troca de carinhos foi interrompida por uma voz rude e colérica.
“Que que tu tá fazendo com a minha guria, rapaz?”
Ergueu os olhos e  viu em pé à sua frente quatro rapazes fortes e com cara de poucos amigos.
Pôs-se em pé também e tratou de tentor argumentar, alguma coisa – a moça já não estava mais lá. Nada dispostos a aceitarem qualquer explicação que fosse, os brutamontes começaram a lhe aplicar empurrões, safanões e ameaçá-lo com mais veemência. Em desvantagem, um contra quatro, resolveu que o melhor era sair dali, e assim que os brigões lhe deram uma brecha engatou uma corrida veloz e decidida. Seguiram-lhe correndo e gritando. Não o alcançavam, corria bem, corria rápido, mas olhou para trás para se certificar de que estava em segurança. O que vou foi uma pequena horda munida de paus, garrafas, levando cães de caça e tochas acesas aglomeradas sobre a ponte elevadiça de um castelo medieval. Correu mais ainda mas logo viu-se num beco sem saída, diante de uma sólida parede de pedras. O grupo aproximava-se, sua angústia crescia. Olhou para os lados: nenhuma escapatória.   Mas de repente notou, ali, próximo a ele a porta de sua casa. Deu alguns passos tranqüilos, já sem os perseguidores no seu encalço, levou a mão à maçaneta, abriu, entrou, deixou a carteira e as chaves sobre a mesa e, cansado, dirigiu-se para o quarto. Lá, tirou os sapatos, a roupa, colocou o pijama e deitou-se para dormir. Havia sido um dia agitado. Pegou no sono. No sonho, teve a impressão de ouvir um barulho estranho. Abriu os olhos e viu um vulto parado no canto do quarto. Uma criatura, um ser bizarro, monstruoso que  aproximou-se rápida e ameaçadora mente em sua direção. Tentou gritar mas a voz não lhe saiu.
Acordou assustado. Suado. Ofegante. Olhando em volta. Um ruído vindo da cozinha o acordara e o livrara daquele sonho que, não lembrava exatamente do que se tratava mas sabia que tinha sido perturbador.
O barulho na cozinha continuava. Parecia alguém mexendo na geladeira.


Cly Reis

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pix


"Aniversário Macabro" ("Happy Birthday to Me"), de J. Lee Thompson (1981)




O José Júnior, um dos colaboradores deste blog, às vezes funciona como uma espécie de traficante de filmes. Ele, por assim dizer, abastece os amigos com algumas preciosidades que baixa da Internet. Já ganhei dele, por exemplo, o “Inland Empire” e o “Mulholand Drive”do Lynch, o cult  "Corrida Contra o Destino, o bom “Agonia e Êxtase”, com Charlton Heston na pele de Michelangelo, mas desta vez, me apareceu com o tal “Aniversário Macabro” (“Happy Birthday to Me”), de 1981, do qual ele já havia me falado por ocasião do aniversário dele mesmo.
Bom, por mais que o Júnior tenha crédito pelos tantos bons que me forneceu, infelizmente tenho que dizer que esse “Happy Birthday to Me” é horrível. E não horrível no sentido de ser assustador, horripilante. É horrível de péssimo!
Clichezão de filmes do gênero. O serial-killer ‘mal-humorado’ do campus (da praia, do acampamento, ou seja lá de onde for) matando um a um os coleguinhas  (as namoradas dos coleguinhas, os namorados dos coleguinhas, o quarter-back do time, a líder de torcida...) e aumentando o mistério a medida que o filme segue. O pior é que nem sequer as mortes são legais. É, por que às vezes isso pode fazer valer um filme podre. Boas execuções, originalidade, bizarrice, repugnância. Não, nem isso.
A cena do aniversário... Simplesmente estapafúrdia.
E aquela coisa de sempre: jovens porra-loucas, o suspeito é um esquisitão, o diretor tenta nos despistar com algumas evidências falsas ou incompletas, mulheres passeando no mato em horas que não deviam, tropeços e quedas inaceitáveis... Aff!
O lance é mais ou menos esse: num campus de faculdade alguns alunos vão sofrendo mortes violentas causadas por algum perturbado. Aos poucos vão sendo sentidas as suas ausências e percebe-se que tem alguma coisa errada. O negócio é que uma das alunas é meio esquisita, tem umas tonturas, uns insights de memória de vez em quando que podem estar querendo nos dizer alguma coisa. Não! Engano! Nada de significativo.
Acho que pra fugir do convencional o glorioso J. Lee Thompson opta por um final estapafúrdio que eu não vou contar pro caso alguém ter a coragem de assitir, mas só posso dizer que é tão ruim quanto todo o resto. Vi até o final na esperança de que de repente o desfecho salvasse mas... nossa... minha decepção foi maior.
Eu não gostei, Mas se você tiver coragem de assistir, e ainda por cima gostar, parabéns pra você.




Cly Reis