sexta-feira, 27 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
cotidianas #171 - Feito Bicho
Cara de um
Corpo de dois
Focinho do outro
Boca do rosto
Beiço da lata
Ferro no corpo
Bicho de homem
Outro de duplo
![]() |
| Keith Haring por Annie Leibovitz (1986) |
Focinho de porco
Nariz de tomada
Corrente no fio
Olho no olho
Cara e coragem
Mete as fuças
Crava os dentes
Latido de cão
Cara de pau
Olho do cu
Santo de casa
Pau-oco do santo
Sangue na veia
Arrepio que corre
Lenha que desce
Pau que come
Cama no chão
Tapa na cara
Cheiro de mijo
Suor de asa
Dupla de quatro
Cama de gato
Língua no ouvido
Água na boca
Parede de quarto
Plano de filme
Cena de amor
Sangue na tela
Tomada de ombro
Olho de câmera
Lata de luz
Imagem do outro
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Johnny Cash - "At Folson Prison" (1968)
"Eu atirei num cara em Reno
só pra vê-lo morrer."
Folson Prison Blues
Outro daqueles concertos clássicos da história da música.
Com o ingrediente de este ter sido executado para uma platéia, no mínimo,
inusitada: detentos de uma das mais tradicionais penitenciárias americanas, a
Prisão Estadual de Folson, na Califórnia.
Aquelas duas apresentações de Johnny Cash na casa de detenção, era o
típico do negócio que era bom para os dois lados: para ele, Cash por estar
retomando a carreira e tentando reimpulsioná-la depois de um período de
recuperação das drogas e para os aqueles condenados que teriam um evento, uma
grande atração e sobremaneira alguém com que se identificavam por conta de suas
temáticas marginais, principalmente por causa da canção “Folson Prison Blues”
que sempre suscitara pedidos através de cartas para que o cantor se
apresentasse em presídios. E aquele era o momento certo para fazer um grande
show e recuperar o prestígio.
E não teve erro!
A apresentação foi emocionante, o disco resultante dela, “At Folson Prison” lançado em 1968,
teve êxito e Cash, revigorado, voltava à evidência.
Pra começar o show o Homem de Preto apresentava seu cartão
de visitas com a música que todos ali queriam ouvir, “Folson Prison Blues”, e
com seu carisma, sua voz adoravelmente sinistra e sua levada característica de
violão, cativava aqueles homens enclausurados ali com uma série de músicas
sobre presos, homens simples, dor, solidão, saudades de casa e de suas amadas,
ganhando definitivamente o público para seu lado. “Green, Green Grass of Home”
fala dessa vontade de rever o lar; “Cocaine Blues” sobre um cara que mata a
mulher e acaba exatamente lá, em Folson; e a dramática “The Wall” é sobre o
plano de um interno de chegar até o muro da cadeia para fugir mas já sabendo
que a tentativa seria suicídio. Além disso, fala de trabalhadores como o
solitário e triste mineiro de “Dark as Dungeon”, e na espetacular “The Legend os
John Henry’s Hammer” sobre um funcionário de uma ferrovia que tem que
praticamente disputar o emprego contra uma máquina, com a percussão imitando as
marretadas do operário, numa interessante metáfora sobre o desemprego na
sociedade industrial.
Mas Mr. Cash também é romântico como em “Give My Love To
Rose” na qual divide os vocais com a esposa June Carter; é sentimental em “Send
a Picture of Mother”; mas também faz rir como na hilária “Dirty Old
Egg-Suckin'Dog” ou na trágica, interpretada de maneira irreverente, “25 Minutes
to Go”, com sua contagem regressiva para a forca.
Surpreende a todos encerrando o show com “Greystone
Chappel”, composição de autoria de um dos presos dali, que havia-lhe enviado a
canção meses antes ao saber que o cantor se apresentaria na penitenciária, em
mais um momento emocionante da apresentação.
Depois daquilo era hora de
retornar às celas. A dura realidade voltava a reinar. A diversão havia acabado.
Show lendário de uma das figuras mais importantes da
história da música. Talvez o maior ícone do country-rock de todos os tempos e
um dos músicos mais influentes que já esteve neste planeta. Ali, com o concerto
na prisão de Folson, Johnny Cash se reerguia mais uma vez ressurgindo das
cinzas, mas cairia de novo infelizmente. Levantaria novamente, é verdade, cairia de novo e
seguiria assim, praticamente até o final de sua carreira quando teria a
consagração definitiva e final com a série “Americans” que o faria ter de novo
todo o reconhecimento que sempre mereceu. Mas isso é assunto para outra
resenha.
******************************************
1. Folsom Prison Blues
2. Busted*
3. Dark as The Dungeon
4. I Still Miss Someone
5. Cocaine Blues
6. 25 Minutes to Go
7. Orange Blossom Special
8. The Long Black Veil
9. Send a Picture of Mother
10. The Wall
11. Dirty Old Egg-Suckin'Dog
12. Flushed From the Bathroom of Your Heart
13. Joe Bean
14.
15. Give My Love to Rose*
16. I Got Stripes*
17. The Legend of John Henry's Hammer
18. Green, Green Grass of Home
19. Greystone Chapel
*não faziam parte da edição original do álbum, tendo sido acrescentadas no formato CD.
*****************************************
Ouça:
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)







