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terça-feira, 30 de novembro de 2010

cotidianas #60 - Falsos


Érica era o tipo da mulher que numa primeira olhada parecia desinteressante, meio magricela, sem corpo. Até que um dia, na festa empresa apareceu toda produzida e revelou então uma silhueta bastante interessante que fez deixar os rapazes todos boquiabertos: falsa-magra.
Aí que o João, tido como quietão, discreto, de pouca fala, não perdeu tempo, foi lá e arrebatou a Érica assim que ficaram reveladas suas qualidades físicas. Surpresa para todos. Logo o João, hein: falso-tímido.
Casaram-se o João e a Érica. Tiveram um filho. Mas lá pelas tantas por dívidas de carro, casa, colégio do menino, a coisa começou a apertar. Viviam em racionamento dentro de casa mas não perdiam a pose na rua: as coisas não são como parecem.
A Érica resolveu pintar o cabelo, ficou mais bonita, mais chamativa, mais reluzente e atraía atenção dos homens e comentários maldosos das mulheres: falsa-loira.
O João descobriu que a Érica o estava traindo. Ficou furioso, ameaçou botar ela pra fora, depois mudou de ideia e resolveu ele ir embora, até que por fim resolveram mesmo permanecer vivendo sob o mesmo teto por mais algum tempo por causa do Guilherme. Não seria bom para a formação dele, para o rendimento dele no colégio, além de suscitar comentários dos vizinhos e tudo mais. Ficaram vivendo assim por um tempo: casamento de aparências.


Cly Reis

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Bode Espiatório

The Beatles - "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967)


A Revolução do Sargento Pimenta



"Mais do que um mero disco pop,
"Sgt. Peppers" é um momento significativo
na história da civilização ocidental".
Jornal The Times (1967)



Você pode achar que o disco "Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band", dos Beatles, não seja o melhor de todos os tempos, mas uma coisa há de se concordar: foi revolucionário. Não estou me referindo somente a parte musical, mas sim os vários elementos em torno deste disco. Chamado por alguns especialistas de “obra de arte”, esse rótulo se deve ao fato que, além das suas canções, esse registro mexeu com uma idéia de conceito, incluindo as artes gráficas e a moda. Naquele momento, nenhuma banda tinha se caracterizado de personagens, como os Beatles fizeram. Se fardar de banda do Sargento Pimenta, com direito a uniformes psicodélicos de uma unidade militar regada à LSD, foi uma ideia inédita.

O que dizer da capa desse disco? Uma platéia de celebridades que foram “convidadas” a participar do encarte. Cheia de significados e de mensagens sublimares, as quais os Beatles tinham adoração e eram peritos em despertar a curiosidade no público. Essa “pegadinha” aos fãs vinha desde a época do Rubber Soul, com pistas que davam conta de que Paul McCartney estava morto, o que, na verdade, havia apenas se acidentado de carro, no entanto virou um excelente marketing para a banda. Macca segue mais que vivo do que nunca, apresentando vitalidade e músicas de grande nível, mesmo tendo passado, há alguns anos, dos seus Sixty-Four, como projetou em Pepper. A capa do Sargento é marcante e, não é à toa, que é uma das mais reproduzidas da história.

Importante salientar neste disco a proposta de conceito que ele apresenta, pois, anteriormente, os grupos gravavam, num LP, uma compilação de músicas. Além disso, Pepper apresentou técnicas e métodos diferenciados de gravação para a época, nos anos 60. Por mais que todas as músicas não foram compostas de uma maneira que fossem ligadas uma a outra, conforme John Lennon e George Harrison afirmaram em entrevistas, isso não impede afirmar que é conceitual. São os Fab Four acompanhados da banda do Sargento Pimenta, que, é claro, foi orquestrada pela batuta de George Martin, o quinto Beatle.

Sobre as canções, bom lembrar que o aquecimento do Pepper veio com um compacto com duas preciosidades: “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lanne”. O que podia esperar? Era o prenúncio de que uma grande obra estava por vir.

O disco começa com uma inovação, uma transição da música título com a “With a Little Help from My Friends”. Outra novidade é a reprise dessa mesma canção tema – numa versão mais rock and roll -, que aparece na décima segunda faixa. Já com “Within You Without You", Harrison faz mais um esforço para popularizar a música oriental, até então pouca explorada. E não é só, it´s getting better, ou melhor, tem mais considerações importantes para comentar. Em “She's Leaving Home", Macca demonstra seu peculiar dom de compor canções emotivas. Fora que terminar o disco com “A Day in the Life”, uma música em que Lennon faz o “papel” de uma pessoa sonhando e McCartney o de uma acordada, é um grande desfecho. Aliás, de um sonho, ou de uma ajuda lisérgica, veio a inspiração para “Lucy in the Sky with Diamonds”. Enfim, uma obra que apresenta magia e criatividade, todas materializadas e verdadeiras.

Com esses argumentos que descrevi, se nota o quanto admiro e respeito o disco. É um registro que marcou época e eternamente vai ser lembrado. "Pepper" segue soando contemporâneo e digno de continuar sendo comentado e, lógico, escutado.
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FAIXAS:

  1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
  2. With A Little Help From My Friends
  3. Lucy In The Sky With Diamonds
  4. Getting Better. Fixing A Hole
  5. She's Leaving Home
  6. Being For The Benefit Of Mr. Kite.
  7. Within You Without You
  8. When I'm Sixty-Four
  9. Lovely Rita
  10. Good Morning Good Morning
  11. Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band (reprise)
  12. A Day In The Life

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OUÇA:
The Beatles Sgt Pepper's Lonely Heart Club Band

por Eduardo Wolff




Eduardo Wolff é jornalista formado pela PUC/RS e também radialista. Atualmente, é assessor de imprensa, com passagens em algumas rádios. É devorador de CDs, DVDs, livros e qualquer coisa relacionada à boa música. O ecletismo está no sangue, no entanto os clássicos do rock dos anos 60 estão no top da sua lista de preferências. Baterista frustado, pretende um dia engrenar em alguma banda, mesmo que toque num buteco mais xinfrim da cidade.




domingo, 28 de novembro de 2010

"Avatar", de James Cameron (2009)



Quando saiu no cinema, com todo o barulho e estardalhaço que se fez, me recusei a me deslocar até uma sala, dedicar meu tempo e dinheiro para assistir ao tal "Avatar" que a meu pré-juízo era só mais uma grande produção pra encher os olhos do público e os bolsos do cineasta, da produtora, enfim, da indústria cinematográfica. Resolvi, já naquele momento que me prestaria a ver quando estreasse no Telecine. Nesse meio tempo leio um bocado de coisas favoráveis, elogios, menções à proposta inovadora, um marco no cinema, o conteúdo imbuído de mensagens ecologicas e humanísticas e coisa e tal, que até me animararm e me fizeram questionar minha posição preconceituosa, em princípio. E eis que o badalado filme estreia finalmente na TV paga neste final de semana. Então, conforme prometido, vou lá e assito; e, conforme eu imaginava, o filme é uma droga! Uma gloriosa porcaria! Nossa!!! Péssimo, fraquíssimo, ridículo.
Não tem nada, nada, nada....
...
...
...
...
Eu disse nada!

Lamentável!

(não, não! não em venham com a produção caprichadíssima, com os efeitos especiais, com a obra anterior do diretor, com a mensagem ecológica; não, não, não! não percam seu tempo! nada justifica!)


É fraco, é ruim mesmo.
Eu nunca vi uma série tamanha de clichês serem utilizados juntos , de maneira tão estúpida e óbvia em um mesmo filme. É a receita-de-bolo de filme americano: herói em potencial, um cara mau durão, o cara tem uma missão, se envolve com o lado mais fraco, se apaixona e blablablá, abraça a causa dos fracos e biriri-bororó... Putaquipariu!!! Vocês já não viram essa merda seiscentas vezes antes na vida? Cruzes! Aí até a tal da "mensagem", se é que vale de alguma coisa, fica rasa, fica rasteira no meio de todo esse nada. Parece ter sido colocada ali só pra justificar toda a parafernália. Só porque se não tivesse nem isso, o filme conseguiria ser pior ainda
Putaquipariu!

Um dos piores filmes que eu já vi.

LA-MEN-TÁ-VEL!!!



Cly Reis