John Cale - "Night Crowling"
Inspirado na história de Marty Reisman, uma lenda desse esporte, Mauser, vivido pelo ator Timothée Chalamet, é um jovem judeu de classe média que se recusa a ser apenas mais um trabalhador precarizado na cidade de Nova York dos anos 1950. Assim, ele não medirá esforços para alcançar seus sonhos megalomaníacos de se tornar um grande nome dos torneios internacionais de pingue-pongue, nem mesmo se for preciso roubar. Sua obstinação o faz ir contra aqueles que duvidaram dele e a colecionar inimigos na caminhada até seu objetivo.
A direção de Safdie (“Joias Brutas” e “Bom Comportamento”) tem acertos, mas também tem erros. Uma qualidade é a trilha sonora, bastante pontuada e baseada em músicas dos anos 80 – com seus sintetizadores e aquela sonoridade típica da época, algo vintage hoje em dia, mas altamente tecnológico para os anos 50. Não só pelos temas legais selecionados (de New Order e Foreigner a Tears for Fears), mas porque essa textura sonora contrasta com o período temporal retratado, o qual transcorre 30 anos antes daquelas músicas existirem. Igualmente, isso empresta certa simbologia à personalidade irascível de Mauser, que faz lembrar os “enfant terribles” da “década perdida” como Steve Jobs e Bill Gates, gênios à frente do seu tempo. As cenas de jogos também são eletrizantes, com Chalamet (que treinou incansavelmente tênis-de-mesa para as filmagens) fazendo jogadas espetaculares na frente da câmera.
Chalamet, por sinal, está ótimo no papel, embora faça um personagem muito pouco empático. Mas o ator franco-americano não tem nada a ver com isso e cumpre o que deve. Enérgico e emocional, ele entrega uma atuação consistente, que o coloca como um forte candidato ao Oscar de Melhor Ator, ainda mais em se tratado de um “cara nova” de Hollywood, como a indústria do cinema gosta de valorizar. Quiçá, não mereça tanto a estatueta quanto Leonardo DiCaprio por “Uma Batalha Após a Outra” ou o brasileiro Wagner Moura por “O Agente Secreto”. Contudo, é muito provável que Chalamet leve.
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| Chalamet na pele de Marty Mouser: grande atuação, personagem babaca |
Porém, há percalços no filme. Um tanto longo, o roteiro exagera no segundo terço da fita em sequências de ação confusas e histriônicas. Há um encadeamento de acontecimentos quase irrealizáveis, que tornam difícil de se acreditar que Marty Reisman fosse tão “vida loka”. Definitivamente, os acontecimentos “biográficos” parecem pouco críveis. Resulta disso uma edição meio desequilibrada.
Igualmente, é de se perguntar algo bem básico: Mauser jogava tão bem tênis-de-mesa que não precisava treinar? Não se vê em momento algum ele se preparando, inventando jogadas, desenvolvendo técnicas etc. Quando está diante de uma mesa é ou para disputar ou para passar os outros para trás. É tanta genialidade assim para que não precisasse melhorar como jogador? Isso difere gritantemente de seu rival, o japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi), visivelmente um atleta que se dedica 24 horas por dia a aperfeiçoar seu jogo. Mas se sabe onde se quer chegar com isso, evidentemente. É aquela velha máxima do cinema norte-americano: o talento inato e a “alma liberta” de seus filhos – o que os desculpa de quaisquer desvios de caráter – contra o tecnicismo frio do inimigo – de preferência aqueles que foram/são desafetos de guerras passadas. No caso, o Japão.
No todo “Marty Supreme” é um filme que diverte, mas não um bom transmissor de mensagens. Tem momentos interessantes? Tem. É legal ver o cineasta underground Abel Ferrara no papel do gângster Ezra Mishkin? Sim. Odessa A'zion como Rachel Mizler merece uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante? Merece. Mas nada disso faz com que se torça pelo mocinho. Pelo contrário: fica-se com vontade de que ele se dê mal, e isso, definitivamente, não pode ser um bom sinal para um filme.
trailer de "Marty Supreme"
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Daniel Rodrigues
Antes tarde do que nunca!
A nossa retrospectiva da produção visual do ClyBlog acabou atrasando por diversos fatores, mas em tempo, destacamos aqui alguns dos trabalhos digitais, manuais, de vídeo da seção ClyArt, anúncios e chamadas em redes sociais, variações dos logos do blog e das nossas seções. Um pouco da criatividade visual que expressamos no ClyBlog ao longo do ano passado.
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| O logo, como sempre ganhando variações de luzes, cores e texturas |
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| Os logos das seções também ganham variações em ocasiões especiais, mas se tem um que sempre muda conforme o tema da postagem é o ClyArt |
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| E teve estreia de seção nova no blog. A Clyblood, parte da Claquete dedicada aos filmes de horror, cjhega derramando sangue no visual do ClyBlog |
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| Recuperamos as antigas capas de fita K7 feitas artesanalmente, recorte, colagem e muita criatividade. Aqui a capa de Gil & Jorge, feita por Daniel Rodrigues |
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| Imagens sempre ilustram os contos, crônicas e poemas da seção Cotidianas. Aqui, arte de Cly Reis, 'Eu Sou a Ressurreição'. |
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| A inteligência artificial também foi usada para ajudar na arte do conto "Meu Pobre English" |
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| A gente divulga o ClyBlog nas redes sociais e esta foi uma das artes que produzimos e espalhamos por aí no ano que passou |
CR e DR
A gente tá igualzinho ao Wagner Moura: rindo à toa! E não só por causa do sucesso de O Agente Secreto, mas porque vamos ter o primeiro MDC inédito de 2026! Alegrando nossos ouvidos, The Cure, Paulinho da Viola, Stephen Stills, Manoel Carlos e muito mais. Ainda, pra começar o ano com um sorrisão estampado, um Sete-List no quadro especial. Só alegria, o programa vai ao ar na risonha Rádio Elétrica às 21h. Produção, apresentação e motivos de felicidade: Daniel Rodrigues
www.radioeletrica.com