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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Massive Attack "Blue Lines" (1991)



"O que nós estávamos tentando fazer era criar dance music para a cabeça, e não para os pés."
Daddy G


Há alguns anos atrás quando ouvi o "Mezzanine" do Massive Attack fiquei muito impressionado. A sensual "Angel", a doce "Teardrop", o climão de "Inertia Creeps" fazem deste um álbum de primeira linha no gênero que foi batizado como Trip-Hop, do qual o Massive á um dos precursores. Anos depois acabei, por boas referências, ouvindo o primeiro álbum, "Blue Lines" de 1991, que para minha surpresa é ainda melhor.
"Blue Lines" tem uma linha mais soul, mais swingada, com influências mais evidentes de jazz e raggae. O baixo matador e agressivo de "Safe from Harm", com o vocal feminino poderosos da convidada Shara Nelson, já dá o cartão de visitas do que vai ser o álbum. A mesma cantora também empresta sua bela voz para "Unfinished Sympathy", "Lately" e "Daydreaming", sendo que esta última conta com a participação de Tricky, que por sua vez ainda aparece em "Five Man Army" e Blue Lines".
"One Love" com vocal de outro convidado, Horace Andy, é outro destaque e "Lately", propositalmente primária com sua programação de base repetitiva é adorável e graciosa. "Hymn of the Big Wheel", com participação de Neneh Cherry, fecha o disco em mais um exemplar grandioso desta fusão de elementos que a banda consegue criar.
Acordei com "Hymn..." na cabeça hoje e "Blue Lines" do Massive Attack está sendo minha trilha sonora do carro.
Ótima trilha!

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FAIXAS:
  1. Safe from Harm
  2. One Love
  3. Blue Lines
  4. Be Thankful for What You’ve Got
  5. Five Man Army
  6. Unfinished Sympathy
  7. Daydreaming
  8. Lately
  9. Hymn of the Big Wheel
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MASSIVE ATTACK:
Robert "3D" Del Naja : vocais - teclados
Grantley "Daddy G" Marshall :  vocais
Andrew "Mushroom" Vowles :  teclados
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Ouça:
Massive Attack Blue Lines



Cly Reis

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"A Marca da Maldade", de Orson Welles (1958)





"A Marca da Maldade"
("Touch of Evil") de Orson Welles, para mim, o melhor filme do diretor, contrariando a opinião geral que exalta "Cidadão Kane", tem um Welles mais maduro atrás das câmeras e por consequência tem um produto final mais bem acabado. 
O filme traz a investigação de um policial intruso num meio completamente viciado em corrupções e esquemas na fronteira dos Estados Unidos com o México. 
Um jogo genial de luz e sombras, de movimentos, de tomadas e planos, de fotografia, além de uma atuação impecável de Welles como o asqueroso policial corrupto Quinlan tornam esse clássico algo único. Isso sem falar no famoso plano-sequência inicial, um dos mais famosos e emblemáticos desta técnica na história do cinema. A cena toda, por si só, já é uma verdadeira bomba-relógio: a ação começa com uma bomba sendo acionada e colocada debaixo de um carro que parte e ao qual passamos a acompanhar enquanto ao seu redor desenrolam-se situações corriqueiras como a de um casal conversando, que no caso é o do detetive Vargas (Charlton Heston) e sua esposa (Janeth Leigh), prestes a cruzarem a fronteira do México para os Estados Unidos. Numa coreografia mágica de elementos em cena e um magistral jogo de luz e sombras, embalados pela precisa trilha sonora de Henry Mancini, depois de estabelecida a tensão pela existência de uma bomba e a expectativa pelo momento de sua explosão, pelo entra e sai do carro no enquadramento, a cena só é interrompida pela explosão que desencadeia então toda a ação do filme. Obra prima do genial Orson Welles.
Com certeza "Touch of Evil" faz parte da minha lista dos 10 mais do cinema.

O honesto detetive Vargas (Charlton Heston) só de olho no corrupto Quinlan (Welles)


 



Cly Reis

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Kraftwerk confirmado





Confirmado!!!
Os "robôs" estão de volta.
Agora já está até no site do festival. O tal do JUST A FEST vai ter Los Hermanos (aaarrgghhh!!!), um tal de Vanguard que eu nem sei do que se trata e a "atração principal", o Radiohead. Mas cá entre nós, a atração principal fica por conta dos 'homens-máquina" do Kraftwerk, tanto é que nem o próprio site do festival consegue esconder colocando na página de divulgação do evento e venda de ingressos, logo a seguir da chamada do Radiohead a informação: "CONFIRMADA PARTICIPAÇÃO DO KRAFTWERK".
É pelo que todos estão esperando na verdade.


Dêem uma olhada aí no site do festival

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Primal Scream "XTRMNTR" (2000)


Acordei com uma música na cabeça hoje, o que é bem comum, e, como de costume peguei o disco correspondente para ouvir no carro. A música era "Kill all Hippies" que abre o álbum "XTRMNTR" do Primal Scream.
Estava pensando essses dias em me livrar deste CD já que quase não o ouço apesar de adorar "Kill all Hipies" particularmente. Mas hoje ouvindo com total atenção e colocando-o sob o crivo final de "fica ou sai da minha discoteca", cheguei à conclusão que ele não é mau disco. Não é tudo isso, mas ruim não é, não. É bem interessante, até. O problema dele é o parâmetro, e o parâmetro chama-se "Screamadelica" que é o álbum da banda de 1991, que é simplesmente fora do comum e é com certeza um dos melhores dos anos 90 e referência do pop-rock britânico.
O "XTRMNTR" tem seus méritos. Além da já citada, excepcional, "Kill...", tem a violenta "Accelerator" que lembra muito a sonoridade dos Stooges, a boa "Swastika Eyes" e a doce "Keep your Dreams" que é Primal Scream na essência.
Tem uns experimentalismos eletrônicos meio fora de lugar e que meio que se excedem um pouco no conjunto, mas não é um disco ruim não.
Decisão final: (ainda que fosse só por causa de "Kill all Hippies") Vou mantê-lo. Vou mantê-lo na discoteca, sim.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os Causo de Dois Morro - "A Mulher-Butiá"




Tô vendo muita dessa falação de mulé fruta hoje em dia. É Mulé-Melancia pra cá, Mulé-Jaca pra lá, Mulé-Isso, Mulé-Aquilo. Hmmfff!!! Faço poco causo! Nenhuma si compara com a Mulé-Butiá que tinha lá em Dois Morro. Aquilo sim qui era muié!
Butiá, pros que não aconhece, é uma frutinha titiquinha assim, redondinha, amarelinha, doce e meiazedinha que nóis, prncipalmentemente quando é piá, gosta de coiê da árvre nos mato.
O causo é que tinha uma alemôa lá em Dois Morro qui os cabêlo era da cor de butiá. Além disso era pequenucha, dessas bem socadinha meio atarracada, sabe, e de uma boniteza de doê os óio.
Daí qui a indiada qui ficava lambendo os beiço pela Ivonette -esse era o nome da chinoca- botô o apelido de Mulhé-Butiá, até purque, como ela não dava muita confiança pros peão, uns dizio qui ela era uma loira azeda, o que só ajudou mais ainda pra colaborá no nome.
Eu falando assim vocêis num deve imaginá, mas era uma belezura de animar aquela fêmea: aqueles cabelo amarelo qui escorria os ombro qui nem a cascata do Caracol, uns óio azul qui nem qui o céu em dia de domingo, umas côxa grossa qui parecia umas tóra de figuera, umas têta mais bem boa qui nem qui as vaca da fazenda do Coronel Roncoso e umas anca qui parecia uma égua procriadêra.
Sei qui a Ivonette ficou meia qui mal-falada depois de alguns tempo purque se arresolveu saí de Dois Morro e í pros Rio de Janêro e se arrebolá com umas música muito batucada e com uns palavrório cheio de safadêza. Aí qui quando ela vortô, os pessoar dizio qui na verdade ela era mesmo Mulhé-Butiá não porcausa do cabelo amarelo, mas de verdade purque era boa de se comê no mato.
Que mardade com a Ivonette!



postado por Chico Lorotta