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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cotidianas #3 - "Poema tirado de uma notícia de jornal"


João gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia
num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


"Poema tirado de uma notícia de jornal"
Manuel Bandeira

domingo, 23 de agosto de 2009

"A Estrada da Vida", de Federico Fellini (1954)




Mais um daqueles clássicos tardios que entram na minha vida foi, agora há pouco, "A Estrada da Vida" de Federico Fellini.
Adorável!
Mostra um Fellini ainda sem a SUA linguagem consolidada. Ainda se moldando, mas já perceptível no decorrer do filme.
O que vemos em "A Estrada da Vida" é um cinema ainda muito vinculado ao realismo italiano. Retrata um momento um pouco mais avançado que aqueles retratados por De Sica e Rosselini, mas também mostrando como eles, a Itália pós-guerra e seus habitantes se virando como podiam e uma pobreza imperando em toda parte.
O filme conta a jornada de um mambembe bêbado, casmurro, turrão e bruto que praticamente compra uma moça de uma família pobre em extremas necessidades, para ser sua assistente. Eles vão país afora apresentando um número fraco e desinteressante em troca de alguns trocados que ganham passando o chapéu. Aos poucos, aspectos humanos vão se revelando nele, Zampano(personagem de Anthony Quinn) e PARA ela, Gelsomina (Giulieta Masina), uma garota simplória de capacidade mental bastante limitada, um tanto ignorante e inocente.
Belíssima a referência sutil (mas evidente) que Fellini faz a Charlie Chaplin nas interpretações de Giulieta, em alguns momentos se valendo de recursos e expressões típicos de cinema mudo.
Gosto mais do cinema "felliniano" propriamente dito. Aquele de "Roma", "Amacord", "Satyricon", "Oito e Meio", mas "La Strada" certamente enquadra-se entre suas grandes obras e é extremamente revelador no sentido de referenciais, meios e fins.

Cly Reis

O passeio da Boa Vista (08/08/09)







Visitei no domingo retrasado, pela primeira vez, a Quinta da Boa Vista, aqui no Rio de Janeiro. Já havia passado por lá e me causara boa impressão além de uma curisidade em conhecer o museu de História Natural, antiga residência de D. Pedro II.
Domingão, esposa, mãe, sobrinho, piquenique (sugestão da mulher). No fim das contas, tudo de bom. Um papo aqui, outro ali, umas geladas, um sorvete. O sol favoreceu e acabou, apesar da minha tradicional má vontade em sair de casa, por se tornar um programa extremamente gostoso.
Só postei agora em virtude da minha inépcia com o meu novo celular e com o procedimento para baixar as fotos dele. Mas agora, devidamente conhecedor deles, aí vai o registro de um dos mais belos e agradáveis lugares do Rio:


Uma vista ampla do parque. Ao fundo o Museu de História Natural.

Não podia faltar um trenzinho pra criançada.


E pedalinhos no bonito laguinho. Ao fundo do lago, um pergolado com colunas imitando as gregas.
A galera aporveitando o sol e o calor. Criançada jogando bola na grama, soltando pipa, o pessoal sentado conversando, comendo, namorando.
O interessante coreto ao lado do lago.
A fachada do Museu e a estátua de D. Pedro II.

Dentro do museu peças raras e interessantes da antiguidade.

E um bom acervo de arqueologia.
O Museu foi mais interessante e completo do que eu imaginava. Pequeno, é verdade, mas com itens bastante significativos.
Recomendo a visita.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Jazz em Veneza - Bàccaro Jazz (28/052009)



Sei que a minha viagem já aconteceu faz tempo e já comentei um bocado por aqui, mas é assunto que rende pela variedade de situações, lugares, acontecimentos e tem coisas que, realmente, a minha intenção era a de ir trazendo para o blog aos poucos.
Conforme já mencionei, as duas paradas mais interessantes da viagem foram Londres e Veneza. Por motivos diferentes: Londres é aquela cidade que tem tudo, é cosmopolita, é cheia de alternativas, uma beleza urbana, um lugar rock’n roll. Veneza pela mágica do lugar, seu romantismo e caráter singular.
Pois bem, queria falar exatamente sobre um aspecto interessante de Veneza, para mim um tanto inusitado, mas que me fez gostar ainda mais da cidade. Curiosamente, Veneza tem uma surpreendente vocação para o jazz. Não sei se eu sou mal informado mas efetivamente não sabia disso. Notei isso desde que chegamos ao hotel e naquelas prateleiras de publicidade com cartões de restaurantes, flyers de festas e folders em geral, apareciam, se não me engano, duas especificamente sobre bares e restaurantes de jazz. Já achei legal mas como ainda não havia me instalado e não sabia exatamente se iria conseguir encontrar aquele endereço ali indicado, deixei pra lá. Mas logo na nossa saída, após deixarmos as bagagens, quando procurávamos um lugar para almoçar (às 3 da tarde) paramos numa pizzaria qualquer e ali além do jazz e do blues do som ambiente, as paredes cobertas por posters de mitos destes gêneros: Parker, Miles, Bo, Duke. Começamos bem. Um almoço em Veneza muito bem servido de música. Bom, aí se confirmou que não era apenas coincidência o folder do hotel. E nos dias que se seguiram notamos mais alguns bares com esta característica. Passávamos nas vielas e ouvíamos lá dentro o jazz rolando.
Tocando um piano
(e reparem no sutiãs ao fundo)
Até que no nosso último dia lá, percorrendo, passamos por um muito simpático e resolvemos voltar ali para o happy-hour, até porque queríamos fazer tempo para irmos à Piazza San Marco à noite. Voltamos no final de tarde, início da noite. O lugar, o Bàccaro Jazz, acabou por ser um programa agradabilíssimo. A música de primeira, um atendimento muito gentil e o ambiente bem acolhedor. A curiosidade ficou por conta dos sutiãs pendurados que decoravam o teto da casa.
Nas paredes além dos posters das lendas do jazz, desenhos de clientes com elogios, dedicatórias, homenagens ao bar, emoldurados em pequenos quadros de acrílico. Desenhos assim de improviso, de quem pegou um pedaço do guarda-napo e fez uma coisa qualquer na hora e deixou para o bar.
Deixei o meu também. Pedi a caneta ao garçon, peguei um pedaço daquela toalha de mesa de papel e fiz um desenho estilizado de um saxofonista e escrevemos ao lado em inglês elogios ao estabelecimento, à musica e ao atendimento. O garçom adorou, pelo jeito. Ficou empolgado e queria botar na parede naquela hora mesmo. Como teria que desmoldurar outro para botar o meu, prometeu que o colocaria na parede mais tarde. Acho que o fez.
Depois, saímos dali e fomos curtir a noite na Piazza San Marco.





Como diria Bukowski
"é divertido mas verdadeiro saber que as pessoas não são muito, que tudo não passa de um JAZZ a foder e a gente já sabe que esse é o lema mas é legal ouvir isso ser dito sentado à beira de um canal de Veneza..."

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Coluna dEle #11


Quase suspendi a publicação desta coluna depois daquela divergência sobre as listas, em que o Cara me avacalhou, mas infelizmente, ao que parece, tem gente ques gosta. Então, mais uma vez, aí está a Coluna dEle.

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Aê, galera! Como é que estão? Na boa?
Após aquela coisa de lista dos 10 Melhores e tudo mais, tive um pequeno desentendimento com o dono da Spin 1/2, mas isso já é coisa superada.
Gostaria inclusive de agradecer o apoio dos leitores e aproveito para publicar um dos e-mals enviados para o blog pelo leitor Daniel Rodrigues:

"FANTÁSTICA a Coluna D'Ele, como sempre. Cara, que figura que é esse tal de Deus, hein?! Vai me dizer que não chega a ser simpático! Egocêntrico, palpiteiro, mas um bonachão. Dei muita risada e adorei as justificativas das escolhas do White Album, do Twins, do Muddy Waters. Um sarro!

Abração, Daniel."

Em primeiro lugar, Daniel, obrigado pela preferência e pelos elogios à Coluna, mas gostaria de discordar em parte do egocentrismo que você me atribui. Egocêntrico Eu tenho que ser um pouco na Minha condição, você não acha? Se Eu que criei o troço não tomar à frente de algumas coisas, quem é que vai assumir? E até que não Sou muito centralizador, não. Vê que Eu deixo muita coisa que seria tarefa de um "administrador" para a galera se virar e dar seu jeito. Eu acho que o pessoalzinho aí embaixo é muito mal-acostumado e fica naquela de "Deus me ajude nisso", "Deus me ajude naquilo" e no fim das contas esquecem de fazer por si. Eu gosto de ajudar quem se ajuda.
Além disso tem coisas relativas ao MUNDO em geral que Eu já nem me meto mais. O tempo, o clima e tal, Eu delego pro Pedrinho (São Pedro, como vocês chamam) ou pra Babí que afinal de contas é a Rainha dos Raios, como diz a Bethânia naquela música "Iansã". Assuntos de futebol Eu deixo, mesmo pro Paulinho. O problema é que ele puxa tanto pro time dele que ganharam os últimos três Campeonatos Brasileiros.
Tu quer mais humildade pra um cara na Minha condição do que admitir que não conseguiria fazer o Moonwalker como o Jacko nem tocar guita como o Hendrix? Admito que mortais que Eu criei conseguem fazer coisas que Eu não sei fazer. Acho que não sou tão "egocêntrico", não.
Mas que bom que apreciou as Minhas escolhas dos álbuns, cara. O Meu problema com o blogueiro foi que Eu detonei uns aí que ele gosta e ficou todo brabinho. Eu ainda acho o "Psychocandy" um lixo. Vi nos comentários que você também gosta. Desculpe se ofendi seu gosto também, mas como dizia aquela velhinha que comia ranho "gosto é gosto e não se discute".

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Agora, a propósito de centralizador, e o tal do Sarney, hein! O cara não quer largar a teta, mesmo. Ele tá pensando que aquilo lá é cargo vitalício que nem o Meu? Eu nem que quisesse largar não poderia, mas esse daí, até por questão moral tinha que pedir o chapéu e sair de fininho. E, olha, que me orgulho muito da maneira ilibada com que conduzo isso aqui. Em todo esse tempo, aqui neste trono que Me é de direito, nunca acharam uma falcatrua, uma conta no exterior, uma vírgula pra falar a meu respeito.
Esse Senado de vocês é uma baita duma pouca-vergonha, né?

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E falando em pouca-vergonha, parece que o seu Edir Macedo tá fodido desta vez.
Cara, Eu fico indignado desses caras ficarem usando o meu nome pra fazer essas safadezas. Querem fazer esses cambalachos façam em nome próprio, em nome do Diabo, do Buda, mas nããão... sempre tem que Me envolver. Depois respinga em Mim e acabo ficando sujo na história, também.
Me envergonham, sabe. Exatamente os que mais se dizem Meus filhos, mais Me desapontam.
Tomara que peguem esse cara dessa vez.
Se Deus quiser! Aliás... Se Eu quiser.

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Eu que procuro não interferir muito no curso das coisas, tenho que admitir que mexi um pouco com a vida e a morte pro Rubinho não matar o Massa. Além de vocês aí do Brasil já terem perdido o Senna, me vem agora esse imbecil, que já não anda nada, deixar soltar uma mola nas fuças do outro. Tá de pilha!!!
O cara faz a merda e depois Eu tenho que salvar. É foda!
Eu sei, Eu sei que ele não foi lá afrouxou a mola, não sabia que ia naquela direção, não atirou a mola no outro e tudo mais. Mas que é um azarado até nisso, é.
É que, vou revelar pra vocês, no dia que o Rubinho nasceu teve eclipse lunar, a lua tava minguante, o céu tava encoberto e por tudo isso não deu pra virar a bunda dele pra lua.
Deu nisso.

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E por falar em bunda virada pra lua, aquele que Eu apontei o dedo e disse "esse é o cara" vai voltar a bater uma bola no Ameriquinha.
Legal. 'Cês sabem que eu sou fã do baixinho. Pena esses lances de dívidas, pensão e tudo mais, mas não apaga o brilho do Rei da Grande Área.
A volta do Romário até me anima a tentar "rolar um caroço" com a galera aqui de cima. Porra, faz tempo que não bato uma bola. A barriga de chopp não ajuda mas dá pra correr um pouquinho ainda.
Quem sabe fazer um SOLTEIROS x CASADOS. Hehehehe
Eu gosto de jogar no meio. Só organizando o jogo. Afinal, essa não é mesmo a minha função?
Já o filhão joga no gol. Pega muito! A expressão "só Jesus salva" surgiu de um jogo que a gente teve contra os Anjos que era pressão, pressão dos caras o tempo todo e tome defesa do guri. E o Januário de Oliveira, que tava narrando o jogo pra nós, ficava toda hora "Saaaalva, Jesus!!!"

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Ainda no esporte, tava vendo ontem o Mundial de Atletismo e fiquei impressionado com o negão, o tal do Bolt. Que aquilo, cara? Ele sobra muito pros outros.
Aí fui conferir no Meu Livro da Vida os atributos que Eu dera pro cara. Fui ver se tinha errado e dado tanto a mais pra ele. E vocês não vão acreditar no que aconteceu: o Bolt não tava na lista. Ou seja, Eu não criei ele. Ele não passou por Mim.
Só podia. Aquilo ali não é humano.

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Vou parar por aqui agora porque ainda não tô 100% e o médico falou pra não ficar muito tempo na frente do computador. Dói as vista, sabe? Achei que tava com a tal da gripe Suína, Gripe A, Influenza... sei lá qual o nome mas a minha era gripezinha comum.
Mas tá uma loucura esse negócio,né? A gente aqui em casa tá evitando sair muito pra rua. Ainda mais nessa época do ano que tá esse friozinho e essas nuvens aqui são meio úmidas sabe. É um convite pra gripe. E a Maria já tem esses problemas de asma, aí tem que redobrar a atenção.

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Tchau, galera!
Por hoje é só.
Cuidado com a gripe, juízo e fiquem Comigo.

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