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sábado, 7 de agosto de 2010

Os Causo de Dois Morro - A mancha de óio na sanga

Uma vêiz lá em Dois Morro teve uma dessas mancha preta n'água. Foi! 'Conteceu que um dia as muié fôro lavá rôpa na sanga e entonce que viro aquela cousa horríver. Um lôdo preto, uma crôsta escura grossa.
Como que parecia óio, logo botaro a curpa no Zarolho da Oficina. Achavo que ele tinha jogado os óio véio dos motor  das caminhonete na sanga. Mas ele ficô foi muito brabo com o acusamento e disse que se té os piá dele tomavo banho na sanga, cumé que ele ia fazê uma barbaridade dessa? Convenceu os pessoar que dispois começaro, entonce, a desconfiá que tivesse sido a fábrica de cavalo do seu Teixeirinha, mas como ele só prduzia cavalo branco, não podia ter vindo de lá aquele lodaçal preto.
Sei que nisso a sujêra já tinha ido mar adrento e já tava chegando no Gorfo do Méxicuzinho, no Gorfo Pérsio e no Gorfo Flipper; foi quando com uma denúnça anômala, entregaro que o que tinha carzado a mancha tinha sido porcaus'deque o Carniça, um guri porco, mas porco mesmo, tinha ido finarmente, dipois de muitos ano, tomá banho e foi se banhá logo na sanga. Aí que toda aquela sujêra tinha se sortado do corpo imundiciado dele , se espalhado pel'água e tinha 'contecido aquilo. Particamente uma trajédia biental e escológica. As trufa que os pescador da região costumavo pegá lá naquelas água, tudo morrêro; os profiteróle que ío pra beira da sanga chafurdar no barro ficaro com os pêlo coberto de sujêra; os elefante-marinho ficaro tudo magrinho, magrinho. Cousa triste de se vê.
Ah, mas pra quê? A mãe do piá quando sôbe, pêgo ele pelas orêia e mandô ele começá a limpeza e neum vortá pra casa té terminar. O Carniça pegô um barde, uma esponja, começô demanhãzinha cedo e foi terminá quando o sor já tava indo simbora. Bem feito!
Dispois disso o Carniça passô a sê mais carpichoso. Tomava banho mais seguido pra não dexá cumulá sujêra e nunca mais que aconteceu de se poluí a sanga de Dois Morro e 'té as trufa que tinho morrido vortaro a dá na sanga (sem maliciamento, é craro).

postado por Chico Lorotta

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Predadores", de Nimrod Antal (2010)




Não assisti ao jogo do Internacional ontem pela semifinal da Copa Libertadores contra o São Paulo
Fugi!
Tinha, ao contrário do que possa parecer, uma confiança interior de que iria mesmo conseguir a classificação, mas apenas evitei assistir pra não SOFRER muito; e neste sentido, acho que fiz bem. O jogo foi pra cardíaco nenhum botar defeito. Teste pro coração.
Preferi ir para algum lugar onde eu pudesse ficar durante todo o tempo da partida, isolado do mundo,onde eu não pudesse saber de modo algum o que estava acontecendo no Morumbi e com algo que me distraísse. Fui então ao cinema.
Minha primeira ideia era assistir ao "Tudo pode dar certo" do Woody Allen mas a seção ia acabar ainda antes do final do jogo, então não me servia. Aí que mudando totalmente de gênero e qualidade, fui assistir ao "Predadores".
Particularmente acho o Predador, junto com o Alien, os melhores vilões não-humanos do cinema (humano, o melhor é Hannibal Lecter). Aquelas armas dele são um barato, as visões adaptáveis, a camuflagem semi-invisível; um baita caçador! Mesmo já imaginando que o filme não manteria a qualidade do primeiro, muito legal com Arnold Schwarzeneeger, encarei a parada.
Olha, o negócio é meio que uma mistura de "Lost", com game, com filmes de fantasia, com várias coisas sugadas do primeiro filme da série. Sabe quando se usa a expressão que o personagem "caiu de pára-quedas no filme"? Pois é! Em "Predadores" literalmente eles caem assim numa selva desconhecida. Ninguém se conhece, alguns guardam alguns mistérios, outros tem desavenças pessoais, desconfianças e blá-blá-blá. Depois a gente já sabe: na selva, que é o playground dos predadores, os combatentes vão sendo caçados um a um pelos nossos heróis-vilões, que se utilizam de todos aqueles recursos maneiros pra estraçalhar, mutilar, detonar, explodir as vítimas. O ruim é que mesmo com todos estes 'brinquedinhos' a coisa não fica muito legal e eles acabam sendo mal utilizados enquanto recurso bélico na caçada e também visualmente no filme.
Não deixo de gostar do personagem nmas com certeza ele vem sendo cada vez mais mal utilizado e piorado. Tomara que algum bom diretor ressuscite a franquia e utilize bem um dos melhores vilões alienígenas do cinema antes que ele acabe se desgastando definitivamente.
O filme me serviu, sim, pra dispersar o pensamento durante o jogo, mas foi só acabar a sessão pra eu ficar extremamente ansioso para abrir as mensagens do celular que eu havia pedido para me mandarem informando o que tinha acontecido. Mas ao contrário do que se poderia imaginar, prorroguei minha angústia, curiosidade e sofrimento e não liguei o aparelho imediatamente após o final da seção. Pensei "e se foi pros pênaltis?". Não, melhor deixar pra ligar o celular só em casa quando já terão cobrado todos e já terá saído um vencedor. Liguei o celular na porta de casa. Mensagem da minha irmã: "Deu, Poooorra!!!".
Deu! Deu!
Fui ver o filme mas o verdadeiro PREDADOR estava no Morumbi. A cabeleira do Tinga não parece a do Predador do filme, mesmo?
Não podia dar outra coisa: INIMIGOS ANIQUILADOS.
Vamo, Vamo, Inter!




Cly Reis

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Kraftwerk - "Radio-Activity" (1975)



"O Kraftwerk é tão influente quanto os Beatles na música popular na segunda metade do século XX."



Eles são uma espécie de últimos herdeiros da tradição musical alemã. Filhos indiretos de Schubert, Bach e Beethoven. Representam ainda hoje um patamar elevado de vanguarda, experimentação, originalidade e ousadia no que diz respeito a método e técnica, e de concretismo e minimalismo no tocante à linguagem; sem renegar, contudo, sua evidente influência da música clássica, na qual sempre mantém um pezinho mesmo quando levam sua sonoridade industrial aos limites.
O Kraftwerk, especialmente nos anos 70, tratou de 'humanizar" sons mecânicos, industriais, tecnológicos e dar vida ao que não tinha som até então. E que ironia, logo eles com seu aspecto, comportamento e sonoridade quase mecânicos.
Foi assim com "Radio-Activity", álbum conceitual, todo concebido a partir do tema básico ENERGIA. Ela e seus usos, resultados, reflexos e consequências, sendo explorados em todas as suas formas e meios de emissão, propagação, produção, etc. "Radio-Activity" vai de ondas de rádio a materiais radioativos; de simples sinais sonoros a energia nuclear. A genial abertura, por exemplo, é um contador geiger que aproximando-se da fonte de radiação, acelera seu sinal e por fim incorpora-se à percussão da faixa-título, "Radioactivity".
As composições minimalistas e mais ritmadas que nos álbuns anteriores, inserem perfeitamente o disco no contexto pré-punk da metade dos anos 70. "Airwaves", uma das melhores, é exemplo evidente da proposta e daquele panorama musical. Acelerada, palpitante, com um ritmo mais agressivo e constante.
Já "Radioland", antecipa a tendência dark do início dos anos 80 com uma batida marcada e ôca; soturna e sombria.
Faixas como "News" e "Radio Stars", podem ser subestimadas numa primeira audição, parecer meros ruídos ou repetições cansativas, mas se bem ouvidas e analisadas com a devida atenção, revelam uma musicalidade muito peculiar, só que nós, meros mortais (excessivamente humanos) não teríamos descoberto isso sozinhos até que alguém resolvesse chamar de música.
Ainda a se destacar a ótima "Antenna" com sua levada mais elétrica, também já influenciada pelos punks precoces, e a derradeira "Ohm Sweet Ohm", mais uma homenagem ao rádio, numa melodia que cresce de um ritmo melancólico a um final grandioso.
A capa é outro elemento interessante: além do nome dúbio (rádio + atividade), a arte é de uma simplicidade e de uma genialidade admiráveis. Uma frente de rádio antigo na capa, e na contra, a parte de trás do aparelho. Só isso. E precisava mais? Tecnologia, energia, evolução, modernidade, comunicação, música... tudo ali. Imagens que valem por muitas palavras e suscitam inúmeros sons.
O mais incrível é, hoje, a gente ouvir qualquer coisa, não apenas da cena eletrônica mas mesmo do universo pop e rock e ver que ali tem Kraftwerk; desde um conceito, um ruído, uma base, um sampler, uma ideia. Talvez só encontremos tamanha evidente influência no universo pop-rock com os Beatles.
Kraftwerk está em tudo!
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FAIXAS:
  1. "Geiger Counter" – 1:07
  2. "Radioactivity" – 6:42
  3. "Radioland"– 5:50
  4. "Airwaves" – 4:40
  5. "Intermission"– 0:39
  6. "News"– 1:17
  7. "The Voice of Energy" – 0:55
  8. "Antenna" – 3:43
  9. "Radio Stars"– 3:35
  10. "Uranium"– 1:26
  11. "Transistor" – 2:15
  12. "Ohm sweet Ohm" – 5:39
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Ouça:
Kraftwerk Radio-Activity


Cly Reis