quinta-feira, 28 de outubro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
cotidianas #55 - A Brutal
- Lá vem ela.- Brutal.
- Brutal...
- Brutal!!! - Concordavam os três.
Viviam babando por ela no pátio do colégio. Devia ser do terceiro ano, tinha já jeito de mulher, de mulherão. Não sabiam sequer o nome da garota. Achavam-na tão fantástica, tão fora do comum, de uma lindeza tal que poderia aniquilar todas as outras a um mero desejo, que a batizaram simplesmente de "Brutal". Era um apelido, uma alcunha e ao mesmo tempo um adjetivo, uma definição para qualquer ato que ela tivesse.
Observavam cada movimento dela nos corredores da escola, no bar, no ponto do ônibus, como se fossem praticados de uma maneira diferente de qualquer outro ser humano, ou pelo menos muito mais sensualmente do que qualquer mulher os faria. Tipo:
- Olha aquilo: ela tá tomando refrigerante... Mmn! Brutal, cara!
- Brutal...
- Brutaaal!!!!
Outra hora era:
- Olha o jeito que ela anda... Nooossa!
- Brutal , hein!
E os outros concordavam: Brutal! Brutal!
Depois:
- Cara tu perdeu ela bocejando.
- Puta merda! Como é que foi?
- Brutal, cara! Brutal.
- Puta que pariu, - lamentou - perdi isso!
Podia ser subir a escada, comer um sanduíche, pentear o cabelo, embarcar no ônibus; tudo se resumia a uma palavra para aquela musa: Brutal!
Certa vez, já babando e tendo pronunciado a palavra 'brutal' umas 30 vezes e atribuindo-a a cada pequena ação da moça tal como piscar, respirar, etc., tiveram a impressão que ela se encaminhava na direção deles no pátio. "Impressão nossa", disse um. Só quando ela estava a uns três metros, estupefatos, tiveram certeza, sim, ela ia falar alguma coisa com eles. "O que que ela poderia querer com a gente?".
Foi então que ela perguntou:
- Algum de vocês sabe se a secretaria abre hoje?
- Pô, não sei dizer, não - respondeu o primeiro meio embaraçado.
- Também não - disse o outro.
- Aí, ... tipo... Não sei, mesmo - confirmou também o último.
- Ah...Tá bom. 'Brigadinho. Tchau!
- Tchau - em uníssono.
Assim que ela se afastou um pouco, sem sair completamente do transe, um deles conseguiu falar:
- Vocês viram isso?
- Se vi... - exclamação que saiu entre uma espécie de suspiro.
- Brutal!!!
- Brutal...
- Brutal.
Cly Reis
terça-feira, 26 de outubro de 2010
"Atividade Paranormal 2", de Tod Williams (2010)
Depois de ter ficado olhando pros cantos do quarto com "Atividade Paranormal" (2009), fui tentar o segundo da franquia dando alguma chance, botando alguma fé. Mas é bem inferior que o primeiro. Muito inferior.Não tem nada de novo!
Repete a mesma história, as mesmas cenas, não traz nenhuma sensação ou emoção nova, não incute mais medo, nem passa tanta tensão. Só tem mais câmeras que o primeiro por causa do circuito interno da casa mas, a rigor, isso não se traduz em vantagem alguma. Este é até pior no que tange ao 'pseudo-realismo' proposto uma vez que muitas cenas não se justificam estarem sendo filmadas com câmera na mão, no modelo documentário.
De legal mesmo tem o fato de neste ter um cachorro e uma criança; o animal sempre é legal nestes casos pelo fato do instinto do bicho, de ter seus sentidos mais aguçados inclusive para o invisível, e uma criança sempre dá um ar mais inocente, , queridinho, comiserativo porém aterrorizante.
Mas é fraco, amigos. É fraco.
A vantagem é que vou passar uma noite tranquila.
Cly Reis
domingo, 24 de outubro de 2010
Public Enemy - "Apocalypse 91... The Enemy Strikes Back" (1991)
O INIMIGO PÚBLICO NÚMERO 1
"Combata o poder."
Public Enemy
Desde moleque eu tinha uma mente meio rebelde; nada muito pesado, mas eu já pensava em fazer coisas diferentes. Jamais pensei que um dia conheceria o PE.
Foi em meados de 1991/1992 eu acho, enquanto o mundo ainda vagava pela Acid-house, ou pelo Grunge , eu misturava o Rap com Hardcore, influenciado por uma música que tinha escutado. Eu pensava em mudar o mundo junto com mais alguns malucos e, ao mesmo tempo que isso acontecia na minha mente, estava acontecendo no mundo uma outra revolução: o Hip-hop. E junto a uma avalanche de artistas um grupo em especial me chamou a atenção: o PUBLIC ENEMY.
O grupo nasceu quando o estudante de design gráfico e fã de hip hop, Chuck D resolveu criar um projeto musical com cujos objetivos eram basicamente modernizar as bases e batidas do rap e levar para o gênero as discussões políticas e sociais dos EUA. Para isso contou com Terminator X., Professor Griff e Flavor Flav. Em 1987 lançavam seu primeiro álbum, "Yo! Bum Rush the Show" e já o ano seguinte, apareceram com "It Takes A Nation of Millions to Hold Us Back". Com os sucessos "Don't Believe the Hype" e "Rebel without a Pause", alcançaram sucesso de crítica e extrapolaram as fronteiras do hip hop. Com "Fight de Power", presente na trilha de "Faça a Coisa Certa" (89), de Spike Lee, o Public Enemy atacava ídolos brancos, como John Wayne e Elvis Presley (o grupo depois iria amenizar essas críticas). No mesmo ano, Professor Griff era expulso da banda após supostas declarações anti-semitas dadas ao jornal "The Washington Post" mas a banda continuaria a conservar sucesso de crítica e público com "Fear of a Black Planet" (90) e "Apocalypse 91...The Enemy Strikes Black" (91). Em 1992, causaramm polêmica com o clipe "By the Time I Get to Arizona", que protestava contra o Arizona, um dos dois estados dos EUA que não consideravam feriado a data de aniversário do líder negro Martin Luther King (1929-68). A partir daí, a banda entrou em recesso criativo, lançando álbuns irregulares, o melhor deles sendo "He Got Game" de 1998.
Eu os conheci com o álbum "Fear of a Black Planet", e esse álbum me fez rever conceitos, e tenho certeza que de muitas pessoas também. A meu ver, foi o responsável pelo sucesso dos caras para o mundo, com músicas como "Fight the Power" e "911 is a Joke".
Depois comprei o "Apocalypse 91... The Enemy Strikes Back", e é desse álbum que vou falar:
Esse disco foi o que eu precisava ouvir para me sentir uma pessoa melhor, e acreditar finalmente que era possível ser um negro sem precisar empunhar uma arma, ou ter que sofrer com o preconceito.O movimento brasileiro de Hip-Hop, que vem aumentando até hoje e melhorando musicalmente, foi o que resgatou essa auto-estima de vários jovens pelo Brasil
Foi com o "duplão" dos PE que embalei boas sessions de skate pelos parques da capital gaúcha e mais tarde rolei em alguns campeonatos. Cara esse disco faz parte da minha vida até hoje carrego na case por onde vou.
Destaque para "Rebirth", "Shut Em Down" e "Bring The Noise", esta última gravada junto com a banda de metal Anthrax, o que daria início a mais uma revolução... mas isso é assunto pra outro texto.
FAIXAS:
1. Lost At Birth
2. Rebirth
3. Night train
4. Can’t Truss It
5. I Don’t Wanna Be Called Yo Niga
6. How To Kill A Radio Consultant
7. By the Time I Get To Arizona
8. Move!
9. 1 Million Bottle bags
10. More News At 11
11. Shut Em Down
12. A Letter to the New York Post
13. Get the F— Outta Dodge
14. Bring the Noise
**********************************
Ouça:
Public Enemy Apocalipse 91... The Enemy Strikes Black
por Lúcio Agacê
Luciano Reis Freitas (Lúcio Agacê) é músico, DJ, produtor e radialista. Inquieto, está constantemente atuando em diversos projetos simultâneos especialmente na região metropolitana de PortoAlegre. Tem raízes musicais sobremaneira no punk, no rap, hip-hop, no funk e suas origens mas mantém sempre as antenas ligadas em todo o som que acontece à sua volta. Foi integrante, entre tantas outras, das bandas HímenElástico, Código Penal, Caixa Preta e atualmente está ligado às bandas Digue, Porlacalle, Grosseria e mais outros tantos projetos paralelos.
Sites dele:
http://meugritofazvocepensar.blogspot.com/
http://djbrasil.ning.com/profiles/profile/show?id=lucioagace&xg_source=facebookshare
http://www.myspace.com/lucioagace
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
cotidianas #54 - O Candidato Caô *
* adaptação da letra de "Candidato Caô Caô"
interpretada por O Rappa com Bezerra da Silva (1994)
Candidato Caô Caô
(Walter Meninão e Pedro Butina)
Caô, caô a justiça chegou ...
Ele subiu o morro sem gravata
dizendo que gostava da raça, foi lá
na tendinha, bebeu cachaça e até
bagulho fumou
Foi no meu barracão, e lá
usou lata de goiabada como prato
eu logo percebi é mais um candidato
As próximas eleições
As próximas eleições
As próximas eleições
Fez questão de beber água da chuva
foi lá na macumba e pediu ajuda
bateu a cabeça no gongá
"deu azar"...
A entidade que estava incorporada disse:
- Esse político é safado cuidado na hora de votar !
também disse ...
- Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a polícia lhe bater ...
- Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a polícia lhe prender ...
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a policia lhe bater ...
eu falei prá você, "viu"?
(falado por Bezerra da Silva)
Esse político é safadão hein !!!
Nesse país que se divide
em quem tem e quem não tem,
sempre o sacrifício cai no braço operário
Eu olho para um lado, eu olho para o outro
vejo desemprego e vejo quem manda no jogo
E você vem, vem, pede mais de mim
diz que tudo mudou e agora vai ter fim,
mas eu sei quem você é e ainda confio em mim
Esse jogo é muito sujo mas eu não desisto assim ...
Você me deve ... Ah ah ah ah !!!
Malandro é malandro e mané é mané !!!
Você me deve ....
Você me deve seu banana prata !!!
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Ouça a Música:
Candidato Caô Caô - O Rappa (partic. esp. Bezerra da Silva)
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