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quinta-feira, 14 de abril de 2011

cotidianas #77 - A melhor coisa do mundo




Na escola, o tema do dia era: "qual a melhor coisa do mundo?"

A professora então começa a perguntar para os aluninhos:
- Mariazinha, qual é a melhor coisa do mundo?
E a menina responde:
- A família, professora.
- Ah, muito bonito, Mariazinha. E para você, Pedrinho, qual é a melhor coisa do mundo?
- As flores, professora.
A professora achou meio 'suspeito' aquele negócio de flores mas mesmo assim, saudou a resposta do garoto e prosseguiu:
- Joãozinho, qual é a melhor coisa do mundo?
- Buceta, professora!
- Como é que é?
- Buceta!
- Já pra secretaria, descarado. Quero ver você repetir isso na frente da diretora.
E levou o moleque à presença da diretora:
- Quero ver agora. Repete o que você falou quando eu lhe perguntei qual era a melhor coisa do mundo, repete...
- Buceta, ué!
- Oh! - reagiu horrorizada - Menino malcriado! Isso não pode ficar assim! Vou chamar o seu pai aqui na escola.
Uma hora depois chega o pai muito sério, bem vestido e pergunta o que aconteceu, ao que a professora se antecipa à diretora e responde:
- Perguntei ao filho o que seria a melhor coisa do mundo e ele respondeu em plena sala de aula, "BUCETA".
O pai, como que tranquilizado pela falta de gravidade do fato, prontamente responde:
- Liga não, professora, é guri novo. Nunca comeu um cuzinho.

The Jesus and Mary Chain - "Automatic" (1989)

Vim ouvindo hoje, pro trabalho, o "Automatic" do The Jesus and Mary Chain, que mesmo não sendo a obra-prima da banda é um disco bem legal. É o primeiro desde a dissolução da banda de apoio, que contava como futuro-Primal Scream, Bobby Gillespie, permanecendo apenas os irmãos Jim e William Reid à frente de suas barulhentas e distorcidas guitarras, apoiados apenas, na maior parte das músicas por ritmadores eletrônicos e programações de bateria.
O fato de ter que recorrer a estes recursos não fez com que o disco soasse eletrônico ou artificial. Pelo contrário: "Automatic" é rock'n roll puro. É cheio daquelas influências de rockabilly, como em "Coast to Coast"; de Beach Boys, como em "Beetween Planets", e de punk rock em praticamente todas; tudo isso sem abandonar as tradicionais tempestades sonoras que já eram marca registrada da banda desde sua aparição, como na barulhenta "Gimme Hell" e de alguma forma sempre presente em várias outras dos disco."Take It", por exemplo, lá pela metade, parece estar fora de controle como se os ruídos, distorções e microfonias tivessem vontade própria, num exemplo clássico de como o bom e velho rock'n roll se transforma nas mãos dos irmãos Reid.
Mas o grande destaque do disco, e provavelmente o maior sucesso comercial da banda, é "Head On", uma gostosa canção com generosas pinceladas surf-music, que viria a ser gravada depois pelos Pixies e aqui no Brasil, pela Legião Urbana no seu acústico. Clássico!
Como eu disse, não é nenhum disco fora do comum, ainda mais se comparado ao fantástico "Psycho Candy", mas não deixa de ser um disco muito gostoso de ouvir.
E vou então me deliciando com ele hoje no carro.
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FAIXAS:
1."Here Comes Alice" – 3:52
2."Coast to Coast" – 4:13
3."Blues from a Gun" – 4:44
4."Between Planets" – 3:27
5."UV Ray" – 4:04
6."Her Way of Praying" – 3:46
7."Head On" – 4:11
8."Take It" – 4:34
9."Halfway to Crazy" – 3:41
10."Gimme Hell" – 3:18

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Ouça:
The Jesus and Mary Chain Automatic


C.R.

"O Cachorro que Jogava na Ponta Esquerda", de Luís Fernando Veríssimo - Coleção Gol de Letras - Ed. Rocco (2010)



Acabo de ler o delicioso livro “O Cachorro que Jogava na Ponta Esquerda” de Luís Fernando Veríssimo, escritor que como já, de hábito, cativa pela sua inteligência e bom humor, neste então, amante de futebol como é, chega a emocionar quem, pelo menos uma vez na vida já correu atrás de uma bola num campo de pelada.
Num livro como este, por mais que a gente saiba, parece que reforça o quanto cada campinho, cada joguinho de pelada, cada timezinho , cada meninada é praticamente igual.
Muda uma coisa aqui, um detalhe acolá, mas a essência do negócio é a mesma. As situações são, por exemplo, muito parecidas com diversas que aconteciam com meu time de bairro trazendo à lembrança com nostalgia e bom humor cada momento, situações engraçadas e dramáticas que passamos. O dono da bola, o craque do time, o pereba, os jogos importantes, os grandes momentos e claro, os tipos estranhos que aqui ficam incrivelmente representados na figura de um cachorro.
Muito legal. Divertidíssimo. Ri muito sozinho lendo no pátio da empresa e olhando pros lados para ver se não estava sendo observado por alguém que pudesse estar pensando, “que que aquele maluco tá rindo sozinho, ali embaixo daquela árvore?”. Bom, se alguém viu, azar! O fato é que estava muito bom e eu tava curtindo pra caramba.
Não é só recomendável mas indispensável para que já bateu uma bolinha quando criança. Traz de volta tudo aquilo de gostoso e puro que nossas infâncias deixaram pra trás. Aquilo era rico em experiências, lealdade, amizade, objetivos e formação de caráter, e de certa forma, com um conto singelo e de narrativa simples, Luís Fernando Veríssimo consegue nos fazer lembrar destes valores e curtir de novo aqueles momentos. Afinal de contas, tinha coisa mais legal do que ir jogar bola no campinho com os amigos?


Cly Reis

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dead Kennedy's - "Fresh Fruit for Rotting Vegetables" (1980)


"Eu quero uma festa com o s Kennedy's,
Eles é que sabem o que é hardcore..."
verso da música "Festa Punk
da banda Os Replicantes



Foi meu primo Luciano, hoje DJ Lúcio Agacê, que me apresentou o som dos Dead Kennedy’s. Ele era na época voltado de forma mais direta para este tipo de som, estava descobrindo coisas e volta e meia me trazia alguma novidade. Tenho que admitir que não foi assim de primeira que saí gostando daquilo. Aquele som acelerado, meio barulhento demais pra mim, sem falar naquela voz aguda, estridente de boneco descontrolado que não me desceu bem logo de cara.
Naquele momento eu estava numas de curtir o som dark, os chamados góticos, mas não tinha cultura musical nem percepção o suficiente notar que tudo o que eu ouvia, de certa forma, provinha do punk dos anos 70, que era exatamente ao que os Kennedy’s davam continuidade na virada da década com seu hardocore politizado e renovado.
Mas a minha resistência não pôde durar muito e logo, mesmo eu ‘darkzinho’ dos anos 80, me rendia ao som dos DK e já tinha gravada minha fitinha K7 do “Fresh Fruit for Rotting Vegetables”, ábum de estreia da banda de 1979. Um clássico do rock! Um clássico do punk-hardocore! Uma pedrada! Um manifesto musical inconcessivo e brutal! Tudo: som, letras, postura, agressividade é incontido, desmedido. Atitude pura! Som com inteligência, sarcasmo, politização e posicionamento. Biafra, ao contrário de muitos artistas que falam, falam, mas não agem, não se restringiu sua atitude apenas ao microfone, ao palco ou aos estúdios e chegou, anos depois, a ser candidato a prefeito de San Francisco, com uma plataforma política um tanto radical mas extremamente coerente com tudo o que apregoava enquanto músico, conseguindo surpreendentemente cerca de 6 mil votos.
Quanto ao álbum, quando a voz singular de Biafra surge anunciando “Kill the Poor”, tem início um dos discos mais expressivos da história do rock, e esta que abre o disco já é uma mostra da ironia fina e inteligente de Biafra, sugerindo que com o extermínio dos desempregados pelo menos teremos mais espaço para brincar. “Let’s Lynch the Lanlord”, é outra fantástica, com sua levada mais cadenciada (boa pra poguear); “Drug Me”, ao contrário, é tão rápida que a voz chega a parecer estar em uma rotação mais acelerada e suas guitarras soam repetitivas e atordoantes no refrão; e “Chemical Warfare” que brinca no final com o “Tema de Lara” do filme Dr. Jivago”, é outra das grandiosas do disco.
Mas o grande clássico dos Kennedy’s, a mais polêmica e provavelmente a melhor do álbum é “California Über Alles”: uma introdução forte de bateria num ritmo tribal desemboca numa base de guitarra bem flamenca com claras influências de surf-music dos anos 60, o que servirá de lastro para Biafra despejar sua irônica e genial letra, interpretada na pessoa do então governador da Califórnia Jerry Brown revelando-se fascista, nazista, assassino, etc., com o ritmo subindo num crescendo ao longo da música até tomar uma sonoridade mais pesada e acelerada num final extático e arrebatador. "Eu sou o governador Jerry Brown/ Minha aura sorri e nunca faz caretas/ Logo eu serei presidente". A canção gerou alvoroços, desconfortos, restrições mas no fim das contas só serviu para consolidar a condição dos Kennedy’s como uma das bandas mais provocativas e de Biafra como um dos mais cabeças e engajados artistas da cena musical.
O discaço ainda traz as ótimas “Holiday in Cambodia”, igualmente forte, intensa e pesada; e encerra com a irônica, “Viva Las Vegas”, um hardcore agitado com jeito de rodeio.
Um verdadeiro barril de pólvora. Um coquetel-molotov em forma de disco. Conteúdo perigoso e inflamável. E é inevitável; é só colocar pra tocar que pega fogo.
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FAIXAS:
1. "Kill the Poor" – 3:07 (East Bay Ray, Jello Biafra)
2. "Forward to Death" – 1:23 (6025)
3. "When Ya Get Drafted" – 1:23
4. "Let's Lynch the Landlord" – 2:13
5. "Drug Me" – 1:56
6. "Your Emotions" – 1:20 (East Bay Ray)
7. "Chemical Warfare" – 2:58
8. "California Über Alles" – 3:03 (Jello Biafra, John Greenway)
9. "I Kill Children" – 2:04
10. "Stealing Peoples' Mail" – 1:34
11. "Funland at the Beach" – 1:49
12. "Ill in the Head" – 2:46 (6025, Jello Biafra)
13. "Holiday in Cambodia" – 4:37 (Jello Biafra, John Greenway)
14. "Viva Las Vegas" – 2:42 (Doc Pomus, Mort Shuman)

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Ouça;
Dead Kennedy's Fresh Fruit For Rotting Vegetables

Cly Reis

cotidianas #76 - "Sugar Water"

Acordar, tomar um banho, pegar a correspondência, presenciar um acidente na rua, um dia de azar... (ou tudo isso ao contrário?). O que pode ser mais cotidiano?
Com vocês, "Sugar Water" do Cibo Matto.